domingo, 26 de setembro de 2010

Do lado do soutien que cabia mais peito, cabiam também sentimentos que muitas vezes precisariam ser guardados nos olhos, para que não tivessem de ser materializados. As pessoas roubam aquilo que não tem título de propriedade. Vejam só os índios! O uso capião virou velhaco, mas ainda cheio de dentes. O meu? rosna de vez em quando.

quantos dos meus cabelos crescem em um mês?
me perguntei ao perceber que me sinto brega, mas às vezes, relevo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

tão poético quanto você roendo suas unhas dos pés.

o que fazer com a saudade trazida na mochila?

Sobre vassouras e cavalos

Sinto saudades dos meu ossos, da minha solidez e do meu humor de verão. Aqueles que a gente amanhecia, eu, tu e os sóis ventilados, bem cedo pra poder sair e caminhar sob as areias quentes, também de verão. É aquela felicidade que a gente não sabe como se foi, pode ter ido com o mar, com o vento, com o rio ou com o sorriso que ficou calado esperando alguém terminar de falar pra dar o último suspiro ou dizer simplesmente: é. E é como se fosse mesmo, mas sem vontade de voltar. Sei lá o por que dessas coisas que essas linhas imaginárias acabam guiando nossas vidas. Só sei que acredito nelas, independente de quais nomes possam elas ter.

Estive em vários lugares ao mesmo tempo, em um deles chegou um menino, nos altos de seus 10 anos, de cabeça baixa, e ao olhar pra cima, pra mim, sentada tomando uma água mineral com gosto de sal, percebi que ele tinha vasourinhas nos olhos. Cada palavra era uma vassourada naqueles olhos redondos, como todos são, mas eram profundos e queriam me dizer muitas coisas. Muitas delas eu consegui entender, muitas outras não. Olhar de criança é matador. Fiquei lembrando das vassourinhas por dias, semanas, meses. Ele dizia algo sobre uns cavalos que tinham fugido da fazenda onde seu pai trabalhava. Que eram lindos e muito especiais. Um deles era preto e usava luvas brancas. Perguntei: Usam luvas brancas? Ele respondeu que sim, como se não fosse nenhum absurdo um cavalo usar luvas. Ele brincava com uma folinha seca desenhando caminhos pelo chão. Se dizia triste por ter que ir atrás dos cavalos: Eles correm muito, estou cansado de correr. Eu disse, fica aqui um pouco, puxei assunto sobre a sua familia, mas ele só falava dos cavalos. Disse também que se fosse um cavalo, valeria muito mais que um. -Acho que eu valeria um milhão de reais. Perguntei o por que de ser tão valioso, e ele respondeu: - Eu corro bastante, não nego corrida não, sou leal aos meus pais e amigos, raramente fico nervoso e, olha só o que eu tenho - levantou a blusa de manga comprida e me mostrou as mãos - tenho luvas brancas. Meus olhos se enxeram de lágrimas. Aquilo tinha sido uma das coisas mais bonitas que eu já tinha ouvido. Ele tinha problema de pele, esta estava sempre coberta. De repente ele levanta em um pinote e sai correndo e quando percebi vi um cavalo marrom, brilhante, forte com as patas brancas, também correndo pelo pasto.

-Pareciam luvas mesmo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

se o medo da culpa passou, nada mais impede essa consciência imunda.

tenho mentido pouco.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

dentre árvores e rostos,
os nomes sei de poucos.

cometi pecados crocantes

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Menina, macaco e cara de sirigüela

Ela não tinha nada além de uns trapinhos. Um punhado de calcinhas, um vestido rosa, outro florido e um macacão jeans. No ombro esquerdo carregava um macaco, daqueles salientes, que roubara da floresta que existiu ali há tempos. Já tinha perdido dois soldados que cuidavam do portão de entrada e ela parecia não se importar por ter ouvido dizer que era só tomar um copo de leite todo os dias que eles iam voltando, crescendo devagar, dia após dia.


