a única maneira
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Escrúpulos e divagações pétreas
a única maneira
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eu me encolhi prevendo a morte. prevendo a dor e todas as suas consequências que nos fazem desejá-la. me encolhi por que me sentia pequena, pequenininiea e por mais que eu tentasse engrandecer meus pensamentos eles também não passavam de pífias palavras soltas, como de costume. eu queria voltar pro ponto onde eu havia me perdido há tempos mas os passos se apagaram e não deixou-se migalhas e nem placas de sinalização, como de costume. pensei em começar a cantar mas eu não tenho uma música favorita. não tenho nenhuma banda ou artista favorito. gosto de música só. de preferência boa de acordo com os meus padrões que quem define, como de costume, sou eu.
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Não adianta se preparar. nunca estaremos prontos para certas coisas que acontecem sem avisar. Muitas vezes avisam por meios, linhas, curvas que não vemos. É uma tentativa sutil de nos fazer abrir os olhos e quando se abrem por inteiro já aconteceu. Nunca estaremos prontos.
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praticando a arte milenar de controlar o canto dos olhos.
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adoraria colocar meus feitos na parede.
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olhei, encolhi os olhos, forcei a vista que vive cansada mas não consegui nada além de ver verde nos olhos de mar sem fundo. ainda bem.
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lembro como sobrevivi à última chuva da penúltima primavera. tinha gosto de liberdade.
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verde. era só o que se via. pasto. era só o que comia. tristeza. era o que vivia, Catarina.
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de repente percebi que me sobram orelhas
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na plena flacidez dos meus antebraços, olho a face de uma senhora que passa na rua, a balançar pelancas, e vejo meu destino claro amórfico diante das pálpebras escurecidas por maquiagens de má qualidade.
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Não acredite em mim. Eu deixei de me acreditar faz tempo.
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- Eu tenho um carro importado - um não, dois - uma mansão em bairro nobre, um flat na praia, um cartão de crédito sem limites, um jet ski, um zoológico particular, um campo de futebol, ações na petrobrás, uma loja em paris...
- Eu tenho um frigorífico de aves.
- Já eu tenho uma árvore, um caderninho de anotações e um saco de pipoca doce.
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Sinta, mas sinta mesmo, a energia da indiferença vinda dos meus ovários.
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a textura das minhas mãos tem acompanhado meu estado de espírito.
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Do lado do soutien que cabia mais peito, cabiam também sentimentos que muitas vezes precisariam ser guardados nos olhos, para que não tivessem de ser materializados. As pessoas roubam aquilo que não tem título de propriedade. Vejam só os índios! O uso capião virou velhaco, mas ainda cheio de dentes. O meu? rosna de vez em quando.
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quantos dos meus cabelos crescem em um mês?
me perguntei ao perceber que me sinto brega, mas às vezes, relevo.
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se o medo da culpa passou, nada mais impede essa consciência imunda.
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Assim como os ipês amarelos da cidade, estou fazendo primavera.
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Tinha problemas conjugais.
Ainda conjugava o verbo na primeira pessoa do plural.
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na sua boca sou doce dos mais doces, dos exóticos, dos sem nome, dos sem patente, de tubérculo ou de país. sou doce na sua boca e sinto felicidades coloridas.
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aprendi que contos não precisam fazer sentido para serem sentidos.
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Não quero livrar-me dos erros de português. Tenho apego. Gosto muito dos meus.
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quero uma janela que escorra água da chuva,
quando esta resolver aparecer pelas bandas daqui.
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na beleza melosa de tecas tristonhas, vejo o chão, abaixo e ao mesmo tempo, dentro de todos. pedaços secos de vidas vazias de luz.
no vento ensolarado das ruas, vejo cérebros, acima e ao mesmo tempo, dentro de alguns. pedaços murchos de vidas vazias de luz.
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Marcadores: poe
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O problema de ter um ídolo é você querer ser que nem ele. E nem sempre escolhemos bons ídolos para ser. Nunca fale em voz alta sobre.
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Marcadores: viagens amazônicas
há dores que a gente esconde na garganta ou no estômago, que é pra que ninguém consiga vê-las.
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Esse cheiro de puberdade não me comove mais. Desculpa.
