terça-feira, 19 de maio de 2009

das impressões matutinas

às vezes me incomodam esses passos sobre a minha cabeça.

Podemos estar falando

Tenho professores graduados, mestrados e doutorados em Engenharia Florestal mas com especialização em Gerúndio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CELULAR EU TE AMO!

domingo, 17 de maio de 2009

Eu ouço a rádio. A bossa. Fico imaginando se as ondas- que onda! - chegariam aos lugares mais distantes que qualquer quantidade de horas de barco, qualquer quantidade e volume de água, bolhas, espuma, chegariam. Vou na difusora: '- Avisa saudades.' Vixe, se treme! Talvez menos árvores para desviar. Talvez menos seios desnudos para olhar. Talvez uma chapinha mal feita, talvez um coque cheio de pudor. Grande rio no peito? Cavaleiro sem medo nenhum. Sou número de topete e ímpar. Sou sol e soul. Sou leão. Hoje sim, tenho peito. Apóio a causa do câncer.

Não esqueço do dia que te dei um sorriso de presente. Nele havia, aos montes, toneladas de sujeiras alheias. Havia sim, a cor do amarelo cor da tua pele suja sem banho. A cor da parede que você queria pintar para parecer menos gélido. Eu me limpei. O branco não é pra todos. É que nem a noiva virgem ao usar. Que piada, noiva. Que piada, virgem. Não distribuo tapinhas nas costas de graça. Não imploro por atenção: Oi?Fala comigo? Você é nova aqui, não vês que esse é meu harém?. Não. Meu cartél é feito por variações pessoais, personificações (adoro essa palavra) do eu mutante. Mutante como a flor laranja que de tanto sol, aquele tão necessário para a vida verde, vira amarela desbotada, como a tua cor pseudo estrangeira. As vezes a gente pode se surpreender. Nesses dias de ventos frios do sul, às vezes me sinto xenofobista. Preciso mandar fazer cobertores de orelhas sob medida.

sábado, 16 de maio de 2009

posso ser um silêncio ao contrário, se você quiser.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Arquitetura de merda*












*Coprólitos. Excrementos fossilizado de seres vivos. Nesse caso são de vermes que formam verdadeiros prédios, construções de côcô. Influências de Diotisalvi? Niemeyer? Engenheiros e Arquitetos do programa da casa própria da Caixa Econômica? Índia? Não sei, mas essas criaturinhas são engenhosas e eu perdi meu tempo, sim, tirando fotos dessas coisas. Pode parecer nojento, mas nessa arte há beleza.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Do espírito de

"Não basta termos um bom espírito. O mais importante é aplicá-lo bem."

René D.

não, não não me compares com aquele que voa e canta
nem aos pares das memórias coloridas sonoras
daquele pássaro vermelho nem lembranças tenho
voou pra longe e pra longe de mim
obrigada! pra longe da minha memória fraca

-amém (coral infantil)

não, não me venha com cantarolas, bandeirolas e nem caramelos
pega logo esse teu suco de limão sem doce e enfia
na cara ou em outro lugar qualquer

para de fingir jujubas coloridas
quando na tua cama a pelúcia é do cão ou outro animal virulento
que te dá alergia de morte

alegria, alegria!
ganhaste a carta áurea?
de que te serve se nem cor tens?
desculpa, mas eu nunca acreditei em religião
e o que tem escrito lá
é mais bonito de se ver atrás das grades
comendo o pão que teu amigo amassou
lendo teoremas de Descartes

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ela pergunta e ele responde.
- Se você fosse uma flor, qual flor seria?
- Comigo ninguém pode.


.

domingo, 10 de maio de 2009

Assim, meio penso.

