terça-feira, 26 de maio de 2009

Não se preocupe com sua vida. Há sempre alguém pra cuidar dela.

domingo, 24 de maio de 2009

eu já fui muito mais poética.

às vezes eu queria ter um controle remoto igual do filme Click. Como eu já assisti o filme, ia saber usá-lo de maneira prudente.

Das palavras há muito não ouvidas

Peba.

Monólogos

.é por que as vezes a gente fica lembrando das coisas e, sabe, seria legal dar um ctrl z ou um delete.

.acho que Deus escreveu meu destino em braile por que juro, juro mesmo, que não sei.

. a samaúma deu flor.

. ás vezes eu queria poder ajudar mas seria como sentenciar-se ao mesmo mal.

.eu sempre gostei de telefones públicos.

.alguns insetos exalam um odor não muito agradável.

.não consigo me livrar do relógio verde.

.uso o relógio no braço direito mas não sou canhota. eu gosto do meu braço direito.

.a vida é longa e dura. complete a frase.

Acho que o que o Bush sente quando lembra da merda que fez com o Iraque, é o mesmo sentimento que o Marcelo Camelo tem ao lembrar de Ana Júlia.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

das bizarrices e futilidades kalinianas

Hoje eu vi três crianças de mais ou menos 5, 6 anos apedrejando um outdoor da Colcci, cuja garota propanda era a Gisele Bündchen. Fiquei chocada. Elas atiravam com tanta força, tanta raiva, tanta garra! Será que elas estavam apenas brincando, fazendo o que mais gostam de fazer e independente da pessoa, propaganda ou lugar atirariam pedras do mesmo jeito? Essas crianças de hoje em dia já têm opnião formada desde cedo, eu pensei. Culpa da televisão. Tinha uma menina no meio. Talvez ela atirasse pedras de inveja: "Poxa, eu nunca vou ser bonita e nem ter tanto dinheiro quanto ela". Mas acho que as crianças dessa idade ainda não desenvolveram esse tipo de inveja. Isso é coisa de adulto frustrado. Depois eu pensei denovo: porra, enquanto vocês atiram pedras, eu queria ser ela. Não ser ela, nem acho ela tão bonita assim, mas há de convir que o poder que ela tem é dos grandes e fortes. Talvez ter o dinheiro dela, o Brasil, a Colcci e o mundo aos meus pés. Talvez algum diretor de filme, escritor (que não seja de best sellers ou de auto-ajudas), cientista ou pesquisador pros fins de semana também.

Ainda bem que Gisele e eu não temos o mesmo gosto pras coisas. haha!

=)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

bizarriceas kalinaceas

tive um sonho bizarraceo. sonhei que estava dentro de um ônibus. era gigante, parecia um trem, um metrô que eu não conseguia ver o motorista. o ônibus estava andando em alta velocidade e eu só sabia disso por que meus cabelos estavam esvoaçando-se e meu rosto estava meio desfigurado, como se eu estivesse fazendo careta o tempo todo. eu babava, tentava lamber a baba mas minha língua não conseguia sair da minha boca. eu estava tendo uma overdose de oxigênio. me sentia mole mas me sentia feliz. o veículo parou. olhei pela janela eu não via nada além de uma imensidão azul. era o céu ou era o mar? estávamos flutuando. estávamos eu não sei, não me lembro de ninguém do sonho, mas eu estava flutuando. não, na verdade éramos nós mesmo. eu e o ônibus. mais de um já é plural. eu vi umas nuvens mas elas cresciam grandes, gordas e verdes. pareciam brócolis de algodão doce. achei estranho. então, começa a fazer um barulho estanho, como se o chão estivesse se rachando no meio. aquele barulho estridente de metal. olhei pro meio e pra baixo e realmente: o chão estava se rachando. pela fresta eu podia ver muita luz amarela e verde. aos poucos vinham saindo uns galhos marrons, iam se espalhando, emergindo do chão que não era chão, era céu. não era mar senão eu teria morrido afogada. os galhos começaram a invadir o espaço, iam crescendo e folhas também. as folhas cresciam muito rápido, naquele efeito que é o contrário de slowmotion. era uma samaúma de folhas vermelhas belíssimas. os galhos como não conseguiam furar o teto do ônibus, iam fazendo voltas e mais voltas dentro do espaço até formar meio que um jardim emaranhado de verde, marrom e vermelho. agora que eu não conseguia ver o fim mesmo. mas na verdade no fim de tudo, eu estava ficando sufocada pela beleza e grandeza da árvore que sentei nas raízes, fui escorregando até cair no buraco que a árvore tinha feito no chão. eu abri os braços e voei.

acordei com as mãos arranhadas de balançar contra a parede que tem grafiato.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

se eu fosse você no meu lugar não seria eu.

constatação

o tempo passa mais devagar quando contamos os dias.

terça-feira, 19 de maio de 2009

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaahhhhh

tenho um sorriso que não cabe na boca. e olha que minha boca é grande.

das impressões matutinas

às vezes me incomodam esses passos sobre a minha cabeça.

Podemos estar falando

Tenho professores graduados, mestrados e doutorados em Engenharia Florestal mas com especialização em Gerúndio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CELULAR EU TE AMO!

domingo, 17 de maio de 2009

Eu ouço a rádio. A bossa. Fico imaginando se as ondas- que onda! - chegariam aos lugares mais distantes que qualquer quantidade de horas de barco, qualquer quantidade e volume de água, bolhas, espuma, chegariam. Vou na difusora: '- Avisa saudades.' Vixe, se treme! Talvez menos árvores para desviar. Talvez menos seios desnudos para olhar. Talvez uma chapinha mal feita, talvez um coque cheio de pudor. Grande rio no peito? Cavaleiro sem medo nenhum. Sou número de topete e ímpar. Sou sol e soul. Sou leão. Hoje sim, tenho peito. Apóio a causa do câncer.

Não esqueço do dia que te dei um sorriso de presente. Nele havia, aos montes, toneladas de sujeiras alheias. Havia sim, a cor do amarelo cor da tua pele suja sem banho. A cor da parede que você queria pintar para parecer menos gélido. Eu me limpei. O branco não é pra todos. É que nem a noiva virgem ao usar. Que piada, noiva. Que piada, virgem. Não distribuo tapinhas nas costas de graça. Não imploro por atenção: Oi?Fala comigo? Você é nova aqui, não vês que esse é meu harém?. Não. Meu cartél é feito por variações pessoais, personificações (adoro essa palavra) do eu mutante. Mutante como a flor laranja que de tanto sol, aquele tão necessário para a vida verde, vira amarela desbotada, como a tua cor pseudo estrangeira. As vezes a gente pode se surpreender. Nesses dias de ventos frios do sul, às vezes me sinto xenofobista. Preciso mandar fazer cobertores de orelhas sob medida.

sábado, 16 de maio de 2009

posso ser um silêncio ao contrário, se você quiser.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Arquitetura de merda*












*Coprólitos. Excrementos fossilizado de seres vivos. Nesse caso são de vermes que formam verdadeiros prédios, construções de côcô. Influências de Diotisalvi? Niemeyer? Engenheiros e Arquitetos do programa da casa própria da Caixa Econômica? Índia? Não sei, mas essas criaturinhas são engenhosas e eu perdi meu tempo, sim, tirando fotos dessas coisas. Pode parecer nojento, mas nessa arte há beleza.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Do espírito de

"Não basta termos um bom espírito. O mais importante é aplicá-lo bem."

