Quanto mais o tempo passa
Mais o tempo passa.
segunda-feira, 3 de março de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sangue.
Ele pode ser de dor
ou de amor
pode ser violência
ou por carinho
Pode ser de ódio
ou de solidariedade
Pode ser por fraqueza
ou por pura nobreza
Na dúvida ou no alívio
Ele traz alegrias pra mim
por isso
Meus anjos e demônios
Dizem amém.
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Kaline Rossi
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15:23
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
De si, pouco se sabe além de mim.
No tempo em que usava sandálias menores que os pés,roupas emprestadas que cobriam as partes que(ainda)não tinha, que mal deixavam ver o que se tinha dentro de si pois escondia com os ombros o que a alma mostra pelos olhos: Aquilo que realmente é.
Achava que era dona do mundo,mas sabia que não se domina o mundo com os ombros.Lhe faltavam braços.E era a dona do mundo.Do seu mundo.Aquele que as fronteiras eram as paredes do quarto de reboco nú, rabiscadas com giz colorido roubado da tia da escola.
Na escola era rainha,era a invejada por todas, a imitada - o que na época irritava-a ao extremo ao ponto de fazer coisas que ninguém teria coragem de fazer.Assim começou nascer alguém em cima de outro alguém.Psicologicamente falando,algo totalmente explicável por Freud.E que fique bem claro que eu não entendo nada de psicologia além do senso comum de dizer que o velhaco explica tudo.Vai saber.Tenho até um livro dele aqui que troquei em um sebo mas nunca tive a coragem de ler.
Como dona do mundo -aquele lá das paredes coloridas- se perguntava o que faltava para se sentir inteira,plena e tranquila com as coisas do seu mundo e do mundo dos outros.Tentava de todas as formas possíveis compensar a falta e ausência com a autencidade copiada, forjada de alguém da revista ou da mtv.Sentia-se satisfeita com tão pouco, se sabotava pensando que as coisas não poderiam ir além do que se vê.
Não sabia que para entender as coisas dos mundos e fazer com que eles fossem seus, tinha que ser do mundo também.E que antes de pertencer a qualquer mundo que fosse, teria que pertencer a si mesmo .Acima do que não se vê e acima do que se quer.
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Kaline Rossi
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16:29
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Pequena
Tinha os cabelos maiores que a metade da sua altura, pretos como o teclado que agora me serve como tradutor de idéias, preto como a noite sem lua e nem estrelas.Olhou pra mim com olhos de jabuticaba madura ou talvez bolas de bilhar, tão pretas que dava pra ver o reflexo meu e disse:
- O que é isso no seu nariz?
- Um brinco.
- Eu quero um brinco no meu nariz também.
- Não, você é muito pequena ainda pra ter brincos além das orelhas.
Se escondeu atráz da poltrona e levantou em um pulo só dizendo:
- Olha lá fora. Vaquinhas.
E se escondeu.
E olhei as vaquinhas e fiquei pensando.As crianças me comovem.E eu tenho uma certa resistência à isso.À crianças.Em todos os lugares que eu estou, seja numa fila, seja andando na rua ou no ônibus elas tendem a olhar pra mim com uns olhos estranhos e isso me incomoda.Parece que elas sabem de mim mais que eu e pensam:- Olha só, ela nem se conhece.Me dá medo.Mas eu gosto.É uma forma de me testar.Imagine só, as crianças me testando!
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16:01
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Imunidade contr'outros
Não tem como roubar aquilo que já faz parte de si.
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08:05
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Pretérito passado
Faço um risco
rabisco
em cima do passado escrito
faço um traço
até ficar borrado
O passado escrito
já foi lido e relido
mas não consegue sair
do pretérito falido
falado
Mas o passado que a gente guarda pra viver depois
é aquele que conseguiu não sair dos planos de papel
e que vivido ou não
talvez nem tivesse a chance de ser presente.
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Kaline Rossi
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18:47
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Hide.Love.
Beatles me pega nos melhores momentos.Eu ouço e confirmo o que eu sempre soube: Eles são geniais.
You´ve got to hide your love away
Here i stand head in hand
Turn my face to the wall
If she´s gone i can´t go on
Feeling two foot small
Everywhere people stare
Each and everyday
I can see them laugh at me
And i hear them say
Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away
How can i even try?
I can never win
Hearing them seeing them
In the state i´m in
How could she say to me
"love will find a way"
Gather ´round all you clowns
Let me hear you say
Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away
http://http://www.youtube.com/watch?v=jz7IjXu0DfQ
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Kaline Rossi
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08:41
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Gotas
Enquanto lá fora
As gotas doces
Se suicidam das alturas
Aqui dentro
As gotas são salgadas
E se suicidam da mesma forma.
