please, don´t watch me dancing.
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Dos tempos
Sei que com o tempo isso foi passando. O tempo passou a ser uma mera palavra que não pesava em quilos, pesava em segundos e meus segundos são bem leves. Todos os meus seis relógios marcam uma hora diferente. Uns alguns minutos antes da meia noite, outros alguns minutos depois do nascer do sol. Meus horários favoritos. De dia viro flor e de noite viro bicho. Tem relógios que eu nem uso, me lembram tempos que eu não quero me lembrar. Tem uns que eu não consigo livrar do braço direito, que é o braço que eu mais gosto. Não sou canhota. Sou direita. Consegui abstrair seus tempos.
Mas a verdade mesmo é que hoje em dia não me preocupo com a pontualidade, apenas a dos meus ponteiros. Se é hora de acordar, em que relógio? Se é hora de cantar, com que galo? Foi-se o tempo que eu me preocupava com o passar dos passos apressados. Foi-se o tempo que 6h era o horário de acordar e 10h30, 10h32 eram os de durmir. Foi-se o tempo que eu contava as horas. Foi-se o tempo que minhas flores preferidas eram gérberas. Foi-se o tempo que minha pele era rosa.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Dos sonhos
- "Meus sonhos eram: aprender a ler e ser escritor." Tirou do saco um caderninho amassado de capa mole. Coqueiros e um mar azul.
- "Veja. eu que escrevi. Na verdade não escrevi, eu ditei e a minha vizinha escreveu pra mim. " Eram poesias. Eu já estava quase chorando.
O primeiro verso, o único que me lembro, dizia:
Não há tesouro no mundo capaz de ser maior que minha mãezinha
Não há tesouro maior, nem nos mares há.(...)
-"Um dia eu ainda vou publicar um livro. Vou largar essa banquinha de doces e vou ser famoso. Obrigada minha filha, por ajudar a montar a minha banquinha. Deus te dê todas as coias boas que ele não deu pra mim."
..
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Entrei no Ufac soluçando e pensando: hora de escrever um projeto.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
a gente nunca sabe o que fazer. acaba fazendo sem saber mesmo.
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bloguimeio.
testando postagens por e-mail. mas que maravilha!
--
Kaline Rossi
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domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
quando estou no céu,
Deus me dá uma bomba
de nuvens de presente
e quando ela explode
tudo se inunda
de azul turqueza
que é a minha cor.
é uma das minhas cores.
por que às vezes eu não tenho cor
me foge. me erra.
ei, morra aqui!
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Dia do Amor.
Falando sobre o fato consumado. As pessoas usam todos os tipos de estratégias mercadológicas, persuasivas e até sentimentais para aquecer a economia. Em tempos de aquecimento global e crise econômica eu não sei pra que lado ir quando se fala em consumismo. Chegando o tão falado 12 de junho, lojas vão enfeitando suas vitrines com corações, palavras bonitinhas, balões vermelhos, fotografias e preto e branco ( preto e branco é bem romântico, não acham?). Tudo para aquecer a economia local e atrair mais clientes. Esse é o intúito dessa data. Como todo mundo sabe, no mês de junho as vendas eram baixíssimas e decidiram criar um dia para que as pessoas tivessem um motivo para gastar seus dinheiros. Pumba! Nasce o dia dos namorados. Mas, e se o mercado dos namorados também estiver em crise?
Com o surgimento de relacionamento alternativos, por exemplo, onde se preza por um amor , paixão, tesão, livre, sem títulos de propriedade, direitos autorais ou de uso, por um amor que não se encaixe nos estados civis existentes na constituição brasileira, nos padrões mais aceitos socialmente, os 'namorados' estão virando raridade, coisa de velho, coisa de gente doida, coisa de gente insegura, coisa de gente...gente como você, como eu, como nós. Sabe-se que para toda prática extrema sempre surge uma alternativa. Temos como exemplo o vegetarianismo, o hiduísmo, o homossexualismo (na verdade eu sei que é homossexualidade, por que o sufixo ismo remete à doenças. e ser homossexual não significa ser doente. é só pra rimar), o feminismo, o namorismo, o ficandismos, o peguetismo e o simples Amor. O amor é uma alternativa, na minha opnião, a melhor de todas para tudo. Não precisa de status social e nem de certidão de posse ou propriedade. Não precisa pagar taxa de quebra de contrato ou de advogados. Quer dizer, de vez em quando precisa. Consideremos as situações normais. Desse amor livre que eu sou à favor. O que importa não é uma aliança de compromisso, é a aliança da alma. O que importa não é o sobrenome, o que importa é o que você realmente representa na vida da pessoa. É uma questão que se resolve à dois, à três ou à quatro para algumas pessoas, mas só se resolve com ele, com o sentimento, com o amor.
Para mulheres frágeis e pouco inteligentes emocionalmente, influenciáveis por essa pressão psicológica e idealista do mercado, dia 12 de junho só presta se você tiver um namorado ( não acredito que os homens sintam a mesma coisa. acho que só no aspecto de que todo mundo gosta de ganhar presentes, independente da data) é um dia muito triste, quando não se tem um namorado, é claro. Bridget Jones que o diga.