Eu penso em você todo o diatodos os diaspenso em você de manhãpenso hoje e penso amanhãpenso em estar ao seu ladopenso no dia de vocêdia seudia meuvocê no meu dia

penso pra deixar de lado o que pro lado de lá se foipenso que em cada semana que se passa emana a vontade de viver o dia seguinte cada vez maispenso nas coisas que podem virpenso no barco penso no riopenso no que tu viupenso assim no que eu vi e ri epra falar a verdadefoi muitomasmuito engraçado

Pensei em escrever uma cartapensei em ligarmas des penseinão adiantavou ter que esperarOlhei uma foto sorrisim eu estava láestive como em nenhum lugarsou eusim fui euserei eu alie nada mais importa além do que me torna tua minha.

- penso também que eu esqueci o que dizer agoradrogadeveria ter anotado- É que eu acordei e sonhei pensandopenso demais e sabequão bom é pensaré por isso que eu pensologonão desisto dessa vida cheia de pensos.

sábado, 9 de maio de 2009

Da macumba mal feita.

Não morreu mãe, mas morreu cão e cadela.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dono sem cão- Frida Kahlo

Você só pedia um pouco da minha atenção

E eu quase sempre te dizia não

Você gostava de andar sempre ao meu lado

Eu te chutava, te mandava embora, te chamava de chato



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu



Então te procurava pra desabafar

Quando o mundo inteiro parecia me sufocar

Você em nenhum momento me deixou na mão

Aturou minha voz desafinada e o meu violão



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu

quinta-feira, 7 de maio de 2009

fridisrantis

a despedida teve como trilha sonora o motor de um barco.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

se eu fosse um deus, dos bons, mandaria mudar as ruas e calçadas de lugar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

mandei acender velas.

Um culto à ignorância

Não tem coisa melhor do que não saber das coisas. Digo mais, não tem coisa melhor do que não entender nada. Se você não sabe e não quer saber, te livra da responsabilidade de se manifestar sobre qualquer coisa. É a liberdade da ignorância. É um direito de escolha e não tem nada a ver com sabonete. É uma escolha que só quem não é, pode ter. É feita em sã consciência. É a liberdade de ser quem se quer e de fazer com que os outros saibam que o querer é muito mais íntimo que qualquer coisa que se diga. É olhar pelos olhos com filtro, só passa o que convém. É respirar ar puro, longe de esgotos, galinheiros, de mauzoléus e pseudo igrejas cujos cultos não são à ignorância. É ouvir que há tiroteios em bibliotecas e se conformar: "Pelo menos eles procuraram um lugar com ar condicionado para ir". É ouvir tantas coisas e sorrir sem medo de ser feliz, sem culpa e sem nenhuma dor no peito, repito, sem nenhuma dor no peito!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

depois de meses, quase ano, na escuridão, posso afirmar com toda a certeza que agora que vejo luz, sinto falta do escuro.

domingo, 3 de maio de 2009

eu vi a luz
e chorei.
por dentro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Contos de cantos II

No jantar, muitas teias de aranha em um restaurante cujo nome segue as regras gramaticais de nomes por aqui. A união de um casal chamado Osvanda e Cleilson, que por sua vez pode ter sido fruto de outra união nomenclatural, dá o Osvailson. Franscisco e Jurinete: Franscisnete. Maria e Nelson...hmmm deixa pra lá. Caromila era o nome do lugar. Comida boa. Cara de clube noturno com uns bancos acolchoados, alaranjados e encardidos. Imaginei um cano de striptease no meio do restaurante. Imaginei minhas costas grudadas de suor naquele couro, napa sujo. Com o calor que fazia eu imaginei também milhões de outras costas outrora grudadas ali. Me distraí -ainda bem- quando a atendente educada chegou perguntando: ‘e aí, qual vai ser?’ Para conseguir um bom atendimento nem pagando 50 % de taxa de serviço. Sorriso? nem pra gringo. Poupava dentes e músculos da face. Vai ver ela não tinha dentes ou vai ver que eles tinham cáries aparentes. Tinha o olhar triste e odioso para tudo e todos aqueles que viviam. Chegava a ser engraçado. Filhote frito com limão, cebola, arroz e guaraná Baré para acompanhar. Nada melhor para nutrir uma pessoa cujo almoço tinha sido um pastel de carne -em miniatura- e uma coca-cola. No caminho de volta pro hotel, tendo gasto o que me restava de educação e simpatia com a moça, eu vi um anão jogando sinuca. Foi muito, mas muito bizarro.

