domingo, 17 de janeiro de 2010

A santidade pinga 2

plic.plic.plic.plic. a santidade pinga no balde. escorre a santidade pelos poros abertos por espinhas da adolescência no meio da testa. plic.plic.plic. é um suor salgado, coisa de rins debilitados. plic.plic.plic. a santidade escorre e corre pelas veias junto com a frase mais faladas de todos os tempos: e você? era sempre uma pergunta com um cinismo no canto esquerdo da boca mordida. daqueles sorrisos que a gente vê a maldade e a amargura de uma vida pregressa, sem muitas emoções mas muitas decepções. as decepções ficavam por sua conta, era um frustrado, santidade. Nunca casaria, nunca pariria, nunca choraria aos prantos pedindo perdão. Santidade, a casa santa fica logo ali na esquina. plic.plic.plic. de vez em quando pegava um paninho e enxugava o bigode e um palito de dente para os que ainda sobravam.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

me emociono com arte abstrata.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

As pessoas surtam. Surtam por não estarem preparadas para aceitar quem são. Surtam por não saberem quem são de verdade. Surtam por não entender por que as pessoas não as entendem, por que o mundo parece tão difuso e complicado, por enxergar labirintos em linhas retas. Surtam por perceberem que estão sozinhas, por própria opção, ou não e não podem, simplesmente não podem, contar com ninguém mais além de si mesmas, o que é realmente uma atitude insana confiar sua saúde física e mental à alguém que nem ao menos as tem, afinal, ninguém acreditaria e nem levaria à sério uma pessoa que surta constantemente. Surtam por que parece ser divertido essa incompreensão do mundo visto de fora, e que visto de dentro, é só sofrimento. Eu acredito que sim. As pessoas surtam por que não tem mais nada, ninguém, nenhum lugar para recorrer quando não se consegue distinguir um sorriso sincero de um sarcástico,daqueles que precedem um tapa na cara. Surtam e surtam mesmo. Não sabem o que fazer e acabam fazendo o mais óbvio, o que era de se esperar: Merda.

sábado, 9 de janeiro de 2010

de tanta pena, fiz uma asa.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

a minha infância é um presente cada vez mais distante

Do que me faz, tosse.

Diga-se de passagem: quanto custa pra ir e voltar três vezes sem sair do mesmo lugar que anteriormente havia se mutado com o intuito de nunca mais parecer o mesmo, até o giro de 2,3° à direta do sol, curvado com a linha do horizonte na vertical, à espera de uma gota de chuva da árvore, que em baixo, ainda chovia. Meio difícil fugir da sombra que nos segue desses sóis assassinos lentos e silenciosos da vida. Ainda mais tendo como verdade absoluta a intransponível barreira do botão excluir da vida. Nunca se sabe qual o próximo buraco, qual a próxima poça que vai melar a barra da sua calça ou sujar suas unhas dos pés encravadas ou bem feitinhas. Nunca se sabe se aquele seu sapato de couro de marca de vaca vai se recuperar daquele cheiro de urso molhado de suor de galinha. Nunca vai se saber também, quando se abre o baú da consciência a quantidade de mentiras que dali vão escapolir. É muito, mas muito difícil conseguir driblar a consciência que fica martelando, martelando, fazendo buracos com bicos de pássaros que comem árvores, bicos de pássaros que comem pragas. É como dar descarga naquele pequeno pedaço de si, tubos abaixo, sem dar ao menos um até logo. E quando sentimos saudades daquilo que nos faz mal tem gente que come chocolate, mas tanta alegria no organismo não me serve mais. Sinto falta da infância que o dizer sim não tinha consequências tão drásticas como a morte daquele peixe, véi, mirrado do copo de vidro. Falta daquelas manhãs que clareavam-se com beijos e carinho na cabeça, onde o minuto posterior poderia mais nem existir. Se naquela época já existisse, apertaria o stop e permaneceria ali, com aquele cheiro de cocô de cavalo, vento frio trazendo a fumaça do café, entrando pelos narizes famintos como se fosse veneno chamando com aquela mãozinha delicada, vezes verde, vezes cinza. Ah, se pudesse assim, abrir um buraco na terra, enterrar tudo, tudo e mais todos os tudos e por cima, uma flor com nome de país morta. Pegar aquele apagador e apagar o quadro negro da vida pregressa e totalmente prevista por ela e por lei. E aquele silêncio que precedia o choro, engolir-se-ia. E aquele cabelo tentendo a esvoaçar paralizar-se-ia. E com um catarro atarracado no peito um grito roco e desafinado ecoaria por toda volta da empresa : Ei , bico de pássaro vermelho, ides e passarás!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

a santidade pinga.