Por isso que depois da minha revolução verde, eu estou agora encabeçando (mesmo que seja só dentro da minha própria cabeça) a revolução do Amor. Devemos tirar essa idéia da cabeça que somos reféns dessas coisas que tentam colocar nas nossas cabeças, e muitas vezes conseguem. Não falo de chifres. Não se compra sentimento em nenhum lugar. O máximo que você pode fazer é comprar um sonho na padaria, só. Se você não se encaixa nesse contigente de pessoas 'namoradas' e sim, enamoradas, apaixonadas, não se sintam constrangidas nessa semana que antecede o dia daqueles que têm o título de namorados, em comprar uma lembrancinha, um chocolate, um carrinho de brinquedo, o que quer que seja para dar de presente, mas só se sentir vontade e não por obrigação. O amor não tem data, assim como o dia das mães, dia dos mortos e outros dias. Pra mim, dia 12 de junho e todos os outros dias no ano, é dia do praticar e exercer o AMOR!
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
- Há sempre algo de ridículo nas emoções da pessoa que se deixou de amar.
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terça-feira, 2 de junho de 2009
esse tempo frio me lembra os tempos que eu era outra pessoa. ainda bem que eu já tinha esquecido.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
oração verde.
"Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. A terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas como sangue une uma família. Há uma ligação em tudo. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. O homem não tece a teia da vida, ele é apenas um fio. Tudo que faz à teia ele faz à si mesmo."
Amém.
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domingo, 31 de maio de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
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fazei o bem sem olhar a quem. então compra uma máscara aí, maninha, por que com essa tua cara aí fica difícil.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Placas
Uns dias antes, ao sair de casa eu vi alguma coisa escrevendo com nuvens o céu. Ué, nuvem não escreve. Ando tão distraída que imaginei a palavra escrita: 'avião'. Às vezes eu também me imagino morrida. Que bizarro por que eu não era convidada pro enterro. Eu olhava tudo de cima e não entendia nada. Vi gente pingando colírio, fingindo chover. Vi gente rindo, gargalhando por fora e por dentro. Tinha alguns que choravam de verdade, mas alguns só faziam caretas. Caraca, como você é feia, ainda bem que eu nunca mais vou te ver, desabafei . As lentes dos óculos escuros não eram tão escuras assim. Alguns relinchavam: 'acho é pouco. ela mereceu, fazer o que né? é a vida'. Tinha uns que se amassavam no canto do muro aproveitando que as atenções estavam voltadas para a minha mãe. Ela chorava que eu fiquei com vontade de chorar também. Segurava a minha mão de dedos roídos. Ainda tinha um pouco de esmalte vermelho. Culpa da funerária que não me limpou direito. Dentre os 'porquês, aonde eu errei, a culpa é minha, a culpa é daquele desgraçado, Deus que quiz assim, não foi Deus quem quiz, tinha um futuro longo pela frente, pelo menos vou ficar com o guarda roupa dela, ela me devia dinheiro, ela me devia um homem, ela planejava viajar com o marido, ele não tinha fotografias, ela esteve grávida, pretendia comprar um cachorro novo, derrubar uns mil metros cúbicos pra fazer mesas e salas de estar, ela não era toda de verdade, deveria ter arrumado a bicicleta, estava ficando meio gorda, eu gostava da banda dela, mas acho que ela pagava de gatinha, eu achava ela bonita, mas era metida, era metida por que se achava superior a tudo e todas, e era, se não fosse não teria tanta gente aqui, fingindo, fingindo? fazendo contatos, tem uma festa alternativa daqui a pouco, ela gostava de limão e de bebidas coloridas, que se foda ela não está mais aqui mesmo, ele está solteiro, eu achava que ela era lésbica, fazia bruxaria, gostava de estacionamentos, tinha uma pilha de livros não lidos, comprados e dados, dizem que ela tinha cleptomania, que horas vai ser o enterro? o pai dela não bebeu hoje, será que ela ainda guarda aquela carta? ela não possuía títulos e era muito feliz', eu me despedia confecionando a minha última placa:"Aqui jaz"
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Não se preocupe com sua vida. Há sempre alguém pra cuidar dela.
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domingo, 24 de maio de 2009
às vezes eu queria ter um controle remoto igual do filme Click. Como eu já assisti o filme, ia saber usá-lo de maneira prudente.
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Monólogos
.acho que Deus escreveu meu destino em braile por que juro, juro mesmo, que não sei.
. a samaúma deu flor.
. ás vezes eu queria poder ajudar mas seria como sentenciar-se ao mesmo mal.
.eu sempre gostei de telefones públicos.
.alguns insetos exalam um odor não muito agradável.
.não consigo me livrar do relógio verde.
.uso o relógio no braço direito mas não sou canhota. eu gosto do meu braço direito.
.a vida é longa e dura. complete a frase.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
das bizarrices e futilidades kalinianas
Ainda bem que Gisele e eu não temos o mesmo gosto pras coisas. haha!
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
bizarriceas kalinaceas
acordei com as mãos arranhadas de balançar contra a parede que tem grafiato.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
constatação
o tempo passa mais devagar quando contamos os dias.
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terça-feira, 19 de maio de 2009
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaahhhhh
tenho um sorriso que não cabe na boca. e olha que minha boca é grande.
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das impressões matutinas
às vezes me incomodam esses passos sobre a minha cabeça.
