terça-feira, 27 de abril de 2010

Não, não sei se foice ou lâmina. Mas deveria ter ido há tempos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

e março
já marcha

domingo, 11 de abril de 2010

da venta e do verde azul

e há que diga que nada mais há no azul imenso do céu, apenas ele. Grande, vasto, vezes multicolor, astros. Penso muitas coisas, entre muitas delas, coisas boas e proveitosas. Penso que nesse céu que abraça o chão, cabe muito mais que pequenos imensos astros vistos à olho nú, sequer almas perdidas, borboletas e algodões doces. A vida e o céu dão as mãos no entardecer pra cobrir os olhos de quem vê com a alma e os olhos da cara, o sol, aquele monstro que anda castigando quem fez, ou não, por merecer. Fato é que a terra, o céu e nem o diabo no sol são justos, por isso tanta revolta e perplexidade perante os acontecimentos fatídicos que assolam quem merece, e quem não.

Triste é ver essa coisa enorme sob nossas cabeças e sentir o quão mal tem se feito. Não tardar muito e o azul com carneirinhos tornar-se-á cinza e escuridão, por fim. E momentos como esses que poderiam ser perfeitamente compartilhados num vento seco, resultado de um pseudo frio, vir desarrumar a franja, cobrindo os olhos a olhar aquela linha, horizontal, dependendo de que ângulo se vê, se dissolver em segundos laranjados. Poder-se-ia compartilhar, se assim pudesse. Estar viva é muito mais gratificante do que um par de camas sem pés a ranger. Por que a ausência e a certeza de que a mesma é pra sempre, por vezes conforta, por outras é grata por que na vida, nada é por acaso e acima daquela imensidão azul e seus carneiros, há quem saiba demais.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Vermelho, amor.

Desejo todos os tons de vermelhos
um para cada boca,
um pra cada dia,
um pra cada louca,
um para cada par de olhos

Os vermelhos me são vastos
e me deixam rastros por onde passam
Meus vermelhos são fortes, vezes fracos
Mas gosto não têm

Meus vermelhos propósitos
indiscretos e incômodos
Me colocam um pouco
da cara cor na face

O espelho diz:
tu sabes o vermelho amor que tens.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

C

Pro silêncio que corrói unhas, estômagos, membros e braços
naquele silêncio que ecoa do nada pro nada e pra nada
solto sem dor nenhuma, um dó maior
e um mantra diário que me faz melhor, cada dia mais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Das mudas

Roendo fracionadamanete unhas,
olhando detalhadamente céus
contando meticulosamente gotas
rezando pra calçada mudar de lugar
toda vez que os ângulos das suas pernas
já tortas de futebol,
formarem cruzes apontando pro céu

Quantos carros coloridos
E minha face sem cor
Quantos postes, quantas costas definidas, divididas
Cara e espelho, sem tirar nem por

Me falta um batom , querida
Quantos postes, quantas costas
Poder de ir e vir
Quantas noites, quantas mortes
Ai que vontade de rir

É sem tirar nem por, menino
Sem tirar de cor
Sem mudar de cor, menino
Sem mudar de cor

Não se muda só mudando de endereço
Não se muda se morrendo o dia inteiro
Não se muda gritando, não se muda fugindo
Não se muda matando
Não se fala, não se muda.

sábado, 3 de abril de 2010

me dá um pedaço do teu bolo.

domingo, 28 de março de 2010

Ele parecia estar nos anos oitenta, com ar de vanguarda, enquanto pessoas com síndrome de down e síndrome de importância discutem política, cultura e opniões como se lhes fossem propriedade, sem sair do conforto de suas cadeiras acolchoadas. Onde o maior movimento que se faz para mudar seus descontentamentos pessoais, é o dos pulsos a movimentar os dedos ou mouses da moda. Engraçado é assistir essa novela onde os coadjuvantes ganham prêmios de gratificação pelos correios, como se fossem cachorros, por mais que sua importância não passe de momentos escuros em cima de uma cama, cheia de conjuntos de outros, ou dentro do ambiente de trabalho nos horários extra-conjugais.

