domingo, 20 de janeiro de 2008

Convexo

Já deixou de ser promessa,agora é minha dívida.És o reflexo convexo da parte ruim de mim.A parte que me deixa dividida entre o orgulho e a verdade.

Negrito

Pra ser ouvida mesmo que em silêncio
Eu falo em negrito
Em sinal nulo ou submisso
Eu grito pra dentro.

Em tom, então.

Me fala de amor com o teu som
Que eu te dou uma nota como resposta
O tom
Por que eu ouço o tremor da fala
Pecebo o som da voz que as vezes se cala

Enxe-me de sílabas unissínonas
Da boca que jorra pregos
Que vibra o martelo
Que constrói em cima de mim
Um vão acústico que me ensina a ouvir
Com a sensibilidade o bem me quer, quem não quer.

Se eu finjo em cima do muro
É pra tomar jeito
Pra tomar murro
Pois o esboço do meu esforço
É escrito em som escroto
No compasso dois por quarto
De um único tom relapso
O meu
Que disfarço entre os graves ecoados
E agudos desafinados.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Simpatia.

Sorrir com os ombros economiza músculos da face.

Monsto d'umbigo

Eu criava um monstro no umbigo. Ele era insistentemente chato e inconveniente, me fazia cócegas e de vez em quando me causava dor.Era cômodo tê-lo por perto por que me dava prazer quando ele aparecia com algo que refletia, mas eu só conseguia enxergar no escuro dos olhos fechados.
Esse monstro apesar de todas as impressões boas que ele me dava, eu queria matá-lo por que sabia que nada que eu via e que eu achava era real.
Quimeras vestidas de flores verdes e cheiro de baunilha, ou molhadas com som de passos solitários marcados na poeira recém pisada.Só quimeras.
A minha luta era diária e constante,o meu monstro d'umbigo precisava morrer.As batalhas eram travadas todos os dias com hora e local marcado: ao amanhecer e em frente ao espelho.
Olhos no reflexo, monstro no reflexo.Eles se enfrentavam com os olhos e com a imagem que só o reflexo podia ver.O monstro era cego, não podia ver o reflexo que via o monstro com olhos de desenho animado...
Não morria fácil, por mais que eu tentasse.Resolvi que talvez fosse mais fácil se acostumar com a sua presença.
EGO.

Sonhos

Sorte de hoje: Seu maior sonho vai se realizar


Bem, como eu tenho vários maiores sonhos, tenho que escolher qual deles eu vou realizar agora. Mas será que eu tenho que escolher mesmo? Porque ele não se realiza sozinho? ahh, assim seria muito fácil!

*Boa idéia, vou listar alguns dos meus sonhos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Drama Ateniense

Quando o esperar se torna uma tortura
A gente desiste de olhar pro portão
E vai durmir com bico na boca.

Registro

Nunca fiquei tão feliz ao ver sangue meu.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

dedos inquietos - parte segunda (?)

A comunicação é verbal mas não é oral.
É escrita
(Usa-se de verbos)
Mas não se fala.
Então é visual
(Por que lê)
Mas não se vê.
Mas também,pudera.
Com que olhos?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cansa

Quando a gente cansa de tentar entender a repulsão,a distância,o olhos desviados,cansa de tentar arranjar maneiras pacíficas com palavras gentis e sábias para resolver desavenças que não se materializam e nem se personificam em palavras,a gente cansa.
Quando a gente cansa dos olhares,intenções e falsos sorrisos espremidos do lado direito das bocas pequenas,dos abraços mal dados,do adeus forçado com a mão que acena e que é a mesma que te dá um cotoco por trás,a gente cansa.
Quando a gente cansa de dar valor ao que não vale a pena,não por descaso ou falta de consideração e sim por não ver a validade de um esforço de uma via só,que não é recíproco,não é mútuo, a gente cansa.
Quando a gente cansa e decide que não quer mais ser visto como coitadinho que faz drama,que finge que sente e que finge que não, a gente simplesmente: Cansa.
E eu me pergunto: - Será que essa gente toda não cansa também?
Por que uma relação saudável(mesmo que seja aquela relação de 'Oi,olhacomoeusousimpática' ou 'nossaquevestidolindo') entre as pessoas exige um esforço mínimo de ambas as partes.
Mínimo.
E gente, como isso cansa a gente!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Galho Verde

Vinde a mim a glória e paciência de esperar o que é bom pra si no tempo certo,com a certeza que tudo que tu tens é consequencia do mundo que tu vives e das tuas ações-oras justas, oras infelizes, oras inocentes.
Nas horas que a gente acha merece um abraço,vem um galho verde na cara(galho verde dói mais).Mas o pior é quando vem a árvore inteira.

