tenho medo de confissão
não pelo sermão
(nem batismo tive)
segundo minha vó, não vou pro céu mesmo.
tenho medo de não sentir culpa
ou como diz a música: eu caçador de rins.
minha culpa engulo num copo de vidro
sujo de sangue e sebo de mãos compartilhadas
sem a escolha que não teve
de escolher ou permitir
tenho raiva do meu lado escuro.
segunda-feira, 2 de março de 2009
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Não seu.
eu sinto que peço apenas um pedaço de sim
que eu velo que choro que curto que rezo
me perco por perto de partes complexas de si
eu juro que vivo que vim vivi vi e venci
não juro que nego que ao olhar pro lado teu calor eu vi
não finjo não sinto apenas para muito fazer e pouco sentir
eu perco por perto de partes complexas de mim
é como acordar e se rir
é como o tempo voando sem fim
é comungar e te ver
é como o 'A' que eu fazia pra você
me fujo me sumo me uso me escondo de ti
por portas janelas muros e sorrisos e afins
de frente de costas surda e muda ouvi
sem olhos sem corpo e sem coração decidi
que é como uivar e sentir
o vento claro da lua que vi
é como nascer e ver
o mundo com outros olhos
o meu mundo sem você.
é como lembrar e fingir
que era apenas um sonho e
voltar a durmir
é como te ver e não te querer
ouvir a voz dizendo se arrepender
e o espelho apenas sorri.
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21:28
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
tanto faz
sem voz é melhor
ouvir com os olhos
ou mesmo pensar
só em silêncio eu
te enxergo no escuro.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
ele se foi e eu nem tive oportunidade de me despedir.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
De boca em boca: à boca.
A cunhada era casada com um traficante que estava preso na delegacia. A delegacia, por sua vez, parecia um clube. Todo fim de semana tinha churrasco e cachaça pros presos. Algemas? Não precisava. Vezes quando eram liberados de suas sentenças, tratavam de cometer outro crime para voltar pra lá. Sem mentira, era um local muito desejado. Ao lado do bar mais badalado da cidadela, onde vendia a melhor cachaça da região vinda pelas balsas dentro de barris, tinha um policial que assaltava os traficantes, vendia e consumia junto com os companheiros da cadeia. Criou-se uma relação de irmandade. Coisa bonita de se ver, dizia ela.
Certa vez, a cunhada que não era muito chegada à banho como muitos dali, perfumou-se, pintou-se, colocou a saia mais curta e seguiu para a visita, que nem precisava ser privativa pois não haviam restrições : - Achei estranho. O Delegado estava para a capital e quem estava no posto era a esposa dele. Professora de geografia. Estorquia qualquer crime por qualquer nota de cinquenta. Liberava os ladrões de galinha aos fins de semana para garantir o jantar. Dirigia a caminhonete da polícia para ir arrumar o cabelo no salão.
- Vim trazer comida pro meu marido, disse ela. E essa criança? É filha. Loira, com esses olhos? São do avô. Venha cá , deixe eu te revistar. De cócoras. É preciso mesmo passar por esse constrangimento na frente da criança? Você tem R$ 100? Não, tenho umas trouxinhas aqui. Colombia? Bolívia. Vou ter que te prender. Na minha cidade não entra esse tipo de coisa não. Mas dona delegada eu não posso ser presa, tenho minha filha pra criar, não há quem cuide. O que você acha daqui, menina? Gosto da cor da parede, dona delegada. Certo, já que gostou, não vai ter problemas em vai ficar na cela com a sua mãe. E assim ficou por lá, durante quatro meses até que voltassem as aulas da menina. A mãe foi liberada também. Vendia roupas e sapatos roubados na feira com o marido, que vivia saindo à cidade pra comprar cachaça e galinha pro churrasco do feriado próximo.
Caboco é bicho imundo, dizia. Não tomam banho e olha que vivem na beira do rio. É pura imundice mesmo. Em uma conversa com vizinhas e comadres, foi surpreendida com um comentário infeliz de uma mulher idem: No Acre só tem galinha. Como é que é a história? É isso mesmo. Os homens que vem de lá dizem que são galinhas e ao chegar em um restaurante pedem acreanas caipiras. Isso é coisa de rondoniense, maninha, que morrem de inveja das acreanas que são mulheres bonitas, cobiçadas e sabem fazer o negócio direito. E você com essa cara de macaco misturado com cruz credo vem falar das acreanas? Prefiro ser galinha que toma banho até no seco do que ser uma porca gorda, fedida e suja como do seu tipo.
Rabissacou e seguiu seu rumo. Deu a mão e: Dá uma carona? Claro, tô indo pra Rio Branco e você? De volta a terra que nunca desejara ter saido, pelo mesmo motivo de não ter que um dia hesitar em voltar.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009
Eu rio, tu ris.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
é
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Verde musgo.
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Constrói-se dicionário de impropérios. Aceita-se doações.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Só chove em mim.
Impressão minha ou essa nuvem só está sob a minha cabeça?
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De Sang'real
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Parede colorida
por que mim não conjuga verbo
unhas partidas em partes ímpares
ou partes de eu
acho que esqueci
como ser alguém
além do mim desejado
agora já é tarde
não tenho mais teu endereço
e em ruas próximas
eu esqueço
do que um dia era pra ter sido
meu mas não deu
nem escrito com luz.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
199 e bolinhas.
Os planos de crescer e fazer faculdade só serviram pra alguns. Alguns não entraram na faculdade e outros...não cresceram. E com o passar do tempo, eu continuo achando que nem todo o pra sempre é pra sempre mesmo, e como ja disseram por aí : o pra sempre sempre acaba. Se as coisas, se a vida seguir uma lógica natural, essa fase vai passar também. Como hoje me incomoda alguém que eu estudei na 7° série querer ter a mesma intimidade que tinhamos quando éramos apenas crianças, espero que daqui a uns anos eu me incomode ao ver fotografias e ler textos de um passado meu que, infelizmente , ainda é presente.
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09:41
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Mas com que cor?
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