Partilhamos genes e amêndoas de biomas distintos. Enquanto comemora se 35 mm de chuva, dentro de mim abundantes 250 mm de plenitude folhosa esvaziam-se a cada aeroporto. E atravessa um jegue na rodovia federal, e reclama-se da corrupção e primeiramente fora temer. Me entristece seus sacrifícios, assim como todos os seres viventes. Mas sorri, abençoando o pedacinho que alimentou aos meus por minhas mãos. Sorri quando afoita me disse com a boca com poucos dentes ainda: esta é a melhor castanha do mundo, tia ( com o t e a pronúncia mais correta que ouvi). Nós que somos de nortes distantes lemos ditos chiados, enquanto eles, claros como água salgada e azul. Primeiro item da lista anual: quero ser vegetariana, me alimentar de sentimentos sinceros, viver cada grão de areia do presente.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
Cartas mentais
Te escrevo cartas mentais. Quase todos os dias em que me pego pensando em coisas que deveriam, que poderiam. as vezes faço jogadas poéticas, rimas banais e as vezes consigo voltar até o inicio do paragrafo para corrigir uma concordância verbal.
Ontem no trem, te escrevia sobre como eu adorava compartilhar coisas com você. Pensamentos, impressões sobre arte, sobre o jeito como as pessoas se vestem e como eu adoraria usar aquela calça curta que antes era considerado ridículo, hoje super 'in'. E então, derrepente, passeando com os dedos pelas diversas opções de entretetenimento, aparece um filme que ensina como ser solteira. achei engraçado, achei bobo, mas assisti. Precisava ocupar minhas 11 horas com os pés fora do chão. Em varios momentos desligava os ouvidos e pensava comigo mesma sobre o quanto eu estou me saindo bem, de verdade. É clichê, eu sei, mas parece que esse negócio de idade e maturidade com as coisas da vida realmente faz sentido agora que deixei a adolecência há algum tempo. Me sinto mais mulher do que nunca. Minhas espinhas tardias são apenas toxinas que meu homeopata achou que seria divertido colocar pra fora pelos poros. Não vou reclamar aqui. Elas tem que sair por algum lugar: que saiam por onde quiserem.
Quando penso em você, me parece uma poeira, uma névoa, uma bruma. Semana passada andei de bicicleta na chuva e tenho certeza que era você que estava caindo por aquelas gotas geladas e me fazendo bater o queixo. Se materializa em memórias boas, sempre elas, eu abraço, tento pegar no ar, e você se desfaz e se vai. Sem se importar, como assim sempre foi. Acho que é assim que a gente supera estas coisas, né? Lidando com as poeiras que vem e vão e de vez em quando irritam os olhos. Como agora, em que olho pela janela os prédios do jardins, enquanto o frio vem pelos meus pés e minha vontade mesmo é de querer estar na praia, olhando o mar sem muito fazer e sem muito pensar. Só estar.
Quando te escrevo cartas mentais não era nada disso que eu queria dizer. Me veio uma poeira nos olhos, vou ali lidar com ela. Volto depois.
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segunda-feira, 28 de março de 2016
Um distrito que me dói menos #1
Não fosse a secura de meus olhos, teria sido roubada de toda a umidade possível
Nos lugares e avenidas, rápidas e cinzas, brotam plantas resistentes, adaptadas e ousadas
Cada quadra, cada par de números me deixa perdida
Como pode estar aqui e não estar mais?
Resignificar cada bloco e cada lance de escada
É olhar a cidade com um pedaço a menos ,pois tudo que eu conheço costumava vir em pares
Costumava ter, costumava ser
Costumava ir e voltar aos dominigos: o dia oficial do até logo
E o até logo passou a ser cada vez mais até e menos logo,
Logo então, tornou-se um espaço vazio sem cor, apático e flutuante com cheiro de outras
Flores, incensos e água sanitária
Por que sim, a tristeza flutua antes de grudar nas paredes
E o que era par, se dividiu e multiplicou em outras direções
Em outras dimensões ainda ficam, e ficarão por muito tempo
Por que o tempo é relativo, é médico e trabalha, também, no departamento de fármacos
Pode trabalhar no posto de gasolina, nas companhias aéreas e nos laboratórios de fotografia
Onde trabalha o seu tempo?
