quinta-feira, 9 de julho de 2009

Giselle, não tem nada de divertido em arrancar um dente.

terça-feira, 7 de julho de 2009

'o blog é meu e eu escrevo o que quizer e como quizer.'
Claro. Justo, Roberto.

- Me desculpa por falar com a boca cheia.
- Não tem problema me desculpe também por ter te abraçado e te beijado o rosto logo depois de sair do banheiro. Eu não lavei as mãos e tenho doenças sexualmente transmissíveis. Ei, pera aí! Não se procupe, se você pegar alguma coisa eu pago sua consulta, conheço um médico maravilhoso!



- ...
- !?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

de cima me vi quebra cabeça.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

de Vik Muniz







Fui na sua exposição no Masp e me apaixonei por ele e por seus trabalhos. Assisti o documentário Worst possible illusion: the curiosity cabinet of vik muniz e conclui o que eu achava há muito tempo: não precisa ser genial pra fazer arte de qualidade, basta ter alma.

Vik Muniz

terça-feira, 30 de junho de 2009

coisa boa

é ter um amor sem passado
com gosto de vencido*





*crédito da frase pro Marquinhos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Descobri que sorvete de creme combina com teu gosto
Que as ruas que me levam pro teu caminho
Passam por um lago pintado
De listras brancas, vermelhas e pretas
De plantas coloridas na pele
De guerras, danças e gritos cantados

Descobri que aquela flecha de anjo
Na verdade era flecha de outro
Tinha um pó extasiante
Parecia estar escrito na bula
Se tivesse, andava de costas pra lua
É hora de sentir de verdade
Com moderação pode abusar

Entrou de vez como num batuque
Abalou as estruturas coronais
De penas e pássaros
Reverberou com um canto
Como naquele canto que te vi
Pela primeira vez chorar

De mãos dadas com teus pêlos
Cabelos, me dá teus anseios?
Me vi do lado avesso
Esperando você me espiar

Foi naquele dia, na luz da tua
Que eu vi minha mão nua
Calos, cores, calos com calos
Me calo, e espero você voltar.

dos meus verbos pontuais

agora sim eu posso me livrar do arco-íris,
do relógio, da blusa, daquela caixa cheia de coisas,
de ventos, de cheiros, de guardanapos rabiscados com azeite,
e bebidas cevadas fedidas e verdes,
de segredos inconfessáveis,
não por mim, por eles,
e do quebra-cabeça que fiquei de te deixar na porta de casa,
eu virgulo.

posso me livrar enfim daquele grampo de cabelo.
achado por acaso no chão do meu chão.
da arte de enganar. que dias e dias foram nossos chãos.
nossos. fingido normal.
sim coletivo. plural. ésse no final.
péga. é de presente.
ela no fim e eu no começo.
ou seria do contrário. o avesso?
eu pontuo.

me lembro bem daquela música que diz em sons menores.... que dor é maior...
não é tua voz que canta... não precisa...as notas que me notam... me tocam...
com mãos e membros limpos....fluídos correntes e límpidos...

lembro daquele acorde maior...acorda faz sol....
te levo pra praia e te faço sorrir sem dó...
te balanço no colo, te mostro em aquários...
peixes estranhos a sorrir e festejar arpejos trasparentes...

debaixo daquele guarda chuva colorido...
cor sim cornão...sorriso amarelo mostarda...
acende um incenso com cheiro de patuá, pra disfarçar...
debaixo da camisa uma flor com espinhos...
agudos e bonitos...me espera na porta do cemitério...
que te vejo chegar...

eu pratico o verbo reticentiar

domingo, 28 de junho de 2009

Morangos frenéticos e a passeata sonora dos cegos

É tudo cinza. Céu, chão, faces e subterrâneos. Árvores tentam resistir nascendo, florando e sombrando como se fosse a última vez e respirando como se fossem únicas responsáveis, em meio aquela bagunça organizada em linha reta. Elas me dão medo. Me olham com cara de abraço. Às vezes eu sinto por não ser tão amável, mas isso me faz ser quem eu sou. Bom ou não, graças ao bom senhor. Por aqui cachorros passeiam, mas só eles. Senhoras solitárias têm seus momentos caninos da calçada. É meio triste ver todos aqueles semblantes preocupados com a vida e, mais do que nunca, com a morte.

Logo de cara: Passa a bolsa, passa o tênis e o casaco. Foram-se algumas centenas de reais e um bilhão de certezas que as coisas ruins só acontecem com o vizinho. Deve ter sido outra macumba mal feita. Placas, placas, letreiros, faixas, homens e carros. É muita informação pra dois olhos só. Como não tenho câmera fotográfica, (roubaram junto com a minha dignidade noutros tempos. Consegui recuperar só a dignidade) meu obturador pessoal registra a cada piscada, imagens que, se eu pudesse, reproduziria com as mãos. Mas não posso. Na minha infância ao invés de estudar artes, estudei música. E isso não justifica minhas falhas de caráter. Nada justifica. Só o Word.

Penso tragédias. Vejo um ônibus atravessando a rua e imagino um trem vindo de encontro a ele, amassando narizes e esbugalhando olhos. Eu sei que trem não anda na mesma rua que o ônibus, mas tudo isso é fruto da minha imaginação, como disse. Imagino pessoas se partindo no meio na calçada, órgãos, víceras, sangue e membros alados, seios e silicones jogados no passeio enquanto pombos procuram o resto de milho de pipoca que sobrou do verão passado. Imagino-me caindo em um precipício e lá em baixo só existem vermes de óculos. Entro no avião e imagino uma explosão, pessoas voando e eu sendo amassada por umas toneladas de ar. Até nas coisas mais simples como ao entrar no meu quarto no escuro e jurar que quando eu acender a luz um extra terrestre vai pedir meu cérebro, ou um monstro vai chupar meu sangue, ou até mesmo um homem comum vai me dar um tapa na cara, me jogar no chão e desmaiar no banheiro de remorso. Minha mente é absurdamente, eu sei, mas isso me faz ser mais centrada e estar preparada sempre para o pior. E quando o melhor vem, é um maravilha de bom.

Vi uma banquinha de frutas.Todas elas me pareciam deliciosas e o preço era três vezes mais barato do que eu costumava pagar em outros lugares. O que eu fiz? Como compulsiva que sou, comprei três cartelas de morangos. Lindos, vermelhos de dar água na boca. Botei na mochila, com cuidado para não amassar e depois guardei na geladeira. Uns dias depois tinha até esquecido dele. O frio me fez ficar um pouco mais burra. Parecia que os neurônios tinham dado um paradinha básica para o café quente, pra aquecer. Resolvi pegar um metrô, coloquei as cartelas dentro da mochila denovo e segui. Segui, segui, andei, andei- Caralho como essa cidade é grande- metros, metros, estações, metrôs, morangos. Abro uma cartela e começo a comer. Era tão suculento que eu senti que estava mordendo uma nuvem, vermelha, claro. Vermelho. Frio. Gelado. Morango, morango, calçada, mendigos, morango, lojas, pastelaria do chinês, vermelho, papelão, pedaços de marmitas encostadas aos postes, folhas, vermelho, morango, morango vermelho, doce, padaria, sons, sons, vermelho, morango, sons, doce, flauta, acordeon, meleca, doce, vermelho, cubos sonoros, morango, faixas de pedestres, branco, vermelho, morango, cabeludos, metaleiros, morangueiros, morangos, guitarras, dó-ré-mí-fá-sol-lá-si, vermelho, pentatônica, turuturpá, morango, vem de ré pra mim sem dó, baterias, suco, batuques, xeco-xeco, vermelho, cachorro, côcô, vermelho, -vamos dar uma entradinha?- como assim, entradinha, ô rapaz!?- vermelho, morango, suco, fiquei corada, ladeira, carros carros, vendedor de macaxeira (o que ele estava fazendo ali?), vermelho, suco, vermelho, escaleta, azul, daquela cor, vermelho, morango, - meu deus, que cara bonito!-, paixões instantâneas e voláteis, ladeira, portas, sons, notas musicais, eu e meus morangos frenéticos.