René D.

não, não não me compares com aquele que voa e canta
nem aos pares das memórias coloridas sonoras
daquele pássaro vermelho nem lembranças tenho
voou pra longe e pra longe de mim
obrigada! pra longe da minha memória fraca

-amém (coral infantil)

não, não me venha com cantarolas, bandeirolas e nem caramelos
pega logo esse teu suco de limão sem doce e enfia
na cara ou em outro lugar qualquer

para de fingir jujubas coloridas
quando na tua cama a pelúcia é do cão ou outro animal virulento
que te dá alergia de morte

alegria, alegria!
ganhaste a carta áurea?
de que te serve se nem cor tens?
desculpa, mas eu nunca acreditei em religião
e o que tem escrito lá
é mais bonito de se ver atrás das grades
comendo o pão que teu amigo amassou
lendo teoremas de Descartes

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ela pergunta e ele responde.
- Se você fosse uma flor, qual flor seria?
- Comigo ninguém pode.


.

domingo, 10 de maio de 2009

Assim, meio penso.

Eu penso em você todo o diatodos os diaspenso em você de manhãpenso hoje e penso amanhãpenso em estar ao seu ladopenso no dia de vocêdia seudia meuvocê no meu dia

penso pra deixar de lado o que pro lado de lá se foipenso que em cada semana que se passa emana a vontade de viver o dia seguinte cada vez maispenso nas coisas que podem virpenso no barco penso no riopenso no que tu viupenso assim no que eu vi e ri epra falar a verdadefoi muitomasmuito engraçado

Pensei em escrever uma cartapensei em ligarmas des penseinão adiantavou ter que esperarOlhei uma foto sorrisim eu estava láestive como em nenhum lugarsou eusim fui euserei eu alie nada mais importa além do que me torna tua minha.

- penso também que eu esqueci o que dizer agoradrogadeveria ter anotado- É que eu acordei e sonhei pensandopenso demais e sabequão bom é pensaré por isso que eu pensologonão desisto dessa vida cheia de pensos.

sábado, 9 de maio de 2009

Da macumba mal feita.

Não morreu mãe, mas morreu cão e cadela.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dono sem cão- Frida Kahlo

Você só pedia um pouco da minha atenção

E eu quase sempre te dizia não

Você gostava de andar sempre ao meu lado

Eu te chutava, te mandava embora, te chamava de chato



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu



Então te procurava pra desabafar

Quando o mundo inteiro parecia me sufocar

Você em nenhum momento me deixou na mão

Aturou minha voz desafinada e o meu violão



Mas de repente você partiu

E a gente nem se despediu

O que restou, além dessa canção

Fui eu, mais um dono sem cão

E de repente você partiu

E a gente nem se despediu

quinta-feira, 7 de maio de 2009

fridisrantis

a despedida teve como trilha sonora o motor de um barco.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

se eu fosse um deus, dos bons, mandaria mudar as ruas e calçadas de lugar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

mandei acender velas.

Um culto à ignorância

Não tem coisa melhor do que não saber das coisas. Digo mais, não tem coisa melhor do que não entender nada. Se você não sabe e não quer saber, te livra da responsabilidade de se manifestar sobre qualquer coisa. É a liberdade da ignorância. É um direito de escolha e não tem nada a ver com sabonete. É uma escolha que só quem não é, pode ter. É feita em sã consciência. É a liberdade de ser quem se quer e de fazer com que os outros saibam que o querer é muito mais íntimo que qualquer coisa que se diga. É olhar pelos olhos com filtro, só passa o que convém. É respirar ar puro, longe de esgotos, galinheiros, de mauzoléus e pseudo igrejas cujos cultos não são à ignorância. É ouvir que há tiroteios em bibliotecas e se conformar: "Pelo menos eles procuraram um lugar com ar condicionado para ir". É ouvir tantas coisas e sorrir sem medo de ser feliz, sem culpa e sem nenhuma dor no peito, repito, sem nenhuma dor no peito!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

depois de meses, quase ano, na escuridão, posso afirmar com toda a certeza que agora que vejo luz, sinto falta do escuro.

domingo, 3 de maio de 2009

eu vi a luz
e chorei.
por dentro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Contos de cantos II

No jantar, muitas teias de aranha em um restaurante cujo nome segue as regras gramaticais de nomes por aqui. A união de um casal chamado Osvanda e Cleilson, que por sua vez pode ter sido fruto de outra união nomenclatural, dá o Osvailson. Franscisco e Jurinete: Franscisnete. Maria e Nelson...hmmm deixa pra lá. Caromila era o nome do lugar. Comida boa. Cara de clube noturno com uns bancos acolchoados, alaranjados e encardidos. Imaginei um cano de striptease no meio do restaurante. Imaginei minhas costas grudadas de suor naquele couro, napa sujo. Com o calor que fazia eu imaginei também milhões de outras costas outrora grudadas ali. Me distraí -ainda bem- quando a atendente educada chegou perguntando: ‘e aí, qual vai ser?’ Para conseguir um bom atendimento nem pagando 50 % de taxa de serviço. Sorriso? nem pra gringo. Poupava dentes e músculos da face. Vai ver ela não tinha dentes ou vai ver que eles tinham cáries aparentes. Tinha o olhar triste e odioso para tudo e todos aqueles que viviam. Chegava a ser engraçado. Filhote frito com limão, cebola, arroz e guaraná Baré para acompanhar. Nada melhor para nutrir uma pessoa cujo almoço tinha sido um pastel de carne -em miniatura- e uma coca-cola. No caminho de volta pro hotel, tendo gasto o que me restava de educação e simpatia com a moça, eu vi um anão jogando sinuca. Foi muito, mas muito bizarro.

As casas parecem ter sido construídas pelo mesmo marceneiro. Sem exageros, todas as fachadas são iguais, com telhados arredondados que lembram templos chineses. Em Boca do Acre não existem engenheiros, muito menos arquitetos. Fato. Escadas e seus degraus uns maiores que os outros, degraus maiores e menores que os pés. Eu tenho o pé grande e consegui subir com dificuldade algumas escadas, mas e quem tem o pé maior? Sobe escada na ponta dos mesmos. Ao ver o rio, eu tive medo. Não vou mentir. Muita água, sem barrancos e o asfalto da rua acaba na beira do rio. Era imenso e eu só esperava ver outro boto rosa. Outro fato: para cada cinco pessoas existe uma igreja. É, lá em Boca, só Deus mesmo. Meu ombro arde e pretendo tomar dois banhos amanhã. Um deles vai ser de bloqueador solar. Tenho saudades já. Penso bastante antes de dormir. Dormi.

O dia amanheceu chuvoso, mas o céu indica que o sol vai sair em breve. Meus ombros ainda doem. Pode parecer exagero, mas acho que ganhei uma queimadura de primeiro grau. O ar condicionado sem filtro deixou minha voz rouca e sexy. Fui pra frente do espelho e comecei a imitar uma cantora negra, fazendo caras, bocas e cabelos. Sinto vergonha disso. O café, leite, pão, queijo e bananas serviram como primeira refeição do dia. Teve suco de maracujá também. Uma das coisas que eu não entendo é porque a numeração dos quartos ou salas de um prédio começam sempre na casa dos 100. Me faz parecer que antes do meu quarto 108, existem mais 107 quartos, o que não faz o menor sentido em um prédio de 3 andares e 8 quartos. Acho que o zero à direita deixa as coisas mais bonitas e pomposas.

Não se consegue ouvir o canto dos pássaros. Eles são substituídos pelos motores dos barcos, catraias, voadeiras, passeios, batelões e outros tipos de embarcações, que têm motor. É quase uma sinfonia, porém, sem nenhuma sintonia. Existem muitas pessoas nas ruas sem fazer nada.

- Sou carregador. Ajudo as pessoas a carregar as coisas dos barcos quando precisam. De R$ 5,00 a R$ 10,00.

