quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dos nuncas

- Nunca, mas nunca mesmo, desconfie dos seus sentidos. Principalmente do sexto.
- Nunca dê 100% de si. Guarde pelo menos uns 10% para situações desagradáveis.

ontem eu chovi.

terça-feira, 7 de abril de 2009

conversas de calcanhares batidos e feridos, por pernas tortas do andar desviado, por fim.

Romanticismo culposo.

Saiu-se peidando-se com medo de si mesmo, copiando e repetindo palavras que nem papagaio, verde idem, triste sempre. com amargura na boca, gosto ruim de nome eufêmico, lágrimas de réptil orgulhoso nos olhos: tinha medo de voltar. olhos de animal abandonado recém-nascido, não hesitou em assumir. como ser triste, muitas vezes, quase sempre, mas nunca era nada. Sempre era muito mais do que uma mera tristeza, daquelas com zê e com ésse mesmo. tinha problemas de pontuação. principamente com pontos finais. eram sempre reticências, das muitas vezes reticentes mesmo. Não estava só na arte de repetir e copiar, não mesmo.

Não se contentava com pouco, ambiciosidade era uma de suas características. não media esforços nem para o bem, muito menos para o mal, este também era uma de suas características que se orgulhava. batia no peito, culpando os antepassados que culpa nenhuma tem no cartório. talvez precisasse daquilo, cartório, processo, pena, crime e castigo pra dostoiévisky nenhum botar defeito, pois o sentimento de ter causado dor, só cessa ao causar mais e mais a outrém, sem esquecer de si mesmo, se é que se sente algo. sempre foi assim. usando artifícios dolosos e penosos a justificar seus atos falhos, seguiu seguindo a vida, não muito diferente do que costumava ser. Não tão breve, aos trancos e barrancos se apaixonou por uma folha de papel, casou-se com sua filha, a caneta, e foram morar com os parentes da sogra, num lugar apertado e aconchegante, onde todas as mentiras tinham frente e verso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

deveria sorrir mais pra vida, dizia.

precisa-se de poesia. escamba-se por inspiração.

me desculpe, mas você é tão moderna quanto suas calças jeans.

ói

bom mesmo é redescobrir as coisas
olhar com outros olhos
olhar com e sem lentes
olhar com os tímpanos
narinas e falanges
simplesmente olhar

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ú³ que beleza

abre a porta e vai entrando.

lembro, logo, resisto.

penso, logo, desisto.

Não se fazem passados como antes

em meio a noites em claro, no escuro
sinto que não posso suportar a luz do sol
clara com a noite, escura como o cegar dos raiares
doem, os olhos, e eu vejo todo o verde da manhã
sinto vontade de chorar, admito
dói em outro lugar
por que cada passo à frente
é um passo distante do que se foi
cada suspiro, é um pedaço de carne que fica
pedaços estes que se vão, ao vento, à água, ao sol, ao léu
no tempo em que era tudo tão simples: só ir
não se fazem passados como antes.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

se não é dó é dô.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mas quanta afinidade, quanta semelhança e sintonia! Acho que algo há uma dúzia de meses atrapalhou o caminhar do lado dali, sem ser o salvador, pro lado de lá. Desculpe mas estive sem alvará.

terça-feira, 31 de março de 2009

não era só o que faltava. não faltava nada mesmo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

constatação

é no nojo e no desgosto que se consegue a paz ao seguir os 3 ésses do ensino médio: Siga Sempre Sorrindo.

piro. respiro. risco.
releio. re choro. re rio.
re coro. vermelho. revivo.
demoro. remorro. re freio.
relento. retorno. re sinto.
re paro. disparo. re lato. re grito.
relapso. remorso. recapto.
calypso. colapso nervoso.
re ódio. re dor. rê à deus.
ao redor adeus rente inconstante.
adeus mente, tu mentes
me despeço com teu semblante
re vês e re clamas ao fim
re julga re xinga re voodooa em mim

eu me perco, também, por papéis com letras quase ilegíveis. consigo decifrar por lembrar exatamente do momento em que escrevi. lembro no movimento dos meus dedos conduzindo o riscar. lembro do sol. lembro do frio. lembro do rio. acho que estou ficando muito regionalista mas também acho que não tem como fugir das influências e da inspiração ao redor.


domingo, 29 de março de 2009

reutilizável

me sinto reciclável e às vezes (mas só às) me sinto bem com isso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Contos de cantos

Dez para as dez. nove e cinquenta. ônibus cheio de faces estranhas e eu fiz questão de usar a minha melhor (face estranha) ao entrar. não era pior do que eu esperava. bom mesmo é não criar expectativas sobre as coisas. há animais amarrados como bagagens e crianças que em algumas horas estarão exercitando suas cordas vocais de maneira extrema e deseperadora, mesmo que o motivo não seja nem metade do expresso. afinal, é isso que crianças fazem: choram. o calor é o de sempre mas me parece que capricharam no dia de hoje. As vezes eu não vejo fundamento nas pessoas que tomam banho de manhã antes de sair de casa. não adianta muito pois depois de algumas horas já estão fedendo denovo. eu sei, pode parecer ser frescura, mas estou em pleno exercício de desfrescurização, afinal, vou passar alguns longe de casa, chuveiro e cama macia e higiene. É questão de sobrevivência: desfrescurisarás e sobreviverás.

Outra coisa que eu não consigo entender é por que as pessoas não tomam banho nesse calor que faz. As que vivem em lugares frios é até compreensível, mas o que eu acho realmente um absurdo é que se fossem esclarecidas e preocupadas com o meio ambiente, tudo bem, a desculpa seria a preservação dos recursos hídricos, a diminuição de deposição de dejetos químicos advindos dos produtos de limpeza à favor do bem estar do planeta. A gente sabe que é sem vergonhice mesmo.

Abel de Queiróz estava fazendo o seu trabalho, é o que ele fazia de melhor: conferir passagens. Infelizmente nem todas as pessoas que trabalham com venda de passagens de ônibus são pessoas legais como o Abel, que estava apenas fazendo o seu trabalho. Fui bem clara ao dizer: " quero uma poltrona que não pegue sol". Ele não tinha senso de direção e muito menos de humor quando eu perguntei se o nosso ônibus tinha ar-condicionado. Olhou pra mim, por cima das têmporas, deu meio sorriso e disse:"Você acha mesmo?". Eu realmente não achava mas tinha esperanças, oras. No final das contas eu peguei a poltrona premiada que se tivesse placa diria: " parabéns, você vai passar mais de 6h com o sol na moleira". E foi assim que segui viagem rezando para as nuvens me acompanharem.