Parei, olhei e continuei olhando. Um grupo de pessoas, umas 30, atravessam a rua, duas a duas. Detalhe: uma delas estava vendada. Primeiro achei que era uma terapia de grupo para desenvolver confiança na outra pessoa, mas logo vi que eles eram cegos e seus cachorros estavam sendo treinados junto com eles. Passavam vagarosamente por cima da faixa de pedestre, listras bancas no asfalto preto, pareciam as teclas de um piano, ou de uma escaleta, que quem soprava era o vento frio que vinha do leste. Cada passo, eu imaginava uma nota, aumentaram a velocidade e pronto, logo vi: era a nona sinfonia de Beethoven.

sábado, 27 de junho de 2009

Em meio ao cinza gélido
pra colorir uso um arco-íris no pescoço
.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

acontece


aconteceu o que eu temia: virei uma amante da natureza e o pior de ser uma amante é ter que aceitar dividir, aceitar compartilhar algo que nem é seu de verdade, com outras pessoas que não são nem pessoas de verdade.

aconteceu o que eu temia quando falava dos algodões doces e dos horizontes de outréns. aconteceu quando achava bobagem um sentir tão abstrato que é dizer gostar de algo ou alguém. é abstrato, não se quantifica, não se dimensiona. se sente, se sonha.

aconteceu o que eu temia que qualquer árvore me faz chorar e nem todas são seringueiras ou marupás. aconteceu que pássaros vêm até mim querendo conversar. é como se eu tivesse um imã que virou reverso. meu reverso é do bem e eu só tenho esse agora pra usar.

ontem entrou um pássaro gordinho de peito dilatado pela minha janela. voou, voou se bateu e ficou a me observar apontando lápis usados. parecia querer me dizer algo com seus olhos redondos, estes que pareciam querer explodir de tão brilhantes. teve uma hora que eu pensei que ele ia se transformar num anjo, ou num demônio, vai saber. já tive mais medo das coisas bonitas da vida. deve ser porque eu tive uma nuvem preta, um isofilme 100% sob meus olhos que me impediam de enxergar as luzes, as luzes do céu e as luzes do teu olhar.

aconteceu que ao andar em baixo de uma árvore gigantesca, ela cuspiu uma flor na minha cabeça. esse tipo de cuspida eu adoro. era cheirosa e delicada. olhei pra cima e sorri: 'obrigada'. seus galhos pareciam querer me abraçar, mas eu sou tão pequena, sou tão pequena a te olhar. desculpa, um dia te alcanço. por enquanto posso ficar aqui, embaixo da sua sombra? preciso repassar meus sonhos acordada, tô cansada de viver e não sonhar.


demorou, mas aconteceu que consigo enxegar os horizontes que vão além, pode acreditar. Além daquela próxima castanheira ali, além do que os livros podem me ensinar. Além do meu céu, que é mais pro norte. além daquele cheiro forte que me faz lembrar.

aconteceu que meu perfume preferido não tem mais gosto de laranja e nem de dor. aconteceu, que pra retribuir, cuspi pra cima e meu cuspe virou flor.

domingo, 21 de junho de 2009

me disfarço
me desfaço
me deslaço
te abraço
no chão

terça-feira, 16 de junho de 2009


pegue um machado
amole
pegue um pano
para limpar o suor, vai precisar.
pegue também um punhado de sementes
das que tem bastante proteína
não esqueça do seu pó
proteja-se do sol
siga o rumo dele
afaste aquele cipó
aviste, mire, apunhale
dilacere, arregace
rompa, machuque
veja sangrar
sangue sem cor
sinta o cheiro, é cheiro de dor
ali ficou um pedaço aberto
outro pedaço se foi em suas mãos
volte daqui a uns meses
uns anos
veja se há buracos
não. fechou.
agora veja quanto cresceu
olhe seu interior
veja nos anéis, o que sobrou?
cicatriz que formou
tinha cara de cumaru-ferro
usava óleo de peroba
mas tinha cheiro de cravo
de defunto que tentou ser
por muitas e muitas vezes
até apodrecer
e cara, como fedeu.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

foto por J. Arthur

das cores e dos prazeres

domingo, 14 de junho de 2009

please, don´t watch me dancing.

sábado, 13 de junho de 2009

sonhei de virar quadrado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dos tempos

Às vezes eu não me importo em acordar atrasada. Estar atrasada sempre foi um coisa normal. Mas quando eu era uma garota primária, tinha neura de relógio. A aula começava 7h e às 6h15, impreterivelmente, lá estava eu, sentada na arquibancada da quadra de educação física, vendo as pessoas chegarem com suas caras de sono, suas remelas viscosas e suas pastas de dente na gola da blusa. Umas pareciam que sequer tinham acordado, tinham chegado à escola pelo sonambulismo conduzido por seus pais. Quase ninguém ia de ônibus. Pequenos burgueses, não sabem o que é sofrer de verdade, alguns diziam. Tinham pais e mães, a maioria. Os que não tinham, não eram totais infelizes, não. Eram da galera do fundão, da galera da briga, da galera do futebol e a galera do livro também. Eu fazia parte de duas dessas galeras aí. Essa galera se divertia na tristeza e na desgraça que eram suas vidas. Admiro essa habilidade das crianças. Viviam na diretoria. -Preciso conversar com a sua mãe, menina. - Se você encontrar ela em casa primeiro que eu, me avisa. Também quero conversar com ela. Batiam nos menores para se sentirem superiores e poderosos mas quando chegavam em casa iam assitir animes de monstrinhos fofinhos e choravam de saudades do amigo imaginário chamado Marih, era tailandês. Escreviam cartas à mão deficiente de caligrafia. Kali=bonito; graphia= escrita. Nunca foram entregues por que os correios não aceitavam enviar ao destinatário com o mesmo endereço do remetente.

Sei que com o tempo isso foi passando. O tempo passou a ser uma mera palavra que não pesava em quilos, pesava em segundos e meus segundos são bem leves. Todos os meus seis relógios marcam uma hora diferente. Uns alguns minutos antes da meia noite, outros alguns minutos depois do nascer do sol. Meus horários favoritos. De dia viro flor e de noite viro bicho. Tem relógios que eu nem uso, me lembram tempos que eu não quero me lembrar. Tem uns que eu não consigo livrar do braço direito, que é o braço que eu mais gosto. Não sou canhota. Sou direita. Consegui abstrair seus tempos.

Mas a verdade mesmo é que hoje em dia não me preocupo com a pontualidade, apenas a dos meus ponteiros. Se é hora de acordar, em que relógio? Se é hora de cantar, com que galo? Foi-se o tempo que eu me preocupava com o passar dos passos apressados. Foi-se o tempo que 6h era o horário de acordar e 10h30, 10h32 eram os de durmir. Foi-se o tempo que eu contava as horas. Foi-se o tempo que minhas flores preferidas eram gérberas. Foi-se o tempo que minha pele era rosa.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

vim aqui, escrever no blog.

feliz ao vivo
e à cores.

vem nadar aqui, vem.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dos sonhos

Era daquelas pessoas paralisadas. Paralisadas no tempo, no espaço e no lugar. Tinha dois sonhos. Daqueles simples que, se a vida não tivesse virado 1° pra direita, não seria sonho, seria apenas uma rotina. Tivera uma febre de 3o dias. Sua mãe morreu cedo. Tinha mais ou menos uns 50 anos. Ou menos. O sofrimento envelhece e dá pés de galinha para qualquer vinteoitão que se acha invencível por tudo, inclusive pelo tempo. Ele nem se achava, queria mesmo é sonhar. Devido à febre ficou doente pro resto de sua vida. ainda tem um resto. Ao confessar sobre o que tinha acontecido, senti uma certa umidade nos olhos daquele senhor e eu confesso que dos meus, quase escaparam alguns úmidos. Não tinha os movimentos das mãos. Eram apenas pêndulos moles, sem controle que, à medida que ele tentava controlá-las , balançavam que nem uma maria mole com cheiro e cara de pele. Acho que tinha paralisia na língua também ou talvez fosse apenas a falta de dentes que dificultava uma dicção compreensível. Ele fazia tudo sozinho. Todos os dias de manhã pegava o saco de estopa com os punhos, na verdade usava o osso das mãos para sustentar o peso, arrastava com suas pernas pesadas (também tinha problemas nos pés, eram pela metade e sempre enrrolados em faixas). Pra enxugar o suor do esforço, punhos na testa. Incrivelmente conseguia tirar saquinho por saquinho, caixinha por caixinha e montar uma bandeja de balas, chicletes, jujubas e pirulitos sobre um banquinho de madeira.