- Sou observador. Observo as pessoas quando precisam e quando não. R$ 3,00

- Sou conversador. Converso com as pessoas quando precisam, mas comigo é de graça. Não cobro nada. São profissões que deveriam ter reconhecimento social. Receber direitos trabalhistas e essas coisas, reclamavam. Falamos até inglês:'Give me some money?' , 'Go to Mapiá?'

Café da manhã reforçado. Acho que a moça da cozinha sabia que estávamos de partida. Bananas, mamão, café, leite, queijo, ovos mexidos, mandioca cozida. O barco ia mais pesado do que esperávamos. Após comprarmos a gasolina para o motor, carregarmos o barco com comida, água e nossas coisas, partimos descendo o Rio Purus, 10h da manhã. Rio caldaloso, agitado e cheio de balseiros. Balseiros são pedaços de pau, árvores inteiras, que são arrancadas pela força das águas, das margens e seguem junto com a correnteza, rio abaixo. Haviam árvores submersas, só com algumas folhas emergindo para fora. Duas horas depois o rio fica mais calmo. Cor e textura de doce de leite, infelizmente, gosto não. Quer dizer, gosto não sei, não tive coragem de provar.

(...)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

me
n
trist
ec's

Rio Branco está crescendo ou eu estou diminuindo?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

sinceridade: súbito devaneio temporário.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contundente.


A vida, como toda vida minha, vida nossa, vida dos outros, é cheia de correlações. Afinal, tudo que vive, já disse isso algumas vezes, vive em um meio onde outras vidas vivem e em algum momento suas vidas acabam fazendo parte uma da outra, mesmo que seja de passagem, mesmo que seja apenas uma menção, mesmo que seja apenas mais um braço roxo, apenas uma especulação, enfim.

O emprego que se tem hoje, com certeza tem uma correlação com alguma pessoa que conhece você, que indica, que dá boas referências e que nem sempre elas são verdadeiras. Aqui no Acre o quem indica não se preocupa muito com o que a pessoa realmente é, e sim, pelo que ela aparenta ser, pelo que você pode oferecer, quem são seu pais, primos, tios, qual a recompensa que está por vir. um favor futuro. Diria que um investimento a longo prazo. Acho que isso não existe só aqui, não. Para alguns isso é até bom. Imagine só se todos se mostrassem ser quem realmente são. Pausa. Vixe, quero nem imaginar os problemas que isso causaria.

Eu poderia citar muitos outros exemplos de correlação, mas se eu o fizesse, perderia o meu enfoque. Ninguém gosta de perder o foco, mesmo que usando óculos e fazendo careta feia pra enxergar. Mesmo que sem óculos a careta e a feiura continue, ninguém gosta de perder o controle da visão, já que outros controles de outros sentidos e sentidas nem sempre se pode ter o controle. Perdi o foco!

Juízo. Isso, juízo. Não aquele que se julga ou se é julgado. Não pela justiça e nem pelas línguas da moda, muito menos, esse muito menos do que os outros menos, pelas pessoas que detém do poder da disseminação das informações. Neste se encaixam todos os profissionais que lidam com a palavra e os não profissionais também, os amadores. amam dores. Juízo: recurso de avaliação baseado nas informações limitadas disponíveis. Esse também não.

O juízo que me refiro nasce biologicamente, organicamente, falando. Nasce e cresce e dói. Sai rasgando, sem pedir licença, exigindo seu espaço, afinal é o último, o bãm-bãm-bãm. É fruto de uma adaptação evolutiva, se eu não fosse tão moderna, citaria a teoria de Lamark (adoro o lamark). Antes ele tinha um lugar reservado, hoje aqui não mais. Tem que conquistar, a muito custo, financeiro inclusive, e trabalho. Trabalha todos os dias, paulatinamente, precisamente, incisivamente, dolorosamente: CISO.

Voltando às correlações. Conheço muitas pessoas que precisaram de intervenções para que que o dito cujo, o juízo, pudesse se fazer presente em suas vidas. Umas bem cedo, outras, mais tarde, ou seja cedo ou tarde ele há de vir. Que correlação que há com o nascimento de um dente com o juízo da pessoa? Sim, pois antigamente o dente nascia bem mais cedo, por volta dos 18, 17 anos, não sei ao certo, o que as pessoas associavam também à uma nova fase da vida, mais responsável, mais concisa, com ciso. Eu, nos meus altos e baixos 21 anos, estou em pleno processo de juizamento, literalmente. Atinjo a maioridade, tenho uma profissão, tenho um cartão de crédito, título de eleitor e uma carteira de motorista, tenho meus primeiros , segundos e terceiros atos julgados, tenho uma nova fase da minha vida, linda, tão clara que posso ver além do horizonte, sem romantismos, e ainda tenho cisos nascendo. A dor da responsabiliade é na boca. Talvez eu precise também de intervenção, talvez eu nem precise de dentes, mas tem gente que a idade (pouca ou muita) não tem correlação nenhuma com juízo. Lhes faltariam dentes por isso?



Sabia que eu vou arrancar um dente?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Para sair de casa precisava de chaves. Sim, claro. Portões para abrir, passar, sair, fechar. Era simples. Por portas e maçanetas passavam mãos cujas digitais por ali ficavam, sim. Banheiro, quarto, cozinha, portão da frente, portão mais à frente, porta automática dianteira, porta automática lateral. Sim, sim e sim. Todos os dias, menos os de chuva, com olhos ainda fechados, asfaltos malacabados por bicicletas e caminhões vorazes pela pressa, sim. Às vezes alguns pássaros acompanhavam, mas sem se fazerem percebidos. Por aqui existem pássaros tímidos.

Nunca desconfie dos seus sentidos, repetia. Também nunca acredite completamente neles. Pessoas pessimistas não devem acreditar no que pensam, mesmo sabendo que no fim, no fim mesmo, tudo dá merda. E se não deu merda, é por que ainda não chegou ao fim. Afinal, o que são os pensamentos senão prováveis mentiras contadas de dentro pra fora? Pessoas otimistas também não devem acreditar em si. Nem tudo é feito de algodão doce além do horizonte. Desconfie de tudo que vive, aconselho. Claro, afinal, tudo que vive, possui vida, consome oxigênio, insumos,- refiro-me também aos alimentos - água, ocupa espaço e entre outras coisas que entram em conflito com o seu universo particular de uma forma ou outra, mesmo que o universo não seja tão particular assim ou que tenha apenas uma estrela, sem constelações ou coisas cósmicas, mesmo que você more no Acre ou na China. Coisas que não sei o nome e nunca vi, mas assim como os E.Ts, sabemos que existem. Gosmas feitas de gomas cósmicas ou algo do tipo dos ninhos dos mafagafinhos mafagáfagos.

Falando em coisas que não se vê, corpos vivos com suas funções vitais funcionando em condições adequadas mantém a temperatura interna variando entre 34 a 37 °C. Depende do metabolismo, no estado de saúde, do nível de álcool ou outras substâncias, e até período menstrual, no caso das mulheres. Também as xxx, os xxx e as xxx, diga-se de pastagem. Assim, como todas as outras energias em forma de calor, este, o próprio, excede os limites internos corporais, decide-se sair, parte sem vontade de voltar em busca de novos horizontes. Horizontes não necessariamente são horizontais. Assim como quem não tem canino caça com equíno, sem trema, agora.