As casas parecem ter sido construídas pelo mesmo marceneiro. Sem exageros, todas as fachadas são iguais, com telhados arredondados que lembram templos chineses. Em Boca do Acre não existem engenheiros, muito menos arquitetos. Fato. Escadas e seus degraus uns maiores que os outros, degraus maiores e menores que os pés. Eu tenho o pé grande e consegui subir com dificuldade algumas escadas, mas e quem tem o pé maior? Sobe escada na ponta dos mesmos. Ao ver o rio, eu tive medo. Não vou mentir. Muita água, sem barrancos e o asfalto da rua acaba na beira do rio. Era imenso e eu só esperava ver outro boto rosa. Outro fato: para cada cinco pessoas existe uma igreja. É, lá em Boca, só Deus mesmo. Meu ombro arde e pretendo tomar dois banhos amanhã. Um deles vai ser de bloqueador solar. Tenho saudades já. Penso bastante antes de dormir. Dormi.

O dia amanheceu chuvoso, mas o céu indica que o sol vai sair em breve. Meus ombros ainda doem. Pode parecer exagero, mas acho que ganhei uma queimadura de primeiro grau. O ar condicionado sem filtro deixou minha voz rouca e sexy. Fui pra frente do espelho e comecei a imitar uma cantora negra, fazendo caras, bocas e cabelos. Sinto vergonha disso. O café, leite, pão, queijo e bananas serviram como primeira refeição do dia. Teve suco de maracujá também. Uma das coisas que eu não entendo é porque a numeração dos quartos ou salas de um prédio começam sempre na casa dos 100. Me faz parecer que antes do meu quarto 108, existem mais 107 quartos, o que não faz o menor sentido em um prédio de 3 andares e 8 quartos. Acho que o zero à direita deixa as coisas mais bonitas e pomposas.

Não se consegue ouvir o canto dos pássaros. Eles são substituídos pelos motores dos barcos, catraias, voadeiras, passeios, batelões e outros tipos de embarcações, que têm motor. É quase uma sinfonia, porém, sem nenhuma sintonia. Existem muitas pessoas nas ruas sem fazer nada.

- Sou carregador. Ajudo as pessoas a carregar as coisas dos barcos quando precisam. De R$ 5,00 a R$ 10,00.

- Sou observador. Observo as pessoas quando precisam e quando não. R$ 3,00

- Sou conversador. Converso com as pessoas quando precisam, mas comigo é de graça. Não cobro nada. São profissões que deveriam ter reconhecimento social. Receber direitos trabalhistas e essas coisas, reclamavam. Falamos até inglês:'Give me some money?' , 'Go to Mapiá?'

Café da manhã reforçado. Acho que a moça da cozinha sabia que estávamos de partida. Bananas, mamão, café, leite, queijo, ovos mexidos, mandioca cozida. O barco ia mais pesado do que esperávamos. Após comprarmos a gasolina para o motor, carregarmos o barco com comida, água e nossas coisas, partimos descendo o Rio Purus, 10h da manhã. Rio caldaloso, agitado e cheio de balseiros. Balseiros são pedaços de pau, árvores inteiras, que são arrancadas pela força das águas, das margens e seguem junto com a correnteza, rio abaixo. Haviam árvores submersas, só com algumas folhas emergindo para fora. Duas horas depois o rio fica mais calmo. Cor e textura de doce de leite, infelizmente, gosto não. Quer dizer, gosto não sei, não tive coragem de provar.

(...)