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Podemos estar falando
Tenho professores graduados, mestrados e doutorados em Engenharia Florestal mas com especialização em Gerúndio.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Não esqueço do dia que te dei um sorriso de presente. Nele havia, aos montes, toneladas de sujeiras alheias. Havia sim, a cor do amarelo cor da tua pele suja sem banho. A cor da parede que você queria pintar para parecer menos gélido. Eu me limpei. O branco não é pra todos. É que nem a noiva virgem ao usar. Que piada, noiva. Que piada, virgem. Não distribuo tapinhas nas costas de graça. Não imploro por atenção: Oi?Fala comigo? Você é nova aqui, não vês que esse é meu harém?. Não. Meu cartél é feito por variações pessoais, personificações (adoro essa palavra) do eu mutante. Mutante como a flor laranja que de tanto sol, aquele tão necessário para a vida verde, vira amarela desbotada, como a tua cor pseudo estrangeira. As vezes a gente pode se surpreender. Nesses dias de ventos frios do sul, às vezes me sinto xenofobista. Preciso mandar fazer cobertores de orelhas sob medida.
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sábado, 16 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Arquitetura de merda*
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Do espírito de
"Não basta termos um bom espírito. O mais importante é aplicá-lo bem."
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não, não não me compares com aquele que voa e canta
nem aos pares das memórias coloridas sonoras
daquele pássaro vermelho nem lembranças tenho
voou pra longe e pra longe de mim
obrigada! pra longe da minha memória fraca
-amém (coral infantil)
não, não me venha com cantarolas, bandeirolas e nem caramelos
pega logo esse teu suco de limão sem doce e enfia
na cara ou em outro lugar qualquer
para de fingir jujubas coloridas
quando na tua cama a pelúcia é do cão ou outro animal virulento
que te dá alergia de morte
alegria, alegria!
ganhaste a carta áurea?
de que te serve se nem cor tens?
desculpa, mas eu nunca acreditei em religião
e o que tem escrito lá
é mais bonito de se ver atrás das grades
comendo o pão que teu amigo amassou
lendo teoremas de Descartes
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Ela pergunta e ele responde.
- Se você fosse uma flor, qual flor seria?
- Comigo ninguém pode.
.
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domingo, 10 de maio de 2009
Assim, meio penso.
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sábado, 9 de maio de 2009
Da macumba mal feita.
Não morreu mãe, mas morreu cão e cadela.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
Dono sem cão- Frida Kahlo
Você só pedia um pouco da minha atenção
E eu quase sempre te dizia não
Você gostava de andar sempre ao meu lado
Eu te chutava, te mandava embora, te chamava de chato
Mas de repente você partiu
E a gente nem se despediu
O que restou, além dessa canção
Fui eu, mais um dono sem cão
E de repente você partiu
E a gente nem se despediu
Então te procurava pra desabafar
Quando o mundo inteiro parecia me sufocar
Você em nenhum momento me deixou na mão
Aturou minha voz desafinada e o meu violão
Mas de repente você partiu
E a gente nem se despediu
O que restou, além dessa canção
Fui eu, mais um dono sem cão
E de repente você partiu
E a gente nem se despediu
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
a despedida teve como trilha sonora o motor de um barco.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
se eu fosse um deus, dos bons, mandaria mudar as ruas e calçadas de lugar.
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terça-feira, 5 de maio de 2009
Um culto à ignorância
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
depois de meses, quase ano, na escuridão, posso afirmar com toda a certeza que agora que vejo luz, sinto falta do escuro.
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domingo, 3 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Contos de cantos II
As casas parecem ter sido construídas pelo mesmo marceneiro. Sem exageros, todas as fachadas são iguais, com telhados arredondados que lembram templos chineses. Em Boca do Acre não existem engenheiros, muito menos arquitetos. Fato. Escadas e seus degraus uns maiores que os outros, degraus maiores e menores que os pés. Eu tenho o pé grande e consegui subir com dificuldade algumas escadas, mas e quem tem o pé maior? Sobe escada na ponta dos mesmos. Ao ver o rio, eu tive medo. Não vou mentir. Muita água, sem barrancos e o asfalto da rua acaba na beira do rio. Era imenso e eu só esperava ver outro boto rosa. Outro fato: para cada cinco pessoas existe uma igreja. É, lá em Boca, só Deus mesmo. Meu ombro arde e pretendo tomar dois banhos amanhã. Um deles vai ser de bloqueador solar. Tenho saudades já. Penso bastante antes de dormir. Dormi.
O dia amanheceu chuvoso, mas o céu indica que o sol vai sair em breve. Meus ombros ainda doem. Pode parecer exagero, mas acho que ganhei uma queimadura de primeiro grau. O ar condicionado sem filtro deixou minha voz rouca e sexy. Fui pra frente do espelho e comecei a imitar uma cantora negra, fazendo caras, bocas e cabelos. Sinto vergonha disso. O café, leite, pão, queijo e bananas serviram como primeira refeição do dia. Teve suco de maracujá também. Uma das coisas que eu não entendo é porque a numeração dos quartos ou salas de um prédio começam sempre na casa dos 100. Me faz parecer que antes do meu quarto 108, existem mais 107 quartos, o que não faz o menor sentido em um prédio de 3 andares e 8 quartos. Acho que o zero à direita deixa as coisas mais bonitas e pomposas.
