quarta-feira, 31 de agosto de 2011

talento?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

eu rua, você esquina
eu ponto, você vírgula
eu que juro, você que minta
eu que finjo, você acredita
eu placa, você faixa de pedestre
eu de saia, você queria corpete
eu viajo, você na maionese
eu me calo, você esquece
eu flor, você noite
eu pasto, você galinha
eu ouro, você prata
eu saudade, você n'outra
eu passeio, você de tarde
eu rodeio, você dirige
eu lembro, você atravessa a rua
eu tardo, você lua
eu milhares, você nenhuma.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

verdes

Noites verdes, difusas, confusas. Faltam óculos, ósculos, o tudo é poroso. Faltam respostas. Estão mudas. Não muda com o tempo. Espera, espera e o tempo te responde do mesmo jeito: mudo é o teu mundo que evita palavras por comodidade. Feliz é o teu mundo que não precisa de respostas e nem de verdades. A noite é verde e vedes, aquela árvore tremendo de frio? Teu nome a fez. Fecho o livro de poesias e me suspendo no confortável vazio de mim.

domingo, 14 de agosto de 2011

das caixas

uma caixa para cada ex sapato. colorida, encapada, de plástico, papelão e até de madeira. uma caixa para poucos, parcos, pedaços. uma caixa vazia, cheia de espaço. outra cheia de ar, outra cheia de luz. uma caixa para cada passado. uma para cartas, cartões, flores secas, fotografias saudosas e tem até a de negativos de fotografias. uma para etiquetas de roupas, outra para convites, panfletos, flyers. anotações, escritos, borrados e nunca enviados. uma caixa para cada passado. uma caixa cheia de mim. outra cheia d'outros. botões, imãs, comprovantes de cartão de crédito desaparecendo. foi difícil e vai sendo sempre aos poucos. me livrar dessas minhas caixas é como me livrar da única memória que funciona corretamente.  meu hd externo está cheio de coisas que não quero me livrar mas a vida, essa caixinha de surpresas, exige espaço. exige espaço nas gavetas, nas caixas, nas prateleiras e nos porta-retratos. se exige presente no passado. me exigem presentes do passado.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

as diferenças que o 'eu também' faz.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

litera
latera l
idade
nova

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Re:

Em tempo: madrugadas tranquilas


--
Kaline Rossi

sexta-feira, 29 de julho de 2011

colecionos downloads não assistidos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

fui cortar cebola para arranjar um motivo
fui cortar cebola e o por que juro que digo
fui cortar cebola pra ver o tempo passar
confesso, fui cortar cebola para ter um motivo para chorar.

te vejo verde. fico vermelha.

terça-feira, 26 de julho de 2011

rio branco.
mas posso chorar.

domingo, 24 de julho de 2011

perdi minhas pontas duplas e o bom senso parece ter ido junto.
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ao mesmo tempo perdi pontas duplas e bom senso
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bom senso e pontas duplas são coisas que se perdem juntas
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pontas duplas seriam se o bom senso não tivesse ido
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muita ponta dupla para pouco bom senso
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é melhor uma ponta dupla na mão do que ver o bom senso voando
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chega.

sábado, 23 de julho de 2011

te vejo em todo o meu território é o novo mora em todos os meus municípios.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seríamos nozes se não fosse aquela árvore uma castanheira.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

vai um chá?

um chá, de sumisso, para curar omissos e emissões carbônicas
se achando perdido, me permito ter razão
são arestas, curvas e volteios sem nome
são faces semelhantes no meio da noite, escuridão
me dão certeza que o silêncio é retórico,
que o silêncio é pretérito que o silêncio é falido
só é valido pra quem tem culhão
ponta na agulha, galho fraco faz o que tem que ser feito
quebra e dá de cara no chão, moça
vai um chá de sumisso pra curar esse coração?

domingo, 17 de julho de 2011

tenho certeza que o ato de ver fotos antigas fazia parte dos rituais de tortura chinesa. certeza.

sábado, 16 de julho de 2011

Dos paulistas - O amanhã que foi ontem

Tem pessoas que passam na nossa vida que marcam pra sempre. Dia desses, agora mesmo, estive pensando nas pessoas que conheci pelas andanças saudáveis da minha vida. Cada uma deixou uma marca e uma reflexão que valeram mais que qualquer..mais que..sei lá, mais que muitas coisas que eu acho que possam valer. Daniel, Seu Daniel. Andei, andamos, uns 40 minutos, por entre cipós, raízes de árvores, solos erodidos, capim recém-incendiado, familias bovinas, meio perdidos por entre aquela atmosfera nebulosa, fumacenta e seus vários tons de cinza. Poderia ter sido um filme em preto e branco. Só o céu, que parece mais azul e o sol mais amarelo quando estamos desprotegidos, sem chapéu, sem água e sem comida. Eles sabem como se colocar em nossas vidas e eles não ficariam bem em preto e branco. Nos perdemos. As pessoas tem costume dar informações que exigem mais e mais perguntas. É sempre: ó, purali. Por ali onde? Bem ali ó(apontando com o beiço pra direção indicada). Cheguei. e agora? Agora tu vira a direita. Virei a direita. Agora, tá vendo aquela cerca quebrada? Não é essa. Entra depois do açacú.( impaciente, já) JÁ ENTREI DEPOIS DO AÇACÚ, E AGORA? Agora tu passa por cima dessa ponte quebrada e espera eu te pegar por que os cachorros são bravos. Nunca é: isso, isso e isso e pronto.

Eu tenho mania de tentar sistematizar as coisas. Mesmo que mentalmente, traço planos, rotas, alternativas, discursos e esqueço que as pessoas são normais e não se importam em dar informações precisas, em enviar mensagens conclusivas, em serem diretas numa conversa, direto ao assunto. Gasto muitos neurônios fazendo isso.

Seu Daniel era um senhorzinho velho mas forte, daqueles que trabalham. Paulista. Diferente daquelas pessoas fortes de academia que dispensam maiores descrições. Era velho mas tinha os músculos da barriga definidos, braços fortes( não que eu tenha reparado) e cabelos brancos. Usava óculos semelhantes ao do John Lennon. A casa era a mais pobre que eu já havia visto. Chão batido, paredes de palha, cobertura de cavacos de madeira. Do tamanho do meu quarto e parecia um grande armário com coisas penduradas por todos os lugares. Ganchos, cordas, pedacinhos de madeira todos com coisas penduradas. Havia duas redes, uma mesa e um fogão de 6 bocas. Quando vi, óbvio que me perguntei o por que daquele fogão enorme. Era doceira, dona Regina. Gaúcha. Fazia doces de abóbora, de mamão, banana, abacaxi..deu água na boca agora só de lembrar. E tudo que usava para fazer seus doces saia da sua propriedade. Plantavam tudo, mas tudo mesmo. Só não eram mais auto-suficientes por que não tinham engenho de cana para produzir o próprio açúcar. Ele vinha da cidade.