Depois de buracos, lamas e bois eu acordei molhada de suor e com os ombros ardendo. Pois é, fiquei parecendo a bandeira do Japão por que nuvem nenhuma me acompanhou. Boca do Acre possui o maior rebanho bovino do estado do Amazonas, um frigorífico moderníssimo e muita gente pobre. semelhantes situações encontram-se muito perto das fronteiras. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o Acre, mas daí já é outra história. Boca do Acre perdeu uma parte do seu território para o rio. e não perdeu por aposta, nem briga ou processo judicial. O rio tem autonomia e soberania sobre tudo e todos ao seu redor. Um praça, uma rua, casas inteiras se foram. Atentos a isso, a prefeitura municipal construiu uma cidade nova, 9 km longe do rio chamada Piquiá. Planejada, livre dos perigos do rio, é bem ajeitadinha. Mas quem disse que os ribeirinhos, as pessoas que moram na beira do rio, querem sair de lá? " Só saio daqui quando o rio me tirar". Ele trabalha como barqueiro atravessando pessoas de um lado pro outro do rio por apenas um real. No lugar onde ficamos ficava bem de frente ao encontro das águas do Rio Acre e do Rio Purus. Do outro lado do rio, Purus, na margem adjascente é um bairro de Boca do Acre chamado São Paulo. Achei graça quando vi o nome. Bem arrumadinho, diferente do outro lado onde a sujeira, o caos e o mal cheiro imperam. tem até quadra de esportes. tem até homossexuais andando na calçada de tijolo que corta todo o bairro. tem até uma fonte de água natural e limpa onde as pessoas enchem seus galões de água e juram ser água potável. com certeza é muito melhor do que beber a água do rio ou pagar 10R$ num galão com água mineral.

O lugar onde ficamos era conhecido meu. o melhor da cidade mas isso não significa muita coisa. não é mérito nenhum ser o menos pior dos piores. pelo menos tinha ar-condicionado (amém). Vassoura, pano de chão há muito tempo não se via por ali. No banheiro o dito box tinha apenas uma parte e eu tinha que deixar no meio e escolher qual lado eu queria molhar menos. era impossível não molhar fora. O chuveiro era voltado para a parede. Logo, para tomar banho, eu tinha que me encostar na parede e roubar um pouco de água que escorria por ela. Imagine a cena. Lembra que eu dei amém quanto ao ar condicionado? Pois é, mas quando vi que ele não tinha filtro nenhum, era apenas um buraco aberto saindo o vento frio do aparelho, meu nariz suspirou triste ao sentir os ácaros prolíferos do ar. No teto tinha um ventilador com uma palheta só e uma luz amarela no meio, daquelas que gastam bastante energia e liberam bastante calor. Agora eu parecia a bandeira da Angola.

(...)

quinta-feira, 26 de março de 2009

como se morrer fosse desaguar

terça-feira, 24 de março de 2009

e parece que foi assim. num piscar de olhos e luzes de cores mil. parece que foi mais rápido que o pensamento, que a lembrança do que foi. as vezes parece que nem foi. a sensação é meio controversa. se pelos olhos viu-se passar tudo aquilo, tenho certeza, mas certeza das grandes que houve sim. houve lá. ouvi. chorei. pulei. rezei. lamentei. sorri. cantei. chorei no canto. eu vi, eu e mais trinta décadas de pessoas. molhei de água do céu e daqui. foi lindo. mais lindo do que eu pudesse um dia imaginar. talvez pudesse ter sido melhor. compartilhar é um dom e sentir é outro. Mas chorar por si só com os olhos cheios do que eu vi, só eu sei e quem ouviu sabe o que houve lá pra contar.

enxugo lágrimas los hermânicas e radioheadiânicas com sorrisos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Espinha de peixe

voltei. voltei temperada com pimenta
biribá, bacurí, cacau, pouco sal
voltei ácida, citricamente falando, azeda.
voltei com outros olhos
engasgada com espinha de peixe
farinha nenhuma desentala
paca, porcos e parcas lembranças
períneos outrora invioláveis pedem socorro
voltei hepática da infância
voltei quase sem sangue, não me pediam permissão
me circula melhor, aqui
queixada, piaba, filhote, que achas?
tambaqui pergunta o por quê
caldo, óleo, água suja, fígado, dor
vento eu até que tento sentir
com as espinhas fiquei mais forte
ouse e viro porco-espinho ou cateto
sem jeito
ouse que te lanço pelos olhos
fagulhas
sobre teu chão passado
cuspo teus passos
pois aonde não há patente
não se vomita só a flor: espinho também.

domingo, 8 de março de 2009

8 de Março

Dizem que hoje é o Dia internacional das Mulheres. Eu não acredito no que eles dizem. Eu acredito é na Rapaziada.

sábado, 7 de março de 2009

sinto nojo do ínfimo covarde íntimo exposto sem dó ou dô.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Fotossíntese Infantil

O povo brasileiro, como todos sabemos, é de uma riqueza de misturas de povos, genes e características que, todas juntas em uma só, são únicas. Vai me dizer que um africano não gostaria de ter o privilégio da carga genética brasileira. Talvez ele nem tenha noção da magnitude da palavra, ou nem saiba o que significa a palavra riqueza e muito menos genética. Mas se eu fosse de outra etnia, com certeza teria inveja. Inveja das boas, claro.

O acreano, povo particular, muitas vezes me intriga. Mas me intriga muito. Quem conhece um pouco da história sabe que muitos dos genes que aqui habitam dentro das células desses acreanistas, são provenientes dos agrestes de sol e mar, daquela imensidão seca ou apenas aquele deserto de areia nordestino do Brasil, por que o nordeste do Canadá, por exemplo, nada tem a ver com o brasileiro. Muitos dos nordestinos têm descendência européia. Espanhóis, Alemães, e até árabes, sempre digo. E nas aulas de história e geografia que conseguiam chamar minha atenção, diziam também. Vindos em busca do novo mundo, das riquezas brasileras, das nossas florestas, do ouro e tudo mais, passaram pelos portos da costa do Brasil, adentrando-se no mundo desconhecido e disseminando suas mazelas e maravilhas. Aquela cabeça achatada, narizes e orelhas meio assimétricos com certeza são variações mal sucedidas do povo do narigão (árabe). Assim como esse sotaque tão interessante que com certeza deve ter raízes além da nossa língua morta, que continua a se mutar. Há gente que fala um dialeto próprio, cujos verbetes nem sonham em se encontrar em aurélios da vida.