morreu em magdala com problemas nas amigdalas.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Chá comigo.

meus sonhos passaram voando entre aquelas nuvens enquanto eu, aqui de baixo, observava com aquela minha velha amiga gastrite nervosa, tomando chá de hortelã, meu novo vício. Novo vício que eu me rendi fácil. Diferentemente das drogas que circulam por aí e pelos sangues, eu fiz questão de largar mão dessa resistência fundamentada num passado frustrado de um chá de casca de laranja. Hoje eu entendo muito mais a minha gastrite, quando eu decretei ódio mortal e abominação pública àquele simples e inocente líquido amargo. Percebi que decretei meu bem estar e minha amargura sempre pro ano que vem, assim como muitas coisas na minha vida cujos planos tem data pra começar e margem de erro pra adiamento de no máximo 1 ano.

O chá não pode ser aquela 8 maravilha gastronômica mas eu não acredito se alguém me disser que qualquer chá sem açúcar é gostoso. Pode ser gostosinho, bom de tomar, relaxante, qualquer outro adjetivo mas gostoso não é de jeito nenhum. Um dia minha avó (mentira, foi a minha mãe) me fez um chá de casca de romã que tinha gosto de meia. E pra saber como era o gosto, é só lembrar do cheiro de uma meia recém saída de um pé suado de dentro de um sapato de couro. Pois é. Consegui superar o trauma de criança do chá de casca de laranja da minha avó, que como dizia a minha avó ( e ela disse mesmo, não é chavão) fazia bem pra gripe. Acho que foi por isso que a gripe nunca me largou. Tava é bem.

Superei o trauma do chá de casca de romã ( que minha mãe jura faz bem pra garganta e agora eu acredito) e agora achei meu novo vício. Por que não se faz chá com sazon, mas com amor e pelo amor, tomar chá hoje em dia ficou muito mais gostoso.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Diário da prima

Nunca cruzei o oceano que se faria mar, mas me fiz mar. Mar melhor de boa, mar astuta, mar inteligente, mar fina, mar convencida, mar corajosa, mar feliz, ah sim senhor. Mar sorridente, mar contente de abrir os olhos e sentir uma obrigação de levantar e bater na minha própria bunda magra: Cuida, menina, tá atrasada. De pegar nos meus cabelos, que quase não os penteio - é muito mais fácil amarrar um rabo de cavalo do que ficar com cara de dragão. Ri amarelo, com os dentes sem escovar, com aquele bafo da manhã e um leve aroma de alho do bife da noite passada. Salpiquei aquela água gelada nas linhas expressionistas que a minha imaginação vê naquela cova, naquele buço tirado. Ê menina cuidada, né. Veja só. Tá todo fim de semana no salão alisando os fuás. A minha tia até me disse: Filha, te compro uma chapinha, um secador, o caralho à quatro, de quatro e ao avesso, o que você quiser mas, por favor, pare de dar dinheiro pr’aquela cabeleireira que te penteia e te tapeia. Olha aí, nem bonita ela consegue te deixar. Enquanto isso passa um cara de bicicleta e ao ouvir a conversa, falou a única verdade de todo esse texto: Issaí, rapae...só nascendo de novo. Ih! As pessoas tem inveja de mim.

Minha letra é horrível, nem consigo entender o que escrevo nesse pedaço de bloco de papel que eu ganhei num dos mil seminários que já fui. Seminário, conferência, palestra, workshops. É muito papel e eu tenho que aproveitá-los de alguma forma. Tive uma brilhante idéia: vou juntar todos os bloquinhos num só, grampear e fazer um caderno personalizado. Vou pegar aquela cambada de adesivos de caderno que guardo desde o ensino médio que nunca usei, mas que também nunca dei pra ninguém por achar que um dia eu iria precisar. Táí, chegou a hora das meninas superpoderosas, do ursinho plufpt, da Minnie, daquelas tatuagens tribais (suuuuuper fashions), daquele ’lembrar do aniversário de fulana’, daquela gatinha e daquele adesivo, aaah aquele adesivo do Matheo, da novela Terra Nostra, sabe. Aiaia. Eu tinha um pôster dele colado no meu quarto. Mesmo antes de saber o que eu poderia fazer com um homem, eu já fazia com ele.

