se eu fosse um deus, dos bons, mandaria mudar as ruas e calçadas de lugar.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Um culto à ignorância
Postado por
Kaline Rossi
às
15:07
2
comentários
segunda-feira, 4 de maio de 2009
depois de meses, quase ano, na escuridão, posso afirmar com toda a certeza que agora que vejo luz, sinto falta do escuro.
Postado por
Kaline Rossi
às
15:00
1 comentários
domingo, 3 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Contos de cantos II
As casas parecem ter sido construídas pelo mesmo marceneiro. Sem exageros, todas as fachadas são iguais, com telhados arredondados que lembram templos chineses. Em Boca do Acre não existem engenheiros, muito menos arquitetos. Fato. Escadas e seus degraus uns maiores que os outros, degraus maiores e menores que os pés. Eu tenho o pé grande e consegui subir com dificuldade algumas escadas, mas e quem tem o pé maior? Sobe escada na ponta dos mesmos. Ao ver o rio, eu tive medo. Não vou mentir. Muita água, sem barrancos e o asfalto da rua acaba na beira do rio. Era imenso e eu só esperava ver outro boto rosa. Outro fato: para cada cinco pessoas existe uma igreja. É, lá em Boca, só Deus mesmo. Meu ombro arde e pretendo tomar dois banhos amanhã. Um deles vai ser de bloqueador solar. Tenho saudades já. Penso bastante antes de dormir. Dormi.
O dia amanheceu chuvoso, mas o céu indica que o sol vai sair em breve. Meus ombros ainda doem. Pode parecer exagero, mas acho que ganhei uma queimadura de primeiro grau. O ar condicionado sem filtro deixou minha voz rouca e sexy. Fui pra frente do espelho e comecei a imitar uma cantora negra, fazendo caras, bocas e cabelos. Sinto vergonha disso. O café, leite, pão, queijo e bananas serviram como primeira refeição do dia. Teve suco de maracujá também. Uma das coisas que eu não entendo é porque a numeração dos quartos ou salas de um prédio começam sempre na casa dos 100. Me faz parecer que antes do meu quarto 108, existem mais 107 quartos, o que não faz o menor sentido em um prédio de 3 andares e 8 quartos. Acho que o zero à direita deixa as coisas mais bonitas e pomposas.
Não se consegue ouvir o canto dos pássaros. Eles são substituídos pelos motores dos barcos, catraias, voadeiras, passeios, batelões e outros tipos de embarcações, que têm motor. É quase uma sinfonia, porém, sem nenhuma sintonia. Existem muitas pessoas nas ruas sem fazer nada.
- Sou carregador. Ajudo as pessoas a carregar as coisas dos barcos quando precisam. De R$ 5,00 a R$ 10,00.
- Sou observador. Observo as pessoas quando precisam e quando não. R$ 3,00
- Sou conversador. Converso com as pessoas quando precisam, mas comigo é de graça. Não cobro nada. São profissões que deveriam ter reconhecimento social. Receber direitos trabalhistas e essas coisas, reclamavam. Falamos até inglês:'Give me some money?' , 'Go to Mapiá?'
Café da manhã reforçado. Acho que a moça da cozinha sabia que estávamos de partida. Bananas, mamão, café, leite, queijo, ovos mexidos, mandioca cozida. O barco ia mais pesado do que esperávamos. Após comprarmos a gasolina para o motor, carregarmos o barco com comida, água e nossas coisas, partimos descendo o Rio Purus, 10h da manhã. Rio caldaloso, agitado e cheio de balseiros. Balseiros são pedaços de pau, árvores inteiras, que são arrancadas pela força das águas, das margens e seguem junto com a correnteza, rio abaixo. Haviam árvores submersas, só com algumas folhas emergindo para fora. Duas horas depois o rio fica mais calmo. Cor e textura de doce de leite, infelizmente, gosto não. Quer dizer, gosto não sei, não tive coragem de provar.
(...)
Postado por
Kaline Rossi
às
13:47
2
comentários
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Contundente.