Eu acho uma coisa de louco identificar características de tão longe em pessoas daqui. Estava eu, em toda a minha paciência que tenho, esperando um ônibus que me leva até em casa, lendo o novo livro que comecei a ler hoje mesmo. Abro parêntesis: quando começo a ler um livro novo, fico que nem criança com brinquedo novo, aliás, como tudo que é novo, tenho essa vontade de ter até o fim, até cansar, até a coluna doer mais que o suportável, até os meus olhos começarem a se dilatar e pular pra fora. Eu conheço pessoas que têm os olhos saltados para fora. Feliz seria o Brasil se fosse de cultura lida pelos mesmos. Sou adepta à, há muito tempo derrubada, Teoria de Lamarck, ou a do uso e desuso. Fecho parêntesis.

Ao meu lado, uma senhora morena, morena normal, morena das cores que encontramos por aqui. Diferente do negro do Zimbábue, ou do moreno dourado dos indianos. Aqui os indígenas que deram a cor do tom moreno junto aos nordestinos. Lembrando que nordestino não é povo e nem etinia. Não falo com tom depreciativo, mesmo porque, sou fruto dessa mistura e até me orgulho dessa exoticidade. Longe de mim o xenofobismo interpopulacional. Eu nem sei se isso existe mesmo.

Era morena, normal, com uma criança morena idem com uma peculiaridade muito comum por essas bandas: os cabelos loiros. Não consigo entender de onde vêm essas características que com o passar do tempo somem no tempo. Se fosse pela lei dos caracteres adquiridos, primórdios das experiências de Darwin, a explicação seria muito simples: sua genitora, gostava muito de é o tchan e de suas sheilas, particularmente a loira, que pintou seus cabelos de loiro e esses cabelos passaram para a sua filha. simples assim. Mas não. Se existem estudos sobre esse tipo de variação fenotípica peculiar nas crianças eu não sei. O que eu sei é que crianças não são como folhas, como plantas que nascem de uma forma e depois se transformam em outra totalmente ou não diferente do que eram. Aliás, é uma característica inerente do ser humano que seus filhos, descendentes, seja uma cópia idêntica de si mesmo daqui a alguns anos, só que em miniatura. Os tais hominídios da ciência dos séculos passados. Voltando aos cabelos. As folhas de algumas plantas nascem de cores diferentes, dependendo do tipo de função que ela tem, com certos pigmentos diferentes da clorofila, dependendo da planta. Sim plantas de espécies diferentes possuem características diferentes entre si. E o homo sapiens? Mesma espécie e variações tão grandes de indivíduo para indivíduo. Claro, tudo produto do meio e do ambiente. Não do meio ambiente pois ambos são sinônimos. chega de redundância.


O que faz uma criança que não tem tendência nenhuma aos cabelos loiros (naturais) tê-los quando criança? Sou adepta à teoria da Fotossíntese infantil. Parêntesis: Essa teoria eu inventei sem nenhum argumento cientificamente comprovado, apenas por observações minhas, tenho dito. Fecho parêntesis. Não é doença. É uma adaptação das crianças que vivem num ambiente não muito saudável, com condições não tão adequadas para o bom desenvolvimento, alimentação deficiente, higiene duvidosa e excesso de luz na pele. Sintomas de problemas hepáticos? Cor esverdeada nos olhos e na pele. Clorofila. Cabelos loiros? Xantofila. Pigmentos fotossintetizantes usados pelas plantas para obter alimento a partir de gás carbônico e luz. Pigmentos usados por crianças acreanas para complementação nutricional, uma forma de seleção natural para a sobrevivência das mesmas em condições inapropriadas em um Acre tão rico em diversidade e desigualdade.

fotos por Talita Oliveira

terça-feira, 3 de março de 2009

Escrito nas mãos.

Foi assim, mesmo antes de nascer aquela incerteza. Lista de nomes femininos, lista de nomes masculinos e lista de nomes unissex. Eu sempre quis saber quais eram os nomes unissex, mas achei que não faria bem para a formação do meu caráter na infância. Enfim, depois de alguns meses mesmo com a confirmação do exame, o médico, ao puxar-me pelas mãos do ventre de minha mãe, disse: é um menino, veja que mãos grossas! Os outros médicos olharam abismados para mim, eu ainda com os olhos fechados tentando respirar gritei: "sou mulher, ora porra!". E eu nascia com um vocabulário vasto e com orelhas avantajadas, provindas de meus genes nordestinos paternos e patéticos. Minha mãe muitas vezes foi uma pessoa inteligente. Na verdade, acho que ela sempre foi.

Quando entrei na escola, no jardim de infância, minha afinidade me levava à ala dos que gostavam de azul. Nunca fui aceita na rodinha das que usavam rosa e brincavam de serem mães tão precocemente, sem conhecimento de métodos contraceptivos. Nesse aspecto, eu sempre fui a última a fazer tudo. E tudo inclui tudo mesmo. Eu brincava de pegar ladrão, andava de patins.Caía. Ralava os joelhos e tornozelos. Sempre tive o andar meio torto. Eles me pegavam pela mão e me chamavam de parceira. Eu gostava daquilo.

Colocaram-me na aula de balé, sapateado, jazz, piano, xadrez (veja só, xadrez!), natação. Eu me coloquei nas artes marciais. Para a tristeza de uma mãe que queria uma filha feminina, com amigas no quarto rosa, foi mais uma surpresa. Eu sempre dei muitas emoções pra minha mãe e me orgulho disso. No Kung fu eu podia ser tudo aquilo que gostaria ser sem deixar de ser quem eu era. Complicado, eu sei, mas só eu sei. Com as minhas mãos que dificilmente tinham calos, mais uma vez me destacava dentre aqueles que estavam ali para se auto afirmar, para aprender a brigar na rua ou pagar de admiradores das coisas exóticas do oriente. Segurei forte as oportunidades que tive. Fui até as últimas do meu corpo e dos meus joelhos. Com as mãos. Sobre elas, eu tentava explicar que era genético, herdado, mas gostava de pensar que eram só minhas e eu tinha o privilégio de tê-las minhas em todo o meu egoísmo manístico. humanístico de certa forma.

Larguei as cordas de violão e guitarra para usar minhas mãos na bateria. Me achei denovo. Sempre soube que não era da minha essência tanta sutileza harmônica. Tons, batuques, ritmos, velocidade, bit, vibe, emoção, adrenalina, extasy. O que importa é aquela coisa que eu não sei explicar, aquela mágica da música que entra. A música é uma coisa maravilhosa. Tudo do corpo, da alma, das mãos. Deu até vontade de chorar agora.