- "Meus sonhos eram: aprender a ler e ser escritor." Tirou do saco um caderninho amassado de capa mole. Coqueiros e um mar azul.

- "Veja. eu que escrevi. Na verdade não escrevi, eu ditei e a minha vizinha escreveu pra mim. " Eram poesias. Eu já estava quase chorando.

O primeiro verso, o único que me lembro, dizia:

Não há tesouro no mundo capaz de ser maior que minha mãezinha
Não há tesouro maior, nem nos mares há.(...)

-"Um dia eu ainda vou publicar um livro. Vou largar essa banquinha de doces e vou ser famoso. Obrigada minha filha, por ajudar a montar a minha banquinha. Deus te dê todas as coias boas que ele não deu pra mim."


..
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Entrei no Ufac soluçando e pensando: hora de escrever um projeto.



segunda-feira, 8 de junho de 2009

a gente nunca sabe o que fazer. acaba fazendo sem saber mesmo.

na minha casa só chove do lado direito.

bloguimeio.


testando postagens por e-mail. mas que maravilha!



--
Kaline Rossi

hoje sim, eu sou eu naquele espelho.

domingo, 7 de junho de 2009

me falta um template pra vida.

sábado, 6 de junho de 2009

quando estou no céu,
Deus me dá uma bomba
de nuvens de presente
e quando ela explode
tudo se inunda
de azul turqueza
que é a minha cor.
é uma das minhas cores.
por que às vezes eu não tenho cor
me foge. me erra.
ei, morra aqui!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dia do Amor.


O mundo está em crise. Isso é fato consumado, comentado e debatido até em mesa de bar. (como assim 'até em mesa de bar'? tem gente que quando bebe fica inteligente, importante e às vezes até invisível. É um bom momento para se debater). Tem gente que não sabe nem é o que está em crise mas, como é o assunto da moda, acaba debatendo normalmente. Crise econômica, crise imobiliária, crise de rinite, crise existencial, crise sentimental, até. O brasileiro se acha inteligente. Sabe falar muito sobre pouco que, juntando tudo, não é quase nada.

Falando sobre o fato consumado. As pessoas usam todos os tipos de estratégias mercadológicas, persuasivas e até sentimentais para aquecer a economia. Em tempos de aquecimento global e crise econômica eu não sei pra que lado ir quando se fala em consumismo. Chegando o tão falado 12 de junho, lojas vão enfeitando suas vitrines com corações, palavras bonitinhas, balões vermelhos, fotografias e preto e branco ( preto e branco é bem romântico, não acham?). Tudo para aquecer a economia local e atrair mais clientes. Esse é o intúito dessa data. Como todo mundo sabe, no mês de junho as vendas eram baixíssimas e decidiram criar um dia para que as pessoas tivessem um motivo para gastar seus dinheiros. Pumba! Nasce o dia dos namorados. Mas, e se o mercado dos namorados também estiver em crise?

Com o surgimento de relacionamento alternativos, por exemplo, onde se preza por um amor , paixão, tesão, livre, sem títulos de propriedade, direitos autorais ou de uso, por um amor que não se encaixe nos estados civis existentes na constituição brasileira, nos padrões mais aceitos socialmente, os 'namorados' estão virando raridade, coisa de velho, coisa de gente doida, coisa de gente insegura, coisa de gente...gente como você, como eu, como nós. Sabe-se que para toda prática extrema sempre surge uma alternativa. Temos como exemplo o vegetarianismo, o hiduísmo, o homossexualismo (na verdade eu sei que é homossexualidade, por que o sufixo ismo remete à doenças. e ser homossexual não significa ser doente. é só pra rimar), o feminismo, o namorismo, o ficandismos, o peguetismo e o simples Amor. O amor é uma alternativa, na minha opnião, a melhor de todas para tudo. Não precisa de status social e nem de certidão de posse ou propriedade. Não precisa pagar taxa de quebra de contrato ou de advogados. Quer dizer, de vez em quando precisa. Consideremos as situações normais. Desse amor livre que eu sou à favor. O que importa não é uma aliança de compromisso, é a aliança da alma. O que importa não é o sobrenome, o que importa é o que você realmente representa na vida da pessoa. É uma questão que se resolve à dois, à três ou à quatro para algumas pessoas, mas só se resolve com ele, com o sentimento, com o amor.

Para mulheres frágeis e pouco inteligentes emocionalmente, influenciáveis por essa pressão psicológica e idealista do mercado, dia 12 de junho só presta se você tiver um namorado ( não acredito que os homens sintam a mesma coisa. acho que só no aspecto de que todo mundo gosta de ganhar presentes, independente da data) é um dia muito triste, quando não se tem um namorado, é claro. Bridget Jones que o diga.

Por isso que depois da minha revolução verde, eu estou agora encabeçando (mesmo que seja só dentro da minha própria cabeça) a revolução do Amor. Devemos tirar essa idéia da cabeça que somos reféns dessas coisas que tentam colocar nas nossas cabeças, e muitas vezes conseguem. Não falo de chifres. Não se compra sentimento em nenhum lugar. O máximo que você pode fazer é comprar um sonho na padaria, só. Se você não se encaixa nesse contigente de pessoas 'namoradas' e sim, enamoradas, apaixonadas, não se sintam constrangidas nessa semana que antecede o dia daqueles que têm o título de namorados, em comprar uma lembrancinha, um chocolate, um carrinho de brinquedo, o que quer que seja para dar de presente, mas só se sentir vontade e não por obrigação. O amor não tem data, assim como o dia das mães, dia dos mortos e outros dias. Pra mim, dia 12 de junho e todos os outros dias no ano, é dia do praticar e exercer o AMOR!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

- Há sempre algo de ridículo nas emoções da pessoa que se deixou de amar.

Oscar Wilde

terça-feira, 2 de junho de 2009

esse tempo frio me lembra os tempos que eu era outra pessoa. ainda bem que eu já tinha esquecido.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

estou com cheiro de armário.

oração verde.

às vezes eu tenho medo do meu lado verde. eu não queria ser tão ecologista.

"Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. A terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas como sangue une uma família. Há uma ligação em tudo. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. O homem não tece a teia da vida, ele é apenas um fio. Tudo que faz à teia ele faz à si mesmo."