Não se consegue ouvir o canto dos pássaros. Eles são substituídos pelos motores dos barcos, catraias, voadeiras, passeios, batelões e outros tipos de embarcações, que têm motor. É quase uma sinfonia, porém, sem nenhuma sintonia. Existem muitas pessoas nas ruas sem fazer nada.
- Sou carregador. Ajudo as pessoas a carregar as coisas dos barcos quando precisam. De R$ 5,00 a R$ 10,00.
- Sou observador. Observo as pessoas quando precisam e quando não. R$ 3,00
- Sou conversador. Converso com as pessoas quando precisam, mas comigo é de graça. Não cobro nada. São profissões que deveriam ter reconhecimento social. Receber direitos trabalhistas e essas coisas, reclamavam. Falamos até inglês:'Give me some money?' , 'Go to Mapiá?'
Café da manhã reforçado. Acho que a moça da cozinha sabia que estávamos de partida. Bananas, mamão, café, leite, queijo, ovos mexidos, mandioca cozida. O barco ia mais pesado do que esperávamos. Após comprarmos a gasolina para o motor, carregarmos o barco com comida, água e nossas coisas, partimos descendo o Rio Purus, 10h da manhã. Rio caldaloso, agitado e cheio de balseiros. Balseiros são pedaços de pau, árvores inteiras, que são arrancadas pela força das águas, das margens e seguem junto com a correnteza, rio abaixo. Haviam árvores submersas, só com algumas folhas emergindo para fora. Duas horas depois o rio fica mais calmo. Cor e textura de doce de leite, infelizmente, gosto não. Quer dizer, gosto não sei, não tive coragem de provar.
(...)
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Contundente.
O emprego que se tem hoje, com certeza tem uma correlação com alguma pessoa que conhece você, que indica, que dá boas referências e que nem sempre elas são verdadeiras. Aqui no Acre o quem indica não se preocupa muito com o que a pessoa realmente é, e sim, pelo que ela aparenta ser, pelo que você pode oferecer, quem são seu pais, primos, tios, qual a recompensa que está por vir. um favor futuro. Diria que um investimento a longo prazo. Acho que isso não existe só aqui, não. Para alguns isso é até bom. Imagine só se todos se mostrassem ser quem realmente são. Pausa. Vixe, quero nem imaginar os problemas que isso causaria.
Eu poderia citar muitos outros exemplos de correlação, mas se eu o fizesse, perderia o meu enfoque. Ninguém gosta de perder o foco, mesmo que usando óculos e fazendo careta feia pra enxergar. Mesmo que sem óculos a careta e a feiura continue, ninguém gosta de perder o controle da visão, já que outros controles de outros sentidos e sentidas nem sempre se pode ter o controle. Perdi o foco!
Juízo. Isso, juízo. Não aquele que se julga ou se é julgado. Não pela justiça e nem pelas línguas da moda, muito menos, esse muito menos do que os outros menos, pelas pessoas que detém do poder da disseminação das informações. Neste se encaixam todos os profissionais que lidam com a palavra e os não profissionais também, os amadores. amam dores. Juízo: recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis. Esse também não.
O juízo que me refiro nasce biologicamente, organicamente, falando. Nasce e cresce e dói. Sai rasgando, sem pedir licença, exigindo seu espaço, afinal é o último, o bãm-bãm-bãm. É fruto de uma adaptação evolutiva, se eu não fosse tão moderna, citaria a teoria de Lamark (adoro o lamark). Antes ele tinha um lugar reservado, hoje aqui não mais. Tem que conquistar, a muito custo, financeiro inclusive, e trabalho. Trabalha todos os dias, paulatinamente, precisamente, incisivamente, dolorosamente: CISO.
Voltando às correlações. Conheço muitas pessoas que precisaram de intervenções para que que o dito cujo, o juízo, pudesse se fazer presente em suas vidas. Umas bem cedo, outras, mais tarde, ou seja cedo ou tarde ele há de vir. Que correlação que há com o nascimento de um dente com o juízo da pessoa? Sim, pois antigamente o dente nascia bem mais cedo, por volta dos 18, 17 anos, não sei ao certo, o que as pessoas associavam também à uma nova fase da vida, mais responsável, mais concisa, com ciso. Eu, nos meus altos e baixos 21 anos, estou em pleno processo de juizamento, literalmente. Atinjo a maioridade, tenho uma profissão, tenho um cartão de crédito, título de eleitor e uma carteira de motorista, tenho meus primeiros , segundos e terceiros atos julgados, tenho uma nova fase da minha vida, linda, tão clara que posso ver além do horizonte, sem romantismos, e ainda tenho cisos nascendo. A dor da responsabiliade é na boca. Talvez eu precise também de intervenção, talvez eu nem precise de dentes, mas tem gente que a idade (pouca ou muita) não tem correlação nenhuma com juízo. Lhes faltariam dentes por isso?
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Nunca desconfie dos seus sentidos, repetia. Também nunca acredite completamente neles. Pessoas pessimistas não devem acreditar no que pensam, mesmo sabendo que no fim, no fim mesmo, tudo dá merda. E se não deu merda, é por que ainda não chegou ao fim. Afinal, o que são os pensamentos senão prováveis mentiras contadas de dentro pra fora? Pessoas otimistas também não devem acreditar em si. Nem tudo é feito de algodão doce além do horizonte. Desconfie de tudo que vive, aconselho. Claro, afinal, tudo que vive, possui vida, consome oxigênio, insumos,- refiro-me também aos alimentos - água, ocupa espaço e entre outras coisas que entram em conflito com o seu universo particular de uma forma ou outra, mesmo que o universo não seja tão particular assim ou que tenha apenas uma estrela, sem constelações ou coisas cósmicas, mesmo que você more no Acre ou na China. Coisas que não sei o nome e nunca vi, mas assim como os E.Ts, sabemos que existem. Gosmas feitas de gomas cósmicas ou algo do tipo dos ninhos dos mafagafinhos mafagáfagos.