(...)

Tinha cachorros simpáticos. Nos demos super bem apesar de ter me alertado que quando vão caçar - sim, os cachorros caçam - se transformam: viram o cão. Tinha um que era magrelo, mas forte, que nem o dono. - Esse caça muito. A outra é preguiçosa. Olhei bem para aquele rostinho magro e tive que concordar. Era meio creme, meio caramelo, meio marrom. Todos os tons se fundiam e me confundia se era cor ou sujeira. Dona Regina largou tudo e foi morar no interior. interior é eufemismo, por que aquele lugar é escondido, entocado, mocado. É o interior do interior. Fora professora de história e, engraçado, usava óculos à la John Lennon também. Seu Daniel era muito criativo. Tinha construido várias geringonças mas a que mais me chamou atenção foi o galinheiro suspenso. A galinha entrava por um esteira, tinha tipo umas cabines, separadinhas, com palhinha, graminha. Por baixo tinha um cano que conduzia o ovo recém botado para um outro compartimento que deslisava, vagarosamente, para um pote que ficava ao lado do fogão. Na hora do almoço, dona Regina esticava o braço e o ovo estava lá. Que beleza.

A horta e o pomar eram um espetáculo à parte. Parecia uma floresta de mamoeiros, limoeiros, laranjeiras, rastejando tinham umas abóboras, umas não centenas, daquelas grandes, gordas e redondas que aquele povo nos estados unidos usa para fazer carinhas aterrorizantes no dia das bruxas. Alías, não entendo por que usam a bixinha pra essa finalidade. Não há nada de diabólico numa abóbora. Pepino, couve, alface, rúcula, tomate (irgh), cenoura, beterraba, cebolinha..tudo...tudo mesmo se plantava. Era como seu fosse um supermercado ao ar livre. Tinha até café. Foi lindo quando ela colheu os grãozinhos, tostou numa espécie de forno improvisado, moeu e fez um café fresquinho, na hora. Só não estava melhor por que no interior as pessoas tomam uma espécie de chafé ou licor de café. Mais açúcar do que café. Menos café mais água. Mas tinha afeto, não se pode negar. -Ontem mesmo matei uns porcos. Eles vem aqui de noite por que sabem que estamos dormindo, safados, e comem minhas macaxeiras. Fazem um estrago tremendo! Reviram tudo e comem minhas raízes como se não houvese amanhã. E estavam certos, matei tudim, o amanhã deles foi ontem.

terça-feira, 12 de julho de 2011

acordei com a responsabilidade,travestida de luz, me lambendo a cara.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Anônimo, a libertação é diária. Todos os dias abro um cadeado e jogo a chave fora.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Do livros

Ela disse que se sentia sozinha. Que a sua companhia era feita de papel. Páginas amareladas que doem menos a vista, quando lidas em lâmpada fluorescente. Páginas amassadas por serem lidas varias vezes antes de aquilo tudo fazer sentido. Era uma leitura difícil, dizia. Eu disse que não adiantava andar com o livro debaixo do braço, quem nem bíblia, e nem dentro da bolsa que poderia facilmente ser atingido por uma garrafa de água entre aberta, um batom vermelho sem tampa, um pedaço de chocolate guardado há séculos, um chiclete velho enrolado num guardanapo. - Meu Tio Vânia virou um pergaminho enrugado recentemente. Um livro de páginas claras é um alvo perfeito para a lei que rege os acreditados e desacreditados, que faz com que tudo que você acredite ser ruim, tornar-se pior. Na verdade a lei em si não faz nada. Quem faz é quem acredita, emite as energias negativas para o universo e ele retribui da maneira que convir. Alguém acredita nisso?

A quem você quer enganar? insisti. De que adianta colecionar livros na prateleira se eles tem mais poeira do que o lado esquerdo do seu cérebro? Me diz, quando é que você lê tanto se passa mais tempo em frente ao computador do que vivendo a própria vida? Silêncio no quarto. uma porta range, um cachorro fedido entra. lambe, balança o rabo, peida e fede. Resmungos e um shhhhhhhh fora! É uma boa pergunta que exige uma boa resposta: Quando viajo. Pra seu governo esse ano eu já li 6 livros. isso é equivale a um por mês. Mas não é bem verdade por quem em dezembro eu li dois. E? E o que? E dái? E dai nada, só estou dizendo quando leio, oras.

E daí? E daí nada.

nunca vi pagar excesso de bagagem, não por peso, mas por lembranças dentro das malas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

eu sempre serei eu. e vice e versa.

domingo, 3 de julho de 2011

dos sorrisos

eu vi águas e rios de todas as cores possíveis. vi até rios bicolores. risos idem. de todas as cores possíveis que, entre espaços vazios ou ocupados por dentes, sempre diziam alguma coisa. Lembro-me de um que me surpreendeu ao dizer, sem pronunciar uma palavra, que por causa da cheia do rio, não dava para catar as flores que caíam da samaúma vermelha, rosinha, pra fazer uma coroa pra sua mãe. - Há peixes que comem flores, disse o menino. Se eu fosse peixe, também comeria. Essas daqui são doces que nem mel. 

E disse isso tudo com um sorriso só.



.

eu já tive 13 anos.

Não seria tão difícil se não fosse o que é. Se não tivesse sido como foi, talvez nem ao menos tivesse chegado a doer. Mas como o amém, que assim seja, foi. E a dor se diluiu por cada canto que passei. Sim, fui eu. Quem mais teria sido se eu não fosse? Talvez você. Talvez ele, ela e seus respectivos plurais. Como eu. Mas como a personificação e o paradigma das palavras e conceitos difíceis de se explicar ainda exercem copiosa influência nas relações interespecíficas da sociedade 'ana' qualquer, nada disso significa coisa alguma. Nicles também, infelizmente, nunca mais. 