Confissões nada secretas.

Eu quero deitar no mar vermelho que me torna amor
No mar vermelho que me traz amor
No mar vermelho do amor
Que é vermelho de amor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

dedos inquietos - parte primeira (?)

Segura na minha mão e diz que tudo isso que eu penso é bobagem.Diz pra mim:quando essas coisas te dominam elas te fazem mal.Por que pra mim diz que dentre todas as outras(que existam talvez só na minha cabeça)eu sou a que faz o estômago revirar como borboletas em vôo nupcial.A que faz pensar além do presente-pretérito-mais-que-perfeito pra mim.É isso que eu quero e não há coisa,pessoa ou situaçao que consiga estragar esse momento que é só meu.Meu e dos meus,daqueles que eu quero bem.Uns bem perto e outros bem longe de mim.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Sorte de hoje: Divida sua felicidade com os outros hoje mesmo

nhamrram!

Dói o estômago só em pensar na dor que vai ser quando o tempo decidir que o tempo acabou.

Não quero saber.

Eu não quero saber das suas histórias nem dos seus lamentos
Não quero saber da sua vida,seus sentimentos muito menos das suas palavras
Cantadas, faladas
Sorridas, mentidas
Escondidas e olhadas
Telefonadas, telepensadas.
Eu não quero saber.
Não quero saber se seu céu não amanhece lindo como o meu
Se a sua janela faz barulho quando você tenta conter a luz no seu quarto
Se a tua voz não alcança os agudos que te fazem ser ouvido!
Não quero saber da música que te faz chorar e nem o dvd que te lembra bons momentos
Eu não quero saber de nada por que não me interessa e nem faz diferença na minha vida.Nunca fez!
Por que na vida a gente constrói coisas em cima do que ficou pra trás,meu bem.

sábado, 29 de dezembro de 2007

PASSAGEM DO ANO

PASSAGEM DO ANO


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Gallo

Aquelas horinhas que antecediam o amanhecer eram as mais cruéis.Ter que ouvir o galo cantar antecipado,nervoso,desafinado e com pressa de me tirar do lugar onde eu queria ficar parada ali, olhando a sombra cinza pro resto da minha vida,era frustrante.
O palavrão-delícia na boca rosa tem gosto ácido mas é doce,tem um quê de agressividade mas é terno,tem a violência das palavras que entram pelo ouvido e vão direto no estômago mas ao mesmo tempo faz carinho nos ouvidos que as ouvem.A violência de não querer dormir sozinho com os galos.E junto às luzes do poste da rua fria ,as luzes de natal me fazem querer paralizar aquele momento e matar o enforcado o esgalamido galo ao lado.
Maldito galo quer me tirar do lugar onde eu queria criar raízes, daquelas que vão fundo,axiais,pivotantes ou até mesmo as adventícias que dão base sólida para uma árvore grande porte.Árvore esta que eu construo,diferentemente das que estamos acostumados a ver por ai,d'onde de uma sementinha que germina com todo o amor e carinho do solo e forma primeiramente uma plântula,uma muda e depois quem sabe um arbusto ou uma árvore.A minha árvore não é assim, eu construo todos os dias um pedaço dela,com o mesmo amor.E pra cada dia meu, desses que o galo incomoda,uma camada considerável de células xilemáticas,floemáticas e parenquimáticas vai sendo incrementada à minha árvore.Já passaram das raízes, pois a árvore já consegue ficar em pé, se sustentar sozinha e estão no caule até chegarem as folhas, flores e frutos.E antes mesmo de chegarem as folhas e as flores,eu sei que o fruto estará maduro,por que como eu sou uma garota esperta,todo os dias ao construir a minha árvore eu já estou trabalhando o fruto para que quando chegar a hora ele esteja pronto para que eu tenha o prazer de colhê-lo.O mesmo prazer que eu tenho em cultivá-lo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Sem nenhuma dor no peito.

O que parecia tão distante, hoje é tão normal que chega a dar raiva(raiva boa).Sentir-se parte de si e da imagem que os olhos refletem faz você entender um tanto das coisas do mundo e das suas próprias coisas.Por que quando você deixa de lado as limitações bobas,não que sejam increditáveis mas no momento, não há necessidade de se apegar às coisas pré-estabelecidas(não sei por quem) que não servem de nada, além de impedir que vivamos as coisas boas da vida.Não da vida dos outros,das nossas vidas,da minha e da sua sem 'nenhuma dor no peito'.
Por que o bom mesmo é sentir-se bem.