Falando em coisas que não se vê, corpos vivos com suas funções vitais funcionando em condições adequadas mantém a temperatura interna variando entre 34 a 37 °C. Depende do metabolismo, no estado de saúde, do nível de álcool ou outras substâncias, e até período menstrual, no caso das mulheres. Também as xxx, os xxx e as xxx, diga-se de pastagem. Assim, como todas as outras energias em forma de calor, este, o próprio, excede os limites internos corporais, decide-se sair, parte sem vontade de voltar em busca de novos horizontes. Horizontes não necessariamente são horizontais. Assim como quem não tem canino caça com equíno, sem trema, agora.
Fato é que o sonho de todo calor interno é encontrar uma brisa, corrente de ar ou outro lugar quentinho, semelhante ao de onde saiu. Assim como quando percebemos o quão bom é dormir de conchinha por lembrar a posição que nos deixava confortável no útero de nossas mães. Ah, se era. Conseguem fugir por todos os lugares. Fugir não. Tem liberdade e direitos de ir e vir, assim como todo pedestre e toda pessoa, ser humana, que se diz livre e gozar dos seus direitos. É, gozar. É, liberdade. Se diz, sim. Calorzinhos saem à procura de narizes, sim. Calorzinhos trazem consigo moléculas de substâncias poderosíssimas capazes enebriar qualquer ébrio ou sóbrio anônimo ou assumido de forma inexplicável. Moléculas contém combinações perfeitas, encaixes, porta e fechadura, porca e parafuso, quebra-cabeça, palavras cruzadas, complete a frase. Assim como toda tampa tem sua panela, mesmo que seja uma frigideira. Grande engenharia química!
Para voltar pra casa, mais chaves. Chave superior, chave inferior, portas, segundo número ímpar, primo e primeiro número par, eletricidade, automatismo, tecnologia, porta, barulho (cuidado), chave, tecnologia, porta, chave, botões, portão um, portão dois, barulho (cuidado), porta, chave, portão, porta, sai cachorro!porta, chave, escada, porta. Por fim: cama, calorzinho bom, pássaros tímidos em cantorias escuras pela janela. Não tem maçaneta, nem porta e nem chave. Não tem loucura, telefone e muito menos telemensagem.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Just pretend
finge suco de limão para não assumir jujubas coloridas.
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Kaline Rossi
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Acretino tu, Acretina ela.
E o movimento Acretinos toma forças novamente.
TEM COISAS MAIS INTERESSANTES AQUI DO QUE ISSO QUE PROCURAS!
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Móveis
Pegou a estrada. Disse que apenas seguiria as linhas amarelas. claro, mentira. tinha destino certo. certamente não falou nem mesmo pra si onde iria, para não sentir remorso. esse já era seu amigo de fé e irmão camarada, carne de ungulado, sangue de rato. pegou um caderninho. números de telefones. discou o de sempre. claro que não iria deixar anotado na agenda do celular. pseudônimo. Oi, chove e quero abrigo. lama, sapos e maçaneta. Toma, uma toalha. Procuro a vida lá fora, desabafou. Você e essa sua busca incessante. Eu sei, eu sei, que você não cansa, vai ser assim até o fim, do jeito que teus, ou quase teus, foram, talvez melhor, afinal, adaptabilidade é a palavra do momento. é portabilidade, vagabunda. é, também.
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domingo, 12 de abril de 2009
Awayrrí.
tomara que doismilenove tenha muitos outros feriados.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
não gosto de fazer parte da vida das pessoas que eu não faço parte. nem em fotografias.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
Das meias verdades
é na terceirização da primeira pessoa que se consegue o anonimato.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Dos nuncas
- Nunca dê 100% de si. Guarde pelo menos uns 10% para situações desagradáveis.
ontem eu chovi.
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terça-feira, 7 de abril de 2009
conversas de calcanhares batidos e feridos, por pernas tortas do andar desviado, por fim.
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Romanticismo culposo.
Não se contentava com pouco, ambiciosidade era uma de suas características. não media esforços nem para o bem, muito menos para o mal, este também era uma de suas características que se orgulhava. batia no peito, culpando os antepassados que culpa nenhuma tem no cartório. talvez precisasse daquilo, cartório, processo, pena, crime e castigo pra dostoiévisky nenhum botar defeito, pois o sentimento de ter causado dor, só cessa ao causar mais e mais a outrém, sem esquecer de si mesmo, se é que se sente algo. sempre foi assim. usando artifícios dolosos e penosos a justificar seus atos falhos, seguiu seguindo a vida, não muito diferente do que costumava ser. Não tão breve, aos trancos e barrancos se apaixonou por uma folha de papel, casou-se com sua filha, a caneta, e foram morar com os parentes da sogra, num lugar apertado e aconchegante, onde todas as mentiras tinham frente e verso.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
me desculpe, mas você é tão moderna quanto suas calças jeans.