O emprego que se tem hoje, com certeza tem uma correlação com alguma pessoa que conhece você, que indica, que dá boas referências e que nem sempre elas são verdadeiras. Aqui no Acre o quem indica não se preocupa muito com o que a pessoa realmente é, e sim, pelo que ela aparenta ser, pelo que você pode oferecer, quem são seu pais, primos, tios, qual a recompensa que está por vir. um favor futuro. Diria que um investimento a longo prazo. Acho que isso não existe só aqui, não. Para alguns isso é até bom. Imagine só se todos se mostrassem ser quem realmente são. Pausa. Vixe, quero nem imaginar os problemas que isso causaria.
Eu poderia citar muitos outros exemplos de correlação, mas se eu o fizesse, perderia o meu enfoque. Ninguém gosta de perder o foco, mesmo que usando óculos e fazendo careta feia pra enxergar. Mesmo que sem óculos a careta e a feiura continue, ninguém gosta de perder o controle da visão, já que outros controles de outros sentidos e sentidas nem sempre se pode ter o controle. Perdi o foco!
Juízo. Isso, juízo. Não aquele que se julga ou se é julgado. Não pela justiça e nem pelas línguas da moda, muito menos, esse muito menos do que os outros menos, pelas pessoas que detém do poder da disseminação das informações. Neste se encaixam todos os profissionais que lidam com a palavra e os não profissionais também, os amadores. amam dores. Juízo: recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis. Esse também não.
O juízo que me refiro nasce biologicamente, organicamente, falando. Nasce e cresce e dói. Sai rasgando, sem pedir licença, exigindo seu espaço, afinal é o último, o bãm-bãm-bãm. É fruto de uma adaptação evolutiva, se eu não fosse tão moderna, citaria a teoria de Lamark (adoro o lamark). Antes ele tinha um lugar reservado, hoje aqui não mais. Tem que conquistar, a muito custo, financeiro inclusive, e trabalho. Trabalha todos os dias, paulatinamente, precisamente, incisivamente, dolorosamente: CISO.
Voltando às correlações. Conheço muitas pessoas que precisaram de intervenções para que que o dito cujo, o juízo, pudesse se fazer presente em suas vidas. Umas bem cedo, outras, mais tarde, ou seja cedo ou tarde ele há de vir. Que correlação que há com o nascimento de um dente com o juízo da pessoa? Sim, pois antigamente o dente nascia bem mais cedo, por volta dos 18, 17 anos, não sei ao certo, o que as pessoas associavam também à uma nova fase da vida, mais responsável, mais concisa, com ciso. Eu, nos meus altos e baixos 21 anos, estou em pleno processo de juizamento, literalmente. Atinjo a maioridade, tenho uma profissão, tenho um cartão de crédito, título de eleitor e uma carteira de motorista, tenho meus primeiros , segundos e terceiros atos julgados, tenho uma nova fase da minha vida, linda, tão clara que posso ver além do horizonte, sem romantismos, e ainda tenho cisos nascendo. A dor da responsabiliade é na boca. Talvez eu precise também de intervenção, talvez eu nem precise de dentes, mas tem gente que a idade (pouca ou muita) não tem correlação nenhuma com juízo. Lhes faltariam dentes por isso?
Postado por
Kaline Rossi
às
19:58
2
comentários
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Nunca desconfie dos seus sentidos, repetia. Também nunca acredite completamente neles. Pessoas pessimistas não devem acreditar no que pensam, mesmo sabendo que no fim, no fim mesmo, tudo dá merda. E se não deu merda, é por que ainda não chegou ao fim. Afinal, o que são os pensamentos senão prováveis mentiras contadas de dentro pra fora? Pessoas otimistas também não devem acreditar em si. Nem tudo é feito de algodão doce além do horizonte. Desconfie de tudo que vive, aconselho. Claro, afinal, tudo que vive, possui vida, consome oxigênio, insumos,- refiro-me também aos alimentos - água, ocupa espaço e entre outras coisas que entram em conflito com o seu universo particular de uma forma ou outra, mesmo que o universo não seja tão particular assim ou que tenha apenas uma estrela, sem constelações ou coisas cósmicas, mesmo que você more no Acre ou na China. Coisas que não sei o nome e nunca vi, mas assim como os E.Ts, sabemos que existem. Gosmas feitas de gomas cósmicas ou algo do tipo dos ninhos dos mafagafinhos mafagáfagos.