Enquanto isso, cumprimentando pessoas que se assustavam, levantei e dei os dois passos mais importantes da minha vida: passo na faculdade e passo a ter consciência do que vou um dia ser. Essas coisas de natureza nunca foram meu forte mas estava escrito nas mãos. Quem diria que um dia eu, pequena menina burguesa mimada, pegaria numa enxada, cavaria solos, tocaria árvores, sentiria a textura do pêlo macio de um bicho-preguiça, faria cálculos volumétricos ou mesmo faria manejo de frutíferas na beira de um rio tão grande, mas tão grande quanto a incerteza, de barco quase dentro dele, do rio, quase parte do fio do horizonte. Ninguém diria.

Não há creme hidratante que dê jeito. Tratamento de estética, macumba ou promessa para são-qualquer-coisa. Não há cartomante ou cigana que diga o contrário. O meu destino? Ora o meu destino quem diria: está escrito nas mãos.

Olhos de noites tristes.

noite triste por olhos idem declama fluidos abaixo. verbos vagos outrora ricos se perdem em meio ao mar de dor. as árvores podem sentir quando o vento vem na tentativa fracassada de secar os molhados. eu posso ver muitas verdades saindo de lá que só eu e salvador dali, acreditaríamos. é triste sim. mais triste por que não tem volta. mais triste por ter que fingir que não se importa. mais triste ver que foi tudo para um abismo sem fim. jogo pro tempo resolver na esperança de vê-lo resolvido. por entre memórias de olhos tristes de noites tristes de vidas tristes, calo e ouço. boca cerrada por pregos a transbordar lástimas, estas que saem por todo o corpo. sinto estar à beira de um fim que não se sabe ao certo qual deles será. que seja o menos doloroso, por fim. que seja o menos infeliz, por mim.

segunda-feira, 2 de março de 2009

tenho medo de confissão
não pelo sermão
(nem batismo tive)
segundo minha vó, não vou pro céu mesmo.
tenho medo de não sentir culpa
ou como diz a música: eu caçador de rins.
minha culpa engulo num copo de vidro
sujo de sangue e sebo de mãos compartilhadas
sem a escolha que não teve
de escolher ou permitir
tenho raiva do meu lado escuro.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Não seu.

eu perco por perto mesmo longe de mim
eu sinto que peço apenas um pedaço de sim
que eu velo que choro que curto que rezo
me perco por perto de partes complexas de si

eu juro que vivo que vim vivi vi e venci
não juro que nego que ao olhar pro lado teu calor eu vi
não finjo não sinto apenas para muito fazer e pouco sentir
eu perco por perto de partes complexas de mim

é como acordar e se rir
é como o tempo voando sem fim
é comungar e te ver
é como o 'A' que eu fazia pra você


me fujo me sumo me uso me escondo de ti
por portas janelas muros e sorrisos e afins
de frente de costas surda e muda ouvi
sem olhos sem corpo e sem coração decidi

que é como uivar e sentir
o vento claro da lua que vi
é como nascer e ver
o mundo com outros olhos
o meu mundo sem você.

é como lembrar e fingir
que era apenas um sonho e
voltar a durmir
é como te ver e não te querer
ouvir a voz dizendo se arrepender

e o espelho apenas sorri.

Chavão de quarta

só sobraram as cinzas vermelhas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

tanto faz
sem voz é melhor
ouvir com os olhos
ou mesmo pensar
só em silêncio eu
te enxergo no escuro.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

ele se foi e eu nem tive oportunidade de me despedir.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

só lembro que choveu.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

De boca em boca: à boca.

Depois de muito ir e voltar, fugir pra as terras distantes que alguém descobriu, voltar para as terras que quase ninguém sabe de quem, passar por chãos quase sem fim, onde o olhar se perde por entre o chão desnudo que deixa marca onde toca e, se tiver sorte ainda, consegue-se chegar ao destino se não for época de água ou inverno como dizem por aqui. Mesmo sabendo que não existem estações definidas por essas bandas a não ser a estação de ônibus de milha em milha, barro em barro, pedra em pedra, pasto em pasto: Voltou. Como se nunca tivesse ido pra onde nunca queria ter voltado, pelo desejo de nunca dali sair. Com medo de encarar o próprio mundo, danou-se a encarar o dos outros. Vinha com uma mala velha verde musgo e um calendário onde marcava quantos dias estava longe dos seus. Falava mais que a boca que tinha e de todos que a rodeavam, inclusive sobre os mesmos. Vinha contando com sorrisos os cantos, trancos e barrancos passados.

A cunhada era casada com um traficante que estava preso na delegacia. A delegacia, por sua vez, parecia um clube. Todo fim de semana tinha churrasco e cachaça pros presos. Algemas? Não precisava. Vezes quando eram liberados de suas sentenças, tratavam de cometer outro crime para voltar pra lá. Sem mentira, era um local muito desejado. Ao lado do bar mais badalado da cidadela, onde vendia a melhor cachaça da região vinda pelas balsas dentro de barris, tinha um policial que assaltava os traficantes, vendia e consumia junto com os companheiros da cadeia. Criou-se uma relação de irmandade. Coisa bonita de se ver, dizia ela.

Certa vez, a cunhada que não era muito chegada à banho como muitos dali, perfumou-se, pintou-se, colocou a saia mais curta e seguiu para a visita, que nem precisava ser privativa pois não haviam restrições : - Achei estranho. O Delegado estava para a capital e quem estava no posto era a esposa dele. Professora de geografia. Estorquia qualquer crime por qualquer nota de cinquenta. Liberava os ladrões de galinha aos fins de semana para garantir o jantar. Dirigia a caminhonete da polícia para ir arrumar o cabelo no salão.

- Vim trazer comida pro meu marido, disse ela. E essa criança? É filha. Loira, com esses olhos? São do avô. Venha cá , deixe eu te revistar. De cócoras. É preciso mesmo passar por esse constrangimento na frente da criança? Você tem R$ 100? Não, tenho umas trouxinhas aqui. Colombia? Bolívia. Vou ter que te prender. Na minha cidade não entra esse tipo de coisa não. Mas dona delegada eu não posso ser presa, tenho minha filha pra criar, não há quem cuide. O que você acha daqui, menina? Gosto da cor da parede, dona delegada. Certo, já que gostou, não vai ter problemas em vai ficar na cela com a sua mãe. E assim ficou por lá, durante quatro meses até que voltassem as aulas da menina. A mãe foi liberada também. Vendia roupas e sapatos roubados na feira com o marido, que vivia saindo à cidade pra comprar cachaça e galinha pro churrasco do feriado próximo.