Amém.

domingo, 31 de maio de 2009

cheirava alegria

sábado, 30 de maio de 2009

as vezes quando fico muito feliz fico entalada. fico querendo sorrir, mas o sorriso, ele fica dentro da barriga e quanto mais empolgada eu fico, parece que eu vou explodir pela garganta . tenho andado assim ultimamente. muitas coisas boas acontecendo, muitas coisas boas que vão acontecer e eu preciso sorrir mais alto. talvez esteja na hora de eu fazer a placa:' sorrindo muito'.

fazei o bem sem olhar a quem. então compra uma máscara aí, maninha, por que com essa tua cara aí fica difícil.

de pensar que todas as pessoas merecem uma segunda chance que me rendi. com a alegria nos olhos e nos dedos, abraço e choro coletivo. foi choro de alegria, emoção, dor, dúvida? foi só choro sincero. fazer parte da transformação da vida de alguém, ou apenas da vida, é gratificante mesmo com apenas um sorriso quase sem dente. eu já fui mais forte pra's coisas da vida. ainda bem que essa fase passou e agora posso sentir tudo que sempre quiz e nunca pude por medo dos medos, medo dos outros, medo de mim mesmo. a gente se conhece e sabe onde se encontra aquilo escondido, só a gente sabe aonde está. uma das coisas boas de ser livre é isso: poder viver sem culpa e sem ter medo de chorar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Placas

Ando confeccionando placas. É, é uma maneira de dizer sem abrir a boca. De falar sem ser ouvida e sim, ser lida. Mas me ler, você pode aqui. me ver? Quero levar minhas palavras pra onde quer que eu vá. Pode ser em um livro, talvez denovo daqui a um tempo, talvez algo mais. Pode ser em um artigo científico, ou numa lápide. Sim, em breve verás. Pode ser em uma poesia escrita no verso de uma propaganda de geladeiras ou de cursos de como falar português. Pode ser escrita em forma cuja forma lembra letra de criança. Eu tenho esse lado infantil e faço questão de admirar quadros e flores coloridas. Por exemplo, ganhei uma semente nativa de presente e quiz chorar. Olhei pela janela e vi umas nuvens fingindo. Fingindo chover, fingindo molhar. Levantei os braços, sem me preocupar com o que tinha em baixo deles, com os olhos fechados tive que abrir uma brecha pra uma lágrima órfão sair. Ela saiu e bateu a porta. Meus braços formavam um 'a'.

Uns dias antes, ao sair de casa eu vi alguma coisa escrevendo com nuvens o céu. Ué, nuvem não escreve. Ando tão distraída que imaginei a palavra escrita: 'avião'. Às vezes eu também me imagino morrida. Que bizarro por que eu não era convidada pro enterro. Eu olhava tudo de cima e não entendia nada. Vi gente pingando colírio, fingindo chover. Vi gente rindo, gargalhando por fora e por dentro. Tinha alguns que choravam de verdade, mas alguns só faziam caretas. Caraca, como você é feia, ainda bem que eu nunca mais vou te ver, desabafei . As lentes dos óculos escuros não eram tão escuras assim. Alguns relinchavam: 'acho é pouco. ela mereceu, fazer o que né? é a vida'. Tinha uns que se amassavam no canto do muro aproveitando que as atenções estavam voltadas para a minha mãe. Ela chorava que eu fiquei com vontade de chorar também. Segurava a minha mão de dedos roídos. Ainda tinha um pouco de esmalte vermelho. Culpa da funerária que não me limpou direito. Dentre os 'porquês, aonde eu errei, a culpa é minha, a culpa é daquele desgraçado, Deus que quiz assim, não foi Deus quem quiz, tinha um futuro longo pela frente, pelo menos vou ficar com o guarda roupa dela, ela me devia dinheiro, ela me devia um homem, ela planejava viajar com o marido, ele não tinha fotografias, ela esteve grávida, pretendia comprar um cachorro novo, derrubar uns mil metros cúbicos pra fazer mesas e salas de estar, ela não era toda de verdade, deveria ter arrumado a bicicleta, estava ficando meio gorda, eu gostava da banda dela, mas acho que ela pagava de gatinha, eu achava ela bonita, mas era metida, era metida por que se achava superior a tudo e todas, e era, se não fosse não teria tanta gente aqui, fingindo, fingindo? fazendo contatos, tem uma festa alternativa daqui a pouco, ela gostava de limão e de bebidas coloridas, que se foda ela não está mais aqui mesmo, ele está solteiro, eu achava que ela era lésbica, fazia bruxaria, gostava de estacionamentos, tinha uma pilha de livros não lidos, comprados e dados, dizem que ela tinha cleptomania, que horas vai ser o enterro? o pai dela não bebeu hoje, será que ela ainda guarda aquela carta? ela não possuía títulos e era muito feliz', eu me despedia confecionando a minha última placa:"Aqui jaz"

terça-feira, 26 de maio de 2009

Não se preocupe com sua vida. Há sempre alguém pra cuidar dela.

domingo, 24 de maio de 2009

eu já fui muito mais poética.

às vezes eu queria ter um controle remoto igual do filme Click. Como eu já assisti o filme, ia saber usá-lo de maneira prudente.

Das palavras há muito não ouvidas

Peba.

Monólogos

.é por que as vezes a gente fica lembrando das coisas e, sabe, seria legal dar um ctrl z ou um delete.

.acho que Deus escreveu meu destino em braile por que juro, juro mesmo, que não sei.

. a samaúma deu flor.

. ás vezes eu queria poder ajudar mas seria como sentenciar-se ao mesmo mal.

.eu sempre gostei de telefones públicos.

.alguns insetos exalam um odor não muito agradável.

.não consigo me livrar do relógio verde.

.uso o relógio no braço direito mas não sou canhota. eu gosto do meu braço direito.

.a vida é longa e dura. complete a frase.

Acho que o que o Bush sente quando lembra da merda que fez com o Iraque, é o mesmo sentimento que o Marcelo Camelo tem ao lembrar de Ana Júlia.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

das bizarrices e futilidades kalinianas

Hoje eu vi três crianças de mais ou menos 5, 6 anos apedrejando um outdoor da Colcci, cuja garota propanda era a Gisele Bündchen. Fiquei chocada. Elas atiravam com tanta força, tanta raiva, tanta garra! Será que elas estavam apenas brincando, fazendo o que mais gostam de fazer e independente da pessoa, propaganda ou lugar atirariam pedras do mesmo jeito? Essas crianças de hoje em dia já têm opnião formada desde cedo, eu pensei. Culpa da televisão. Tinha uma menina no meio. Talvez ela atirasse pedras de inveja: "Poxa, eu nunca vou ser bonita e nem ter tanto dinheiro quanto ela". Mas acho que as crianças dessa idade ainda não desenvolveram esse tipo de inveja. Isso é coisa de adulto frustrado. Depois eu pensei denovo: porra, enquanto vocês atiram pedras, eu queria ser ela. Não ser ela, nem acho ela tão bonita assim, mas há de convir que o poder que ela tem é dos grandes e fortes. Talvez ter o dinheiro dela, o Brasil, a Colcci e o mundo aos meus pés. Talvez algum diretor de filme, escritor (que não seja de best sellers ou de auto-ajudas), cientista ou pesquisador pros fins de semana também.

Ainda bem que Gisele e eu não temos o mesmo gosto pras coisas. haha!

=)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

bizarriceas kalinaceas

tive um sonho bizarraceo. sonhei que estava dentro de um ônibus. era gigante, parecia um trem, um metrô que eu não conseguia ver o motorista. o ônibus estava andando em alta velocidade e eu só sabia disso por que meus cabelos estavam esvoaçando-se e meu rosto estava meio desfigurado, como se eu estivesse fazendo careta o tempo todo. eu babava, tentava lamber a baba mas minha língua não conseguia sair da minha boca. eu estava tendo uma overdose de oxigênio. me sentia mole mas me sentia feliz. o veículo parou. olhei pela janela eu não via nada além de uma imensidão azul. era o céu ou era o mar? estávamos flutuando. estávamos eu não sei, não me lembro de ninguém do sonho, mas eu estava flutuando. não, na verdade éramos nós mesmo. eu e o ônibus. mais de um já é plural. eu vi umas nuvens mas elas cresciam grandes, gordas e verdes. pareciam brócolis de algodão doce. achei estranho. então, começa a fazer um barulho estanho, como se o chão estivesse se rachando no meio. aquele barulho estridente de metal. olhei pro meio e pra baixo e realmente: o chão estava se rachando. pela fresta eu podia ver muita luz amarela e verde. aos poucos vinham saindo uns galhos marrons, iam se espalhando, emergindo do chão que não era chão, era céu. não era mar senão eu teria morrido afogada. os galhos começaram a invadir o espaço, iam crescendo e folhas também. as folhas cresciam muito rápido, naquele efeito que é o contrário de slowmotion. era uma samaúma de folhas vermelhas belíssimas. os galhos como não conseguiam furar o teto do ônibus, iam fazendo voltas e mais voltas dentro do espaço até formar meio que um jardim emaranhado de verde, marrom e vermelho. agora que eu não conseguia ver o fim mesmo. mas na verdade no fim de tudo, eu estava ficando sufocada pela beleza e grandeza da árvore que sentei nas raízes, fui escorregando até cair no buraco que a árvore tinha feito no chão. eu abri os braços e voei.

acordei com as mãos arranhadas de balançar contra a parede que tem grafiato.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

se eu fosse você no meu lugar não seria eu.

constatação

o tempo passa mais devagar quando contamos os dias.

terça-feira, 19 de maio de 2009

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaahhhhh

tenho um sorriso que não cabe na boca. e olha que minha boca é grande.

das impressões matutinas

às vezes me incomodam esses passos sobre a minha cabeça.