Estava eu, a pri, a fá, a lá, a bi, a já, a ka, a la, a má, o gi, o su, a cli, o nê, o Rô, a lili, o fêr e o tion na praça depois do show do Jenoval. Esqueci de dizer que a mi e o bru tinham levado a prima que chamavam de ia, mas o verdadeiro nome era jasmim e eu não entendi o porquê. Essas coisas de apelido a gente nunca entende. Que Bençã, maninha. Sou muito grata pelas coisas que tenho, sabe. Não tenho muitas coisas, mas sou grata. Na verdade eu não tenho nada meu, mas sou grata do mesmo jeito. Se todas as minhas amigas agradecem, eu tenho que agradecer. Não gosto de ser do contra. Não gosto de confusão e quero que todo mundo goste de mim. Aliás, esse é meu objetivo: fazer amigos. Não interessa quem eles sejam, o que importa é como eles são comigo e isso me deixa muito feliz por que eu sou a única pessoa que consegue viver com esse paradoxo na vida. Deixa eu falar diário, que eu nem sei o que paradoxo significa, mas semana passada eu ouvi o professor de ciências falando e eu achei bonito. – Nossa, mas que paradoxo, heim princesa. Vem cá, moreninha linda!

Bonito, né?

Ontem, quando eu fui comprar pão na mercearia do Zico, encontrei ele maninha. Ele tava com aquela bermuda de jogar futebol, de seda vermelha, com aquela sandália kenner, linda, que eu dei pra ele no dia do seu aniversário e aquela blusa machão cavada, cor de burro quando foge. Ai, maninha. Que saudade que deu de pentear os seus cabelos do sovaco. De dormir em baixo da cama dele, esperando que a sua esposa fosse trabalhar e levasse as crianças pra escola. De sair, toda cheia de teia de aranha, com cara de azulejo florido, feliz, mas atrasada pro curso de datiolografia. De desenhar coraçõezinhos, de mandar mensagens pro celular dele. Melhor era receber as mensagens dele dizendo: - Minha mulher saiu. A cerca é sua. Na verdade a cerca era dele, mais pulante que pogobol elétrico, mas quem pulava a cerca era eu e caía direto pela janela do quarto, numa cama vermelha, meio desbotada, mas ainda tinha uma essência de cama vermelha. Vermelho é a minha cor preferida. Cor de sangue, cor de batom, cor de morango, cor de calcinha de renda, eita, dessa quem gosta é ele. Eu não gosto de calcinha de renda. Não gosto de coisa entrando na minha bunda. Cor de morte. Eu a vi várias vezes. Com o tempo passei até a gostar dos velórios, mas como tinha um quase todos os dias, aqueles dramas achocolatados se tornaram enjoativos pra mim. Pedi desculpas para o cara da capela são-alguma-coisa e disse que em breve eu voltaria. Mas só pra fingir tristeza quando aquela praga enfim morresse.

Eu sei que praga, carma, nunca morre e muito menos se acalma. Fica infernizando a vida de todo mundo pelo simples prazer de se sentir odiada. Ah, praga dos infernos. Queria eu ter coragem de enfiar uma faca naquele bucho de cerveja verde pra ver o líquido virar marrom, cor de merda. A cor que representava a sua vida. Era meio triste. Quando eu começava a sentir pena, não me permitia continuar e lia aquelas cartas. Só a primeira frase, que continha a data já era o suficiente. Ah, praga dos infernos, vai-te e Lilith logo! Eu não gostava de lhe desejar muitas coisas ruins não, por que eu sei que aquele Deus, o deus bom, que não era o mesmo Deus dela (por que não é possível) sabia o que fazia. Sabia o que fazia, fazia ou mandava fazer. Eu tinha é que livrar aquelas coisas ruins do meu coração e foi aí que surgiu a idéia do boneco de pano. Todo dia era um alfinetinho estratégico. A mulher lá do terreiro, disse pra eu ter cuidado, por que pessoa podia gostar e não faria efeito nenhum. Eu resolvi largar disso. Taquei fogo, mas só por que deve doer bastante.

Entrei pra igreja, comunidade Eros Ramazzoti, fundada por um cantor, ator sei lá, da Europa. Europa fica ali perto do Canadá, né? Agora eu não lembro. Enfim, lá é legal. As pessoas gostam de mim ou pelo menos fingem muito bem. Acho que Deus dá esse dom. Eu não consigo identificar mentiras nos olhos deles. Deus, será que eu perdi o meu dom? Será que essas pessoas tem um bloqueio na alma que não permitem ser enxergadas por dentro. Andei meio deprimida com isso, mas conversando com a pê, ela me disse que lá todas as nossas mentiras se transformam em verdades. C-O-M-O-A-S-S-I-M?