Só que ao ver pela rua, pela calçada, naquela blusa cinza, naquela sua esquina, perto do pescoço, é como se eu me fosse, voltasse pra quando usava óculos redondos rosados, tinha cabelos franjados e feições levemente, para não descrever com exatidão, indígenas - que nem eu e nem ninguém sabe de onde vem - balbuciando coisas sem sentido, completamente sem sentido, infelizmente sem sentido, mas sentindo uma vontade imensa de sair correndo depois de me perguntar: -Mas que diabos acabei de falei agora. Nessas horas o cérebro desliga, age involuntáriamente e você só se dá conta quando tudo aquilo passa. Ficam as duvidas, as revoltas e a vontade de esfregar a cara de pessoa mais próxima no chão. Ou a própria cara. Eu já tive 13 anos e confesso:  tenho várias vezes ao ano.

encontros

trinta segundos e, de repente, tenho 13 anos.

da quina da cama, pra esquina da sala de estar. esteve e sempre estará nas curvas e desvios dos espaços vazios que ficaram entre eles.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

do pedaço da língua

Eles achavam que era tudo uma questão morfológica. Vinha do norte, nordeste, sei lá, das bandas de lá. Afinal, ninguém é obrigado a saber os estados das outras regiões do Brasil que não sejam do sudeste ou do sul. Pra quê, né? Se as coisas boas que existem aqui não existem por lá. Palmeiras, sabiá. Sei lá denovo. Sei que foi muito cuidadoso ao me contar que certa vez, depois de muito tempo passar viajando por esses caminhos meio desconhecidos, pouco cartografados e hidrografados, parando em lugares que nem georeferenciados foram - vejam que absurdo!- onde o silêncio era o que mais se ouvia, este que havia tanto nas bocas quanto nos vácuos por que quando se é um viajante, de longe, pode-se causar certo estranhamento, uma situação um tanto intrigante.

Tacitamente era admirado, rodeado, ouvido e sentido. Passavam que nem cachorro por perto dele para tentar entender o que se passava com aquele falar, aquele jeito, aquele cheiro. A maneira que posicionava seus pés ao descansar. A quantidade de dobras que dava na barra da calça para não sujar a lama que coçava suas sandalias de borracha. -Havaianas, pronunciou o bêbê. apontou para seus pés, bateu palmas e fez pais, primos e tios sorrirem. -É, mas é do Brasil. Sorriu meio sem graça por perceber, só depois de ter dito, que podem não ter entendido. Podem nem saber que havaianas podem ser mulheres, pessoas ou coisas do gênero feminino, que vem do havai e nem que o havai é um lugar. -O Havaí é aqui disse o mais velho da comunidade, meio sem dente do lado direito, meio cansado em todo seu corpo- de não fazer nada- e com os cabelos meio brancos. Todos sorriram fingindo entender aquilo tudo. Eles dois entendiam. 

Ele não era diferente dos outros. Não era um gringo. Não tinha a pele branca, nem os cabelos loiros, muito menos olhos azuis. Tinha a cabeça chata, queixo e feições quadradas, mas não chegavam a formar ângulos obtusos.Ele não era um desenho animado. Era real. Baixinho, corpo forte de quem trabalha. Diferente dos fortes que exercitam seus músculos localizados. Acredite: é muito diferente. Suado parecia uma escultura brilhante à luz do sol. Eu olhava mesmo, por que eu achava bonito e assim também faziam os outros. Mas olhavam por outro motivo que eu, claro. Nem sei por que falei isso aqui agora.

O que intrigava não era sua feição. Era seu falar. Quando ele começava todo mundo se calava para ouvir e entender como aquele som de sua boca saía. A voz..bem, a voz era normal, voz de homem forte que de vez em quando fuma tabaco, que canta hinos na igreja, que toca violão e que imita o padre Marcelo Rossi- de vez em quando- capaz de enebriar mocinhas necessitadas de ouvir elogios. Não a mim. Eu não.

- Por que que tu fala assim? Tua língua tem problema, é? perguntou uma mocinha envergonhada, mas atrevida.

- É igual a sua. Pode ser um pouco mais suja, por que não tô acostumado a escovar a boca com frequencia, mas é igual a sua. 

Rolou um burburinho. Eles começaram a comentar baixinho, zuniram, uma galinha deu uma cacarejada, dois cachorros se pegaram na peia, de leve, um latido, uma velha graniu algo incompreensível batendo os pés e as mãos, um gato se esfregou na perna do banco de madeira, a fim de aliviar a coçeira de suas pulgas.

-Rapae, é não. tu fala estranho. A tua língua é menor, é? Me ensina.

-Tu tá é ficano doida, minina. E saiu.

Referiam-se ao seu sotaque. Agora eu sei, que é do 'nordesti', como ele disse. enquanto ele virava as costas, uma criança veio correndo, puxou sua calça, sinalizando que queria falar algo no seu ouvido:

-Quando eu crescer mais um pouco tu corta a minha língua pra eu falar  assim 'direitinhu' que nem tu?

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domingo, 12 de junho de 2011

deixa eu te mostrar minhas memórias.

domingo, 5 de junho de 2011

o tempo passa e eu não passo de uma lauda.

seus.

são céus que fazem carreiras. que correm de longe, pegam impulso e se espatifam pelo ar com bolinhas de algodão doce - sem ironia- e colorem o amanhecer solitário do par míope e astigmatizado. É uma beleza ouvir o silêncio da manhã. alguns pássaros gasguitos, alguns galos atrasados, algumas pessoas de bicicleta, outras correndo para perder as calorias ingeridas no fim de semana. Tudo rosa. É bom morar na morada do que nasce em todos os lugares do mundo, mas aqui, geograficamentelatitudementelongitudimente falando, nasce belamente principalmente quando se volta pra casa, sem pretensão nenhuma além de dar bom dia, trazer um pão quente e fingir que a vida não é nada mais além do que gentilezas geradas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

a única maneira

que tenho de tocar
é com o mouse

clic.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Bem aventurados os que compartilham suas chuvas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DESFOTOGRAFANDO

quinta-feira, 19 de maio de 2011

eu me encolhi prevendo a morte. prevendo a dor e todas as suas consequências que nos fazem desejá-la. me encolhi por que me sentia pequena, pequenininiea e por mais que eu tentasse engrandecer meus pensamentos eles também não passavam de pífias palavras soltas, como de costume. eu queria voltar pro ponto onde eu havia me perdido há tempos mas os passos se apagaram e não deixou-se migalhas e nem placas de sinalização, como de costume. pensei em começar a cantar mas eu não tenho uma música favorita. não tenho nenhuma banda ou artista favorito. gosto de música só. de preferência boa de acordo com os meus padrões que quem define, como de costume, sou eu.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não adianta se preparar. nunca estaremos prontos para certas coisas que acontecem sem avisar. Muitas vezes avisam por meios, linhas, curvas que não vemos. É uma tentativa sutil de nos fazer abrir os olhos e quando se abrem por inteiro já aconteceu. Nunca estaremos prontos.

até os cactos morrem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

praticando a arte milenar de controlar o canto dos olhos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

adoraria colocar meus feitos na parede.

mas não posso.




não tenho.

