segunda-feira, 24 de março de 2008

Colorida Quimera.

As cores eram tão fortes e tão reluzentes que ofuscavam o sol.Seguiam uma linha perpendicular, quase uma parábola por cima das nuvens até o chão.O verde era de brócolis, mas eu não quiz pegá-los.O vermelho era de melancia,mas como era muito grande eu não consegui abrí-la.O azul era do céu mesmo, aquele azul de céu sem nuvens.No fim, que se dava rente aos meus pés, não tinha pote de ouro e muito menos de mel.Então do amarelo eu tirei palmas de banana comprida, que estavam tão doces que eu comi ali mesmo.Tinha gosto de banana mas cor e textura de manga.Quanto mais eu tirava, mais tinha pra tirar.Para as pessoas que passavam eu oferecia e eu me sentia muito simpática e prestativa, seria o efeito dos tesouros das cores? Acho que ali eu percebi que de nada valem os tesouros se você não tem com quem dividir.Então eu acordei com fome.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Passividade

Acabe com isso de uma vez!
Eu sinto palpitar
e me pergunto porque
Me sinto culpada
Por querer que acabe logo
Consegue pegar o telefone
E dizer: Alô?Pode conversar?
Eu sei que a espera
Foi sempre uma irmã
Aliás, mais que irmã
Uma irmã gêmea univitelina
Ou melhor, um irmão
Que não hesitava em abrir o coração
Que não hesitava em chorar
Que nunca hesitava
E eu aqui, como sempre
Esperando...sempre esperando
O êxito.

terça-feira, 11 de março de 2008

Bolo sujo.

Por que
às vezes
sinto vontade
de vomitar
palavras
com ímãs
de maldade
que atraem
as coisas
(dentro de mim)
que eu não
consigo controlar
e fazer um bolo
bolo de maldade
jogar pro alto
e esperar se espalhar
retribuir o mal
com o bem
pois as coisas
e as pessoas
se transformam
e evoluem para
o que quer que seja
e na maioria das vezes
quem recebe
aproveita melhor
do que você.

Predicativos do sujeito só.

E não vejo mal algum em ter problemas.Todo mundo os tem.Quantos tem coragem de expor suas angústias? suas caras feias? suas cara bonitas? seus espelhos pixelizados(?)Suas fraquezas, suas mentiras, suas incapacidades e incompetências, suas falhas e seus medos?Poucos.
E quando não se tem pra quem pedir ajuda?Se fode e se fode conscientemente.

Dedos Inquietos - parte terceira ou segunda.Pessoa.

Por que será que as verdades ditas em terceira pessoa soam menos agressivas aos ouvidos que as assumidas em primeira pessoa de si?

E pergunto mais:Por que será que as palavras, verbos, adjetivos, defeitos e afins enfim, quando lidos senão ouvidos, doem mais?

Eu respondo baseado na verdade d'outrém: Por que temos mais tempo pra relletir, pra pensar e concordar ou não, e se inundar com todos os sentimentos ruins que nos afogam nesses momentos.Momentos estes nos quais pessoas como uma amiga(imaginária) se fazem mais fortes e mais fracas, mais mulheres e mais crianças, mais burras e mais inteligentes, mais covardes e mais corajosas.Sem terceira ou segunda pessoa.

domingo, 9 de março de 2008

Ser Mulher

'Por que ser mulher é ser humano e ser humano é ser homem, é ser mulher...'

segunda-feira, 3 de março de 2008

Uva

Quanto mais o tempo passa
Mais o tempo passa.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Sangue.

Ele pode ser de dor
ou de amor
pode ser violência
ou por carinho
Pode ser de ódio
ou de solidariedade
Pode ser por fraqueza
ou por pura nobreza
Na dúvida ou no alívio
Ele traz alegrias pra mim
por isso
Meus anjos e demônios
Dizem amém.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

De si, pouco se sabe além de mim.

No tempo em que usava sandálias menores que os pés,roupas emprestadas que cobriam as partes que(ainda)não tinha, que mal deixavam ver o que se tinha dentro de si pois escondia com os ombros o que a alma mostra pelos olhos: Aquilo que realmente é.
Achava que era dona do mundo,mas sabia que não se domina o mundo com os ombros.Lhe faltavam braços.E era a dona do mundo.Do seu mundo.Aquele que as fronteiras eram as paredes do quarto de reboco nú, rabiscadas com giz colorido roubado da tia da escola.

Na escola era rainha,era a invejada por todas, a imitada - o que na época irritava-a ao extremo ao ponto de fazer coisas que ninguém teria coragem de fazer.Assim começou nascer alguém em cima de outro alguém.Psicologicamente falando,algo totalmente explicável por Freud.E que fique bem claro que eu não entendo nada de psicologia além do senso comum de dizer que o velhaco explica tudo.Vai saber.Tenho até um livro dele aqui que troquei em um sebo mas nunca tive a coragem de ler.