Eu não queria ver mentiras transformadas em verdades, por mais verdadeiras que elas pudessem parecer. Vi no fantástico, faz tempo já, que as pessoas que mentem tem um dom especial de fazer com que as outras pessoas acreditem e que acreditam na própria mentira, por isso que conseguem viver numa boa. Eu acredito nisso, mas não quero esse dom. Prefiro o meu de ver verdades nos olhos. E fazia tempo que não via, por isso achei estranho. Quando olhei aquele menino que tinha só olho, um olho grande, maceta mesmo, parecia que ia pular pra fora, eu vi verdade e sofrimentos muito familiares. Ele depositou uma moeda de 25 centavos na cestinha. Eu agradeci com meio sorriso, sem dentes. Coitado. Paz de cristo.

Esse meu problema de querer fazer amigos me deixava mal às vezes. Um dia, descendo as escadas lá do condomínio vi a esposa dele e fiquei com uma vontade louca de contar tudo pra ela e pedir que me perdoasse. Eu ia dizer toda a verdade, que a culpa era dele, que a cerca era baixa, que eu não tinha culpa que ele gostava de jiló e que quando eu estava cozinhando, ele sempre ia lá comer o meu jiló. Pensei em me propor a ensinar a esposa a cozinhar o meu jiló especial, quando me dei conta que o que o fazia pular a cerca não era o meu jiló. Ou era. Sei lá, eu nunca soube por que um dia desses, quando eu estava decidida a perguntar o que porque de ele ter estado comigo todos esses anos sendo casado, namorado, comprometido, sei lá que diabo era aquela relação, vi no jornal que ele tinha sido preso. Demorei pra ler a manchete toda. Fiquei tentando imaginar o porquê, antes de ler o que estava escrito. Enfim, todos já esperavam. Ele tinha sido preso por tráfico de drogas, de mulheres (pedofilia, inclusive), de remédios controlados, de móveis de madeira e de carne de boi de áreas de desmatamento na Amazônia, assalto, estupro e crime ambiental por ter matado 10 peixes exóticos (leia-se peixes estranhos) do aquário que ele mantinha com o dinheiro do seu serviço de empréstimo de idéias. Ele tinha um currículo grande, até. Era amigo dos traficantes e planejava estratégias de fuga e de novas rotas. Bolívia, maninha. Na Bolívia. Era amigo dos patrícios e das patrícias all over the world. Das patrícias, principalmente. As muchachas achavam que iam subir na vida, mas acabavam mais caídas que pelanca de peixe-boi. Peixe - boi ainda existe?

É hora de dormir. Liguei o rádio e tava passando a minha música. Não lembro o nome, mas acho que é do Calcinha Preta. Adoro aquela banda, mas prefiro a Joelma e o chimbinha. Que casal mais simpático e bem sucedido, né? Um dia desses os vi na Tv fazendo uma propaganda de sandálias. Esse povo da TV sabe vender as coisas. Só não comprei por que estava sem dinheiro mesmo. Adorei aquele comercial. “ Pi-pi, olha a mensagê”. Oba, cerca é minha!

domingo, 22 de novembro de 2009

Ficou por ali, meio domingando, meio choramingando, segundando umas primeiras intenções apodrecidas com o passar dos anos. E olha que foram muitos.

sábado, 21 de novembro de 2009

espelho espelho meu e pés de galinhas.

olhando no espelho, reparando bem no rosto, viu nascer uma ruga no canto esquerdo dos olhos, nas alturas das têmporas. Um pedaço de pele morta do meio da testa, feito de preocupação. Foi então que um resmungo interno saiu como um solfejo : pelo menos nem aos pés se chega aos dela de galinha.

sábado, 14 de novembro de 2009

Dá um 'chupe'?

