sábado, 27 de junho de 2009

Em meio ao cinza gélido
pra colorir uso um arco-íris no pescoço
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

acontece


aconteceu o que eu temia: virei uma amante da natureza e o pior de ser uma amante é ter que aceitar dividir, aceitar compartilhar algo que nem é seu de verdade, com outras pessoas que não são nem pessoas de verdade.

aconteceu o que eu temia quando falava dos algodões doces e dos horizontes de outréns. aconteceu quando achava bobagem um sentir tão abstrato que é dizer gostar de algo ou alguém. é abstrato, não se quantifica, não se dimensiona. se sente, se sonha.

aconteceu o que eu temia que qualquer árvore me faz chorar e nem todas são seringueiras ou marupás. aconteceu que pássaros vêm até mim querendo conversar. é como se eu tivesse um imã que virou reverso. meu reverso é do bem e eu só tenho esse agora pra usar.

ontem entrou um pássaro gordinho de peito dilatado pela minha janela. voou, voou se bateu e ficou a me observar apontando lápis usados. parecia querer me dizer algo com seus olhos redondos, estes que pareciam querer explodir de tão brilhantes. teve uma hora que eu pensei que ele ia se transformar num anjo, ou num demônio, vai saber. já tive mais medo das coisas bonitas da vida. deve ser porque eu tive uma nuvem preta, um isofilme 100% sob meus olhos que me impediam de enxergar as luzes, as luzes do céu e as luzes do teu olhar.

aconteceu que ao andar em baixo de uma árvore gigantesca, ela cuspiu uma flor na minha cabeça. esse tipo de cuspida eu adoro. era cheirosa e delicada. olhei pra cima e sorri: 'obrigada'. seus galhos pareciam querer me abraçar, mas eu sou tão pequena, sou tão pequena a te olhar. desculpa, um dia te alcanço. por enquanto posso ficar aqui, embaixo da sua sombra? preciso repassar meus sonhos acordada, tô cansada de viver e não sonhar.


demorou, mas aconteceu que consigo enxegar os horizontes que vão além, pode acreditar. Além daquela próxima castanheira ali, além do que os livros podem me ensinar. Além do meu céu, que é mais pro norte. além daquele cheiro forte que me faz lembrar.

aconteceu que meu perfume preferido não tem mais gosto de laranja e nem de dor. aconteceu, que pra retribuir, cuspi pra cima e meu cuspe virou flor.

domingo, 21 de junho de 2009

me disfarço
me desfaço
me deslaço
te abraço
no chão

terça-feira, 16 de junho de 2009


pegue um machado
amole
pegue um pano
para limpar o suor, vai precisar.
pegue também um punhado de sementes
das que tem bastante proteína
não esqueça do seu pó
proteja-se do sol
siga o rumo dele
afaste aquele cipó
aviste, mire, apunhale
dilacere, arregace
rompa, machuque
veja sangrar
sangue sem cor
sinta o cheiro, é cheiro de dor
ali ficou um pedaço aberto
outro pedaço se foi em suas mãos
volte daqui a uns meses
uns anos
veja se há buracos
não. fechou.
agora veja quanto cresceu
olhe seu interior
veja nos anéis, o que sobrou?
cicatriz que formou
tinha cara de cumaru-ferro
usava óleo de peroba
mas tinha cheiro de cravo
de defunto que tentou ser
por muitas e muitas vezes
até apodrecer
e cara, como fedeu.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

foto por J. Arthur

das cores e dos prazeres

domingo, 14 de junho de 2009

please, don´t watch me dancing.

sábado, 13 de junho de 2009

sonhei de virar quadrado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dos tempos

Às vezes eu não me importo em acordar atrasada. Estar atrasada sempre foi um coisa normal. Mas quando eu era uma garota primária, tinha neura de relógio. A aula começava 7h e às 6h15, impreterivelmente, lá estava eu, sentada na arquibancada da quadra de educação física, vendo as pessoas chegarem com suas caras de sono, suas remelas viscosas e suas pastas de dente na gola da blusa. Umas pareciam que sequer tinham acordado, tinham chegado à escola pelo sonambulismo conduzido por seus pais. Quase ninguém ia de ônibus. Pequenos burgueses, não sabem o que é sofrer de verdade, alguns diziam. Tinham pais e mães, a maioria. Os que não tinham, não eram totais infelizes, não. Eram da galera do fundão, da galera da briga, da galera do futebol e a galera do livro também. Eu fazia parte de duas dessas galeras aí. Essa galera se divertia na tristeza e na desgraça que eram suas vidas. Admiro essa habilidade das crianças. Viviam na diretoria. -Preciso conversar com a sua mãe, menina. - Se você encontrar ela em casa primeiro que eu, me avisa. Também quero conversar com ela. Batiam nos menores para se sentirem superiores e poderosos mas quando chegavam em casa iam assitir animes de monstrinhos fofinhos e choravam de saudades do amigo imaginário chamado Marih, era tailandês. Escreviam cartas à mão deficiente de caligrafia. Kali=bonito; graphia= escrita. Nunca foram entregues por que os correios não aceitavam enviar ao destinatário com o mesmo endereço do remetente.