Fato é que o sonho de todo calor interno é encontrar uma brisa, corrente de ar ou outro lugar quentinho, semelhante ao de onde saiu. Assim como quando percebemos o quão bom é dormir de conchinha por lembrar a posição que nos deixava confortável no útero de nossas mães. Ah, se era. Conseguem fugir por todos os lugares. Fugir não. Tem liberdade e direitos de ir e vir, assim como todo pedestre e toda pessoa, ser humana, que se diz livre e gozar dos seus direitos. É, gozar. É, liberdade. Se diz, sim. Calorzinhos saem à procura de narizes, sim. Calorzinhos trazem consigo moléculas de substâncias poderosíssimas capazes enebriar qualquer ébrio ou sóbrio anônimo ou assumido de forma inexplicável. Moléculas contém combinações perfeitas, encaixes, porta e fechadura, porca e parafuso, quebra-cabeça, palavras cruzadas, complete a frase. Assim como toda tampa tem sua panela, mesmo que seja uma frigideira. Grande engenharia química!

Para voltar pra casa, mais chaves. Chave superior, chave inferior, portas, segundo número ímpar, primo e primeiro número par, eletricidade, automatismo, tecnologia, porta, barulho (cuidado), chave, tecnologia, porta, chave, botões, portão um, portão dois, barulho (cuidado), porta, chave, portão, porta, sai cachorro!porta, chave, escada, porta. Por fim: cama, calorzinho bom, pássaros tímidos em cantorias escuras pela janela. Não tem maçaneta, nem porta e nem chave. Não tem loucura, telefone e muito menos telemensagem.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Just pretend

finge suco de limão para não assumir jujubas coloridas.

Acretino tu, Acretina ela.

E o movimento Acretinos toma forças novamente.

TEM COISAS MAIS INTERESSANTES AQUI DO QUE ISSO QUE PROCURAS!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

escorrendo.

que seja a cópia mal feita.
dos males, o menor.

Móveis

dóem os olhos ao ver. dói também um pouco mais em baixo. chocolate mal comido. papel higiênico sujo, não limpo, fétido e encardido por orifícios que há de haver um dia alguém capaz de contar quantos. mas ninguém conta, ninguém viu. é tudo na surdina da berlinda da casa adjascente. Geme baixo, porra, podem nos ouvir. Não me importo, a quem deves? muro baixo, portão frouxo, cópia de chave. cães, galinhas, gatos talvez. gatos são bichos imundos. testemunhos. Combinam até, dizia. esquivos. corninha. a corja vibra. a torcida organizada estremece. paquitas lamentam serem meras coadjuvantes. talvez não: Deus tem planos para mim, eu sei que hão de vir - suspirava ares condicionados. cabelos, nús em pêlos, esticados. há vida lá fora, coquinha, ah se há.


Pegou a estrada. Disse que apenas seguiria as linhas amarelas. claro, mentira. tinha destino certo. certamente não falou nem mesmo pra si onde iria, para não sentir remorso. esse já era seu amigo de fé e irmão camarada, carne de ungulado, sangue de rato. pegou um caderninho. números de telefones. discou o de sempre. claro que não iria deixar anotado na agenda do celular. pseudônimo. Oi, chove e quero abrigo. lama, sapos e maçaneta. Toma, uma toalha. Procuro a vida lá fora, desabafou. Você e essa sua busca incessante. Eu sei, eu sei, que você não cansa, vai ser assim até o fim, do jeito que teus, ou quase teus, foram, talvez melhor, afinal, adaptabilidade é a palavra do momento. é portabilidade, vagabunda. é, também.

domingo, 12 de abril de 2009

Awayrrí.

tomara que doismilenove tenha muitos outros feriados.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

não gosto de fazer parte da vida das pessoas que eu não faço parte. nem em fotografias.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Das meias verdades

é na terceirização da primeira pessoa que se consegue o anonimato.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dos nuncas

- Nunca, mas nunca mesmo, desconfie dos seus sentidos. Principalmente do sexto.
- Nunca dê 100% de si. Guarde pelo menos uns 10% para situações desagradáveis.

ontem eu chovi.

terça-feira, 7 de abril de 2009

conversas de calcanhares batidos e feridos, por pernas tortas do andar desviado, por fim.

Romanticismo culposo.

Saiu-se peidando-se com medo de si mesmo, copiando e repetindo palavras que nem papagaio, verde idem, triste sempre. com amargura na boca, gosto ruim de nome eufêmico, lágrimas de réptil orgulhoso nos olhos: tinha medo de voltar. olhos de animal abandonado recém-nascido, não hesitou em assumir. como ser triste, muitas vezes, quase sempre, mas nunca era nada. Sempre era muito mais do que uma mera tristeza, daquelas com zê e com ésse mesmo. tinha problemas de pontuação. principamente com pontos finais. eram sempre reticências, das muitas vezes reticentes mesmo. Não estava só na arte de repetir e copiar, não mesmo.

Não se contentava com pouco, ambiciosidade era uma de suas características. não media esforços nem para o bem, muito menos para o mal, este também era uma de suas características que se orgulhava. batia no peito, culpando os antepassados que culpa nenhuma tem no cartório. talvez precisasse daquilo, cartório, processo, pena, crime e castigo pra dostoiévisky nenhum botar defeito, pois o sentimento de ter causado dor, só cessa ao causar mais e mais a outrém, sem esquecer de si mesmo, se é que se sente algo. sempre foi assim. usando artifícios dolosos e penosos a justificar seus atos falhos, seguiu seguindo a vida, não muito diferente do que costumava ser. Não tão breve, aos trancos e barrancos se apaixonou por uma folha de papel, casou-se com sua filha, a caneta, e foram morar com os parentes da sogra, num lugar apertado e aconchegante, onde todas as mentiras tinham frente e verso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

deveria sorrir mais pra vida, dizia.

precisa-se de poesia. escamba-se por inspiração.

me desculpe, mas você é tão moderna quanto suas calças jeans.

ói

bom mesmo é redescobrir as coisas
olhar com outros olhos
olhar com e sem lentes
olhar com os tímpanos
narinas e falanges
simplesmente olhar

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ú³ que beleza

abre a porta e vai entrando.

lembro, logo, resisto.

penso, logo, desisto.

Não se fazem passados como antes

em meio a noites em claro, no escuro
sinto que não posso suportar a luz do sol
clara com a noite, escura como o cegar dos raiares
doem, os olhos, e eu vejo todo o verde da manhã
sinto vontade de chorar, admito
dói em outro lugar
por que cada passo à frente
é um passo distante do que se foi
cada suspiro, é um pedaço de carne que fica
pedaços estes que se vão, ao vento, à água, ao sol, ao léu
no tempo em que era tudo tão simples: só ir
não se fazem passados como antes.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

se não é dó é dô.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mas quanta afinidade, quanta semelhança e sintonia! Acho que algo há uma dúzia de meses atrapalhou o caminhar do lado dali, sem ser o salvador, pro lado de lá. Desculpe mas estive sem alvará.

terça-feira, 31 de março de 2009

não era só o que faltava. não faltava nada mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

constatação

é no nojo e no desgosto que se consegue a paz ao seguir os 3 ésses do ensino médio: Siga Sempre Sorrindo.

piro. respiro. risco.
releio. re choro. re rio.
re coro. vermelho. revivo.
demoro. remorro. re freio.
relento. retorno. re sinto.
re paro. disparo. re lato. re grito.
relapso. remorso. recapto.
calypso. colapso nervoso.
re ódio. re dor. rê à deus.
ao redor adeus rente inconstante.
adeus mente, tu mentes
me despeço com teu semblante
re vês e re clamas ao fim
re julga re xinga re voodooa em mim

eu me perco, também, por papéis com letras quase ilegíveis. consigo decifrar por lembrar exatamente do momento em que escrevi. lembro no movimento dos meus dedos conduzindo o riscar. lembro do sol. lembro do frio. lembro do rio. acho que estou ficando muito regionalista mas também acho que não tem como fugir das influências e da inspiração ao redor.