Caboco é bicho imundo, dizia. Não tomam banho e olha que vivem na beira do rio. É pura imundice mesmo. Em uma conversa com vizinhas e comadres, foi surpreendida com um comentário infeliz de uma mulher idem: No Acre só tem galinha. Como é que é a história? É isso mesmo. Os homens que vem de lá dizem que são galinhas e ao chegar em um restaurante pedem acreanas caipiras. Isso é coisa de rondoniense, maninha, que morrem de inveja das acreanas que são mulheres bonitas, cobiçadas e sabem fazer o negócio direito. E você com essa cara de macaco misturado com cruz credo vem falar das acreanas? Prefiro ser galinha que toma banho até no seco do que ser uma porca gorda, fedida e suja como do seu tipo.

Rabissacou e seguiu seu rumo. Deu a mão e: Dá uma carona? Claro, tô indo pra Rio Branco e você? De volta a terra que nunca desejara ter saido, pelo mesmo motivo de não ter que um dia hesitar em voltar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Eu rio, tu ris.

Legal deve ser tomar banho no rio e ver o céu passar depressa. Mas como dizem que o azul do céu é reflexo da água, meu céu deveria ser marrom e as estrelas não teriam o brilho que têm em noites de céu sem luz. Por que em noites como essas fica difícil de se ver além. O brilho dos olhos de alguém pode dar medo se não se souber que não se faz por gosto. Simplesmente o é. Se não conhecece o rio acre de nome, tomaria banho nele. É um rio bonito apesar de ser feio. Quando cheio, como agora, parece um caldo de cana ou suco de cerveja. Onde botos e peixes feios nadam na esperança de não serem servidos na próxima sexta feira santa. Todo santo dia ele se renova. o rio. Legal deve ser poder banhar-se sem medo em suas águas, sem imaginar de onde saiu e por onde passou. Por que assim como o rio passa e arrasta pedaços pelos caminhos passados, pessoas também o fazem. Levam pedaços seus sem que se dê conta. Vezes fazem bom uso de si, vezes guardam na gaveta do armário onde ficam as coisas que não devem ser queridas. Acho injusto jogar no rio ou no mato. Ambos são tão preciosos. É tudo tão simples e descartável ao mesmo tempo que é odiável. O rio daqui não acaba no mar. Pedaços meus por aí, eu não sei aonde um dia vou poder encontrar. Talvez disputando alguma árvore da margem ou empregnada em peles manchadas do sol do céu marrom.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quero a sorte de um amor de fotografia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

é

foice. como se nunca tivesse voltado. força na forca. ondas da voz não te perturbarão mais. me diz que foi-se mas nunca quiz ter ido. e meu abraço continua aberto e vazio.

Verde musgo.

Tenho nojinho de gente que é sempre feliz demais. A Alegria do algodão doce além do horizonte passando em baixo do arco-íris é doce demais pra mim. Tenho andado amarga. Maldade guardada na gaveta. Suco gástrico na escova de dentes. Sanguessuga na pele. Pulso. Repulsa.

Constrói-se dicionário de impropérios. Aceita-se doações.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Só chove em mim.

Impressão minha ou essa nuvem só está sob a minha cabeça?

De Sang'real

Eu olhava, analisava os traços, procurava semelhanças. O formato do rosto era todo do pai. redondo. presidende. português. sem barba. O nariz afilado, pequeno, singelo. Olhei mais, olhei, passeei por todos os pontos do rosto tentando achar, sombrancelhas, boca. Tudo era muito vago. Quando desisti de encontrar, em uma súbita mudança de ângulo: as orelhas são as mesmas.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Nem o espelho me agrada mais.

Parede colorida

Tudo aqui é sobre eu
por que mim não conjuga verbo
unhas partidas em partes ímpares
ou partes de eu
acho que esqueci
como ser alguém
além do mim desejado
agora já é tarde
não tenho mais teu endereço
e em ruas próximas
eu esqueço
do que um dia era pra ter sido
meu mas não deu
nem escrito com luz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ir-se dói-se.

sábado, 24 de janeiro de 2009

199 e bolinhas.

Não tenho paciência para assuntos antigos, como os da época do colégio. Estranho é não sentir falta da minha melhor amiga. Sim, eu tinha. E tenho até fotografia. Naquela época era muito valioso ser melhor amiga de alguém. Era muito valioso você poder contar os seus problemas de casa que, aos ouvidos dos outros, eram apenas coisas de menina mimada. Ou de confessar, sob jura de morte, a paixão pelo coleguinha ao lado e até mesmo sentir-se envergonhada por nunca ter beijado na boca.

Os planos de crescer e fazer faculdade só serviram pra alguns. Alguns não entraram na faculdade e outros...não cresceram. E com o passar do tempo, eu continuo achando que nem todo o pra sempre é pra sempre mesmo, e como ja disseram por aí : o pra sempre sempre acaba. Se as coisas, se a vida seguir uma lógica natural, essa fase vai passar também. Como hoje me incomoda alguém que eu estudei na 7° série querer ter a mesma intimidade que tinhamos quando éramos apenas crianças, espero que daqui a uns anos eu me incomode ao ver fotografias e ler textos de um passado meu que, infelizmente , ainda é presente.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tenho tendências bucólicas.

Mas com que cor?

Gosto de colocar cores palavras e sentimentos sem cor e de materializar sensações abstratas. Personificar adjetivos e hipérboles. Gosto de falar em português (antes da nova ordem gramatical) e de pensar em inglês, à vezes. Gosto também de dizer o que gosto. Mas não se consegue entendimento mútuo. E pra isso, eu não tenho cor.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meio tarde

E o que resta
é quase nada
do pouco
que sobrou no fim

sou metade
já é meio tarde
pra não deixar
de dizer que sim

sou partes dos outros
sou toda minha
pelas esquinas e cozinhas
hão de haver sílabas
de lábios leporinos
bocas de dentes maltratados
ou má formados, de natureza

metades mal contadas
ao bel prazer
facas com pontas afiadas
só pra quem quizer ver

mas o que ninguém sabe
o que só eu sei
que a outra metade
foi catada aos pedaços por aí
montada em papel celofane
e pregada em paredes
aos pregos enferrujados

ninguém sabe que
o que resta além do fim
só se descobre
quando se chega lá.

sábado, 17 de janeiro de 2009

há tanta maldade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Emosensacionalismo.

Chorinho me faz chorar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Olho com olhos de vidro. vibro. procuro entre os dentes, o sorriso que vem vindo. eles dançam pra mim com gosto de limãohortelã.