O meu tempo trabalha em um distrito que me dói menos.
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domingo, 9 de novembro de 2014
Engoli um eu te amo e fiquei grávida de amor
Escolhi guardar pra dentro, pra evitar constrangimentos
Já tem tanto solto por ai, da boca pra fora não adianta
Se não vier mais profundo, do coração
Quando a vontade vem de dentro, quase que incontrolável impulso
Analisa-se o contexto, o tempo, a umidade relativa do ar e a posição do sol
Não se deve deixá-lo ir sem que o que está dentro saia por fim para dar um passeio
Mas em tempos de distanciamento circunstancial
Manter as frequências e sintonias mentais anda cada vez mais difícil
Por tanto guardo, poupo e economizo
Engulo um eu te amo por semana
Ficar grávida de amor: o prazo é nove meses
Como se eu tivesse todo o tempo do mundo
E tenho.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
Vibrações
Por aqui, só o que faz bem.
Custe quem custar.
selecionando frequências.
Por aqui, só do bem.
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domingo, 12 de maio de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Dos pedaços de si.
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segunda-feira, 4 de março de 2013
Da inspiração
Não sinto falta da dor da inspiração.
Viver feliz já me é poesia.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
A cada km de vida.
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domingo, 1 de julho de 2012
Para dar o primeiro passo à frente, já dei milhões pra trás.
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domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Dos conselhos
Quero todos os meus conselhos de volta. Vai, devolve. Sei que você não usou nenhum deles e se por acaso te dei - apesar de dizer o contrário- é por que não usei nenhum. nem um tiquinho se querer. Me devolve, preciso fazer alguma coisa com eles. Preciso fazer valer esses pensadores, filósofos, sofredores que disseminam frases feitas em torno do próprio umbigo pra girar ao redor do umbigo de outros e sustentar discursos de muitos. Ou mesmo fazer valer o que eu mesma escrevo. Alguém tem que acreditar em alguma coisa, pelo amor de qualquer santo ou porca suassuna! Se ninguém usa os conselhos, se ninguém age diferente do que o sentimento induz, se ninguém se importa com a sabedoria lispectoriana acumulada ou russas e seus bigodes modelados, por que, me responde por que tudo isso parece tão bonito escrito na página amarelada, abrilhantadas na textura couché ou mesmo nesse quadrado branco monomórfico? Não parece. Simplesmente não parece.
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sábado, 12 de maio de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Em legítima defesa da honra
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
menos é mais
ama-me menos,
mas ama-me por muito tempo.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
tempo verbal
Enquanto isso na sala de aula:
- Fernanda
- Presente, professora
- Carlos
- Presente!
- Marina
- Presente
(mas cheia de passado)
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domingo, 1 de abril de 2012
do falar
tenho o péssimo hábito de usar das palavras
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sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Ninguém é de ferro, dente de leite e caldo de cana
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domingo, 18 de março de 2012
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Pode ouvir o cabeludo
O ano era antes, muito antes, de suas filhas nascerem. As fotos ainda eram em preto e branco e lugar de mulher ainda era na cozinha. Sempre gostou de música mas em sua casa haviam restrições sérias. Só entrava Luiz Gonzaga. Seu pai, marceneiro, carpinteiro, artesão de móveis em madeira tinha a cabeça, a sola dos pés, algumas concavidades nas mãos e também era uma pessoa chata. Ele gostava de Roberto Carlos. Depois da escola ouvia com os amigos através de um radinho à pilha as canções dançantes e cantavam para as garotas que passeavam na praça de trança.
- Na minha casa não entra música de cabeludo.
Naquela época o Rei era apenas príncipe. Se usasse trança já seria outra história.