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ói
bom mesmo é redescobrir as coisas
olhar com outros olhos
olhar com e sem lentes
olhar com os tímpanos
narinas e falanges
simplesmente olhar
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Não se fazem passados como antes
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
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terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
constatação
é no nojo e no desgosto que se consegue a paz ao seguir os 3 ésses do ensino médio: Siga Sempre Sorrindo.
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piro. respiro. risco.
releio. re choro. re rio.
re coro. vermelho. revivo.
demoro. remorro. re freio.
relento. retorno. re sinto.
re paro. disparo. re lato. re grito.
relapso. remorso. recapto.
calypso. colapso nervoso.
re ódio. re dor. rê à deus.
ao redor adeus rente inconstante.
adeus mente, tu mentes
me despeço com teu semblante
re vês e re clamas ao fim
re julga re xinga re voodooa em mim
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domingo, 29 de março de 2009
reutilizável
me sinto reciclável e às vezes (mas só às) me sinto bem com isso.
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sexta-feira, 27 de março de 2009
Contos de cantos
Outra coisa que eu não consigo entender é por que as pessoas não tomam banho nesse calor que faz. As que vivem em lugares frios é até compreensível, mas o que eu acho realmente um absurdo é que se fossem esclarecidas e preocupadas com o meio ambiente, tudo bem, a desculpa seria a preservação dos recursos hídricos, a diminuição de deposição de dejetos químicos advindos dos produtos de limpeza à favor do bem estar do planeta. A gente sabe que é sem vergonhice mesmo.
Abel de Queiróz estava fazendo o seu trabalho, é o que ele fazia de melhor: conferir passagens. Infelizmente nem todas as pessoas que trabalham com venda de passagens de ônibus são pessoas legais como o Abel, que estava apenas fazendo o seu trabalho. Fui bem clara ao dizer: " quero uma poltrona que não pegue sol". Ele não tinha senso de direção e muito menos de humor quando eu perguntei se o nosso ônibus tinha ar-condicionado. Olhou pra mim, por cima das têmporas, deu meio sorriso e disse:"Você acha mesmo?". Eu realmente não achava mas tinha esperanças, oras. No final das contas eu peguei a poltrona premiada que se tivesse placa diria: " parabéns, você vai passar mais de 6h com o sol na moleira". E foi assim que segui viagem rezando para as nuvens me acompanharem.
Depois de buracos, lamas e bois eu acordei molhada de suor e com os ombros ardendo. Pois é, fiquei parecendo a bandeira do Japão por que nuvem nenhuma me acompanhou. Boca do Acre possui o maior rebanho bovino do estado do Amazonas, um frigorífico moderníssimo e muita gente pobre. semelhantes situações encontram-se muito perto das fronteiras. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o Acre, mas daí já é outra história. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o rio. e não perdeu por aposta, nem briga ou processo judicial. O rio tem autonomia e soberania sobre tudo e todos ao seu redor. Um praça, uma rua, casas inteiras se foram. Atentos a isso, a prefeitura municipal construiu uma cidade nova, 9 km longe do rio chamada Piquiá. Planejada, livre dos perigos do rio, é bem ajeitadinha. Mas quem disse que os ribeirinhos, as pessoas que moram na beira do rio, querem sair de lá? " Só saio daqui quando o rio me tirar". Ele trabalha como barqueiro atravessando pessoas de um lado pro outro do rio por apenas um real. No lugar onde ficamos ficava bem de frente ao encontro das águas do Rio Acre e do Rio Purus. Do outro lado do rio, Purus, na margem adjascente é um bairro de Boca do Acre chamado São Paulo. Achei graça quando vi o nome. Bem arrumadinho, diferente do outro lado onde a sujeira, o caos e o mal cheiro imperam. tem até quadra de esportes. tem até homossexuais andando na calçada de tijolo que corta todo o bairro. tem até uma fonte de água natural e limpa onde as pessoas enchem seus galões de água e juram ser água potável. com certeza é muito melhor do que beber a água do rio ou pagar 10R$ num galão com água mineral.
O lugar onde ficamos era conhecido meu. o melhor da cidade mas isso não significa muita coisa. não é mérito nenhum ser o menos pior dos piores. pelo menos tinha ar-condicionado (amém). Vassoura, pano de chão há muito tempo não se via por ali. No banheiro o dito box tinha apenas uma parte e eu tinha que deixar no meio e escolher qual lado eu queria molhar menos. era impossível não molhar fora. O chuveiro era voltado para a parede. Logo, para tomar banho, eu tinha que me encostar na parede e roubar um pouco de água que escorria por ela. Imagine a cena. Lembra que eu dei amém quanto ao ar condicionado? Pois é, mas quando vi que ele não tinha filtro nenhum, era apenas um buraco aberto saindo o vento frio do aparelho, meu nariz suspirou triste ao sentir os ácaros prolíferos do ar. No teto tinha um ventilador com uma palheta só e uma luz amarela no meio, daquelas que gastam bastante energia e liberam bastante calor. Agora eu parecia a bandeira da Angola.
(...)