Sim, síndrome de down não tem cura e nem se pode escolher seus genes, mas coliegas: maquiagem forte usa quem pode.

segunda-feira, 22 de março de 2010

ela também tinha bunda de passarinho.

Do que passou e do que ainda fica.

É de lá, o vento que tem cheiro de sal, areia e bloqueador solar. Lá, onde a poeira é fina e dá até pra varrer sem perder de vista. Seria uma varrição infinita, pois tão infinita quanto ela, só mesmo aquela no fundo daquele também, mar. Lembro de vir andando, com o sol ardendo e queimando os cabelos escuros, tornando-os avermelhados. Lembro também que quando era criança queria ser ruiva. Apelei para opções artificiais, já que escolher um pai ruivo, ou mãe com alelos recessivos e nascer denovo ainda não era possível. Foi bom enquanto durou. O cabelo foi de outras mil cores. Não mil, mas umas cinco foi. O problema é que pra família, a imagem de si que fica, é sempre aquela que você faz questão de esquecer. Nem sempre.

A fachada tinha mudado de cor, depois de tanto tempo sem voltar lá, errei o endereço. Olhei pro canto do muro e lembrei das roseiras que furavam o dedo quando criança. Viraram concreto. - É mais fácil de lavar. E eu balançava a cabeça concordando pra não ter que discutir a imporância de se ter solo, grama, terra na sua casa. Ia demorar demais e além de estar com preguiça e com sede, ia dar muito trabalho.

O corredor sempre foi escuro. A mesa da sala de estar de madeira boa. Não precisa ser um bom conhecedor de madeiras pra saber quando uma é. Um quarto à direita tinha se transformado em dois, onde uma prima, até então desconhecida, assistia um desenho animado na tv, comendo tangerina. A vó gritou: - Menina, não vai me melar a blusa, oxente! Ela me olhou, melada até a testa e sorriu. Sorri também. Não me custava nada.

Em frente a mesa da sala, um parapeito com casamentos, batizados, aniversários de criança, velhos em sua juventude, irmãos, parentes, o cachorro, já então falecido, um paninho de renda verde e um monte de gente pra mim desconhecida. Pensando bem, já era tarde de mais para conhecer algumas delas.

Sigo em frente, lembrando que quando era menor, ele costumava colecionar telesenas na gaveta de madeira que tinha cheiro de fungo. Tinha também uma máquina de escrever e umas revistas de mulheres bonitas, bem bonitas. Era o que eu sabia naquela época. Hoje em dia o lugar virou uma outra sala, com um sofá também mofado, as mulheres já estão idosas ou mais que isso. E as telessenas, foram recaptalizadas.


Na parede e na porta, retratos saudosos. E alguns fungos também. Era bem úmido e choroso aquele lugar. Olhei pra mim, há anos. Sem alguns dentes, mas os olhos eram os mesmos: duas jaboticabas em forma de gota inclinada. Os cabelos lembrando meus ancestrais absurdamente desconhecidos. Senti um cheiro de picolé de côco que ela fazia e das fivelas de cabelo que ela me dava. Eram feias, eu nunca usaria, mas sempre guardei como forma de respeito. Apesar de nunca tê-la por perto, e eu nem queria, fiquei triste e de coração mole.

Outro quarto escuro, parecendo uma cela. O cheiro também não era agradável. Ser velho e dependente é degradante. Estava ela, sob ossos e peles, deitada numa cama de madeira também. Ele, em vida, era marceneiro, carpinteiro e sabia fazer as coisas.

- Como você está gordinha. É..saudável,né?. Alguns minutos de interrogatórios repetidos, me despedi como se fosse a última vez. - Fica com deus. - Mande lembranças à sua irmã. - Tá, eu dou, eu dou. - Vá à praia, faz muito tempo que eu não vou lá. Vi umas lágrimas escapando entre a brecha que abriu entre os olhos e a pele de bochecha, mas era comum, era muito emotiva.