- Mas painho, a música é boa.
- Não, nada disso, na minha casa não entra música de cabeludo.
Certo dia, após uma grande tragédia que acometeu o Recife, estado vizinho, Roberto Carlos fez um show beneficente para arrecadar fundos a fim de ajudar as vítimas da enchente. Ele queria ir, seu pai não deixou mas por fim disse: - É, esse cabeludo é boa gente. Pode ouvir o 'cabiludo'.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Mas que me devore adequadamente.
Com o corpo e com todos os compartimentos contidos.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Nem sombra e nem reflexo. Só a certeza da dúvida converte.
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sábado, 21 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
e passeando pelo seu rosto, o bigode, também seu, sorria para meus dedos. cantarolávamos, líamos e ríamos de lá, em lá e todas as suas variações sonoras e silábicas.
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domingo, 18 de dezembro de 2011
Do outro lado
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
tentando deixar de ser eu
pra ter alguém além
de mim.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
da escrita
minha inspiração é como faísca. leio um texto, uma poesia e olha cá, lá estão as palavras, rimas e inverdades querendo sair que nem calha entupida depois da chuva. Ela, água dela, não apaga minha faísca. Acende até fazer calor e eu não aguentar mais essa dança dentro da minha cabeça. Abro a torneira, desentupo a calha e deixo sair.
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domingo, 20 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
Da camiseta
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do vazio que se preenche de si mesmo
tem mais você do que eu aqui.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
metade
Você não precisa de uma banda pra ser feliz.
Precisa ser inteira.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Aqui ontem há um ano.
Rezei para que o hoje fosse daqui a dois anos
Que eu estivesse grande, fosse moça e tudo resolvido
Ontem, sonhei pra que fosse eu ao seu lado
(ontem, há dois anos)
Que tudo que passamos fosse futuro e não passado
Não haveria quase nada a se arrepender
Nada de marcas, nada marcado
Chorei quando você foi embora
Sabendo que futuro também seria
‘Que se foste é por que não deveria ter vindo agora
Ou não, vai ver que era pra ter vindo mesmo assim
Eu que não deveria
E ter ido como se foi fez-me como hoje sou
A ti também fizeste, que sei
de ontem há dois anos a frente
Eu me fui. Se fosse no futuro, no passado também.
Pensaria em tudo de novo, com algumas mudanças
(cometer o mesmo erro não faz parte de ontem pra frente)
E se o destino viesse hoje, lhe digo: não sei se ia.
Não sei se o trocaria por praias, coqueiros, uma horta ou jardins
Nem se cantaria a música, sem palavras, aplaudindo aos céus
Não me sendo, tudo e todos para ti
Não veria tantos e tantas, fingindo aquilo não querer
Hoje eu sei: não fui.
Mas depois dessas rimas tão ruins: um dia posso vir a ser.
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
adeus
dando adeus à nuvem negra
(que se despede com chuva)
aceno alegremente
agradeço os momentos sofridos
(mas sem sofrer na despedida)
nem com augúrios saudosos
nem cicatrizes feridas
adeus nuvem negra
vá molhar outros chãos
(cabeças)
aqui só tem espaço pra inverno
não mais tristeza.
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
tempo
mais um mês e eu não consegui virar a página.
(do calendário)
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
poeira é pó
poeira é pó
aos montes
não importa de onde venha
o coletivo de sujeira
é sempre mais de um
trago uma caixinha
cheia de piuns de presente
pra pó e poeira
é o equivalente com afeto
um pote de barro, poeira
guardando água
vira lama?
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Solidão Televisão
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
viver uma vida de paixões platônicas
de letras, de vida
de arte que imita
isso que é vida
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Vem, pode entrar.
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
O conto da galinha a menos.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Bala de troco. Que coisa triste.