Toda burrice (senti) mental será castigada.

Da organização processual mental.

Não sei como vocês, pessoas normais, fazem. Pra mim é uma dificuldade enooorme conseguir organizar, alinhar por ordem alfabética, de importância, cor, faixa etária e de coerência. (Faço a mesma coisa com guarda-roupas e estante de livros). São como circuitos, mini circuitos, elétricos, obviamente, pulsantes, latejantes, conectados por teias infinitamente indecifráveis que vão e vêm em milésimos de segundos.

E ainda me pedem coerência, veja só. Cada som, em menos tempo que um piscar de olhos, se transforma em uma sinfonia, num arranjo de notas, numa sequência harmônica que fica cutucando meus ouvidos de dentro pra fora. Vezes ou outra, batuco com os dentes - não tão bem quanto ele- com os dedos dos pés, quando estão livremente expostos em uma sandália ou havaianas, por que não dizer, e emito sons, solfejos, obviamente desafinados, que libertam essa confusão sonora mental que no final, quem chega a ouvir define como nada mais nada a menos que uns grunidos sem sentido. Não tenho bateria em casa.

Cada palavra solta, ouvida pelas ruas, entre conversas, músicas, lida em cartazes, é carregada de mãos dadas com outros adjetivos, vírgulas e sinônimos e que juntas, formam frases, poemas, coisas sem sentidos, contos e até coisas sem categoria literária definida. É mais forte do que eu. Como poderia sistematizar meu cérebro para informatizar meus pensamentos de forma que eles pudessem ser aproveitados na íntegra, sem deixar que o efeito da minha fraca memória os fizessem se perder pela simples e inegável realidade anatômica e morfológia minha, de como ser humano de polegar opositor, não ter, no lugar da palma da mão direita, um caderninho e em meu dedo indicador, um lápis?

Seria muito fácil quando todas essas coisas viessem, pudessem ser transferidas imediatamente para o papel. Eu não estou 24h em frente a um computador ou em posição de lótus esperando a inspiração, piração, resolver tomar meu corpo, dar uma de Chico Xavier e resolver esse problema todo. Perco muita coisa deixando pra anotar depois. Sem contar que o pensamento quando vem é muito melhor do que quando você lembra dele.

Sinceramente, não sei como vocês, pessoas normais, fazem.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

sem fundo,mar.

olhei, encolhi os olhos, forcei a vista que vive cansada mas não consegui nada além de ver verde nos olhos de mar sem fundo. ainda bem.

quinta-feira, 31 de março de 2011

coleciono romances. muitos com 180 páginas.

terça-feira, 8 de março de 2011

chegamos chovendo. chuva e eu.

terça-feira, 1 de março de 2011

compro estômagos saudáveis. pago bem.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

a vida é pequena

mas tem bastante espaço.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

pensei tanto que fiquei com a boca seca.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

lembro como sobrevivi à última chuva da penúltima primavera. tinha gosto de liberdade.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

mora em todos os meus municípios.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

uhú uôô

Aquela velha história que se repete desde os tempos mais primórdios, das explosões galácticas, das extinções e evoluções de espécimes, muitos todavia, desconhecidos até o momento em que não havia nada e nem ninguém que pudesse provar o contrário dos que se diziam existir. Por que nem tudo que é, existe. Nem tudo que existe, é. E é nesse paradigma que a vida segue seguindo, muitas vezes sorrindo, ou não, mas segue. Linhas, estradas, caminhos desconhecidos e adoravelmente inexplorados. Becos, vielas, buracos e barracos e seus habitantes inusitados. Em um mundo onde o reflexo é o que se diz, seja de água, chafariz ou qualquer outra coisa que rime, nem sempre o que sai da boca é o que encanta. Mesmo as vozes e timbres mais estranhos e, digamos, exóticos, tem seu valor. Ah tem. Muito bem dito, por sinal, diria Catatau que eu olho pra você enquanto passo mal. E é verdade. Lavo, passo e estendo no sol que queima pestanas e há de avermelhar cabeças escuras ou levemente escurecidas. Difícil saber o tom de cada um. Bom seria se ele queimasse esse cérebro. O lado esquerdo, esse porco. Queimasse mais neurônios. Eles, que não são usados mesmo, só servem pra estatística provar o quão inútil é termos um pote de sorvete de chocolate com creme e sermos intolerante à lactose. E não me venha com essas alternativas nojentas. Poupe-nos dessa praga agrícola que quer dominar o mundo, que quebra barreiras a cada ano, que passa dominando lares bovinos e lares de comida de verdade. Ninguém come toda essa soja, porra.

Que vida dura essa que arranca pedaços dos pés. que arranca cabelos e unhas. que dissolve o amor próprio em troca de uma satisfação volátil. que ruge como uma fome de anos dentro do estômago ácido. - quero comer teus erros, ele disse em grave e mal tom. um por um. - Pode comer, oras. Aproveita e me deixa invisível. A vida deve ser muito mais fácil p'raqueles que não tem rosto.

Me engana que eu gosto. Me engana que eu minto, que eu destroço, como um frango tísico e sem coloral, cada pedaço de esperança que insiste, mas insiste, em existir. Com o som do nada balbuciado por uma boca sem voz: uhúuu, uôô.

Mesmo pensando e escrevendo coisas sem sentido, conectadas apenas pela ínfima linha da imaginação e, mesmo desconexas, sempre haverá alguém para chamar de arte o ridículo emaranhado d'as cabeças que jorram enigmas a serem decifrados, instigando memórias e causos, associando semelhanças à fatos reais da vida real.