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Responsabilidade é tudo aquilo que se toma pra si. Senão, não passa de obrigação.
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Não, não sei se foice ou lâmina. Mas deveria ter ido há tempos.
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Marcadores: que
Desejo todos os tons de vermelhos
um para cada boca,
um pra cada dia,
um pra cada louca,
um para cada par de olhos
Os vermelhos me são vastos
e me deixam rastros por onde passam
Meus vermelhos são fortes, vezes fracos
Mas gosto não têm
Meus vermelhos propósitos
indiscretos e incômodos
Me colocam um pouco
da cara cor na face
O espelho diz:
tu sabes o vermelho amor que tens.
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Pro silêncio que corrói unhas, estômagos, membros e braços
naquele silêncio que ecoa do nada pro nada e pra nada
solto sem dor nenhuma, um dó maior
e um mantra diário que me faz melhor, cada dia mais.
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Roendo fracionadamanete unhas,
olhando detalhadamente céus
contando meticulosamente gotas
rezando pra calçada mudar de lugar
toda vez que os ângulos das suas pernas
já tortas de futebol,
formarem cruzes apontando pro céu
Quantos carros coloridos
E minha face sem cor
Quantos postes, quantas costas definidas, divididas
Cara e espelho, sem tirar nem por
Me falta um batom , querida
Quantos postes, quantas costas
Poder de ir e vir
Quantas noites, quantas mortes
Ai que vontade de rir
É sem tirar nem por, menino
Sem tirar de cor
Sem mudar de cor, menino
Sem mudar de cor
Não se muda só mudando de endereço
Não se muda se morrendo o dia inteiro
Não se muda gritando, não se muda fugindo
Não se muda matando
Não se fala, não se muda.
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Eu não tenho pena. Não gosto de competir com quem tem mais do que eu.
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Ela parece um cupuaçú peludo, só que é fedida. Mas cupuaçú não toma banho. A conclusão mais imbecil de todos os tempos: Minha cadela é um cupuaçú!
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Desde de ontem decidi que apartir de hoje meu sobrenome vai ser flor. Porque? Porque eu acho bonito.
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No claro ainda das sete horas da noite, o tempo, esse imundo, passa como se fosse correndo da polícia. Pronto, já se passou à ferro também as horas e as coisas acumuladas vão pra gaveta. Anoto na agenda pro dia de amanhã, o que não foi feito. É normal deixar-se consumir pelo desânimo e pela preguiça de vez em quando. Todo mundo merece um tempo down, sem falar com ninguém, sem ter que responder e nem lembrar que as pessoas existem, por mais que elas insistam em existir. O problema todo é quando isso se torna rotina. A desorganização é uma pilha de afazeres que você sempre come fria e sem a ajuda de bacterias digestoras de celulose.
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Não se contam as ilusões
Nem as compreensões amargas,
Não há medida para contar
O que não podia acontecer-nos,
O que nos rondou como besouro
Sem que tivéssemos percebido
Do que estávamos perdendo.
Perder até perder a vida
É viver a vida em morte
Não são coisas passageiras
Mas sim, constantes, evidentes,
A continuidade do vazio,
O silencio
Em que cai tudo
E por fim nós mesmos caímos.
Ai! o que esteve tão próximo
Sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
Quando talvez podia ser.
Tantas asas circunvoaram
As montanhas da tristeza
E tantas rodas sacudiram
A estrada do destino
Que já não há nada a perder.
Terminaram-se os lamentos.
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Páginas e páginas em branco a preencher. E a apagar.
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Dava uma agonia precedida daquela vontade de socar a cara quando o via com aquele livro de frases feitas em baixo do sovaco suado. Não precisava dizer que fedia também. Estou com aquela coceira no dedo indicador chamada delete.
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a noite engorda junto a lua.
crueldade é pouco apelido
pra nomes própios
e artigos indefinidos
'é ninguém. ninguém o é e nem nunca foi.'
é melhor fechar os olhos
e abrir só depois
que essa vontade de fazer rimas
escorrer com a chuva que vem
pra destruir ruas e vidas
quizera ter vindo ano passado
pro passado ir passando
passarinho.
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