domingo, 29 de março de 2009

reutilizável

me sinto reciclável e às vezes (mas só às) me sinto bem com isso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Contos de cantos

Dez para as dez. nove e cinquenta. ônibus cheio de faces estranhas e eu fiz questão de usar a minha melhor (face estranha) ao entrar. não era pior do que eu esperava. bom mesmo é não criar expectativas sobre as coisas. há animais amarrados como bagagens e crianças que em algumas horas estarão exercitando suas cordas vocais de maneira extrema e deseperadora, mesmo que o motivo não seja nem metade do expresso. afinal, é isso que crianças fazem: choram. o calor é o de sempre mas me parece que capricharam no dia de hoje. As vezes eu não vejo fundamento nas pessoas que tomam banho de manhã antes de sair de casa. não adianta muito pois depois de algumas horas já estão fedendo denovo. eu sei, pode parecer ser frescura, mas estou em pleno exercício de desfrescurização, afinal, vou passar alguns longe de casa, chuveiro e cama macia e higiene. É questão de sobrevivência: desfrescurisarás e sobreviverás.

Outra coisa que eu não consigo entender é por que as pessoas não tomam banho nesse calor que faz. As que vivem em lugares frios é até compreensível, mas o que eu acho realmente um absurdo é que se fossem esclarecidas e preocupadas com o meio ambiente, tudo bem, a desculpa seria a preservação dos recursos hídricos, a diminuição de deposição de dejetos químicos advindos dos produtos de limpeza à favor do bem estar do planeta. A gente sabe que é sem vergonhice mesmo.

Abel de Queiróz estava fazendo o seu trabalho, é o que ele fazia de melhor: conferir passagens. Infelizmente nem todas as pessoas que trabalham com venda de passagens de ônibus são pessoas legais como o Abel, que estava apenas fazendo o seu trabalho. Fui bem clara ao dizer: " quero uma poltrona que não pegue sol". Ele não tinha senso de direção e muito menos de humor quando eu perguntei se o nosso ônibus tinha ar-condicionado. Olhou pra mim, por cima das têmporas, deu meio sorriso e disse:"Você acha mesmo?". Eu realmente não achava mas tinha esperanças, oras. No final das contas eu peguei a poltrona premiada que se tivesse placa diria: " parabéns, você vai passar mais de 6h com o sol na moleira". E foi assim que segui viagem rezando para as nuvens me acompanharem.

Depois de buracos, lamas e bois eu acordei molhada de suor e com os ombros ardendo. Pois é, fiquei parecendo a bandeira do Japão por que nuvem nenhuma me acompanhou. Boca do Acre possui o maior rebanho bovino do estado do Amazonas, um frigorífico moderníssimo e muita gente pobre. semelhantes situações encontram-se muito perto das fronteiras. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o Acre, mas daí já é outra história. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o rio. e não perdeu por aposta, nem briga ou processo judicial. O rio tem autonomia e soberania sobre tudo e todos ao seu redor. Um praça, uma rua, casas inteiras se foram. Atentos a isso, a prefeitura municipal construiu uma cidade nova, 9 km longe do rio chamada Piquiá. Planejada, livre dos perigos do rio, é bem ajeitadinha. Mas quem disse que os ribeirinhos, as pessoas que moram na beira do rio, querem sair de lá? " Só saio daqui quando o rio me tirar". Ele trabalha como barqueiro atravessando pessoas de um lado pro outro do rio por apenas um real. No lugar onde ficamos ficava bem de frente ao encontro das águas do Rio Acre e do Rio Purus. Do outro lado do rio, Purus, na margem adjascente é um bairro de Boca do Acre chamado São Paulo. Achei graça quando vi o nome. Bem arrumadinho, diferente do outro lado onde a sujeira, o caos e o mal cheiro imperam. tem até quadra de esportes. tem até homossexuais andando na calçada de tijolo que corta todo o bairro. tem até uma fonte de água natural e limpa onde as pessoas enchem seus galões de água e juram ser água potável. com certeza é muito melhor do que beber a água do rio ou pagar 10R$ num galão com água mineral.

O lugar onde ficamos era conhecido meu. o melhor da cidade mas isso não significa muita coisa. não é mérito nenhum ser o menos pior dos piores. pelo menos tinha ar-condicionado (amém). Vassoura, pano de chão há muito tempo não se via por ali. No banheiro o dito box tinha apenas uma parte e eu tinha que deixar no meio e escolher qual lado eu queria molhar menos. era impossível não molhar fora. O chuveiro era voltado para a parede. Logo, para tomar banho, eu tinha que me encostar na parede e roubar um pouco de água que escorria por ela. Imagine a cena. Lembra que eu dei amém quanto ao ar condicionado? Pois é, mas quando vi que ele não tinha filtro nenhum, era apenas um buraco aberto saindo o vento frio do aparelho, meu nariz suspirou triste ao sentir os ácaros prolíferos do ar. No teto tinha um ventilador com uma palheta só e uma luz amarela no meio, daquelas que gastam bastante energia e liberam bastante calor. Agora eu parecia a bandeira da Angola.

(...)

quinta-feira, 26 de março de 2009

como se morrer fosse desaguar

terça-feira, 24 de março de 2009

e parece que foi assim. num piscar de olhos e luzes de cores mil. parece que foi mais rápido que o pensamento, que a lembrança do que foi. as vezes parece que nem foi. a sensação é meio controversa. se pelos olhos viu-se passar tudo aquilo, tenho certeza, mas certeza das grandes que houve sim. houve lá. ouvi. chorei. pulei. rezei. lamentei. sorri. cantei. chorei no canto. eu vi, eu e mais trinta décadas de pessoas. molhei de água do céu e daqui. foi lindo. mais lindo do que eu pudesse um dia imaginar. talvez pudesse ter sido melhor. compartilhar é um dom e sentir é outro. Mas chorar por si só com os olhos cheios do que eu vi, só eu sei e quem ouviu sabe o que houve lá pra contar.

enxugo lágrimas los hermânicas e radioheadiânicas com sorrisos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Espinha de peixe

voltei. voltei temperada com pimenta
biribá, bacurí, cacau, pouco sal
voltei ácida, citricamente falando, azeda.
voltei com outros olhos
engasgada com espinha de peixe
farinha nenhuma desentala
paca, porcos e parcas lembranças
períneos outrora invioláveis pedem socorro
voltei hepática da infância
voltei quase sem sangue, não me pediam permissão
me circula melhor, aqui
queixada, piaba, filhote, que achas?
tambaqui pergunta o por quê
caldo, óleo, água suja, fígado, dor
vento eu até que tento sentir
com as espinhas fiquei mais forte
ouse e viro porco-espinho ou cateto
sem jeito
ouse que te lanço pelos olhos
fagulhas
sobre teu chão passado
cuspo teus passos
pois aonde não há patente
não se vomita só a flor: espinho também.

domingo, 8 de março de 2009

8 de Março

Dizem que hoje é o Dia internacional das Mulheres. Eu não acredito no que eles dizem. Eu acredito é na Rapaziada.

sábado, 7 de março de 2009

sinto nojo do ínfimo covarde íntimo exposto sem dó ou dô.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Fotossíntese Infantil

O povo brasileiro, como todos sabemos, é de uma riqueza de misturas de povos, genes e características que, todas juntas em uma só, são únicas. Vai me dizer que um africano não gostaria de ter o privilégio da carga genética brasileira. Talvez ele nem tenha noção da magnitude da palavra, ou nem saiba o que significa a palavra riqueza e muito menos genética. Mas se eu fosse de outra etnia, com certeza teria inveja. Inveja das boas, claro.