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quinta-feira, 26 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
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enxugo lágrimas los hermânicas e radioheadiânicas com sorrisos.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Espinha de peixe
voltei. voltei temperada com pimenta
biribá, bacurí, cacau, pouco sal
voltei ácida, citricamente falando, azeda.
voltei com outros olhos
engasgada com espinha de peixe
farinha nenhuma desentala
paca, porcos e parcas lembranças
períneos outrora invioláveis pedem socorro
voltei hepática da infância
voltei quase sem sangue, não me pediam permissão
me circula melhor, aqui
queixada, piaba, filhote, que achas?
tambaqui pergunta o por quê
caldo, óleo, água suja, fígado, dor
vento eu até que tento sentir
com as espinhas fiquei mais forte
ouse e viro porco-espinho ou cateto
sem jeito
ouse que te lanço pelos olhos
fagulhas
sobre teu chão passado
cuspo teus passos
pois aonde não há patente
não se vomita só a flor: espinho também.
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domingo, 8 de março de 2009
8 de Março
Dizem que hoje é o Dia internacional das Mulheres. Eu não acredito no que eles dizem. Eu acredito é na Rapaziada.
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sábado, 7 de março de 2009
sinto nojo do ínfimo covarde íntimo exposto sem dó ou dô.
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Fotossíntese Infantil
O acreano, povo particular, muitas vezes me intriga. Mas me intriga muito. Quem conhece um pouco da história sabe que muitos dos genes que aqui habitam dentro das células desses acreanistas, são provenientes dos agrestes de sol e mar, daquela imensidão seca ou apenas aquele deserto de areia nordestino do Brasil, por que o nordeste do Canadá, por exemplo, nada tem a ver com o brasileiro. Muitos dos nordestinos têm descendência européia. Espanhóis, Alemães, e até árabes, sempre digo. E nas aulas de história e geografia que conseguiam chamar minha atenção, diziam também. Vindos em busca do novo mundo, das riquezas brasileras, das nossas florestas, do ouro e tudo mais, passaram pelos portos da costa do Brasil, adentrando-se no mundo desconhecido e disseminando suas mazelas e maravilhas. Aquela cabeça achatada, narizes e orelhas meio assimétricos com certeza são variações mal sucedidas do povo do narigão (árabe). Assim como esse sotaque tão interessante que com certeza deve ter raízes além da nossa língua morta, que continua a se mutar. Há gente que fala um dialeto próprio, cujos verbetes nem sonham em se encontrar em aurélios da vida.
Eu acho uma coisa de louco identificar características de tão longe em pessoas daqui. Estava eu, em toda a minha paciência que tenho, esperando um ônibus que me leva até em casa, lendo o novo livro que comecei a ler hoje mesmo. Abro parêntesis: quando começo a ler um livro novo, fico que nem criança com brinquedo novo, aliás, como tudo que é novo, tenho essa vontade de ter até o fim, até cansar, até a coluna doer mais que o suportável, até os meus olhos começarem a se dilatar e pular pra fora. Eu conheço pessoas que têm os olhos saltados para fora. Feliz seria o Brasil se fosse de cultura lida pelos mesmos. Sou adepta à, há muito tempo derrubada, Teoria de Lamarck, ou a do uso e desuso. Fecho parêntesis.
Ao meu lado, uma senhora morena, morena normal, morena das cores que encontramos por aqui. Diferente do negro do Zimbábue, ou do moreno dourado dos indianos. Aqui os indígenas que deram a cor do tom moreno junto aos nordestinos. Lembrando que nordestino não é povo e nem etinia. Não falo com tom depreciativo, mesmo porque, sou fruto dessa mistura e até me orgulho dessa exoticidade. Longe de mim o xenofobismo interpopulacional. Eu nem sei se isso existe mesmo.
Era morena, normal, com uma criança morena idem com uma peculiaridade muito comum por essas bandas: os cabelos loiros. Não consigo entender de onde vêm essas características que com o passar do tempo somem no tempo. Se fosse pela lei dos caracteres adquiridos, primórdios das experiências de Darwin, a explicação seria muito simples: sua genitora, gostava muito de é o tchan e de suas sheilas, particularmente a loira, que pintou seus cabelos de loiro e esses cabelos passaram para a sua filha. simples assim. Mas não. Se existem estudos sobre esse tipo de variação fenotípica peculiar nas crianças eu não sei. O que eu sei é que crianças não são como folhas, como plantas que nascem de uma forma e depois se transformam em outra totalmente ou não diferente do que eram. Aliás, é uma característica inerente do ser humano que seus filhos, descendentes, seja uma cópia idêntica de si mesmo daqui a alguns anos, só que em miniatura. Os tais hominídios da ciência dos séculos passados. Voltando aos cabelos. As folhas de algumas plantas nascem de cores diferentes, dependendo do tipo de função que ela tem, com certos pigmentos diferentes da clorofila, dependendo da planta. Sim plantas de espécies diferentes possuem características diferentes entre si. E o homo sapiens? Mesma espécie e variações tão grandes de indivíduo para indivíduo. Claro, tudo produto do meio e do ambiente. Não do meio ambiente pois ambos são sinônimos. chega de redundância.