Acho divertido.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

verde. era só o que se via. pasto. era só o que comia. tristeza. era o que vivia, Catarina.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

de repente percebi que me sobram orelhas

mas me faltam ouvidos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

favor separar o tomate.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

na ressaca de um mojito só.

havia uma senhora, jovem senhora, mais jovem que a velhas senhoras. jovem de corpo, mas nem tanto, mas velha de espírito que, depois de muito pensar, resolveu tentar se divertir. Para onde ir, pensou trezentos e sessenta e seis vezes, mas só por que tem dificuldade de pronunciar palavras com esses. Pra ver se enquanto soletrava os números, a vontade de se divertir passava, contava vigas de madeira no teto.. Não passou. Saiu e trancou a porta, o cadeado, a tranca, a grade e outra portinha enferrujada. Ao por o pé na calçada molhou o dedinho direito numa poça e pensou mais uma vez em não sair para se divertir. Mesmo assim, com o dedinho contagiando os outros dedos, (por que agua é altamente contagiosa) que começavam a escorregar dentro da sandalhinha acolchoada, andou pra frente. Andou, andou e claro, paquerou e flertou árvores e flores. Disse nomes e sobrenomes das plantas num latim quase que perfeito. Abricó-de-macaco, falou alto. Amor perfeito, sorriu com um dente só.

domingo, 12 de dezembro de 2010

estive
me
procurando
mas

achei
você.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Do dia que te vi na rua

Te vi na rua. Mudei de caminho. Talvez tivesse sido melhor mudar o pensamento pra evitar aquela velha história que começa pelo fitar dos olhos, vem gelando os sinos, as orelhas, a boca começa a ficar seca e ao mesmo tempo os joelhos começam a tremer e ela, claro, sempre, anuncia sua volta triunfante, com toda acidez e amargor possível para alguns metros de estômago.

Teria sido melhor se eu ao invés de desviar o olhar, desviasse o carro e batesse na primeira latrina, no primeiro poste que estivesse pela frente. Aí sim eu teria motivos para sentir dor. Enganaria meu cérebro, deslocaria as sinapses para a testa batida no volante, ou pra perna amassada pelas ferragens, ou para as orelhas atingidas pelos estilhaços do vidro. Aí sim eu teria motivo para doer à vontade e deixaria minha gastrite quieta pra sempre.

Se eu tivesse escolhido outro caminho, aquele que costumo ir... Mas não, logo hoje decidi fazer um percurso desconhecido só por que ouvi dizer que faz bem para o cérebro. Exercita. Deixa inteligente. Mas eu não quero ser inteligente. Quero só ser eu e em toda a miudeza dos pequenos grandes detalhes e defeitos pré-moldados.

Talvez eu devesse ter saído de bicicleta, mas o pneu dela está sempre murcho. Sempre, sempre, por mais que eu insista em deixá-lo apto para a minha próxima volta. Pensando bem, se eu tivesse saído de bicicleta também tinha te encontrado. Você está em todos os lugares. Nos orelhões, nas calçadas, nas vidraças, nas costas de meninos e homenzinhos em puberdade. Nas camisetas da Hering, nas cores que vejo pelas vitrines. Não adianta eu desviar o caminho. Sempre vai ter um quiosque que vende cachorro quente, sorvete, pipoca doce, pizza, sushi... que você gosta, assim como eu, de coisas que engordam. Pois é, somos dois falsos magros com cérebros gordos, mas eu só queria ser inteligente. É eu sei que disse que não queria ser, mas na verdade, no fundo mesmo, eu queria. Queria poder assistir filmes e ouvir músicas sem conectá-los aos meus sentimentos - olha a pretensão- como se os autores tivessem feito aquilo que vejo e ouço só pra mim. Sou burra, eu sei. Mas todo mundo acha que o que serve como carapuça, foi feito por encomenda.

Eu te vi na rua mas não desviei. Passei por cima e você nem me viu.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

toma vida, agora sou toda sua.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

na plena flacidez dos meus antebraços, olho a face de uma senhora que passa na rua, a balançar pelancas, e vejo meu destino claro amórfico diante das pálpebras escurecidas por maquiagens de má qualidade.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Das bobagens sinceras

Também me vejo com os mesmos olhos que vejo os outros ao falarem insanidades e coisas estúpidas. Estúpido é forte demais, bobas melhor dizendo. Insanidades sinceras, reconheço. Por que elas vem de forma natural, do coração, sem nenhum outro motivo além do de quererem ser valorizadas. É aquela falta de jeito que se tem para fazer entender esses pensamentos que borbulham, dão voltas e saltos acrobáticos, giram, desviam as portas do bom senso e da sensatez dentro de nossas mentes. Essa tentativa de fazer parte, de interagir, de parecer inteligente, mesmo que muitas vezes não seja tão verdadeiro, que as fazem insanidades dignas de respeito.

O resultado se reflete naquela gargalhada fora de hora ou mesmo pela demora para cessar a mesma, cuja hora já passou faz tempo. Se reflete no rubor das têmporas e no miúdo dos olhos que não encontram direção confortável para assumir o desconforto que é proferir coisas sem sentido - aparente - e persistir tentando consertar o que não há conserto. Assim como as mãos que procuram buracos, adjacências, dobras de pernas, frestas, etiquetas, unhas, cutículas e caminhos para se esconder. Parece que quando escondemos a mão, a vergonha passa e nos sentimos mais confortáveis. Vai entender.

Sempre que sai no meio de uma conversa sobre política ou 'atualidades':" É verdade que a ponte aérea Rio- São paulo é uma ponte mesmo?" ou "Vocês conhecem aquela raça de cachorro que tem a língua azul? Pois é, meu avô tinha um", ou até mesmo informações detalhadas sobre a vida e obra da iguana chamada Iana, eu, apesar do desconforto, sinto um certo carinho e comoção pelo silêncio manifestado pelas bocas ouvintes e pelos prováveis pensamentos desrespeitosos concernentes ao autor das pérolas bobas, mas sinceras. Por que em muitas vezes estive do outro lado e pra falar a verdade, tenho estado de vez em quando. Só que a diferença, que não sei se é compartilhada com outros insanobobos, é que percebo quando a merda é grande, a estupidez é colossal e totalmente inaquada para a situação, que começo a enumerar xingamentos e humilhações para mim mesma, ensaio fugas históricas por baldrames de banheiros, frestas de portas, buracos de tijolos, quer dizer, isso quando eu era magra. Hoje em dia as fugas são mais modernas como a abertura do telhado ao encontro do céu e eu agarrada a um cabo de aço sendo suspendida por um helicóptero, jogar um pó no chão que me faça desaparecer sem deixar rastros ou mesmo voltar no tempo, apagar a memória recente do ouvintes e os fazer esquecer do constrangimento causado.