Como dona do mundo -aquele lá das paredes coloridas- se perguntava o que faltava para se sentir inteira,plena e tranquila com as coisas do seu mundo e do mundo dos outros.Tentava de todas as formas possíveis compensar a falta e ausência com a autencidade copiada, forjada de alguém da revista ou da mtv.Sentia-se satisfeita com tão pouco, se sabotava pensando que as coisas não poderiam ir além do que se vê.
Não sabia que para entender as coisas dos mundos e fazer com que eles fossem seus, tinha que ser do mundo também.E que antes de pertencer a qualquer mundo que fosse, teria que pertencer a si mesmo .Acima do que não se vê e acima do que se quer.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pequena

Tinha os cabelos maiores que a metade da sua altura, pretos como o teclado que agora me serve como tradutor de idéias, preto como a noite sem lua e nem estrelas.Olhou pra mim com olhos de jabuticaba madura ou talvez bolas de bilhar, tão pretas que dava pra ver o reflexo meu e disse:
- O que é isso no seu nariz?
- Um brinco.
- Eu quero um brinco no meu nariz também.
- Não, você é muito pequena ainda pra ter brincos além das orelhas.
Se escondeu atráz da poltrona e levantou em um pulo só dizendo:
- Olha lá fora. Vaquinhas.
E se escondeu.
E olhei as vaquinhas e fiquei pensando.As crianças me comovem.E eu tenho uma certa resistência à isso.À crianças.Em todos os lugares que eu estou, seja numa fila, seja andando na rua ou no ônibus elas tendem a olhar pra mim com uns olhos estranhos e isso me incomoda.Parece que elas sabem de mim mais que eu e pensam:- Olha só, ela nem se conhece.Me dá medo.Mas eu gosto.É uma forma de me testar.Imagine só, as crianças me testando!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Imunidade contr'outros

Não tem como roubar aquilo que já faz parte de si.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pretérito passado

Faço um risco
rabisco
em cima do passado escrito
faço um traço
até ficar borrado

O passado escrito
já foi lido e relido
mas não consegue sair
do pretérito falido
falado

Mas o passado que a gente guarda pra viver depois
é aquele que conseguiu não sair dos planos de papel
e que vivido ou não
talvez nem tivesse a chance de ser presente.

Hide.Love.

Beatles me pega nos melhores momentos.Eu ouço e confirmo o que eu sempre soube: Eles são geniais.

You´ve got to hide your love away


Here i stand head in hand
Turn my face to the wall
If she´s gone i can´t go on
Feeling two foot small
Everywhere people stare
Each and everyday
I can see them laugh at me
And i hear them say

Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away

How can i even try?
I can never win
Hearing them seeing them
In the state i´m in
How could she say to me
"love will find a way"
Gather ´round all you clowns
Let me hear you say

Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away


http://http://www.youtube.com/watch?v=jz7IjXu0DfQ

Gotas

Enquanto lá fora
As gotas doces
Se suicidam das alturas
Aqui dentro
As gotas são salgadas
E se suicidam da mesma forma.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Para materializar a tortura e não perder o costume:
Quem grita no escuro não grita sozinho.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Convexo

Já deixou de ser promessa,agora é minha dívida.És o reflexo convexo da parte ruim de mim.A parte que me deixa dividida entre o orgulho e a verdade.

Negrito

Pra ser ouvida mesmo que em silêncio
Eu falo em negrito
Em sinal nulo ou submisso
Eu grito pra dentro.

Em tom, então.

Me fala de amor com o teu som
Que eu te dou uma nota como resposta
O tom
Por que eu ouço o tremor da fala
Pecebo o som da voz que as vezes se cala

Enxe-me de sílabas unissínonas
Da boca que jorra pregos
Que vibra o martelo
Que constrói em cima de mim
Um vão acústico que me ensina a ouvir
Com a sensibilidade o bem me quer, quem não quer.

Se eu finjo em cima do muro
É pra tomar jeito
Pra tomar murro
Pois o esboço do meu esforço
É escrito em som escroto
No compasso dois por quarto
De um único tom relapso
O meu
Que disfarço entre os graves ecoados
E agudos desafinados.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Simpatia.

Sorrir com os ombros economiza músculos da face.

Monsto d'umbigo

Eu criava um monstro no umbigo. Ele era insistentemente chato e inconveniente, me fazia cócegas e de vez em quando me causava dor.Era cômodo tê-lo por perto por que me dava prazer quando ele aparecia com algo que refletia, mas eu só conseguia enxergar no escuro dos olhos fechados.
Esse monstro apesar de todas as impressões boas que ele me dava, eu queria matá-lo por que sabia que nada que eu via e que eu achava era real.
Quimeras vestidas de flores verdes e cheiro de baunilha, ou molhadas com som de passos solitários marcados na poeira recém pisada.Só quimeras.
A minha luta era diária e constante,o meu monstro d'umbigo precisava morrer.As batalhas eram travadas todos os dias com hora e local marcado: ao amanhecer e em frente ao espelho.
Olhos no reflexo, monstro no reflexo.Eles se enfrentavam com os olhos e com a imagem que só o reflexo podia ver.O monstro era cego, não podia ver o reflexo que via o monstro com olhos de desenho animado...
Não morria fácil, por mais que eu tentasse.Resolvi que talvez fosse mais fácil se acostumar com a sua presença.
EGO.