Podemos estar falando

Tenho professores graduados, mestrados e doutorados em Engenharia Florestal mas com especialização em Gerúndio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CELULAR EU TE AMO!

domingo, 17 de maio de 2009

Eu ouço a rádio. A bossa. Fico imaginando se as ondas- que onda! - chegariam aos lugares mais distantes que qualquer quantidade de horas de barco, qualquer quantidade e volume de água, bolhas, espuma, chegariam. Vou na difusora: '- Avisa saudades.' Vixe, se treme! Talvez menos árvores para desviar. Talvez menos seios desnudos para olhar. Talvez uma chapinha mal feita, talvez um coque cheio de pudor. Grande rio no peito? Cavaleiro sem medo nenhum. Sou número de topete e ímpar. Sou sol e soul. Sou leão. Hoje sim, tenho peito. Apóio a causa do câncer.

Não esqueço do dia que te dei um sorriso de presente. Nele havia, aos montes, toneladas de sujeiras alheias. Havia sim, a cor do amarelo cor da tua pele suja sem banho. A cor da parede que você queria pintar para parecer menos gélido. Eu me limpei. O branco não é pra todos. É que nem a noiva virgem ao usar. Que piada, noiva. Que piada, virgem. Não distribuo tapinhas nas costas de graça. Não imploro por atenção: Oi?Fala comigo? Você é nova aqui, não vês que esse é meu harém?. Não. Meu cartél é feito por variações pessoais, personificações (adoro essa palavra) do eu mutante. Mutante como a flor laranja que de tanto sol, aquele tão necessário para a vida verde, vira amarela desbotada, como a tua cor pseudo estrangeira. As vezes a gente pode se surpreender. Nesses dias de ventos frios do sul, às vezes me sinto xenofobista. Preciso mandar fazer cobertores de orelhas sob medida.

sábado, 16 de maio de 2009

posso ser um silêncio ao contrário, se você quiser.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Arquitetura de merda*












*Coprólitos. Excrementos fossilizado de seres vivos. Nesse caso são de vermes que formam verdadeiros prédios, construções de côcô. Influências de Diotisalvi? Niemeyer? Engenheiros e Arquitetos do programa da casa própria da Caixa Econômica? Índia? Não sei, mas essas criaturinhas são engenhosas e eu perdi meu tempo, sim, tirando fotos dessas coisas. Pode parecer nojento, mas nessa arte há beleza.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Do espírito de

"Não basta termos um bom espírito. O mais importante é aplicá-lo bem."

René D.

não, não não me compares com aquele que voa e canta
nem aos pares das memórias coloridas sonoras
daquele pássaro vermelho nem lembranças tenho
voou pra longe e pra longe de mim
obrigada! pra longe da minha memória fraca

-amém (coral infantil)

não, não me venha com cantarolas, bandeirolas e nem caramelos
pega logo esse teu suco de limão sem doce e enfia
na cara ou em outro lugar qualquer

para de fingir jujubas coloridas
quando na tua cama a pelúcia é do cão ou outro animal virulento
que te dá alergia de morte

alegria, alegria!
ganhaste a carta áurea?
de que te serve se nem cor tens?
desculpa, mas eu nunca acreditei em religião
e o que tem escrito lá
é mais bonito de se ver atrás das grades
comendo o pão que teu amigo amassou
lendo teoremas de Descartes

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ela pergunta e ele responde.
- Se você fosse uma flor, qual flor seria?
- Comigo ninguém pode.


.

domingo, 10 de maio de 2009

Assim, meio penso.

Eu penso em você todo o diatodos os diaspenso em você de manhãpenso hoje e penso amanhãpenso em estar ao seu ladopenso no dia de vocêdia seudia meuvocê no meu dia

penso pra deixar de lado o que pro lado de lá se foipenso que em cada semana que se passa emana a vontade de viver o dia seguinte cada vez maispenso nas coisas que podem virpenso no barco penso no riopenso no que tu viupenso assim no que eu vi e ri epra falar a verdadefoi muitomasmuito engraçado

Pensei em escrever uma cartapensei em ligarmas des penseinão adiantavou ter que esperarOlhei uma foto sorrisim eu estava láestive como em nenhum lugarsou eusim fui euserei eu alie nada mais importa além do que me torna tua minha.

- penso também que eu esqueci o que dizer agoradrogadeveria ter anotado- É que eu acordei e sonhei pensandopenso demais e sabequão bom é pensaré por isso que eu pensologonão desisto dessa vida cheia de pensos.

sábado, 9 de maio de 2009

Da macumba mal feita.

Não morreu mãe, mas morreu cão e cadela.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dono sem cão- Frida Kahlo

Você só pedia um pouco da minha atenção

E eu quase sempre te dizia não

Você gostava de andar sempre ao meu lado

Eu te chutava, te mandava embora, te chamava de chato



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu



Então te procurava pra desabafar

Quando o mundo inteiro parecia me sufocar

Você em nenhum momento me deixou na mão

Aturou minha voz desafinada e o meu violão



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu

quinta-feira, 7 de maio de 2009

fridisrantis

a despedida teve como trilha sonora o motor de um barco.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

se eu fosse um deus, dos bons, mandaria mudar as ruas e calçadas de lugar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

mandei acender velas.

Um culto à ignorância

Não tem coisa melhor do que não saber das coisas. Digo mais, não tem coisa melhor do que não entender nada. Se você não sabe e não quer saber, te livra da responsabilidade de se manifestar sobre qualquer coisa. É a liberdade da ignorância. É um direito de escolha e não tem nada a ver com sabonete. É uma escolha que só quem não é, pode ter. É feita em sã consciência. É a liberdade de ser quem se quer e de fazer com que os outros saibam que o querer é muito mais íntimo que qualquer coisa que se diga. É olhar pelos olhos com filtro, só passa o que convém. É respirar ar puro, longe de esgotos, galinheiros, de mauzoléus e pseudo igrejas cujos cultos não são à ignorância. É ouvir que há tiroteios em bibliotecas e se conformar: "Pelo menos eles procuraram um lugar com ar condicionado para ir". É ouvir tantas coisas e sorrir sem medo de ser feliz, sem culpa e sem nenhuma dor no peito, repito, sem nenhuma dor no peito!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

depois de meses, quase ano, na escuridão, posso afirmar com toda a certeza que agora que vejo luz, sinto falta do escuro.

domingo, 3 de maio de 2009

eu vi a luz
e chorei.
por dentro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Contos de cantos II

No jantar, muitas teias de aranha em um restaurante cujo nome segue as regras gramaticais de nomes por aqui. A união de um casal chamado Osvanda e Cleilson, que por sua vez pode ter sido fruto de outra união nomenclatural, dá o Osvailson. Franscisco e Jurinete: Franscisnete. Maria e Nelson...hmmm deixa pra lá. Caromila era o nome do lugar. Comida boa. Cara de clube noturno com uns bancos acolchoados, alaranjados e encardidos. Imaginei um cano de striptease no meio do restaurante. Imaginei minhas costas grudadas de suor naquele couro, napa sujo. Com o calor que fazia eu imaginei também milhões de outras costas outrora grudadas ali. Me distraí -ainda bem- quando a atendente educada chegou perguntando: ‘e aí, qual vai ser?’ Para conseguir um bom atendimento nem pagando 50 % de taxa de serviço. Sorriso? nem pra gringo. Poupava dentes e músculos da face. Vai ver ela não tinha dentes ou vai ver que eles tinham cáries aparentes. Tinha o olhar triste e odioso para tudo e todos aqueles que viviam. Chegava a ser engraçado. Filhote frito com limão, cebola, arroz e guaraná Baré para acompanhar. Nada melhor para nutrir uma pessoa cujo almoço tinha sido um pastel de carne -em miniatura- e uma coca-cola. No caminho de volta pro hotel, tendo gasto o que me restava de educação e simpatia com a moça, eu vi um anão jogando sinuca. Foi muito, mas muito bizarro.