Cada um tem sua técnica e depois de fugir com um helicóptero ou pela janelinha do banheiro, a tensão passa e temos a chance de tentar falar algo ou permanecer calados sem que haja a necessidade de gastar neurônios imaginando fugas, que vamos combinar, cansam só de pensar e ando tão sedentária, sabe?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

acordei sentindo-me arvorosa.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não acredite em mim. Eu deixei de me acreditar faz tempo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Avia

Ela me via de longe com olhos de desprezo, reprovação, pena talvez. Me via aos prantos nos barrancos das calçadas destruidas por carros bêbados. Calçadas batidas, palco da última apresentação daquele teatro da vida. Ela me via. Ela me via, me observava e imagino eu, que sorria. Há um certo prazer nos olhos dos que vêem pavor e sofrimento n'outro ser, mesmo que esses olhos já tenham passado por cousas piores, ou mesmo, estivessem no lugar do mirante. Piedade custa caro pra quem já teve que pagar muito. Era noite, ou dia, não se sabia. O céu estava cinza como aqueles que a gente olha e não sabe se o claro é do sol ou da lua. Ela,a lua, preferiu se esconder diante de tamanha comoção com a moça que se esfalecia pelo chão. O céu chorava junto, tristemente, lágrima por lágrima, gota por gota. Não no mesmo ritmo, mas na mesma harmonia: Dó maior. Era a última noite. O último choro. A última gastrite. O último, não, talvez não, absurdo. Absurdo eram aqueles gatos, que também só olhavam e não diziam nada. - Porra, gato, faz alguma coisa nessa merda. Vai ficar aí só olhando?
Olhavam ela, o gato, e o vizinho curioso por cima dos muros, que há de se dizer, por aqui são baixos. Olhavam e esperavam eu me levantar. Veio uma formiga, depois um sapo passou pulando, tão alegre e satisfeito com a chuva que nem se deu conta do que se passava na sua passagem. Tive um arrepio, como sempre, mas não consegui demonstrar reação. Poderia ter feito alguma coisa, mas não fiz. É um perigo existir hoje em dia, coexistir, ainda mais. Enquanto rasgava as costas escorada na coluna que sustentava a cobertura, contava carneirinhos esperando a dor passar, que nem se faz quando o sono não vem. Contei milhares até que eles começaram a se transformar em outros animais. Alguns não tinham nome mas iam ganhando forma no céu que ficava cada vez mais com tons alaranjados. Não sei por que, mas laranja me lembra verão e aquela noite bem que poderia ser um verão, um início de um ano novo, ou sei lá, apenas um dia qualquer. E pensando bem, hoje em dia foi.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É deselegante apagar dedicatórias de livros?

domingo, 10 de outubro de 2010

Diálogos

- Eu tenho um carro importado - um não, dois - uma mansão em bairro nobre, um flat na praia, um cartão de crédito sem limites, um jet ski, um zoológico particular, um campo de futebol, ações na petrobrás, uma loja em paris...

- Eu tenho um frigorífico de aves.

- Já eu tenho uma árvore, um caderninho de anotações e um saco de pipoca doce.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sinta, mas sinta mesmo, a energia da indiferença vinda dos meus ovários.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Menos ficção.
Mais vida.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

a textura das minhas mãos tem acompanhado meu estado de espírito.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Resuma-se: - Aqui. Pega. Tuas coisas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Do lado do soutien que cabia mais peito, cabiam também sentimentos que muitas vezes precisariam ser guardados nos olhos, para que não tivessem de ser materializados. As pessoas roubam aquilo que não tem título de propriedade. Vejam só os índios! O uso capião virou velhaco, mas ainda cheio de dentes. O meu? rosna de vez em quando.

quantos dos meus cabelos crescem em um mês?
me perguntei ao perceber que me sinto brega, mas às vezes, relevo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

tão poético quanto você roendo suas unhas dos pés.

o que fazer com a saudade trazida na mochila?

Sobre vassouras e cavalos

Sinto saudades dos meu ossos, da minha solidez e do meu humor de verão. Aqueles que a gente amanhecia, eu, tu e os sóis ventilados, bem cedo pra poder sair e caminhar sob as areias quentes, também de verão. É aquela felicidade que a gente não sabe como se foi, pode ter ido com o mar, com o vento, com o rio ou com o sorriso que ficou calado esperando alguém terminar de falar pra dar o último suspiro ou dizer simplesmente: é. E é como se fosse mesmo, mas sem vontade de voltar. Sei lá o por que dessas coisas que essas linhas imaginárias acabam guiando nossas vidas. Só sei que acredito nelas, independente de quais nomes possam elas ter.

Estive em vários lugares ao mesmo tempo, em um deles chegou um menino, nos altos de seus 10 anos, de cabeça baixa, e ao olhar pra cima, pra mim, sentada tomando uma água mineral com gosto de sal, percebi que ele tinha vasourinhas nos olhos. Cada palavra era uma vassourada naqueles olhos redondos, como todos são, mas eram profundos e queriam me dizer muitas coisas. Muitas delas eu consegui entender, muitas outras não. Olhar de criança é matador. Fiquei lembrando das vassourinhas por dias, semanas, meses. Ele dizia algo sobre uns cavalos que tinham fugido da fazenda onde seu pai trabalhava. Que eram lindos e muito especiais. Um deles era preto e usava luvas brancas. Perguntei: Usam luvas brancas? Ele respondeu que sim, como se não fosse nenhum absurdo um cavalo usar luvas. Ele brincava com uma folinha seca desenhando caminhos pelo chão. Se dizia triste por ter que ir atrás dos cavalos: Eles correm muito, estou cansado de correr. Eu disse, fica aqui um pouco, puxei assunto sobre a sua familia, mas ele só falava dos cavalos. Disse também que se fosse um cavalo, valeria muito mais que um. -Acho que eu valeria um milhão de reais. Perguntei o por que de ser tão valioso, e ele respondeu: - Eu corro bastante, não nego corrida não, sou leal aos meus pais e amigos, raramente fico nervoso e, olha só o que eu tenho - levantou a blusa de manga comprida e me mostrou as mãos - tenho luvas brancas. Meus olhos se enxeram de lágrimas. Aquilo tinha sido uma das coisas mais bonitas que eu já tinha ouvido. Ele tinha problema de pele, esta estava sempre coberta. De repente ele levanta em um pinote e sai correndo e quando percebi vi um cavalo marrom, brilhante, forte com as patas brancas, também correndo pelo pasto.

-Pareciam luvas mesmo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

se o medo da culpa passou, nada mais impede essa consciência imunda.

tenho mentido pouco.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

dentre árvores e rostos,
os nomes sei de poucos.

cometi pecados crocantes

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Menina, macaco e cara de sirigüela

Ela não tinha nada além de uns trapinhos. Um punhado de calcinhas, um vestido rosa, outro florido e um macacão jeans. No ombro esquerdo carregava um macaco, daqueles salientes, que roubara da floresta que existiu ali há tempos. Já tinha perdido dois soldados que cuidavam do portão de entrada e ela parecia não se importar por ter ouvido dizer que era só tomar um copo de leite todo os dias que eles iam voltando, crescendo devagar, dia após dia.