Estava aquele sol tinindo. De suar sovacos, buços à fazer, derreter seios e regos. - Tá de lascar. Enquanto uns enxugavam suas testas, reclamavam com o sangue de jesus que tem poder, outros chupavam sacos freneticamente. Olhei pr'um lado, uma menina chupando. Olhei pr'outro, uma velha, um velho, um vendedor de pentes, uma criança catarrenta, uma pseudo-patricinha, um marginal, um vendendor de bananas fritas, uma piriguete tatuada e um cachorro. Todos chupavam. Chupavam por que era de uva, de morango, de leite, de maracujá, de cupuaçú, de cajá, de açaí, de abacate, de milho (eca!), de goiaba, que parecia ter um gostoso gosto, e tinha um que parecia de chocolate, mas me garantiram que era doce de leite. Me senti meio deslocada. Confesso que até pensei em entrar na onda da chupação, mas resisti bravamente.

Tudo isso por que não gosto de imaginar a procedência das coisas que compramos por aí. Imaginei a pessoa que preparou coçando o saco, amarrando o cabelo sujo de suor e com as unhas cheias de sujeira. Imaginei também umas gotas de suor caindo na mistura que vai pro saco e que vai pro freezer. 'Minina, o frio mata tudo'. Mentira. Existem bactérias que conseguem sobreviver mais de - 200 °c. 'Não interessa, o que importa é que alivia o calor.' Além de ser obceno uma pessoa chupando um saco gelado, é meio desconcertante pra quem não compartilha da mesma sensação de prazer, derretendo como o saco e ouvindo a parada de sucesso dos transportes coletivos. O problema todo está na democratização da tecnologia. Celulares com mp3 não deveriam ser tão acessíveis.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

é como uma nuvem. mas é muito melhor.

(hi)per-tense

Nada nos pertenceu, pertence ou pertencerá. Não existe ainda o documento que garante a propriedade particular humana. Ou seja, aquilo não era seu, mas estava ali em cima do balcão do quarto e a melhor desculpa, e mais rápida diga-se de passagem, que veio à cabeça foi: não sei de onde veio, mas pode ficar. Ela disse assim, com um pouco de sangue nas bochechas, rezando pra que ele aceitasse sem questionar a procedência. E assim foi. Talvez ele tivesse a certeza e nem precisasse de confirmação de que o fato de tão explícito, tácito é.

Bateu a porta, rezando que todas as pessoas que fossem cruzar a sua frente fossem feias e fedessem, para garantir total segurança, sem correr riscos. Deu uma topada na porta que embora fosse meio torta, fez foi indireitar o andar torto. O céu estava meio chateado, assim como ele, mas ainda não chorava. Não tinha mais graça aquelas placas de trânsito desde o dia que fora interceptado pela que dizia : PARE. O fez, de fato, mas com medo de acabar numa rua sem saída mas depois de perceber que a saída estava exatamente ali, naquele PARE, não teve mais medo algum. Esperou o sinal verde e simplesmente continuou andando. Achou um par de brincos e uma piranha de brilhantes diamantes, que acabou dando de presente para uma mendiga, gostosinha até, que estava sentada no banco brincando com umas sementes de paricá, recém nascidas.

Afinal, o que não é gostosinho aos olhos de quem vê em tudo e em todos aqueles que se andam e voam uma certa esperança de se dar bem na cama. Ou no sofá, ou na sala, ou no carro ou na rua, vai saber. Aquelas ruas eram sem saída mesmo. E mais calado de tampa de caixão eram os companheiros de cela. Engoliam todas as provas, mesmo que fossem concretas.Seus estômagos eram meras gastrites para o que tinham que aceitar, na verdade, eram iguais. Nao tem como se diferenciar dos seus , que na verdade não são, não foram e nunca serão pelos motivos outrora citados. Caso insatisfeito com a explicação, favor retornar mais tarde. Na verdade, verdade mesmo o botão excluir funciona.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

tinha uma cara de escorbuto

domingo, 8 de novembro de 2009

8 dias

Engraçado passear sobre a vida alheia. sempre são mais bonitos, mais felizes. a grama do quintal é mais verde. a samambaia da sala também. seus empregos são melhores, suas noites são mais bem dormidas, seus banheiros não tem vazamentos, seus sorrisos sempre cogates. seus cafés da manhã sempre vastos, seus carros sempre limpos com cheiro de perfume importado. seus celulares da moda inquebráveis cobertos de garantias de um ano. Seus cachorros não fedem, tomam banho todos os fins de semana e também não comem comida. só ração. seus quartos tem ar-condicionado e eles não passam calor. seus pais são um casal feliz, sem problemas de alcolismo, drogas, cigarros e nem de dinheiro. em suas casas reina a paz e o silêncio ensurdecedor de badulaques de madeira se chocando com o vento.