O que faz uma criança que não tem tendência nenhuma aos cabelos loiros (naturais) tê-los quando criança? Sou adepta à teoria da Fotossíntese infantil. Parêntesis: Essa teoria eu inventei sem nenhum argumento cientificamente comprovado, apenas por observações minhas, tenho dito. Fecho parêntesis. Não é doença. É uma adaptação das crianças que vivem num ambiente não muito saudável, com condições não tão adequadas para o bom desenvolvimento, alimentação deficiente, higiene duvidosa e excesso de luz na pele. Sintomas de problemas hepáticos? Cor esverdeada nos olhos e na pele. Clorofila. Cabelos loiros? Xantofila. Pigmentos fotossintetizantes usados pelas plantas para obter alimento a partir de gás carbônico e luz. Pigmentos usados por crianças acreanas para complementação nutricional, uma forma de seleção natural para a sobrevivência das mesmas em condições inapropriadas em um Acre tão rico em diversidade e desigualdade.
fotos por Talita Oliveira
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terça-feira, 3 de março de 2009
Escrito nas mãos.
Quando entrei na escola, no jardim de infância, minha afinidade me levava à ala dos que gostavam de azul. Nunca fui aceita na rodinha das que usavam rosa e brincavam de serem mães tão precocemente, sem conhecimento de métodos contraceptivos. Nesse aspecto, eu sempre fui a última a fazer tudo. E tudo inclui tudo mesmo. Eu brincava de pegar ladrão, andava de patins.Caía. Ralava os joelhos e tornozelos. Sempre tive o andar meio torto. Eles me pegavam pela mão e me chamavam de parceira. Eu gostava daquilo.
Colocaram-me na aula de balé, sapateado, jazz, piano, xadrez (veja só, xadrez!), natação. Eu me coloquei nas artes marciais. Para a tristeza de uma mãe que queria uma filha feminina, com amigas no quarto rosa, foi mais uma surpresa. Eu sempre dei muitas emoções pra minha mãe e me orgulho disso. No Kung fu eu podia ser tudo aquilo que gostaria ser sem deixar de ser quem eu era. Complicado, eu sei, mas só eu sei. Com as minhas mãos que dificilmente tinham calos, mais uma vez me destacava dentre aqueles que estavam ali para se auto afirmar, para aprender a brigar na rua ou pagar de admiradores das coisas exóticas do oriente. Segurei forte as oportunidades que tive. Fui até as últimas do meu corpo e dos meus joelhos. Com as mãos. Sobre elas, eu tentava explicar que era genético, herdado, mas gostava de pensar que eram só minhas e eu tinha o privilégio de tê-las minhas em todo o meu egoísmo manístico. humanístico de certa forma.
Larguei as cordas de violão e guitarra para usar minhas mãos na bateria. Me achei denovo. Sempre soube que não era da minha essência tanta sutileza harmônica. Tons, batuques, ritmos, velocidade, bit, vibe, emoção, adrenalina, extasy. O que importa é aquela coisa que eu não sei explicar, aquela mágica da música que entra. A música é uma coisa maravilhosa. Tudo do corpo, da alma, das mãos. Deu até vontade de chorar agora.
Enquanto isso, cumprimentando pessoas que se assustavam, levantei e dei os dois passos mais importantes da minha vida: passo na faculdade e passo a ter consciência do que vou um dia ser. Essas coisas de natureza nunca foram meu forte mas estava escrito nas mãos. Quem diria que um dia eu, pequena menina burguesa mimada, pegaria numa enxada, cavaria solos, tocaria árvores, sentiria a textura do pêlo macio de um bicho-preguiça, faria cálculos volumétricos ou mesmo faria manejo de frutíferas na beira de um rio tão grande, mas tão grande quanto a incerteza, de barco quase dentro dele, do rio, quase parte do fio do horizonte. Ninguém diria.
Não há creme hidratante que dê jeito. Tratamento de estética, macumba ou promessa para são-qualquer-coisa. Não há cartomante ou cigana que diga o contrário. O meu destino? Ora o meu destino quem diria: está escrito nas mãos.
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Olhos de noites tristes.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
tenho medo de confissão
não pelo sermão
(nem batismo tive)
segundo minha vó, não vou pro céu mesmo.
tenho medo de não sentir culpa
ou como diz a música: eu caçador de rins.
minha culpa engulo num copo de vidro
sujo de sangue e sebo de mãos compartilhadas
sem a escolha que não teve
de escolher ou permitir
tenho raiva do meu lado escuro.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Não seu.
eu sinto que peço apenas um pedaço de sim
que eu velo que choro que curto que rezo
me perco por perto de partes complexas de si
eu juro que vivo que vim vivi vi e venci
não juro que nego que ao olhar pro lado teu calor eu vi
não finjo não sinto apenas para muito fazer e pouco sentir
eu perco por perto de partes complexas de mim
é como acordar e se rir
é como o tempo voando sem fim
é comungar e te ver
é como o 'A' que eu fazia pra você
me fujo me sumo me uso me escondo de ti
por portas janelas muros e sorrisos e afins
de frente de costas surda e muda ouvi
sem olhos sem corpo e sem coração decidi
que é como uivar e sentir
o vento claro da lua que vi
é como nascer e ver
o mundo com outros olhos
o meu mundo sem você.
é como lembrar e fingir
que era apenas um sonho e
voltar a durmir
é como te ver e não te querer
ouvir a voz dizendo se arrepender
e o espelho apenas sorri.
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Kaline Rossi
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
tanto faz
sem voz é melhor
ouvir com os olhos
ou mesmo pensar
só em silêncio eu
te enxergo no escuro.
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Kaline Rossi
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