Te dou uma frase de presente e um copo com amor
Mudo pra você me ver, com os olhos de quem vê.
Te dou um adesivo de presente
Pendura na parede da sua sala
Ou guarda, não mente

Quero ver quem diz que não

Passos pela calça estreita para um mesmo caminho
Passo de mim pra você. Passos de você pra mim.
A chuva não molha aqui dentro
Te abraço com pernas

Quero ver quem diz que foi em vão

Apago memórias do passado tão presente
Fecho os olhos pra te ver como lá
Vezes olho pelo espelho
Vezes te deixo
Como te deixei
Voltei pra buscar


e quem virá dessa vez?
com que olhos será?


Quero ver quem diz que não
Quero ver quem diz em vão
Vem dizer que não era pra ser assim

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pra exorci-tar esse meu lado.

Acho que já vi(vi) isso. Eu tenho uma bateria para se tocar com os dedos. Tenho olhos vermelhos de raiva. Tenho nojo desses sentimentos. Quase não tenho mais estômago. Tenho pena dela. Covardia que nem nascendo denovo poderá se livrar. E que veio denovo. Por linhas tortas, tua vida também é. Por falas tortas, tua lingua queimará. Pelas vielas esburacadas e mal cheirosas por cervejas verdes regurgitadas, cairás e se arrependerás no dia seguinte. Poft, ouviu o barulho do tombo? Sentirás vergonha do ser repugnate que és. Culparás a que nenhuma culpa tem, verdinha. Declamarás impropérios e desgostos, com o mesmo vocabulário, é fato, que inteligência lhe falta. Lhe faltam livros. Lhe faltam amores nessa vida feita às sombras. Lhe falta luz, cara! Não se vive só de cores, nem rabiscos, fato idem. Como também fato é a certeza que daqui pra frente terás. Eu vou estar aqui. Só olhando e esperando o que eu já sei: não virás. Não espero muita coisa de gente que nega abraço de despedida.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Resoluções doismilenovianas

Nada de compartilhamentos esse ano!

Conselho

Não aponte para a fé. Dá verruga nos dedos.

Por que nem tudo pode ser azul.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

1:46 AC

Se o relógio parasse poderia enxergar pelos óculos caídos o tempo retido no espaço móvel, no braço cansado sobre o imóvel, e sentir aquele que não passa devagar. já são quase duas.

Ou seja, inferno.

às 16h30min o termômetro da farmácia no centro marcava 43°C.
Nunca desejei tanto uma heineken gelada!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

é que me falta coração.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Apenas uma questão de gênero.

Eu tive um sonho com o inimig(o). Era um sonho tranquilo. Me pareceu bem amável, carinhos(a) Pegava nos meus cabelos e me fazia carinho. Estranho que eu sabia quem era, e de tão abismada que fiquei, deixei. Era bel(o) como sempre, doce e plácid(a). Se assim não fosse, inimig(a) não seria. Agora entendo os encantos. Agora entendo.

Dois mil e trocadilhos.

Do ano que passou não fiz retrospectivas. Não me afoguei em nostalgia de tempos que não mais vão voltar. Não fiz listas, resoluções e nem promessas. Minto, fiz uma lista dos livros que li e quando olho sinto vergonha. É muito menos do que eu gostaria de ter lido. Pouco mais de meia dúzia. Alguns lidos de caboarabo, outros incompletos, mas lidos. Tirei poucas fotos da minha vida, das minhas coisas, das minhas pessoas. Não sei se é desapego ou se estou começando a desacreditar. Talvez eu esteja empenhada em fortalcer minha memória com lembranças que realmente aconteceram. Como felicidades, como abraços, sorrisos e momentos verdadeiros e não aqueles ensaiados para serem registrados pelas lentes. É disso que se sinto falta. Se não foi registrado e nem ensaiado, cadê-los?. Me falta magnésio na memória ou me falta cotidiano? Me falta uma câmera fotográfica ou me falta vida?

Agora vem a parte dos desejos: Nesse ano me dedicarei à mim mesma. Meu intelecto, minha profissão, tudo aquilo que eu puder usar só pra mim e que ninguém, mas ninguém mesmo pode destruir. Pode até atrapalhar, mas nunca destruir. Quero fazer mais coisas boas às pessoas. Quero poder mostrar o que há de bom dentro dessa carapaça aqui. Tem. Claro que tem. Não quero mostrar para mostrar simplesmente. Irradiar, contagiar, florescer e iluminar pretendo. Desejo não esperar muitas coisas do mundo. Desejo sim, poder aproveitar o que preciso das mais diversas situações. Não pretendo mudar pessoas. Pretendo apenas fazer parte delas, mesmo que seja da menor parte boa que se tenha. Quero fazer parte da parte boa que se tem. Quero dizer amor! Trabalhar meu corpo e minha mente. Ter uma vida mais saudável. Fazer coisas construtivas e satisfatórias. Quero contiuar escrevendo e cada vez mais me aperfeiçoando com vida. Quero viajar bastante, conhecer lugares e pessoas que valham. Quero ter registros. Quero cartas. Bilhetes. Músicas. Perfumes. Esse ano vai ser o ano eu e o mundo!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

que som
se ri
quando se faz?
que som
se faz
quando se ri?

Vai-te e Lilith!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sai fora,Gina.

Não acho que viver seja melhor do que sonhar. Talvez o amor não seja uma coisa tão boa assim. Prefiro me perder entre letras e dedos do que no caminho que não se tem mapa: o do amor. Pensando bem, talvez seja a mesma coisa.

Continue sorrindo enquanto ainda há dentes.

Fugaz

Não tenho como fugir da vida por muito tempo. Nem de mim mesma.

domingo, 28 de dezembro de 2008

É que me faltam adjetivos.

Num campo verde, de grama verde, num céu azul existiam árvores. Na grama verde, em baixo do céu azul, existia vida. Da vida vinda do chão coberto de verde e do azul de cima nascia a árvore. Crescia, crescia, crescia até quase tocar o céu. O céu era baixo, se podia tocar com as pontas dos dedos, nas pontas dos pés sobre as pontas do chão. Ao alcançar, parecia estar se atravessando uma camada de gelatina que se rompia ao simples toque dos dedos e, do outro lado, sensação de menta.

Tudo flutuava aos tons cianos. Do céu baixo, de vez em quando chovia. Quando chovia era uma alegria. Podia se sentar à sombra daquelas árvores e observar delas crescer aqueles frutos. Em câmera lenta não tão lenta. Não tinham flores. Dos galhos das copas largas como uma saia rodada de bailarina, brotavam bolinhas cor de vinho de textura emborrachada que iam inchando à medida que a chuva caía, como uma esponja. De longe dava pra ouvir o barulho. Tinha barulho de vida. As bolas cresciam, cresciam. Algumas explodiam deixando o ar tomado pelo cheiro doce, outras ficavam lá esperando para serem colhidas.