Sei que com o tempo isso foi passando. O tempo passou a ser uma mera palavra que não pesava em quilos, pesava em segundos e meus segundos são bem leves. Todos os meus seis relógios marcam uma hora diferente. Uns alguns minutos antes da meia noite, outros alguns minutos depois do nascer do sol. Meus horários favoritos. De dia viro flor e de noite viro bicho. Tem relógios que eu nem uso, me lembram tempos que eu não quero me lembrar. Tem uns que eu não consigo livrar do braço direito, que é o braço que eu mais gosto. Não sou canhota. Sou direita. Consegui abstrair seus tempos.

Mas a verdade mesmo é que hoje em dia não me preocupo com a pontualidade, apenas a dos meus ponteiros. Se é hora de acordar, em que relógio? Se é hora de cantar, com que galo? Foi-se o tempo que eu me preocupava com o passar dos passos apressados. Foi-se o tempo que 6h era o horário de acordar e 10h30, 10h32 eram os de durmir. Foi-se o tempo que eu contava as horas. Foi-se o tempo que minhas flores preferidas eram gérberas. Foi-se o tempo que minha pele era rosa.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

vim aqui, escrever no blog.

feliz ao vivo
e à cores.

vem nadar aqui, vem.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dos sonhos

Era daquelas pessoas paralisadas. Paralisadas no tempo, no espaço e no lugar. Tinha dois sonhos. Daqueles simples que, se a vida não tivesse virado 1° pra direita, não seria sonho, seria apenas uma rotina. Tivera uma febre de 3o dias. Sua mãe morreu cedo. Tinha mais ou menos uns 50 anos. Ou menos. O sofrimento envelhece e dá pés de galinha para qualquer vinteoitão que se acha invencível por tudo, inclusive pelo tempo. Ele nem se achava, queria mesmo é sonhar. Devido à febre ficou doente pro resto de sua vida. ainda tem um resto. Ao confessar sobre o que tinha acontecido, senti uma certa umidade nos olhos daquele senhor e eu confesso que dos meus, quase escaparam alguns úmidos. Não tinha os movimentos das mãos. Eram apenas pêndulos moles, sem controle que, à medida que ele tentava controlá-las , balançavam que nem uma maria mole com cheiro e cara de pele. Acho que tinha paralisia na língua também ou talvez fosse apenas a falta de dentes que dificultava uma dicção compreensível. Ele fazia tudo sozinho. Todos os dias de manhã pegava o saco de estopa com os punhos, na verdade usava o osso das mãos para sustentar o peso, arrastava com suas pernas pesadas (também tinha problemas nos pés, eram pela metade e sempre enrrolados em faixas). Pra enxugar o suor do esforço, punhos na testa. Incrivelmente conseguia tirar saquinho por saquinho, caixinha por caixinha e montar uma bandeja de balas, chicletes, jujubas e pirulitos sobre um banquinho de madeira.

- "Meus sonhos eram: aprender a ler e ser escritor." Tirou do saco um caderninho amassado de capa mole. Coqueiros e um mar azul.

- "Veja. eu que escrevi. Na verdade não escrevi, eu ditei e a minha vizinha escreveu pra mim. " Eram poesias. Eu já estava quase chorando.

O primeiro verso, o único que me lembro, dizia:

Não há tesouro no mundo capaz de ser maior que minha mãezinha
Não há tesouro maior, nem nos mares há.(...)

-"Um dia eu ainda vou publicar um livro. Vou largar essa banquinha de doces e vou ser famoso. Obrigada minha filha, por ajudar a montar a minha banquinha. Deus te dê todas as coias boas que ele não deu pra mim."


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Entrei no Ufac soluçando e pensando: hora de escrever um projeto.



segunda-feira, 8 de junho de 2009

a gente nunca sabe o que fazer. acaba fazendo sem saber mesmo.

na minha casa só chove do lado direito.

bloguimeio.


testando postagens por e-mail. mas que maravilha!