Fui ao sofá, enfiei a mão na lateral pra ver se achava algo que tinha escondido há décadas. Não achei, óbvio, mas tive aquela sensação de alívio e uma vontade louca de tomar banho no mar.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Eu não tenho pena. Não gosto de competir com quem tem mais do que eu.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ela parece um cupuaçú peludo, só que é fedida. Mas cupuaçú não toma banho. A conclusão mais imbecil de todos os tempos: Minha cadela é um cupuaçú!

quarta-feira, 10 de março de 2010

ri

e quando aquele cheiro de água passar, cheiro de sujeira, de esgoto, de côcô, de cachorro molhado, de lama, de terra, de água de louça, de patos e de galinhas, de gente morta que emerge, assim como os cachorros e as bonecas enterradas, emergem quando o sol bate e sobe, junto com suas almas (almas de plástico também sobem), aquele mal cheiro, pixé, catinga, vutum, fedor insuportável de coisa no sol

e quando eu não conseguir mais enxergar o rio da janela no quarto vazio da casa, quando essas invasões estiverem despedaçadas de mofo e leptospirose, malária, dengue, e todas essas doenças tropicais, que parecem ser muito mais especiais que as outras doenças só por que não tem dinheiro sendo investido, simplesmente por serem doenças que somente os pobres , a grande massa, contrai. E não é nada difícil pois doenças causadas por parasitas como bactérias, protozoários, podem até ser complicadas de tratar, mas se conseguem tratar um vírus que se muta a cada ciclo de vida, por que não investir em saúde, pelo amor de deus! Sabe por que esse alvoroço todo chamado batalhão da dengue, que diz que vão reduzir drásticamente os casos ? É muito óbvio, elementar, eu diria: o ciclo de vida do mosquito está chegando ao fim, é muito fácil acabar com o que já está acabando.

Na verdade eu só precisava dizer que passo muito tempo da minha vida doente, observando pássaros na janela, contanto unhas pelo chão e ouvindo minha cadela roncar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Desde de ontem decidi que apartir de hoje meu sobrenome vai ser flor. Porque? Porque eu acho bonito.

No claro ainda das sete horas da noite, o tempo, esse imundo, passa como se fosse correndo da polícia. Pronto, já se passou à ferro também as horas e as coisas acumuladas vão pra gaveta. Anoto na agenda pro dia de amanhã, o que não foi feito. É normal deixar-se consumir pelo desânimo e pela preguiça de vez em quando. Todo mundo merece um tempo down, sem falar com ninguém, sem ter que responder e nem lembrar que as pessoas existem, por mais que elas insistam em existir. O problema todo é quando isso se torna rotina. A desorganização é uma pilha de afazeres que você sempre come fria e sem a ajuda de bacterias digestoras de celulose.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

É que não há fonte mais perigosa que a do saber.

O TEMPO QUE NÃO SE PERDEU- Arquivo??

Não se contam as ilusões
Nem as compreensões amargas,
Não há medida para contar
O que não podia acontecer-nos,
O que nos rondou como besouro
Sem que tivéssemos percebido
Do que estávamos perdendo.

Perder até perder a vida
É viver a vida em morte
Não são coisas passageiras
Mas sim, constantes, evidentes,
A continuidade do vazio,
O silencio
Em que cai tudo
E por fim nós mesmos caímos.

Ai! o que esteve tão próximo
Sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
Quando talvez podia ser.

Tantas asas circunvoaram
As montanhas da tristeza
E tantas rodas sacudiram
A estrada do destino
Que já não há nada a perder.

Terminaram-se os lamentos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Perigo é achar

Por favor, não me procure nada.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Páginas e páginas em branco a preencher. E a apagar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

dente que é bom, nada.