As casas parecem ter sido construídas pelo mesmo marceneiro. Sem exageros, todas as fachadas são iguais, com telhados arredondados que lembram templos chineses. Em Boca do Acre não existem engenheiros, muito menos arquitetos. Fato. Escadas e seus degraus uns maiores que os outros, degraus maiores e menores que os pés. Eu tenho o pé grande e consegui subir com dificuldade algumas escadas, mas e quem tem o pé maior? Sobe escada na ponta dos mesmos. Ao ver o rio, eu tive medo. Não vou mentir. Muita água, sem barrancos e o asfalto da rua acaba na beira do rio. Era imenso e eu só esperava ver outro boto rosa. Outro fato: para cada cinco pessoas existe uma igreja. É, lá em Boca, só Deus mesmo. Meu ombro arde e pretendo tomar dois banhos amanhã. Um deles vai ser de bloqueador solar. Tenho saudades já. Penso bastante antes de dormir. Dormi.

O dia amanheceu chuvoso, mas o céu indica que o sol vai sair em breve. Meus ombros ainda doem. Pode parecer exagero, mas acho que ganhei uma queimadura de primeiro grau. O ar condicionado sem filtro deixou minha voz rouca e sexy. Fui pra frente do espelho e comecei a imitar uma cantora negra, fazendo caras, bocas e cabelos. Sinto vergonha disso. O café, leite, pão, queijo e bananas serviram como primeira refeição do dia. Teve suco de maracujá também. Uma das coisas que eu não entendo é porque a numeração dos quartos ou salas de um prédio começam sempre na casa dos 100. Me faz parecer que antes do meu quarto 108, existem mais 107 quartos, o que não faz o menor sentido em um prédio de 3 andares e 8 quartos. Acho que o zero à direita deixa as coisas mais bonitas e pomposas.

Não se consegue ouvir o canto dos pássaros. Eles são substituídos pelos motores dos barcos, catraias, voadeiras, passeios, batelões e outros tipos de embarcações, que têm motor. É quase uma sinfonia, porém, sem nenhuma sintonia. Existem muitas pessoas nas ruas sem fazer nada.

- Sou carregador. Ajudo as pessoas a carregar as coisas dos barcos quando precisam. De R$ 5,00 a R$ 10,00.

- Sou observador. Observo as pessoas quando precisam e quando não. R$ 3,00

- Sou conversador. Converso com as pessoas quando precisam, mas comigo é de graça. Não cobro nada. São profissões que deveriam ter reconhecimento social. Receber direitos trabalhistas e essas coisas, reclamavam. Falamos até inglês:'Give me some money?' , 'Go to Mapiá?'

Café da manhã reforçado. Acho que a moça da cozinha sabia que estávamos de partida. Bananas, mamão, café, leite, queijo, ovos mexidos, mandioca cozida. O barco ia mais pesado do que esperávamos. Após comprarmos a gasolina para o motor, carregarmos o barco com comida, água e nossas coisas, partimos descendo o Rio Purus, 10h da manhã. Rio caldaloso, agitado e cheio de balseiros. Balseiros são pedaços de pau, árvores inteiras, que são arrancadas pela força das águas, das margens e seguem junto com a correnteza, rio abaixo. Haviam árvores submersas, só com algumas folhas emergindo para fora. Duas horas depois o rio fica mais calmo. Cor e textura de doce de leite, infelizmente, gosto não. Quer dizer, gosto não sei, não tive coragem de provar.

(...)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

me
n
trist
ec's

Rio Branco está crescendo ou eu estou diminuindo?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

sinceridade: súbito devaneio temporário.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contundente.


A vida, como toda vida minha, vida nossa, vida dos outros, é cheia de correlações. Afinal, tudo que vive, já disse isso algumas vezes, vive em um meio onde outras vidas vivem e em algum momento suas vidas acabam fazendo parte uma da outra, mesmo que seja de passagem, mesmo que seja apenas uma menção, mesmo que seja apenas mais um braço roxo, apenas uma especulação, enfim.

O emprego que se tem hoje, com certeza tem uma correlação com alguma pessoa que conhece você, que indica, que dá boas referências e que nem sempre elas são verdadeiras. Aqui no Acre o quem indica não se preocupa muito com o que a pessoa realmente é, e sim, pelo que ela aparenta ser, pelo que você pode oferecer, quem são seu pais, primos, tios, qual a recompensa que está por vir. um favor futuro. Diria que um investimento a longo prazo. Acho que isso não existe só aqui, não. Para alguns isso é até bom. Imagine só se todos se mostrassem ser quem realmente são. Pausa. Vixe, quero nem imaginar os problemas que isso causaria.

Eu poderia citar muitos outros exemplos de correlação, mas se eu o fizesse, perderia o meu enfoque. Ninguém gosta de perder o foco, mesmo que usando óculos e fazendo careta feia pra enxergar. Mesmo que sem óculos a careta e a feiura continue, ninguém gosta de perder o controle da visão, já que outros controles de outros sentidos e sentidas nem sempre se pode ter o controle. Perdi o foco!

Juízo. Isso, juízo. Não aquele que se julga ou se é julgado. Não pela justiça e nem pelas línguas da moda, muito menos, esse muito menos do que os outros menos, pelas pessoas que detém do poder da disseminação das informações. Neste se encaixam todos os profissionais que lidam com a palavra e os não profissionais também, os amadores. amam dores. Juízo: recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis. Esse também não.

O juízo que me refiro nasce biologicamente, organicamente, falando. Nasce e cresce e dói. Sai rasgando, sem pedir licença, exigindo seu espaço, afinal é o último, o bãm-bãm-bãm. É fruto de uma adaptação evolutiva, se eu não fosse tão moderna, citaria a teoria de Lamark (adoro o lamark). Antes ele tinha um lugar reservado, hoje aqui não mais. Tem que conquistar, a muito custo, financeiro inclusive, e trabalho. Trabalha todos os dias, paulatinamente, precisamente, incisivamente, dolorosamente: CISO.

Voltando às correlações. Conheço muitas pessoas que precisaram de intervenções para que que o dito cujo, o juízo, pudesse se fazer presente em suas vidas. Umas bem cedo, outras, mais tarde, ou seja cedo ou tarde ele há de vir. Que correlação que há com o nascimento de um dente com o juízo da pessoa? Sim, pois antigamente o dente nascia bem mais cedo, por volta dos 18, 17 anos, não sei ao certo, o que as pessoas associavam também à uma nova fase da vida, mais responsável, mais concisa, com ciso. Eu, nos meus altos e baixos 21 anos, estou em pleno processo de juizamento, literalmente. Atinjo a maioridade, tenho uma profissão, tenho um cartão de crédito, título de eleitor e uma carteira de motorista, tenho meus primeiros , segundos e terceiros atos julgados, tenho uma nova fase da minha vida, linda, tão clara que posso ver além do horizonte, sem romantismos, e ainda tenho cisos nascendo. A dor da responsabiliade é na boca. Talvez eu precise também de intervenção, talvez eu nem precise de dentes, mas tem gente que a idade (pouca ou muita) não tem correlação nenhuma com juízo. Lhes faltariam dentes por isso?