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Kaline Rossi

hoje sim, eu sou eu naquele espelho.

domingo, 7 de junho de 2009

me falta um template pra vida.

sábado, 6 de junho de 2009

quando estou no céu,
Deus me dá uma bomba
de nuvens de presente
e quando ela explode
tudo se inunda
de azul turqueza
que é a minha cor.
é uma das minhas cores.
por que às vezes eu não tenho cor
me foge. me erra.
ei, morra aqui!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dia do Amor.


O mundo está em crise. Isso é fato consumado, comentado e debatido até em mesa de bar. (como assim 'até em mesa de bar'? tem gente que quando bebe fica inteligente, importante e às vezes até invisível. É um bom momento para se debater). Tem gente que não sabe nem é o que está em crise mas, como é o assunto da moda, acaba debatendo normalmente. Crise econômica, crise imobiliária, crise de rinite, crise existencial, crise sentimental, até. O brasileiro se acha inteligente. Sabe falar muito sobre pouco que, juntando tudo, não é quase nada.

Falando sobre o fato consumado. As pessoas usam todos os tipos de estratégias mercadológicas, persuasivas e até sentimentais para aquecer a economia. Em tempos de aquecimento global e crise econômica eu não sei pra que lado ir quando se fala em consumismo. Chegando o tão falado 12 de junho, lojas vão enfeitando suas vitrines com corações, palavras bonitinhas, balões vermelhos, fotografias e preto e branco ( preto e branco é bem romântico, não acham?). Tudo para aquecer a economia local e atrair mais clientes. Esse é o intúito dessa data. Como todo mundo sabe, no mês de junho as vendas eram baixíssimas e decidiram criar um dia para que as pessoas tivessem um motivo para gastar seus dinheiros. Pumba! Nasce o dia dos namorados. Mas, e se o mercado dos namorados também estiver em crise?

Com o surgimento de relacionamento alternativos, por exemplo, onde se preza por um amor , paixão, tesão, livre, sem títulos de propriedade, direitos autorais ou de uso, por um amor que não se encaixe nos estados civis existentes na constituição brasileira, nos padrões mais aceitos socialmente, os 'namorados' estão virando raridade, coisa de velho, coisa de gente doida, coisa de gente insegura, coisa de gente...gente como você, como eu, como nós. Sabe-se que para toda prática extrema sempre surge uma alternativa. Temos como exemplo o vegetarianismo, o hiduísmo, o homossexualismo (na verdade eu sei que é homossexualidade, por que o sufixo ismo remete à doenças. e ser homossexual não significa ser doente. é só pra rimar), o feminismo, o namorismo, o ficandismos, o peguetismo e o simples Amor. O amor é uma alternativa, na minha opnião, a melhor de todas para tudo. Não precisa de status social e nem de certidão de posse ou propriedade. Não precisa pagar taxa de quebra de contrato ou de advogados. Quer dizer, de vez em quando precisa. Consideremos as situações normais. Desse amor livre que eu sou à favor. O que importa não é uma aliança de compromisso, é a aliança da alma. O que importa não é o sobrenome, o que importa é o que você realmente representa na vida da pessoa. É uma questão que se resolve à dois, à três ou à quatro para algumas pessoas, mas só se resolve com ele, com o sentimento, com o amor.

Para mulheres frágeis e pouco inteligentes emocionalmente, influenciáveis por essa pressão psicológica e idealista do mercado, dia 12 de junho só presta se você tiver um namorado ( não acredito que os homens sintam a mesma coisa. acho que só no aspecto de que todo mundo gosta de ganhar presentes, independente da data) é um dia muito triste, quando não se tem um namorado, é claro. Bridget Jones que o diga.

Por isso que depois da minha revolução verde, eu estou agora encabeçando (mesmo que seja só dentro da minha própria cabeça) a revolução do Amor. Devemos tirar essa idéia da cabeça que somos reféns dessas coisas que tentam colocar nas nossas cabeças, e muitas vezes conseguem. Não falo de chifres. Não se compra sentimento em nenhum lugar. O máximo que você pode fazer é comprar um sonho na padaria, só. Se você não se encaixa nesse contigente de pessoas 'namoradas' e sim, enamoradas, apaixonadas, não se sintam constrangidas nessa semana que antecede o dia daqueles que têm o título de namorados, em comprar uma lembrancinha, um chocolate, um carrinho de brinquedo, o que quer que seja para dar de presente, mas só se sentir vontade e não por obrigação. O amor não tem data, assim como o dia das mães, dia dos mortos e outros dias. Pra mim, dia 12 de junho e todos os outros dias no ano, é dia do praticar e exercer o AMOR!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

- Há sempre algo de ridículo nas emoções da pessoa que se deixou de amar.

Oscar Wilde