Hoje, tomou um gole de suco de sirigüela e fez a mesma cara da fruta. Engoliu junto com o choro que vinha regar as vassourinhas que cobriam seus olhos, marejados do rio à frente, marrons como a casca do coquinho que descascava e deixava seus dedos alaranjados. Era simples como um sorriso observar aqueles peixes sendo sequestrados de seus lares. Era comum. Não se fazem corações como antes, ela dizia com um certo tom de soberba, ou nobreza imaginária, de pensar que no alto de seus cabelos negros, cortados à cuia, alguma vã filosofia distante poderia guiar seus passos descalços pelo chão barrento, chão sem grama, sem folha sem flor.


Veio uma formiga e picou seu dedinho deformado pelas formas que as quinas dos móveis, árvores e esquinas os dão. Quase não sabia de palavrões, mas saiu um abestada, tão natural quanto qualquer outra coisa natural. Não gostava de fazer comparações. Eu, de vez em quando. Pra medir o grau de proficiência da coisa. Mesmo que eu nem saiba o que isso significa, de vez em quando, faz-se o uso do dicionário e alimenta-se o próprio. Muito mais confiável, por que realmente descreve o sentimento de cada palavra. Em breve, nas livrarias mais próximas da saída de emergência.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Das minhas letras e dos livros de português - que foram apostilas.

Me escrevo por necessidade, não por vaidade ou por esperar algo além de ver minhas palavras, meus erros de português nessa telinha, com essa fonte que desgosto um pouco, mas que não diminui meu prazer. Com essa justificação quadrada, parecendo ter saido de dentro de uma caixa. Não deixa de ser, mas minha caixa é meio ovalda. Com esse layout pobrinho, sem muitas cores, diferente das que vejo no meu mundo. Prazer esse comparado a ver um quadro na parede do corredor, onde muitas pessoas podem vê-lo, ou só você e mais dois ou três. Ou cinco.


É prepotência demais achar que textos sem nexo, poesias pobres e cheias de coisas azedas possam conquistar leitores assíduos, fãs, admiradores secretos e até desejos sexuais. O mundo já é feio e estranho demais, pra alguns. Aquele contador é fictício. Foi geneticamente manipulado. Escrevo por ter a caligrafia extremamente horrível. Da minha assimetria corporal, deve haver alguma influência na mão direita, pois essa parece ser, anatomicamente, despreparada para escrita. As aulas de português, literatura e redação eram uma tortura. Tanto pra mim quanto para os professores. Eu sei, poderia ter sido corrigido na infância. Não vou culpar a Tia Luzia por não ter me obrigado a dar a volta ao mundo com alfabetos manuscritos. Talvez fosse pra ser assim. Letra feia e pensamentos idem não são pra qualquer um.


Engraçado que nas disciplinas que eu mais tinha dificuldade de me expressar grafísticamente, eram justamente as que eu mais gostava. Sempre li todos os livros paradidáticos do ensino médio, fundamental e até pra fazer o vestibular, onde muitos acabavam por cascavulhar resumos, palavras e sentidos mastigados dos mesmos. Decorava as regras gramaticais para corrigir os amigos. Coisa chata, eu sei, mas eu fazia.


Hoje em dia, não é mais assim. Sempre fui simpatizante da lei do uso e desuso de Lamark. Aconteceu comigo e com os livros de português - que por um tempo foram apostilas positivas. Deve acontecer com outras coisas também. Quando se para praticar uma coisa, aquilo vai ficando para trás. Ou seja, quem não pratica, o rabo espixa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

não é por nada não, mas envelhecer dá trabalho.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

do lado esquerdo

Essa noite nção consegui dormir. acordei várias vezes durante a noite e senti também, muit agenyte entrando e saindo, fanedo barulho. pareciam ser minhas coias suins que etsvam sendo levadas peloa notq eu passou. cada um pegava um punhado, e saia de mão cheia. p-oderiam ser outras coisas, senão mosquitos. Trocar de idade é trocar de pele. É um novo ano que começa do mês mais gostoso d ano. Agosto, diferente dp qe é pra muitos, é um mês delicioso. Só que o gosto é dequem fz, a gosto do freguyês. quwerendo que ele seja amargo, assim ele será. O meu sempre foi e sempre será o mês d eipês primaverando. O mês de leoninos feroses, esses que vão dominar omundo. O mês das férias indeterminadas. O mês das surpresas e das mudanças. é o mês de durmir no sofá sem medo de ser feliz. o m ês de queimar papéis e arquivos. de matar que não morreu, ou que n ãomor reu o bastante.

Assim como os ipês amarelos da cidade, estou fazendo primavera.

sábado, 31 de julho de 2010

Das pontas duplas 1#

Estivemos pensando, eu, meu eu lírico e minhas pontas duplas, o quão bom é estar do outro lado. Do outro lado, se tem olhos diferentes. Se tem emoções e comportamentos distintos. Bom seria se eu soubesse que era tão bom estar do lado de lá, onde fala-se o que quer, onde inferniza-se quem pode. Coisa boa é não ter nada preso na quina na porta. Coisa boa é poder falar de boca cheia: quem tem com que me pagar, nada me deve.

Das pontas duplas 2#

Estive olhando pra ver se te encontrava pelo meio dos vazios das sombras que se faziam pessoas. Não te encontrei. Queria te ouvir dizer que sou seu orgulho, que meu cabelo fica legal naquela luz ou que sei lá, estou diferente, que queria fazer coisas que eu faço, como dizia quando não tinhamos problemas em usar roupas iguais. Mas você não estava lá e a minha agonia é tanta, que te vejo travestida de desconhecidas. Com cabelos e cores parecidas. Com aqueles olhos que vezes me matavam por dentro, mas sendo quem sou, quase ninguém sabia. Só nós. Eu, meu eu lírico e minhas pontas duplas. Eram luzes e mais luzes e eu tendo dificuldade de escolher uma só que me agradasse mais. Eram vozes e vozes, mas nenhuma parecida com a sua. Nenhuma parecida com a minha. Ficou um buraco que, de vez em quando preencho, pra que elas- as aranhas- não tomem conta. Por que com o tempo, as coisas tem que ser diferentes. Não é opção. É obrigação. Vamos cortar os cabelos juntas?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

que tal morrer
um pedacinho por mês?

domingo, 25 de julho de 2010

Tinha problemas conjugais.