Hoje, tomou um gole de suco de sirigüela e fez a mesma cara da fruta. Engoliu junto com o choro que vinha regar as vassourinhas que cobriam seus olhos, marejados do rio à frente, marrons como a casca do coquinho que descascava e deixava seus dedos alaranjados. Era simples como um sorriso observar aqueles peixes sendo sequestrados de seus lares. Era comum. Não se fazem corações como antes, ela dizia com um certo tom de soberba, ou nobreza imaginária, de pensar que no alto de seus cabelos negros, cortados à cuia, alguma vã filosofia distante poderia guiar seus passos descalços pelo chão barrento, chão sem grama, sem folha sem flor.


Veio uma formiga e picou seu dedinho deformado pelas formas que as quinas dos móveis, árvores e esquinas os dão. Quase não sabia de palavrões, mas saiu um abestada, tão natural quanto qualquer outra coisa natural. Não gostava de fazer comparações. Eu, de vez em quando. Pra medir o grau de proficiência da coisa. Mesmo que eu nem saiba o que isso significa, de vez em quando, faz-se o uso do dicionário e alimenta-se o próprio. Muito mais confiável, por que realmente descreve o sentimento de cada palavra. Em breve, nas livrarias mais próximas da saída de emergência.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Das minhas letras e dos livros de português - que foram apostilas.

Me escrevo por necessidade, não por vaidade ou por esperar algo além de ver minhas palavras, meus erros de português nessa telinha, com essa fonte que desgosto um pouco, mas que não diminui meu prazer. Com essa justificação quadrada, parecendo ter saido de dentro de uma caixa. Não deixa de ser, mas minha caixa é meio ovalda. Com esse layout pobrinho, sem muitas cores, diferente das que vejo no meu mundo. Prazer esse comparado a ver um quadro na parede do corredor, onde muitas pessoas podem vê-lo, ou só você e mais dois ou três. Ou cinco.


É prepotência demais achar que textos sem nexo, poesias pobres e cheias de coisas azedas possam conquistar leitores assíduos, fãs, admiradores secretos e até desejos sexuais. O mundo já é feio e estranho demais, pra alguns. Aquele contador é fictício. Foi geneticamente manipulado. Escrevo por ter a caligrafia extremamente horrível. Da minha assimetria corporal, deve haver alguma influência na mão direita, pois essa parece ser, anatomicamente, despreparada para escrita. As aulas de português, literatura e redação eram uma tortura. Tanto pra mim quanto para os professores. Eu sei, poderia ter sido corrigido na infância. Não vou culpar a Tia Luzia por não ter me obrigado a dar a volta ao mundo com alfabetos manuscritos. Talvez fosse pra ser assim. Letra feia e pensamentos idem não são pra qualquer um.


Engraçado que nas disciplinas que eu mais tinha dificuldade de me expressar grafísticamente, eram justamente as que eu mais gostava. Sempre li todos os livros paradidáticos do ensino médio, fundamental e até pra fazer o vestibular, onde muitos acabavam por cascavulhar resumos, palavras e sentidos mastigados dos mesmos. Decorava as regras gramaticais para corrigir os amigos. Coisa chata, eu sei, mas eu fazia.


Hoje em dia, não é mais assim. Sempre fui simpatizante da lei do uso e desuso de Lamark. Aconteceu comigo e com os livros de português - que por um tempo foram apostilas positivas. Deve acontecer com outras coisas também. Quando se para praticar uma coisa, aquilo vai ficando para trás. Ou seja, quem não pratica, o rabo espixa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

não é por nada não, mas envelhecer dá trabalho.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

do lado esquerdo

Essa noite nção consegui dormir. acordei várias vezes durante a noite e senti também, muit agenyte entrando e saindo, fanedo barulho. pareciam ser minhas coias suins que etsvam sendo levadas peloa notq eu passou. cada um pegava um punhado, e saia de mão cheia. p-oderiam ser outras coisas, senão mosquitos. Trocar de idade é trocar de pele. É um novo ano que começa do mês mais gostoso d ano. Agosto, diferente dp qe é pra muitos, é um mês delicioso. Só que o gosto é dequem fz, a gosto do freguyês. quwerendo que ele seja amargo, assim ele será. O meu sempre foi e sempre será o mês d eipês primaverando. O mês de leoninos feroses, esses que vão dominar omundo. O mês das férias indeterminadas. O mês das surpresas e das mudanças. é o mês de durmir no sofá sem medo de ser feliz. o m ês de queimar papéis e arquivos. de matar que não morreu, ou que n ãomor reu o bastante.