O acreano, povo particular, muitas vezes me intriga. Mas me intriga muito. Quem conhece um pouco da história sabe que muitos dos genes que aqui habitam dentro das células desses acreanistas, são provenientes dos agrestes de sol e mar, daquela imensidão seca ou apenas aquele deserto de areia nordestino do Brasil, por que o nordeste do Canadá, por exemplo, nada tem a ver com o brasileiro. Muitos dos nordestinos têm descendência européia. Espanhóis, Alemães, e até árabes, sempre digo. E nas aulas de história e geografia que conseguiam chamar minha atenção, diziam também. Vindos em busca do novo mundo, das riquezas brasileras, das nossas florestas, do ouro e tudo mais, passaram pelos portos da costa do Brasil, adentrando-se no mundo desconhecido e disseminando suas mazelas e maravilhas. Aquela cabeça achatada, narizes e orelhas meio assimétricos com certeza são variações mal sucedidas do povo do narigão (árabe). Assim como esse sotaque tão interessante que com certeza deve ter raízes além da nossa língua morta, que continua a se mutar. Há gente que fala um dialeto próprio, cujos verbetes nem sonham em se encontrar em aurélios da vida.

Eu acho uma coisa de louco identificar características de tão longe em pessoas daqui. Estava eu, em toda a minha paciência que tenho, esperando um ônibus que me leva até em casa, lendo o novo livro que comecei a ler hoje mesmo. Abro parêntesis: quando começo a ler um livro novo, fico que nem criança com brinquedo novo, aliás, como tudo que é novo, tenho essa vontade de ter até o fim, até cansar, até a coluna doer mais que o suportável, até os meus olhos começarem a se dilatar e pular pra fora. Eu conheço pessoas que têm os olhos saltados para fora. Feliz seria o Brasil se fosse de cultura lida pelos mesmos. Sou adepta à, há muito tempo derrubada, Teoria de Lamarck, ou a do uso e desuso. Fecho parêntesis.

Ao meu lado, uma senhora morena, morena normal, morena das cores que encontramos por aqui. Diferente do negro do Zimbábue, ou do moreno dourado dos indianos. Aqui os indígenas que deram a cor do tom moreno junto aos nordestinos. Lembrando que nordestino não é povo e nem etinia. Não falo com tom depreciativo, mesmo porque, sou fruto dessa mistura e até me orgulho dessa exoticidade. Longe de mim o xenofobismo interpopulacional. Eu nem sei se isso existe mesmo.

Era morena, normal, com uma criança morena idem com uma peculiaridade muito comum por essas bandas: os cabelos loiros. Não consigo entender de onde vêm essas características que com o passar do tempo somem no tempo. Se fosse pela lei dos caracteres adquiridos, primórdios das experiências de Darwin, a explicação seria muito simples: sua genitora, gostava muito de é o tchan e de suas sheilas, particularmente a loira, que pintou seus cabelos de loiro e esses cabelos passaram para a sua filha. simples assim. Mas não. Se existem estudos sobre esse tipo de variação fenotípica peculiar nas crianças eu não sei. O que eu sei é que crianças não são como folhas, como plantas que nascem de uma forma e depois se transformam em outra totalmente ou não diferente do que eram. Aliás, é uma característica inerente do ser humano que seus filhos, descendentes, seja uma cópia idêntica de si mesmo daqui a alguns anos, só que em miniatura. Os tais hominídios da ciência dos séculos passados. Voltando aos cabelos. As folhas de algumas plantas nascem de cores diferentes, dependendo do tipo de função que ela tem, com certos pigmentos diferentes da clorofila, dependendo da planta. Sim plantas de espécies diferentes possuem características diferentes entre si. E o homo sapiens? Mesma espécie e variações tão grandes de indivíduo para indivíduo. Claro, tudo produto do meio e do ambiente. Não do meio ambiente pois ambos são sinônimos. chega de redundância.


O que faz uma criança que não tem tendência nenhuma aos cabelos loiros (naturais) tê-los quando criança? Sou adepta à teoria da Fotossíntese infantil. Parêntesis: Essa teoria eu inventei sem nenhum argumento cientificamente comprovado, apenas por observações minhas, tenho dito. Fecho parêntesis. Não é doença. É uma adaptação das crianças que vivem num ambiente não muito saudável, com condições não tão adequadas para o bom desenvolvimento, alimentação deficiente, higiene duvidosa e excesso de luz na pele. Sintomas de problemas hepáticos? Cor esverdeada nos olhos e na pele. Clorofila. Cabelos loiros? Xantofila. Pigmentos fotossintetizantes usados pelas plantas para obter alimento a partir de gás carbônico e luz. Pigmentos usados por crianças acreanas para complementação nutricional, uma forma de seleção natural para a sobrevivência das mesmas em condições inapropriadas em um Acre tão rico em diversidade e desigualdade.

fotos por Talita Oliveira

terça-feira, 3 de março de 2009

Escrito nas mãos.

Foi assim, mesmo antes de nascer aquela incerteza. Lista de nomes femininos, lista de nomes masculinos e lista de nomes unissex. Eu sempre quis saber quais eram os nomes unissex, mas achei que não faria bem para a formação do meu caráter na infância. Enfim, depois de alguns meses mesmo com a confirmação do exame, o médico, ao puxar-me pelas mãos do ventre de minha mãe, disse: é um menino, veja que mãos grossas! Os outros médicos olharam abismados para mim, eu ainda com os olhos fechados tentando respirar gritei: "sou mulher, ora porra!". E eu nascia com um vocabulário vasto e com orelhas avantajadas, provindas de meus genes nordestinos paternos e patéticos. Minha mãe muitas vezes foi uma pessoa inteligente. Na verdade, acho que ela sempre foi.

Quando entrei na escola, no jardim de infância, minha afinidade me levava à ala dos que gostavam de azul. Nunca fui aceita na rodinha das que usavam rosa e brincavam de serem mães tão precocemente, sem conhecimento de métodos contraceptivos. Nesse aspecto, eu sempre fui a última a fazer tudo. E tudo inclui tudo mesmo. Eu brincava de pegar ladrão, andava de patins.Caía. Ralava os joelhos e tornozelos. Sempre tive o andar meio torto. Eles me pegavam pela mão e me chamavam de parceira. Eu gostava daquilo.

Colocaram-me na aula de balé, sapateado, jazz, piano, xadrez (veja só, xadrez!), natação. Eu me coloquei nas artes marciais. Para a tristeza de uma mãe que queria uma filha feminina, com amigas no quarto rosa, foi mais uma surpresa. Eu sempre dei muitas emoções pra minha mãe e me orgulho disso. No Kung fu eu podia ser tudo aquilo que gostaria ser sem deixar de ser quem eu era. Complicado, eu sei, mas só eu sei. Com as minhas mãos que dificilmente tinham calos, mais uma vez me destacava dentre aqueles que estavam ali para se auto afirmar, para aprender a brigar na rua ou pagar de admiradores das coisas exóticas do oriente. Segurei forte as oportunidades que tive. Fui até as últimas do meu corpo e dos meus joelhos. Com as mãos. Sobre elas, eu tentava explicar que era genético, herdado, mas gostava de pensar que eram só minhas e eu tinha o privilégio de tê-las minhas em todo o meu egoísmo manístico. humanístico de certa forma.

Larguei as cordas de violão e guitarra para usar minhas mãos na bateria. Me achei denovo. Sempre soube que não era da minha essência tanta sutileza harmônica. Tons, batuques, ritmos, velocidade, bit, vibe, emoção, adrenalina, extasy. O que importa é aquela coisa que eu não sei explicar, aquela mágica da música que entra. A música é uma coisa maravilhosa. Tudo do corpo, da alma, das mãos. Deu até vontade de chorar agora.