Ainda conjugava o verbo na primeira pessoa do plural.

doce

na sua boca sou doce dos mais doces, dos exóticos, dos sem nome, dos sem patente, de tubérculo ou de país. sou doce na sua boca e sinto felicidades coloridas.

Aqui não chove mais.

Olhou pro céu e disse: Vai chover. Olhou pro chão e disseram, alguém disse, por aqui já chove. Ouviu-se outra voz resmungando: Por aqui chovem-se sempre. Motivos tem de fazer lama. Mas de que adianta tanta vontade dessas que molham se o motivo é o que se escolhe? A gente escolhe o que é bom pra gente e pra animal também. Só escolhe o que é ruim quem não sabe bem quem o é. Há os que gostam de emoções molhadas, sejam elas quais forem. Eu não reprimo. Agora, por favor, não me venha chover no meu quintal. Aqui é lugar de coisa feliz, de mãos, de cheiros, sorrisos de flores vermelhas, azuis e amareladas, onde eu mesmo chovo, à minha medida. Não me venha com essas janelas marejadas por que meu óleo de peroba acabou faz tempo. E de madeira podre eu entendo. Troquei minha cerca por um muro de pedras, pra não correr nenhum risco. Troquei meu pé de laranjeira por uma casa de abelhas, que me dão dos mais gostosos méis. Das tempestades da primavera tardia, guardei um copo quebrado e só. Por que o vento leva essas nuvens carregadas de energia negra. Por que o tempo, franzino, nanico, vem, lambe e cicatriza esses augúrios sem cor. Essa nuvem não vem daqui. Aqui não se chove mais. Comprei uma capa de chuva.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

aprendi que contos não precisam fazer sentido para serem sentidos.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dos herros de portuges

Não quero livrar-me dos erros de português. Tenho apego. Gosto muito dos meus.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nunca julgue ninguém pelas unhas que têm.

do descontrole pipocal

Sou daquelas pessoas que se descontrolam com um saco de pipoca doce (ou serei a única?). Não dá pra comer devagar, nem pouco. O negócio é colocar o quanto couber na boca e nunca, mas nunca, deixá-la vazia. Por que boca vazia é casa do diabo, já dizem. E enquanto ele estiver por aqui, junto ao tártaro, cáries e bactérias derivadas, venenos e anticorpos, coagulantes e antígenos, a casa será colorida com anilina. Por que nem de todo preto é feita a dor dos descoloridos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

quero uma janela que escorra água da chuva,
quando esta resolver aparecer pelas bandas daqui.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

D'o comedor

Oi, não tenho amigos. É, pode parecer triste, mas de vez em quando é bom. Tenho certos problemas com relações íntimas pois elas se partem, se morrem, se despedaçam, também, literalmente. Prefiro a distância, que me faz forte, destemido, me mantém anônimo pra comer quem e o que eu quiser. Sou comilão, muitos dizem que sou guloso, mas sei lá, me acho apenas uma pessoa apaixonada pelas pessoas, e quando digo pessoas, digo partes, pedaços e por inteiro. Como num açougue. Escolho a parte que me cabe, que fica bem em mim e como.


Procuro fazer amigos apenas por um objetivo: comê-los. E a escolha é sempre feita seguindo sempre os mesmos critérios: influência. As vezes os amigos dos amigos, me parecem interessantes. Quero ser que nem eles, mas não posso. Quero enxergar que nem eles, mas não tenho olhos. Quero sentir como eles sentem, mas não tenho apenas um sentimento. Me perco dentre os vários que permeiam dentro de mim, que acabei roubando, ingerindo por outros intestinos delgados.


Tem amigos meus, os considerados de coração, sabe?, que eu começo comendo pelos dedos. São aqueles que escrevem bem, que falam verdades, mentiras, alucinações, ou mesmo textos e textos de auto-ajuda. Adoro quem se auto ajuda. Acho tão bonito. Vou lá e como. Como tudinho, cada partezinha das falanges magras. Mas nunca comi uma mão gordinha. Gosto das unhas também, das mulheres claro. Principalmente daquelas pintadas de vermelho. Vermelho me lembra sangue, que me lembra morte - adoro morrer- que me lembra comida.


Já comi olhos. Das mais diversas cores, formatos e sabores. Comi alguns aromatizados e coloridos artificialmente. Foi normal. Comi cérebros, mas ainda não comi o bastante, não me tornei inteligente e a cada dia que passa, está ficando mais difícil. Já comi corações de gente não muito boa, é dificil encontrar um que preste. Prefiro o de galinha. Comi bocas, à força, claro. É difícil convencer alguém se aproximar de mim sem ter uma boa desculpa. Nada melhor que a obrigação pra me livrar da repulsa.


Já comi cada coisa que é melhor nem comentar. Hoje em dia, sou um cara que come, mas come por orgulho. Sou daqueles que acha que não há mal em querer as coisas dos outros pra si. Afinal, a vida é um desejo só. Ter amigos perto de mim, mesmo que o perto seja dentro, é o que eu quero. Se não quiser ser meu amigo, te como. Simples assim.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

o céu não é grande. grande sou eu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Depois tudo vira uva.

É sempre assim. No começo o choro é diário, todos os dias, durante o dia todo. No dia seguinte, também. No outro, também. Depois desse outro, diminui um pouco. O choro só vem quando a lembrança vem também. Mais alguns dias e assim, um pouquinho no travesseiro, outro tantinho no banheiro, outro tantinho na cozinha preparando um pão com manteiga, outro tantinho dirigindo e quando na rádio toca aquela música: mais um poucão. Depois de alguns meses, tudo isso vira raiva que se transforma e dor no estômago, acompanhado de gastrite, acidez, suco de limão. Depois disso tudo, vira uva.

domingo, 13 de junho de 2010

Do vazio de luz

na beleza melosa de tecas tristonhas, vejo o chão, abaixo e ao mesmo tempo, dentro de todos. pedaços secos de vidas vazias de luz.

no vento ensolarado das ruas, vejo cérebros, acima e ao mesmo tempo, dentro de alguns. pedaços murchos de vidas vazias de luz.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

No recomeço de muitas coisas, vezes começa de ré, vezes começa de frente, vezes começa de olhos fechados pelo medo de segurar a mão e dela não ser segurada. O medo da reciprocidade e sua inversa proporcionalidade é o que impede que as pessoas avancem pra frente. Só, mas pra frente.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O problema de ter um ídolo é você querer ser que nem ele. E nem sempre escolhemos bons ídolos para ser. Nunca fale em voz alta sobre.