seus controles remotos são universais. Tv, Sky e Dvd. Engraçado a quantidade canais e as vezes não se consegue parar nem um minuto pra conversar sobre como foi o dia. sobre os planos, sobre as contas, sobre as conquistas das batalhas diárias, sobre as decepções com os amigos e desamigos. soma-se 60 horas semanais de amargura e apenas uns segundo de olhares cândidos à orquídea que nasceu no jardim esta manhã. some-se sorrisos esperanços com a vontade durmir e nunca mais acordar, até o dia que tudo estiver diferente. soma aí a idade, a idade dos filhos divida por três e terá vizinhos festejando na sala ao lado enquanto você come brigadeiro duro, da noite passada, lendo a coluna social e concordando que os cosméticos da Adcos podem até ser bons, mas nada é páreo para o apelo ambiental da Natura.

Concordando que chapéus de cowboys não combinam com qualquer pessoa, a não ser que seja uma vaca ou um touro. Chifres não aparecem nas linhas do jornal, mas a moça é expulsa da faculdade por usar roupa curta e os homens, filhos da puta, falsos moralistas e hipócritas se sentem em fim justiçados, quando na verdade estavam esperando na fila do banheiro para fazer uma singela homenagem à moça.

Quanta gente nojenta, quanta gente podre e eu me pergunto se faço parte disso tudo por opção ou por falta de. Penso que apenas mudar de país não vai ser suficiente para a minha evolução por que ainda existe a internet que consegue ligar mundos distantes. Penso que talvez se me mudasse pra lua, ia sentir falta dessa muvuca que é a terra e dessa putaria que chamam de socialização do conhecimento e da falta de conhecimento do que as vezes é o que importa mais: os sentimentos. Vou saber daqui a oito dias se meu leve descontrole vai cruzar o atlântico.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

difícil é ser sereno

É meio, um pouco, quase improvável, levemente impossível, meramente intacto, muito difícil, enxutamente deplorável, levemente úmido, escrupulosamente inviável, pateticamente branco, escalonavelmente sujo, paupericamente sorriso, desgraçadamente lacrimoso, amargamente jujuba, arcoiresmente preto, economicamente tortuoso, ambientalmente canibal, despretenciosamente fétido, desafinadamente mudo, mentirosamente amor, viscosamente sofá, despatenteadamente urso, filosoficamente solidão, interneticamente burro, claramente verão, publicavelmente braços, vergonhosamente podridão, compactadamente dedos dos pés, cheirosamente pescoço, tortuosamente caminho, frescamente visagem, coloridamente neve, inimitavelmente suco de soja, difícil é ser sereno em baixo da chuva.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ai, aquele cheiro de sanipax...

Legislaine, por ironia do destino, estudava direito. Estava escrito no crachá, mas a foto era de um urso panda. Sugestível. Chegou assim do meu lado com aquele cheiro de desinfetante de banheiro. Meio ardido, meio cheiroso, meio irritante. Me afastou com um movimento brusco de ancas pedindo espaço. Afastei, claro. Posso dar descarga em você? Pensei. Perante aquela voluptuosidade toda, kilos de pelancas brancas, quase transparentes do sol que quase nunca chegou por lá, meia nádega monstruosa quase a engolir minhas canelas finas de passarinho: alguém tinha que ceder. Eu cedi. Mas foi por medo de ser esmagada, não nego. A feiura não me intimida. Já vi cada coisa que, pfftt, fichinha. O problema é que ela ao sentar, me fez ficar quase que na posição fetal, encolhida, com os braços e pernas cruzados, calculando cada movimento futuro, com medo de meus pêlos do braço encostassem na manga da blusa de algodão sintético, com desenhos geométricos. Se bem que círculos não me parecem ser geométricos. Essa palavra sempre me remete à ângulos, vértices e retas. Enfim, tinha medo de respirar, pois ao fazer, meus pulmões iam se expandir e tomar mais espaço na parte frontal do meu corpo, logo ali onde eu agarrava minha bolsa, forçando-a contra os peitos que estavam quase derretendo. Depois que comecei a ficar dormente e com falta de ar, resolvi levantar e mudar de lugar, já que a Sra. Panceps não sacou que estava cometendo quase um homicídio culposo, assim, sem perceber. Confesso que fui corajosa, mas depois fiquei com vergonha, ao relaxar, respirar e olhar pra ela com caradepeidaramaqui: "Da próxima vez, traga um banquinho do seu tamanho"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

sorrisos salgados