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05:10
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Para materializar a tortura e não perder o costume:
Quem grita no escuro não grita sozinho.
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05:15
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Convexo
Já deixou de ser promessa,agora é minha dívida.És o reflexo convexo da parte ruim de mim.A parte que me deixa dividida entre o orgulho e a verdade.
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Kaline Rossi
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14:14
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Negrito
Pra ser ouvida mesmo que em silêncio
Eu falo em negrito
Em sinal nulo ou submisso
Eu grito pra dentro.
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Kaline Rossi
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14:09
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Em tom, então.
Me fala de amor com o teu som
Que eu te dou uma nota como resposta
O tom
Por que eu ouço o tremor da fala
Pecebo o som da voz que as vezes se cala
Enxe-me de sílabas unissínonas
Da boca que jorra pregos
Que vibra o martelo
Que constrói em cima de mim
Um vão acústico que me ensina a ouvir
Com a sensibilidade o bem me quer, quem não quer.
Se eu finjo em cima do muro
É pra tomar jeito
Pra tomar murro
Pois o esboço do meu esforço
É escrito em som escroto
No compasso dois por quarto
De um único tom relapso
O meu
Que disfarço entre os graves ecoados
E agudos desafinados.
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13:33
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Simpatia.
Sorrir com os ombros economiza músculos da face.
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Kaline Rossi
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21:03
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Monsto d'umbigo
Eu criava um monstro no umbigo. Ele era insistentemente chato e inconveniente, me fazia cócegas e de vez em quando me causava dor.Era cômodo tê-lo por perto por que me dava prazer quando ele aparecia com algo que refletia, mas eu só conseguia enxergar no escuro dos olhos fechados.
Esse monstro apesar de todas as impressões boas que ele me dava, eu queria matá-lo por que sabia que nada que eu via e que eu achava era real.
Quimeras vestidas de flores verdes e cheiro de baunilha, ou molhadas com som de passos solitários marcados na poeira recém pisada.Só quimeras.
A minha luta era diária e constante,o meu monstro d'umbigo precisava morrer.As batalhas eram travadas todos os dias com hora e local marcado: ao amanhecer e em frente ao espelho.
Olhos no reflexo, monstro no reflexo.Eles se enfrentavam com os olhos e com a imagem que só o reflexo podia ver.O monstro era cego, não podia ver o reflexo que via o monstro com olhos de desenho animado...
Não morria fácil, por mais que eu tentasse.Resolvi que talvez fosse mais fácil se acostumar com a sua presença.
EGO.
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20:37
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Sonhos
Sorte de hoje: Seu maior sonho vai se realizar
Bem, como eu tenho vários maiores sonhos, tenho que escolher qual deles eu vou realizar agora. Mas será que eu tenho que escolher mesmo? Porque ele não se realiza sozinho? ahh, assim seria muito fácil!
*Boa idéia, vou listar alguns dos meus sonhos.
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08:15
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Drama Ateniense
Quando o esperar se torna uma tortura
A gente desiste de olhar pro portão
E vai durmir com bico na boca.
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20:17
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domingo, 6 de janeiro de 2008
Luiz de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
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Kaline Rossi
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17:45
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dedos inquietos - parte segunda (?)
A comunicação é verbal mas não é oral.
É escrita
(Usa-se de verbos)
Mas não se fala.
Então é visual
(Por que lê)
Mas não se vê.
Mas também,pudera.
Com que olhos?
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Kaline Rossi
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17:20
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Cansa
Quando a gente cansa de tentar entender a repulsão,a distância,o olhos desviados,cansa de tentar arranjar maneiras pacíficas com palavras gentis e sábias para resolver desavenças que não se materializam e nem se personificam em palavras,a gente cansa.
Quando a gente cansa dos olhares,intenções e falsos sorrisos espremidos do lado direito das bocas pequenas,dos abraços mal dados,do adeus forçado com a mão que acena e que é a mesma que te dá um cotoco por trás,a gente cansa.
Quando a gente cansa de dar valor ao que não vale a pena,não por descaso ou falta de consideração e sim por não ver a validade de um esforço de uma via só,que não é recíproco,não é mútuo, a gente cansa.
Quando a gente cansa e decide que não quer mais ser visto como coitadinho que faz drama,que finge que sente e que finge que não, a gente simplesmente: Cansa.
E eu me pergunto: - Será que essa gente toda não cansa também?
Por que uma relação saudável(mesmo que seja aquela relação de 'Oi,olhacomoeusousimpática' ou 'nossaquevestidolindo') entre as pessoas exige um esforço mínimo de ambas as partes.
Mínimo.
E gente, como isso cansa a gente!
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Kaline Rossi
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09:56
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