Levantou da sombra e foi ao encontro da bola rubra. De tão grande, as duas mãos, (se tivesse mais, também) seriam necessárias para arrancá-la do galho. Com cuidado, fazia-se um furinho com o dedo e se rompia a camada emborrachada liberando todo o seu conteúdo. Por fora borracha. Por dentro gelatina. Uma fruta moderna com as tendências de materiais do atual século. É por que não se fazem mais adjetivos como antes. Seu conteúdo era sempre gelado. Como se tivesse saído da geladeira. Também, o vento vinha tão carregado de águas vindo de tão longe, daquele azul imenso refletido, que não vem daquele céu, que ás vezes penso que ao invés de sal, aquele azul era doce e não era doce por falta de sal e sim, por excesso de açúcar.

Prazer maior não existiria àquele de sentir escorrer pela boca aquela sensação gelada. Se tivesse espelho, seria engraçado enxergar-se com a boca vermelha feito sangue. Algo de se fazer inveja à qualquer vampirófilo. Escorria e não era pouco. Era fluído e escorria vermelho. Escorria gelado. Escorria lambuzado. Dava vontade de tomar banho. E esse era apenas um fruto. Uma bola cheia de (uma) cor e de sensações. Imagine viver de uma árvore dessas. Se naquele tempo o pudesse, faria piscina de refrescar com aquele sumo divino. Se bem que assim, como um tesouro descoberto, não gostaria que virasse a nova sensação dos últimos tempos desde a descoberta da maçã. Pobre maçã, não chega nem às raízes de vossa alteza avermelhada. A intenção era colher todas as bolas, colocá-las enfileiradas e ao deitar sobre elas, ser levada aonde o terreno quizesse (era meio inclinado). Só que estavam bem maduras, quase à ponto de explodir e foi assim que morri afogada. Por osmose.

O passado é ama*dor

Às vezes eu penso sobre pessoas más. Podem ser aquelas que não têm coração ou que já sofreram demais. E esse sofrimento não é comparável à um maior. Cada um sabe de si com antensidade que se é e que se tem. Não existe dor maior. Existe apenas dor. Tem gente que faz maldades com a dor, tem gente que não. Gente que morre, gente que mata, gente que se mata. gente que mata o horror. Gente que bebe, gente que joga sinuca, gente que se esconde detrás do telefone. Gente que reclama da maldade do mundo mas só o fato de existir já torna o mundo pior por achar que o sofrimento do outro é loucura. Não te lembras das noites que passou em claro lembrando de alguém? Ou chorando tragédias irremediáveis? Ou mesmo da maneira como a tua maldade pode ter deixado alguém tão infeliz quanto você? Se tu sofres, fazes parte. Não julgues a dor e nem o sofrimento como loucura. Louco é quem me diz e não é feliz na loucura, isso sim.Gente má é isso.Gente que especula, que sente prazer na dor, sua e de outréns. Gente má é aquela que não faz nada.Gente má é moldada pelo mundo.E olha só, é o mesmo mundo que você vive!


* Out 06

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Eu prometi.

Natal

Eu não vou escrever um texto depressivo sobre.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sina

Era assim: sentada no banco de madeira desconfortável, sentia um vento que não conseguia explicar de onde vinha. a temperatura era amena. os raios solares chegavam às helicônias numa angulação que as deixavam com sombra no chão. tudo ao redor tinha cor de clorofila e marrom madeira. até o chão que tentava se desfarçar por desenhos, labirintos e mosaicos tinha tons já de antes conhecidos. Ao levantar o olhar podia se enxergar (a si mesmo) por entre as árvores, construções antigas, com traços e linhas vanguardistas. é, aqui já foi vanguardista na época de vanguarda. eu não cheguei a viver tal época mas estive em fotografias bem como muitos que conheço. Na época que eu era um incômodo, entre aspas, por não conseguir ficar sozinha, pessoas jogavam cartas como esporte. Uniam-se, conversava-se sobre política, sobre tendências esquerdistas, sobre como o mundo seria bom em 1999. Era um número bom, diziam eles: -Coisas boas, quando são repetidas, são melhores. E entre jogos, não de aposta, espumantes e cigarros, noites e dias iam e vinham enquanto alguém esperavam alguns em casa.
Por aquele chão, que agora é coberto por roupa nova, passou muita coisa. Passeatas, campanhas, manifestações, procissões, carnavais, setes de setembro, religiões, macumbas, cirandas, teatros, cordéis, poetas e poetisas, músicos e suas músicas. E como um flash, que veio com aquele vento e com o trabalhador que se diz cuidar de carros, voltei pra realidade ao som de um sino alto, agudo -potente até- que, diferente do que pensava ser: apenas uma reverberação, foi tocado durante quase 15 minutos. Nestes que me vi, com lágrima singular, sorrindo ao ver aqueles que me deram vida nova aos 20 anos. Ambos com uma pequena vida de mãos dadas firmemente ao subir a escada. Foi a primeira vez que ouvi o sino da catedral tocar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

mesmo velho ano novo.

Se for pra passar a virada de ano longe de Rio Branco e das pessoas de Rio Branco e chegando lá só tiver as pessoas de Rio Branco que eu gostaria de ficar longe? Prefiro continuar em 2008.

Shivering

Singing loooooooouuddd and cle e ear.(8)


And it´s not for fear. it´s for hate.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ir ( imperativo)

A cada nunca mais
Vejo o futuro presente
Se ontem foi pra sempre
Eu não posso esperar pelo amanhã
A dificuldade de largar tudo e ir embora
É o contraponto da insensatez
A carência que se confunde com a dor
E daí, vai ladeira a baixo
Sem freio nem pneu
E na contramão

E vai na contramão pro infinito
E vai, vai e volta pro início e eu fico
E vai, falando no infinito
E vai pro infinito que eu fico
pro infinito que eu fico.

É verd arte.

"Não sei se a arte pode mudar o mundo, mas se o mundo mudar foi por conta da arte."

Compra-se férias. Pode ser parcelada?

AVE(s)

Era um frango em meio aos pavões.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

fashhhhhhh


E eu, sinceramente, não tenho medo de me render à futilidades (há quem diga quando o contexto não satisfaz a quem não está inserido) do mundo bonito. Sei do que não gosto e sei do que não quero. De resto, como tenho dito, é só o que sobra.

Sobre a nova Biblioteca Pública do Acre

P-U-T-A-Q-U-E-P-A-R-I-U!


Posso voar.


contra fotos não há argumentos.