Tão vazio como meu estômago ao meio dia. Tão profundo como último livro lido- de colorir-.Tão nutritivo como o sanduíche noturno que faz você se revirar, arrotar e ter pesadelos pesados. Tão inspirado quanto aqueles que aspiram. Ai, esses que me rodeiam. Fazem esse mundo girar do lado avesso. De dentro pra fora como uma dor antes de começar a ser sentida. Como um pássaro pousando antes de nem ao menos ter voado. Essas ruas recém-pintadas que mudam de rumo como se muda de roupa e/ou de companhia. Esses semáforos que incitam o ódio e a paciência necessária do dia a dia. Esses desvios involuntários por ruas (re) conhecidas. É a minha última saída. A única placa que me guia é o orgulho que me salva. Mas é muito pouco. ´
É pouco demais. Não cabe na mão. Não enche uma colher. Nem um conta gotas dá conta de contar. Mas eu conto por que teimosia e persistência, e não insistência, me são inerentes. Sou leonina, porra. De nada me vale sem se valer a pena. De nada vale a pena senão o pássaro. De nada vale o cavalo senão os dentes. Nada a ver isso aí, viu. Dou valor a cada centavo e há quem chame isso de mesquinharia. Mas quem irá me poupar senão eu mesma? Aprende, filha, não espere do outro aquilo que ele não pode te dar. Não se contente com balas escusas.
-Mas eu só queria meu troco.
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sábado, 10 de setembro de 2011
polishop
*Contribuição valiosa de Curumim
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
eu rua, você esquina
eu ponto, você vírgula
eu que juro, você que minta
eu que finjo, você acredita
eu placa, você faixa de pedestre
eu de saia, você queria corpete
eu viajo, você na maionese
eu me calo, você esquece
eu flor, você noite
eu pasto, você galinha
eu ouro, você prata
eu saudade, você n'outra
eu passeio, você de tarde
eu rodeio, você dirige
eu lembro, você atravessa a rua
eu tardo, você lua
eu milhares, você nenhuma.
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
verdes
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domingo, 14 de agosto de 2011
das caixas
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
fui cortar cebola para arranjar um motivo
fui cortar cebola e o por que juro que digo
fui cortar cebola pra ver o tempo passar
confesso, fui cortar cebola para ter um motivo para chorar.
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terça-feira, 26 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
perdi minhas pontas duplas e o bom senso parece ter ido junto.
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ao mesmo tempo perdi pontas duplas e bom senso
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
bom senso e pontas duplas são coisas que se perdem juntas
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
pontas duplas seriam se o bom senso não tivesse ido
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
muita ponta dupla para pouco bom senso
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
é melhor uma ponta dupla na mão do que ver o bom senso voando
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
chega.
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sábado, 23 de julho de 2011
te vejo em todo o meu território é o novo mora em todos os meus municípios.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Seríamos nozes se não fosse aquela árvore uma castanheira.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
vai um chá?
um chá, de sumisso, para curar omissos e emissões carbônicas
se achando perdido, me permito ter razão
são arestas, curvas e volteios sem nome
são faces semelhantes no meio da noite, escuridão
me dão certeza que o silêncio é retórico,
que o silêncio é pretérito que o silêncio é falido
só é valido pra quem tem culhão
ponta na agulha, galho fraco faz o que tem que ser feito
quebra e dá de cara no chão, moça
vai um chá de sumisso pra curar esse coração?
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domingo, 17 de julho de 2011
tenho certeza que o ato de ver fotos antigas fazia parte dos rituais de tortura chinesa. certeza.