Enquanto isso, cumprimentando pessoas que se assustavam, levantei e dei os dois passos mais importantes da minha vida: passo na faculdade e passo a ter consciência do que vou um dia ser. Essas coisas de natureza nunca foram meu forte mas estava escrito nas mãos. Quem diria que um dia eu, pequena menina burguesa mimada, pegaria numa enxada, cavaria solos, tocaria árvores, sentiria a textura do pêlo macio de um bicho-preguiça, faria cálculos volumétricos ou mesmo faria manejo de frutíferas na beira de um rio tão grande, mas tão grande quanto a incerteza, de barco quase dentro dele, do rio, quase parte do fio do horizonte. Ninguém diria.

Não há creme hidratante que dê jeito. Tratamento de estética, macumba ou promessa para são-qualquer-coisa. Não há cartomante ou cigana que diga o contrário. O meu destino? Ora o meu destino quem diria: está escrito nas mãos.

Olhos de noites tristes.

noite triste por olhos idem declama fluidos abaixo. verbos vagos outrora ricos se perdem em meio ao mar de dor. as árvores podem sentir quando o vento vem na tentativa fracassada de secar os molhados. eu posso ver muitas verdades saindo de lá que só eu e salvador dali, acreditaríamos. é triste sim. mais triste por que não tem volta. mais triste por ter que fingir que não se importa. mais triste ver que foi tudo para um abismo sem fim. jogo pro tempo resolver na esperança de vê-lo resolvido. por entre memórias de olhos tristes de noites tristes de vidas tristes, calo e ouço. boca cerrada por pregos a transbordar lástimas, estas que saem por todo o corpo. sinto estar à beira de um fim que não se sabe ao certo qual deles será. que seja o menos doloroso, por fim. que seja o menos infeliz, por mim.

segunda-feira, 2 de março de 2009

tenho medo de confissão
não pelo sermão
(nem batismo tive)
segundo minha vó, não vou pro céu mesmo.
tenho medo de não sentir culpa
ou como diz a música: eu caçador de rins.
minha culpa engulo num copo de vidro
sujo de sangue e sebo de mãos compartilhadas
sem a escolha que não teve
de escolher ou permitir
tenho raiva do meu lado escuro.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Não seu.

eu perco por perto mesmo longe de mim
eu sinto que peço apenas um pedaço de sim
que eu velo que choro que curto que rezo
me perco por perto de partes complexas de si

eu juro que vivo que vim vivi vi e venci
não juro que nego que ao olhar pro lado teu calor eu vi
não finjo não sinto apenas para muito fazer e pouco sentir
eu perco por perto de partes complexas de mim

é como acordar e se rir
é como o tempo voando sem fim
é comungar e te ver
é como o 'A' que eu fazia pra você


me fujo me sumo me uso me escondo de ti
por portas janelas muros e sorrisos e afins
de frente de costas surda e muda ouvi
sem olhos sem corpo e sem coração decidi

que é como uivar e sentir
o vento claro da lua que vi
é como nascer e ver
o mundo com outros olhos
o meu mundo sem você.

é como lembrar e fingir
que era apenas um sonho e
voltar a durmir
é como te ver e não te querer
ouvir a voz dizendo se arrepender

e o espelho apenas sorri.

Chavão de quarta

só sobraram as cinzas vermelhas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

tanto faz
sem voz é melhor
ouvir com os olhos
ou mesmo pensar
só em silêncio eu
te enxergo no escuro.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

ele se foi e eu nem tive oportunidade de me despedir.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

só lembro que choveu.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

De boca em boca: à boca.

Depois de muito ir e voltar, fugir pra as terras distantes que alguém descobriu, voltar para as terras que quase ninguém sabe de quem, passar por chãos quase sem fim, onde o olhar se perde por entre o chão desnudo que deixa marca onde toca e, se tiver sorte ainda, consegue-se chegar ao destino se não for época de água ou inverno como dizem por aqui. Mesmo sabendo que não existem estações definidas por essas bandas a não ser a estação de ônibus de milha em milha, barro em barro, pedra em pedra, pasto em pasto: Voltou. Como se nunca tivesse ido pra onde nunca queria ter voltado, pelo desejo de nunca dali sair. Com medo de encarar o próprio mundo, danou-se a encarar o dos outros. Vinha com uma mala velha verde musgo e um calendário onde marcava quantos dias estava longe dos seus. Falava mais que a boca que tinha e de todos que a rodeavam, inclusive sobre os mesmos. Vinha contando com sorrisos os cantos, trancos e barrancos passados.

A cunhada era casada com um traficante que estava preso na delegacia. A delegacia, por sua vez, parecia um clube. Todo fim de semana tinha churrasco e cachaça pros presos. Algemas? Não precisava. Vezes quando eram liberados de suas sentenças, tratavam de cometer outro crime para voltar pra lá. Sem mentira, era um local muito desejado. Ao lado do bar mais badalado da cidadela, onde vendia a melhor cachaça da região vinda pelas balsas dentro de barris, tinha um policial que assaltava os traficantes, vendia e consumia junto com os companheiros da cadeia. Criou-se uma relação de irmandade. Coisa bonita de se ver, dizia ela.

Certa vez, a cunhada que não era muito chegada à banho como muitos dali, perfumou-se, pintou-se, colocou a saia mais curta e seguiu para a visita, que nem precisava ser privativa pois não haviam restrições : - Achei estranho. O Delegado estava para a capital e quem estava no posto era a esposa dele. Professora de geografia. Estorquia qualquer crime por qualquer nota de cinquenta. Liberava os ladrões de galinha aos fins de semana para garantir o jantar. Dirigia a caminhonete da polícia para ir arrumar o cabelo no salão.

- Vim trazer comida pro meu marido, disse ela. E essa criança? É filha. Loira, com esses olhos? São do avô. Venha cá , deixe eu te revistar. De cócoras. É preciso mesmo passar por esse constrangimento na frente da criança? Você tem R$ 100? Não, tenho umas trouxinhas aqui. Colombia? Bolívia. Vou ter que te prender. Na minha cidade não entra esse tipo de coisa não. Mas dona delegada eu não posso ser presa, tenho minha filha pra criar, não há quem cuide. O que você acha daqui, menina? Gosto da cor da parede, dona delegada. Certo, já que gostou, não vai ter problemas em vai ficar na cela com a sua mãe. E assim ficou por lá, durante quatro meses até que voltassem as aulas da menina. A mãe foi liberada também. Vendia roupas e sapatos roubados na feira com o marido, que vivia saindo à cidade pra comprar cachaça e galinha pro churrasco do feriado próximo.

Caboco é bicho imundo, dizia. Não tomam banho e olha que vivem na beira do rio. É pura imundice mesmo. Em uma conversa com vizinhas e comadres, foi surpreendida com um comentário infeliz de uma mulher idem: No Acre só tem galinha. Como é que é a história? É isso mesmo. Os homens que vem de lá dizem que são galinhas e ao chegar em um restaurante pedem acreanas caipiras. Isso é coisa de rondoniense, maninha, que morrem de inveja das acreanas que são mulheres bonitas, cobiçadas e sabem fazer o negócio direito. E você com essa cara de macaco misturado com cruz credo vem falar das acreanas? Prefiro ser galinha que toma banho até no seco do que ser uma porca gorda, fedida e suja como do seu tipo.