Sabia que eu vou arrancar um dente?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Para sair de casa precisava de chaves. Sim, claro. Portões para abrir, passar, sair, fechar. Era simples. Por portas e maçanetas passavam mãos cujas digitais por ali ficavam, sim. Banheiro, quarto, cozinha, portão da frente, portão mais à frente, porta automática dianteira, porta automática lateral. Sim, sim e sim. Todos os dias, menos os de chuva, com olhos ainda fechados, asfaltos malacabados por bicicletas e caminhões vorazes pela pressa, sim. Às vezes alguns pássaros acompanhavam, mas sem se fazerem percebidos. Por aqui existem pássaros tímidos.

Nunca desconfie dos seus sentidos, repetia. Também nunca acredite completamente neles. Pessoas pessimistas não devem acreditar no que pensam, mesmo sabendo que no fim, no fim mesmo, tudo dá merda. E se não deu merda, é por que ainda não chegou ao fim. Afinal, o que são os pensamentos senão prováveis mentiras contadas de dentro pra fora? Pessoas otimistas também não devem acreditar em si. Nem tudo é feito de algodão doce além do horizonte. Desconfie de tudo que vive, aconselho. Claro, afinal, tudo que vive, possui vida, consome oxigênio, insumos,- refiro-me também aos alimentos - água, ocupa espaço e entre outras coisas que entram em conflito com o seu universo particular de uma forma ou outra, mesmo que o universo não seja tão particular assim ou que tenha apenas uma estrela, sem constelações ou coisas cósmicas, mesmo que você more no Acre ou na China. Coisas que não sei o nome e nunca vi, mas assim como os E.Ts, sabemos que existem. Gosmas feitas de gomas cósmicas ou algo do tipo dos ninhos dos mafagafinhos mafagáfagos.

Falando em coisas que não se vê, corpos vivos com suas funções vitais funcionando em condições adequadas mantém a temperatura interna variando entre 34 a 37 °C. Depende do metabolismo, no estado de saúde, do nível de álcool ou outras substâncias, e até período menstrual, no caso das mulheres. Também as xxx, os xxx e as xxx, diga-se de pastagem. Assim, como todas as outras energias em forma de calor, este, o próprio, excede os limites internos corporais, decide-se sair, parte sem vontade de voltar em busca de novos horizontes. Horizontes não necessariamente são horizontais. Assim como quem não tem canino caça com equíno, sem trema, agora.

Fato é que o sonho de todo calor interno é encontrar uma brisa, corrente de ar ou outro lugar quentinho, semelhante ao de onde saiu. Assim como quando percebemos o quão bom é dormir de conchinha por lembrar a posição que nos deixava confortável no útero de nossas mães. Ah, se era. Conseguem fugir por todos os lugares. Fugir não. Tem liberdade e direitos de ir e vir, assim como todo pedestre e toda pessoa, ser humana, que se diz livre e gozar dos seus direitos. É, gozar. É, liberdade. Se diz, sim. Calorzinhos saem à procura de narizes, sim. Calorzinhos trazem consigo moléculas de substâncias poderosíssimas capazes enebriar qualquer ébrio ou sóbrio anônimo ou assumido de forma inexplicável. Moléculas contém combinações perfeitas, encaixes, porta e fechadura, porca e parafuso, quebra-cabeça, palavras cruzadas, complete a frase. Assim como toda tampa tem sua panela, mesmo que seja uma frigideira. Grande engenharia química!

Para voltar pra casa, mais chaves. Chave superior, chave inferior, portas, segundo número ímpar, primo e primeiro número par, eletricidade, automatismo, tecnologia, porta, barulho (cuidado), chave, tecnologia, porta, chave, botões, portão um, portão dois, barulho (cuidado), porta, chave, portão, porta, sai cachorro!porta, chave, escada, porta. Por fim: cama, calorzinho bom, pássaros tímidos em cantorias escuras pela janela. Não tem maçaneta, nem porta e nem chave. Não tem loucura, telefone e muito menos telemensagem.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Just pretend

finge suco de limão para não assumir jujubas coloridas.

Acretino tu, Acretina ela.

E o movimento Acretinos toma forças novamente.

TEM COISAS MAIS INTERESSANTES AQUI DO QUE ISSO QUE PROCURAS!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

escorrendo.

que seja a cópia mal feita.
dos males, o menor.

Móveis

dóem os olhos ao ver. dói também um pouco mais em baixo. chocolate mal comido. papel higiênico sujo, não limpo, fétido e encardido por orifícios que há de haver um dia alguém capaz de contar quantos. mas ninguém conta, ninguém viu. é tudo na surdina da berlinda da casa adjascente. Geme baixo, porra, podem nos ouvir. Não me importo, a quem deves? muro baixo, portão frouxo, cópia de chave. cães, galinhas, gatos talvez. gatos são bichos imundos. testemunhos. Combinam até, dizia. esquivos. corninha. a corja vibra. a torcida organizada estremece. paquitas lamentam serem meras coadjuvantes. talvez não: Deus tem planos para mim, eu sei que hão de vir - suspirava ares condicionados. cabelos, nús em pêlos, esticados. há vida lá fora, coquinha, ah se há.


Pegou a estrada. Disse que apenas seguiria as linhas amarelas. claro, mentira. tinha destino certo. certamente não falou nem mesmo pra si onde iria, para não sentir remorso. esse já era seu amigo de fé e irmão camarada, carne de ungulado, sangue de rato. pegou um caderninho. números de telefones. discou o de sempre. claro que não iria deixar anotado na agenda do celular. pseudônimo. Oi, chove e quero abrigo. lama, sapos e maçaneta. Toma, uma toalha. Procuro a vida lá fora, desabafou. Você e essa sua busca incessante. Eu sei, eu sei, que você não cansa, vai ser assim até o fim, do jeito que teus, ou quase teus, foram, talvez melhor, afinal, adaptabilidade é a palavra do momento. é portabilidade, vagabunda. é, também.

domingo, 12 de abril de 2009

Awayrrí.

tomara que doismilenove tenha muitos outros feriados.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

não gosto de fazer parte da vida das pessoas que eu não faço parte. nem em fotografias.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Das meias verdades

é na terceirização da primeira pessoa que se consegue o anonimato.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dos nuncas

- Nunca, mas nunca mesmo, desconfie dos seus sentidos. Principalmente do sexto.
- Nunca dê 100% de si. Guarde pelo menos uns 10% para situações desagradáveis.

ontem eu chovi.

terça-feira, 7 de abril de 2009

conversas de calcanhares batidos e feridos, por pernas tortas do andar desviado, por fim.

Romanticismo culposo.

Saiu-se peidando-se com medo de si mesmo, copiando e repetindo palavras que nem papagaio, verde idem, triste sempre. com amargura na boca, gosto ruim de nome eufêmico, lágrimas de réptil orgulhoso nos olhos: tinha medo de voltar. olhos de animal abandonado recém-nascido, não hesitou em assumir. como ser triste, muitas vezes, quase sempre, mas nunca era nada. Sempre era muito mais do que uma mera tristeza, daquelas com zê e com ésse mesmo. tinha problemas de pontuação. principamente com pontos finais. eram sempre reticências, das muitas vezes reticentes mesmo. Não estava só na arte de repetir e copiar, não mesmo.