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sábado, 16 de julho de 2011
Dos paulistas - O amanhã que foi ontem
Tinha cachorros simpáticos. Nos demos super bem apesar de ter me alertado que quando vão caçar - sim, os cachorros caçam - se transformam: viram o cão. Tinha um que era magrelo, mas forte, que nem o dono. - Esse caça muito. A outra é preguiçosa. Olhei bem para aquele rostinho magro e tive que concordar. Era meio creme, meio caramelo, meio marrom. Todos os tons se fundiam e me confundia se era cor ou sujeira. Dona Regina largou tudo e foi morar no interior. interior é eufemismo, por que aquele lugar é escondido, entocado, mocado. É o interior do interior. Fora professora de história e, engraçado, usava óculos à la John Lennon também. Seu Daniel era muito criativo. Tinha construido várias geringonças mas a que mais me chamou atenção foi o galinheiro suspenso. A galinha entrava por um esteira, tinha tipo umas cabines, separadinhas, com palhinha, graminha. Por baixo tinha um cano que conduzia o ovo recém botado para um outro compartimento que deslisava, vagarosamente, para um pote que ficava ao lado do fogão. Na hora do almoço, dona Regina esticava o braço e o ovo estava lá. Que beleza.
A horta e o pomar eram um espetáculo à parte. Parecia uma floresta de mamoeiros, limoeiros, laranjeiras, rastejando tinham umas abóboras, umas não centenas, daquelas grandes, gordas e redondas que aquele povo nos estados unidos usa para fazer carinhas aterrorizantes no dia das bruxas. Alías, não entendo por que usam a bixinha pra essa finalidade. Não há nada de diabólico numa abóbora. Pepino, couve, alface, rúcula, tomate (irgh), cenoura, beterraba, cebolinha..tudo...tudo mesmo se plantava. Era como seu fosse um supermercado ao ar livre. Tinha até café. Foi lindo quando ela colheu os grãozinhos, tostou numa espécie de forno improvisado, moeu e fez um café fresquinho, na hora. Só não estava melhor por que no interior as pessoas tomam uma espécie de chafé ou licor de café. Mais açúcar do que café. Menos café mais água. Mas tinha afeto, não se pode negar. -Ontem mesmo matei uns porcos. Eles vem aqui de noite por que sabem que estamos dormindo, safados, e comem minhas macaxeiras. Fazem um estrago tremendo! Reviram tudo e comem minhas raízes como se não houvese amanhã. E estavam certos, matei tudim, o amanhã deles foi ontem.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
acordei com a responsabilidade,travestida de luz, me lambendo a cara.
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Anônimo, a libertação é diária. Todos os dias abro um cadeado e jogo a chave fora.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Do livros
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nunca vi pagar excesso de bagagem, não por peso, mas por lembranças dentro das malas.
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
dos sorrisos
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eu já tive 13 anos.
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encontros
trinta segundos e, de repente, tenho 13 anos.
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da quina da cama, pra esquina da sala de estar. esteve e sempre estará nas curvas e desvios dos espaços vazios que ficaram entre eles.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
do pedaço da língua
-Tu tá é ficano doida, minina. E saiu.
.
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domingo, 12 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
seus.
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quarta-feira, 25 de maio de 2011
a única maneira
clic.
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terça-feira, 24 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
eu me encolhi prevendo a morte. prevendo a dor e todas as suas consequências que nos fazem desejá-la. me encolhi por que me sentia pequena, pequenininiea e por mais que eu tentasse engrandecer meus pensamentos eles também não passavam de pífias palavras soltas, como de costume. eu queria voltar pro ponto onde eu havia me perdido há tempos mas os passos se apagaram e não deixou-se migalhas e nem placas de sinalização, como de costume. pensei em começar a cantar mas eu não tenho uma música favorita. não tenho nenhuma banda ou artista favorito. gosto de música só. de preferência boa de acordo com os meus padrões que quem define, como de costume, sou eu.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Não adianta se preparar. nunca estaremos prontos para certas coisas que acontecem sem avisar. Muitas vezes avisam por meios, linhas, curvas que não vemos. É uma tentativa sutil de nos fazer abrir os olhos e quando se abrem por inteiro já aconteceu. Nunca estaremos prontos.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
praticando a arte milenar de controlar o canto dos olhos.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
adoraria colocar meus feitos na parede.
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Da organização processual mental.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
sem fundo,mar.
olhei, encolhi os olhos, forcei a vista que vive cansada mas não consegui nada além de ver verde nos olhos de mar sem fundo. ainda bem.
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