Falando em coisas que não se vê, corpos vivos com suas funções vitais funcionando em condições adequadas mantém a temperatura interna variando entre 34 a 37 °C. Depende do metabolismo, no estado de saúde, do nível de álcool ou outras substâncias, e até período menstrual, no caso das mulheres. Também as xxx, os xxx e as xxx, diga-se de pastagem. Assim, como todas as outras energias em forma de calor, este, o próprio, excede os limites internos corporais, decide-se sair, parte sem vontade de voltar em busca de novos horizontes. Horizontes não necessariamente são horizontais. Assim como quem não tem canino caça com equíno, sem trema, agora.
Fato é que o sonho de todo calor interno é encontrar uma brisa, corrente de ar ou outro lugar quentinho, semelhante ao de onde saiu. Assim como quando percebemos o quão bom é dormir de conchinha por lembrar a posição que nos deixava confortável no útero de nossas mães. Ah, se era. Conseguem fugir por todos os lugares. Fugir não. Tem liberdade e direitos de ir e vir, assim como todo pedestre e toda pessoa, ser humana, que se diz livre e gozar dos seus direitos. É, gozar. É, liberdade. Se diz, sim. Calorzinhos saem à procura de narizes, sim. Calorzinhos trazem consigo moléculas de substâncias poderosíssimas capazes enebriar qualquer ébrio ou sóbrio anônimo ou assumido de forma inexplicável. Moléculas contém combinações perfeitas, encaixes, porta e fechadura, porca e parafuso, quebra-cabeça, palavras cruzadas, complete a frase. Assim como toda tampa tem sua panela, mesmo que seja uma frigideira. Grande engenharia química!
Para voltar pra casa, mais chaves. Chave superior, chave inferior, portas, segundo número ímpar, primo e primeiro número par, eletricidade, automatismo, tecnologia, porta, barulho (cuidado), chave, tecnologia, porta, chave, botões, portão um, portão dois, barulho (cuidado), porta, chave, portão, porta, sai cachorro!porta, chave, escada, porta. Por fim: cama, calorzinho bom, pássaros tímidos em cantorias escuras pela janela. Não tem maçaneta, nem porta e nem chave. Não tem loucura, telefone e muito menos telemensagem.
Postado por
Kaline Rossi
às
19:00
4
comentários
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Just pretend
finge suco de limão para não assumir jujubas coloridas.
Postado por
Kaline Rossi
às
21:20
0
comentários
Acretino tu, Acretina ela.
E o movimento Acretinos toma forças novamente.
TEM COISAS MAIS INTERESSANTES AQUI DO QUE ISSO QUE PROCURAS!
Postado por
Kaline Rossi
às
16:29
0
comentários
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Móveis
Pegou a estrada. Disse que apenas seguiria as linhas amarelas. claro, mentira. tinha destino certo. certamente não falou nem mesmo pra si onde iria, para não sentir remorso. esse já era seu amigo de fé e irmão camarada, carne de ungulado, sangue de rato. pegou um caderninho. números de telefones. discou o de sempre. claro que não iria deixar anotado na agenda do celular. pseudônimo. Oi, chove e quero abrigo. lama, sapos e maçaneta. Toma, uma toalha. Procuro a vida lá fora, desabafou. Você e essa sua busca incessante. Eu sei, eu sei, que você não cansa, vai ser assim até o fim, do jeito que teus, ou quase teus, foram, talvez melhor, afinal, adaptabilidade é a palavra do momento. é portabilidade, vagabunda. é, também.
Postado por
Kaline Rossi
às
11:35
0
comentários
domingo, 12 de abril de 2009
Awayrrí.
tomara que doismilenove tenha muitos outros feriados.
Postado por
Kaline Rossi
às
19:13
0
comentários
sexta-feira, 10 de abril de 2009
não gosto de fazer parte da vida das pessoas que eu não faço parte. nem em fotografias.
Postado por
Kaline Rossi
às
09:43
0
comentários
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Das meias verdades
é na terceirização da primeira pessoa que se consegue o anonimato.
Postado por
Kaline Rossi
às
08:20
0
comentários