Rabissacou e seguiu seu rumo. Deu a mão e: Dá uma carona? Claro, tô indo pra Rio Branco e você? De volta a terra que nunca desejara ter saido, pelo mesmo motivo de não ter que um dia hesitar em voltar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Eu rio, tu ris.

Legal deve ser tomar banho no rio e ver o céu passar depressa. Mas como dizem que o azul do céu é reflexo da água, meu céu deveria ser marrom e as estrelas não teriam o brilho que têm em noites de céu sem luz. Por que em noites como essas fica difícil de se ver além. O brilho dos olhos de alguém pode dar medo se não se souber que não se faz por gosto. Simplesmente o é. Se não conhecece o rio acre de nome, tomaria banho nele. É um rio bonito apesar de ser feio. Quando cheio, como agora, parece um caldo de cana ou suco de cerveja. Onde botos e peixes feios nadam na esperança de não serem servidos na próxima sexta feira santa. Todo santo dia ele se renova. o rio. Legal deve ser poder banhar-se sem medo em suas águas, sem imaginar de onde saiu e por onde passou. Por que assim como o rio passa e arrasta pedaços pelos caminhos passados, pessoas também o fazem. Levam pedaços seus sem que se dê conta. Vezes fazem bom uso de si, vezes guardam na gaveta do armário onde ficam as coisas que não devem ser queridas. Acho injusto jogar no rio ou no mato. Ambos são tão preciosos. É tudo tão simples e descartável ao mesmo tempo que é odiável. O rio daqui não acaba no mar. Pedaços meus por aí, eu não sei aonde um dia vou poder encontrar. Talvez disputando alguma árvore da margem ou empregnada em peles manchadas do sol do céu marrom.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quero a sorte de um amor de fotografia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

é

foice. como se nunca tivesse voltado. força na forca. ondas da voz não te perturbarão mais. me diz que foi-se mas nunca quiz ter ido. e meu abraço continua aberto e vazio.

Verde musgo.

Tenho nojinho de gente que é sempre feliz demais. A Alegria do algodão doce além do horizonte passando em baixo do arco-íris é doce demais pra mim. Tenho andado amarga. Maldade guardada na gaveta. Suco gástrico na escova de dentes. Sanguessuga na pele. Pulso. Repulsa.

Constrói-se dicionário de impropérios. Aceita-se doações.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Só chove em mim.

Impressão minha ou essa nuvem só está sob a minha cabeça?

De Sang'real

Eu olhava, analisava os traços, procurava semelhanças. O formato do rosto era todo do pai. redondo. presidende. português. sem barba. O nariz afilado, pequeno, singelo. Olhei mais, olhei, passeei por todos os pontos do rosto tentando achar, sombrancelhas, boca. Tudo era muito vago. Quando desisti de encontrar, em uma súbita mudança de ângulo: as orelhas são as mesmas.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Nem o espelho me agrada mais.

Parede colorida

Tudo aqui é sobre eu
por que mim não conjuga verbo
unhas partidas em partes ímpares
ou partes de eu
acho que esqueci
como ser alguém
além do mim desejado
agora já é tarde
não tenho mais teu endereço
e em ruas próximas
eu esqueço
do que um dia era pra ter sido
meu mas não deu
nem escrito com luz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ir-se dói-se.

sábado, 24 de janeiro de 2009

199 e bolinhas.

Não tenho paciência para assuntos antigos, como os da época do colégio. Estranho é não sentir falta da minha melhor amiga. Sim, eu tinha. E tenho até fotografia. Naquela época era muito valioso ser melhor amiga de alguém. Era muito valioso você poder contar os seus problemas de casa que, aos ouvidos dos outros, eram apenas coisas de menina mimada. Ou de confessar, sob jura de morte, a paixão pelo coleguinha ao lado e até mesmo sentir-se envergonhada por nunca ter beijado na boca.

Os planos de crescer e fazer faculdade só serviram pra alguns. Alguns não entraram na faculdade e outros...não cresceram. E com o passar do tempo, eu continuo achando que nem todo o pra sempre é pra sempre mesmo, e como ja disseram por aí : o pra sempre sempre acaba. Se as coisas, se a vida seguir uma lógica natural, essa fase vai passar também. Como hoje me incomoda alguém que eu estudei na 7° série querer ter a mesma intimidade que tinhamos quando éramos apenas crianças, espero que daqui a uns anos eu me incomode ao ver fotografias e ler textos de um passado meu que, infelizmente , ainda é presente.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tenho tendências bucólicas.

Mas com que cor?

Gosto de colocar cores palavras e sentimentos sem cor e de materializar sensações abstratas. Personificar adjetivos e hipérboles. Gosto de falar em português (antes da nova ordem gramatical) e de pensar em inglês, à vezes. Gosto também de dizer o que gosto. Mas não se consegue entendimento mútuo. E pra isso, eu não tenho cor.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meio tarde

E o que resta
é quase nada
do pouco
que sobrou no fim

sou metade
já é meio tarde
pra não deixar
de dizer que sim

sou partes dos outros
sou toda minha
pelas esquinas e cozinhas
hão de haver sílabas
de lábios leporinos
bocas de dentes maltratados
ou má formados, de natureza

metades mal contadas
ao bel prazer
facas com pontas afiadas
só pra quem quizer ver

mas o que ninguém sabe
o que só eu sei
que a outra metade
foi catada aos pedaços por aí
montada em papel celofane
e pregada em paredes
aos pregos enferrujados

ninguém sabe que
o que resta além do fim
só se descobre
quando se chega lá.

sábado, 17 de janeiro de 2009

há tanta maldade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Emosensacionalismo.

Chorinho me faz chorar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Olho com olhos de vidro. vibro. procuro entre os dentes, o sorriso que vem vindo. eles dançam pra mim com gosto de limãohortelã.

Te dou uma frase de presente e um copo com amor
Mudo pra você me ver, com os olhos de quem vê.
Te dou um adesivo de presente
Pendura na parede da sua sala
Ou guarda, não mente

Quero ver quem diz que não

Passos pela calça estreita para um mesmo caminho
Passo de mim pra você. Passos de você pra mim.
A chuva não molha aqui dentro
Te abraço com pernas

Quero ver quem diz que foi em vão

Apago memórias do passado tão presente
Fecho os olhos pra te ver como lá
Vezes olho pelo espelho
Vezes te deixo
Como te deixei
Voltei pra buscar


e quem virá dessa vez?
com que olhos será?


Quero ver quem diz que não
Quero ver quem diz em vão
Vem dizer que não era pra ser assim

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pra exorci-tar esse meu lado.

Acho que já vi(vi) isso. Eu tenho uma bateria para se tocar com os dedos. Tenho olhos vermelhos de raiva. Tenho nojo desses sentimentos. Quase não tenho mais estômago. Tenho pena dela. Covardia que nem nascendo denovo poderá se livrar. E que veio denovo. Por linhas tortas, tua vida também é. Por falas tortas, tua lingua queimará. Pelas vielas esburacadas e mal cheirosas por cervejas verdes regurgitadas, cairás e se arrependerás no dia seguinte. Poft, ouviu o barulho do tombo? Sentirás vergonha do ser repugnate que és. Culparás a que nenhuma culpa tem, verdinha. Declamarás impropérios e desgostos, com o mesmo vocabulário, é fato, que inteligência lhe falta. Lhe faltam livros. Lhe faltam amores nessa vida feita às sombras. Lhe falta luz, cara! Não se vive só de cores, nem rabiscos, fato idem. Como também fato é a certeza que daqui pra frente terás. Eu vou estar aqui. Só olhando e esperando o que eu já sei: não virás. Não espero muita coisa de gente que nega abraço de despedida.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Resoluções doismilenovianas

Nada de compartilhamentos esse ano!