Não se contentava com pouco, ambiciosidade era uma de suas características. não media esforços nem para o bem, muito menos para o mal, este também era uma de suas características que se orgulhava. batia no peito, culpando os antepassados que culpa nenhuma tem no cartório. talvez precisasse daquilo, cartório, processo, pena, crime e castigo pra dostoiévisky nenhum botar defeito, pois o sentimento de ter causado dor, só cessa ao causar mais e mais a outrém, sem esquecer de si mesmo, se é que se sente algo. sempre foi assim. usando artifícios dolosos e penosos a justificar seus atos falhos, seguiu seguindo a vida, não muito diferente do que costumava ser. Não tão breve, aos trancos e barrancos se apaixonou por uma folha de papel, casou-se com sua filha, a caneta, e foram morar com os parentes da sogra, num lugar apertado e aconchegante, onde todas as mentiras tinham frente e verso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

deveria sorrir mais pra vida, dizia.

precisa-se de poesia. escamba-se por inspiração.

me desculpe, mas você é tão moderna quanto suas calças jeans.

ói

bom mesmo é redescobrir as coisas
olhar com outros olhos
olhar com e sem lentes
olhar com os tímpanos
narinas e falanges
simplesmente olhar

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ú³ que beleza

abre a porta e vai entrando.

lembro, logo, resisto.

penso, logo, desisto.

Não se fazem passados como antes

em meio a noites em claro, no escuro
sinto que não posso suportar a luz do sol
clara com a noite, escura como o cegar dos raiares
doem, os olhos, e eu vejo todo o verde da manhã
sinto vontade de chorar, admito
dói em outro lugar
por que cada passo à frente
é um passo distante do que se foi
cada suspiro, é um pedaço de carne que fica
pedaços estes que se vão, ao vento, à água, ao sol, ao léu
no tempo em que era tudo tão simples: só ir
não se fazem passados como antes.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

se não é dó é dô.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mas quanta afinidade, quanta semelhança e sintonia! Acho que algo há uma dúzia de meses atrapalhou o caminhar do lado dali, sem ser o salvador, pro lado de lá. Desculpe mas estive sem alvará.

terça-feira, 31 de março de 2009

não era só o que faltava. não faltava nada mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

constatação

é no nojo e no desgosto que se consegue a paz ao seguir os 3 ésses do ensino médio: Siga Sempre Sorrindo.

piro. respiro. risco.
releio. re choro. re rio.
re coro. vermelho. revivo.
demoro. remorro. re freio.
relento. retorno. re sinto.
re paro. disparo. re lato. re grito.
relapso. remorso. recapto.
calypso. colapso nervoso.
re ódio. re dor. rê à deus.
ao redor adeus rente inconstante.
adeus mente, tu mentes
me despeço com teu semblante
re vês e re clamas ao fim
re julga re xinga re voodooa em mim

eu me perco, também, por papéis com letras quase ilegíveis. consigo decifrar por lembrar exatamente do momento em que escrevi. lembro no movimento dos meus dedos conduzindo o riscar. lembro do sol. lembro do frio. lembro do rio. acho que estou ficando muito regionalista mas também acho que não tem como fugir das influências e da inspiração ao redor.


domingo, 29 de março de 2009

reutilizável

me sinto reciclável e às vezes (mas só às) me sinto bem com isso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Contos de cantos

Dez para as dez. nove e cinquenta. ônibus cheio de faces estranhas e eu fiz questão de usar a minha melhor (face estranha) ao entrar. não era pior do que eu esperava. bom mesmo é não criar expectativas sobre as coisas. há animais amarrados como bagagens e crianças que em algumas horas estarão exercitando suas cordas vocais de maneira extrema e deseperadora, mesmo que o motivo não seja nem metade do expresso. afinal, é isso que crianças fazem: choram. o calor é o de sempre mas me parece que capricharam no dia de hoje. As vezes eu não vejo fundamento nas pessoas que tomam banho de manhã antes de sair de casa. não adianta muito pois depois de algumas horas já estão fedendo denovo. eu sei, pode parecer ser frescura, mas estou em pleno exercício de desfrescurização, afinal, vou passar alguns longe de casa, chuveiro e cama macia e higiene. É questão de sobrevivência: desfrescurisarás e sobreviverás.

Outra coisa que eu não consigo entender é por que as pessoas não tomam banho nesse calor que faz. As que vivem em lugares frios é até compreensível, mas o que eu acho realmente um absurdo é que se fossem esclarecidas e preocupadas com o meio ambiente, tudo bem, a desculpa seria a preservação dos recursos hídricos, a diminuição de deposição de dejetos químicos advindos dos produtos de limpeza à favor do bem estar do planeta. A gente sabe que é sem vergonhice mesmo.

Abel de Queiróz estava fazendo o seu trabalho, é o que ele fazia de melhor: conferir passagens. Infelizmente nem todas as pessoas que trabalham com venda de passagens de ônibus são pessoas legais como o Abel, que estava apenas fazendo o seu trabalho. Fui bem clara ao dizer: " quero uma poltrona que não pegue sol". Ele não tinha senso de direção e muito menos de humor quando eu perguntei se o nosso ônibus tinha ar-condicionado. Olhou pra mim, por cima das têmporas, deu meio sorriso e disse:"Você acha mesmo?". Eu realmente não achava mas tinha esperanças, oras. No final das contas eu peguei a poltrona premiada que se tivesse placa diria: " parabéns, você vai passar mais de 6h com o sol na moleira". E foi assim que segui viagem rezando para as nuvens me acompanharem.

Depois de buracos, lamas e bois eu acordei molhada de suor e com os ombros ardendo. Pois é, fiquei parecendo a bandeira do Japão por que nuvem nenhuma me acompanhou. Boca do Acre possui o maior rebanho bovino do estado do Amazonas, um frigorífico moderníssimo e muita gente pobre. semelhantes situações encontram-se muito perto das fronteiras. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o Acre, mas daí já é outra história. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o rio. e não perdeu por aposta, nem briga ou processo judicial. O rio tem autonomia e soberania sobre tudo e todos ao seu redor. Um praça, uma rua, casas inteiras se foram. Atentos a isso, a prefeitura municipal construiu uma cidade nova, 9 km longe do rio chamada Piquiá. Planejada, livre dos perigos do rio, é bem ajeitadinha. Mas quem disse que os ribeirinhos, as pessoas que moram na beira do rio, querem sair de lá? " Só saio daqui quando o rio me tirar". Ele trabalha como barqueiro atravessando pessoas de um lado pro outro do rio por apenas um real. No lugar onde ficamos ficava bem de frente ao encontro das águas do Rio Acre e do Rio Purus. Do outro lado do rio, Purus, na margem adjascente é um bairro de Boca do Acre chamado São Paulo. Achei graça quando vi o nome. Bem arrumadinho, diferente do outro lado onde a sujeira, o caos e o mal cheiro imperam. tem até quadra de esportes. tem até homossexuais andando na calçada de tijolo que corta todo o bairro. tem até uma fonte de água natural e limpa onde as pessoas enchem seus galões de água e juram ser água potável. com certeza é muito melhor do que beber a água do rio ou pagar 10R$ num galão com água mineral.

O lugar onde ficamos era conhecido meu. o melhor da cidade mas isso não significa muita coisa. não é mérito nenhum ser o menos pior dos piores. pelo menos tinha ar-condicionado (amém). Vassoura, pano de chão há muito tempo não se via por ali. No banheiro o dito box tinha apenas uma parte e eu tinha que deixar no meio e escolher qual lado eu queria molhar menos. era impossível não molhar fora. O chuveiro era voltado para a parede. Logo, para tomar banho, eu tinha que me encostar na parede e roubar um pouco de água que escorria por ela. Imagine a cena. Lembra que eu dei amém quanto ao ar condicionado? Pois é, mas quando vi que ele não tinha filtro nenhum, era apenas um buraco aberto saindo o vento frio do aparelho, meu nariz suspirou triste ao sentir os ácaros prolíferos do ar. No teto tinha um ventilador com uma palheta só e uma luz amarela no meio, daquelas que gastam bastante energia e liberam bastante calor. Agora eu parecia a bandeira da Angola.

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