Assim como os ipês amarelos da cidade, estou fazendo primavera.

sábado, 31 de julho de 2010

Das pontas duplas 1#

Estivemos pensando, eu, meu eu lírico e minhas pontas duplas, o quão bom é estar do outro lado. Do outro lado, se tem olhos diferentes. Se tem emoções e comportamentos distintos. Bom seria se eu soubesse que era tão bom estar do lado de lá, onde fala-se o que quer, onde inferniza-se quem pode. Coisa boa é não ter nada preso na quina na porta. Coisa boa é poder falar de boca cheia: quem tem com que me pagar, nada me deve.

Das pontas duplas 2#

Estive olhando pra ver se te encontrava pelo meio dos vazios das sombras que se faziam pessoas. Não te encontrei. Queria te ouvir dizer que sou seu orgulho, que meu cabelo fica legal naquela luz ou que sei lá, estou diferente, que queria fazer coisas que eu faço, como dizia quando não tinhamos problemas em usar roupas iguais. Mas você não estava lá e a minha agonia é tanta, que te vejo travestida de desconhecidas. Com cabelos e cores parecidas. Com aqueles olhos que vezes me matavam por dentro, mas sendo quem sou, quase ninguém sabia. Só nós. Eu, meu eu lírico e minhas pontas duplas. Eram luzes e mais luzes e eu tendo dificuldade de escolher uma só que me agradasse mais. Eram vozes e vozes, mas nenhuma parecida com a sua. Nenhuma parecida com a minha. Ficou um buraco que, de vez em quando preencho, pra que elas- as aranhas- não tomem conta. Por que com o tempo, as coisas tem que ser diferentes. Não é opção. É obrigação. Vamos cortar os cabelos juntas?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

que tal morrer
um pedacinho por mês?

domingo, 25 de julho de 2010

Tinha problemas conjugais.

Ainda conjugava o verbo na primeira pessoa do plural.

doce

na sua boca sou doce dos mais doces, dos exóticos, dos sem nome, dos sem patente, de tubérculo ou de país. sou doce na sua boca e sinto felicidades coloridas.

Aqui não chove mais.

Olhou pro céu e disse: Vai chover. Olhou pro chão e disseram, alguém disse, por aqui já chove. Ouviu-se outra voz resmungando: Por aqui chovem-se sempre. Motivos tem de fazer lama. Mas de que adianta tanta vontade dessas que molham se o motivo é o que se escolhe? A gente escolhe o que é bom pra gente e pra animal também. Só escolhe o que é ruim quem não sabe bem quem o é. Há os que gostam de emoções molhadas, sejam elas quais forem. Eu não reprimo. Agora, por favor, não me venha chover no meu quintal. Aqui é lugar de coisa feliz, de mãos, de cheiros, sorrisos de flores vermelhas, azuis e amareladas, onde eu mesmo chovo, à minha medida. Não me venha com essas janelas marejadas por que meu óleo de peroba acabou faz tempo. E de madeira podre eu entendo. Troquei minha cerca por um muro de pedras, pra não correr nenhum risco. Troquei meu pé de laranjeira por uma casa de abelhas, que me dão dos mais gostosos méis. Das tempestades da primavera tardia, guardei um copo quebrado e só. Por que o vento leva essas nuvens carregadas de energia negra. Por que o tempo, franzino, nanico, vem, lambe e cicatriza esses augúrios sem cor. Essa nuvem não vem daqui. Aqui não se chove mais. Comprei uma capa de chuva.