Compra-se férias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Destino?

Pro passado: já!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

eu dirijo sozinha
pensando sobre morte e vida
na vida da vida
nos mortos e nos vivos
nos sepulcros vazios
que fazem parte de um passado
que eu não fiz parte
e daqui a uns anos
me farei presente
no passado de outrém
nem que seja
apenas pela memória
dos velhos do além

Footless

O grande problema dos problemas de família é que são um problema.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Raindrops keep falling...

Antigamente a chuva que vinha até mim
Hoje eu que vou ao seu encontro
Vou em baixo da nuvem branca
Até me transformar numa nuvem negra.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bon voyage

me sinto tão deprimida quanto um suco de limão.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

meu violão é desafinado com a vida.

¹/¹² avos

Sou cada vez mais pseudo intelectual
que vive em um pseudo mundo
que está prestes ao seu pseudo fim
cada vez mais passado
do que presente
mais bicho
do que gente.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

.

sou feita
de pedaços mil
que não se encaixam
se sobrepõem

sou feita de cabelos
pêlos mil
tenho testa tomada
por eles

minha cabeça
tomada por pedaços
que se afogam
na massa matiz
meio preta meio branca
meio termo

sou feita de medo
dentro da cabeça
coberta por cabelos

tenho medo do que vejo
e do que não vejo, também.
do que não vejo
procuro e acho

sou feita de anseios
dos quais
não sei quais são
nem mesmo se
um dia terei
além de cabeça
coração.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

e o que resta
é só o que sobrou.

Fantasma

E quando vem vigiar, olhar o que estou fazendo, faço o que mais sei fazer: ignoro, finjo que não existe o que muitas vezes não existe mesmo. Sinto o cheiro que deixa rastro pelo quarto e pelo corredor. cheiro de rua, mulheres e copos. Impossível não sentir. Exala pela pele e pela boca. Sinto nojo e sinto pena. Aquele é maior. Vai-te e deita-te no hotel de luxo que o custo é apenas um saco de pão fresco. Meias notas arrancadas com tanto ardor das mãos seladas. Vai-te e come do que sobra. É só o que sobra. E o que fica, pra quem fica, pouca gente se importa.

Mas que calor.

Desligar-se do mundo, mesmo não sendo por vontade própria, ás vezes é bom. Parece que deixa de existir quando não se dá aquela olhadinha no orkut, faz alguma atualização no blog, coloca uma foto no flickr, fotolog, escreve alguma besterinha no twitter. Pessoas existem apenas nesse mundo virtual. Se vc não faz parte dele, todos os dias, não faz diferença.O mundo continua o mesmo e as vidas também. Que mundo é esse que as pessoas estão mais preocupadas com a foto que vão colocar no álbum do orkut do que dar um telefonema pra perguntar se está tudo bem. É o mundo que eu ainda vivo e estou tentando mudar de residência.o mundo de espionagem, de monitoramento e de esconderijos, no qual estive imersa. afogada. Me deixa escrever minhas perturbações, anseios e frustrações. Afinal, não é pra isso que serve um blog? Lembro da primeira vez que ouvi falar sobre blogs. Eram diários virtuais, que poderia escrever sobre si e compartilhar com os outros, se assim quizesse. Tem gente que encara como confessionário, como tribunal e tem até gente que acha uma bobagem escrever. Eu não. E é por isso que por mais que esses modismos passem, a minha necessidade de escrever vai estar em todos os lugares, sejam eles públicos, ou não. digitais, manuais, mentais. lá estarão. independente de ninguém. E eu também terei um telefone ( pelo menos até agora) que faz e recebe ligações e até mensagens de texto. É disso que eu preciso: de mecanimos pra me expressar e de me fazer entender para as pessoas que importam. que eu me importo. não importa se a recíproca é verdadeira. não há sentimento melhor do que o gostar. não se espera nada em troca. das vezes que é frustrante, é recompensado por poder dizer poucas palavras que podem melhorar o dia de alguém.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

piano ao fundo

É como voar com asas quebradas e dar de cara com um muro. E nem fez barulho. Estranho. Não escorre sangue e nem se sente dor. Dó se sente ao ver vento a quebrar as barreiras do muro, das árvores, desviando por entre pássaros e mosquitos do ar. Passa por um copo de café e leva o calor consigo. passa pelo prato de sopa e pela cerveja do bar. Passa pela janela e acena : - olá.
Segue seguindo. Segue frio, segue ávido, segue feliz, fazendo frio ou calor ao chegar. Vai embora quando bem entende.Não dá satisfação e ainda leva as coisas que lhe bem entender consigo.

- Vento, por favor, me leva!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Do meu mundo.

Dessa vez sim: 3 dos mil que passaram por suas mãos se foram antes do tempo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Nova

Pelo reflexo eu vejo o que não é tão certo
Falo coisas que nem eu acredito
Pra me conhecer
Pra me conhecer

Porque duvidar de si?
Mais fácil é acreditar nas outras
Nas outras mentiras
Pra te convencer
Pra te convencer

Eu não quero mais
Eu não quero mais
Eu não quero mais ir
Eu quero ficar aqui

Quero passar por buraquinhos

Peço um cigarro
Só pra vê-lo apagar
Me dá uma cerveja
Mas eu nem gosto
Eu nem gosto
Fecho os olhos pra poder enxergar
Por entre as brechas do olhar
Mas eu nem posso
Mas eu nem posso

Pra te convencer
Pra me conhecer
Pra te conhecer
Pra me convencer

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Brincanagem

Declaração descarada na cara mascarada, que quem não vê é por falta de convite, é sacanada. Bons tempos os que eu não me conhecia!

Vou indo

Destruindo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Novembro segundo.

E veja só, o cheiro não é mais o mesmo do meu. O suor, antes de magia, deixa grudenta a pele que as vezes parece que de derretida, apodreceu. Tragam as flores e os terços, quartos e quintos dos infernos. Aqui , jazem pedaços mortos que esperam clemência dos transeuntes que passam por perto e, ao verem a movimentação,chegam mais perto pra dar uma olhadinha. Tragam bancos e cadeiras e assistam o fim de um ciclo sem fim. Ele não termina. Só dá voltas em si mesmo com a periodicidade desconhecida. Tragam-me frutas para as oferendas. Podres como os que as trazem. Tragam sorrisos congelados por dentes que fumam. Amarelos e fétidos, cujo fim já conheço. Tragam-me olhos grandemente petrificados, fundos de olheiras e de marcas da vida. Tragam dedos raquíticos, sujos de sujeira do mundo por onde pega, como os pés sujos por onde passam.