tenho medo de confissão
não pelo sermão
(nem batismo tive)
segundo minha vó, não vou pro céu mesmo.
tenho medo de não sentir culpa
ou como diz a música: eu caçador de rins.
minha culpa engulo num copo de vidro
sujo de sangue e sebo de mãos compartilhadas
sem a escolha que não teve
de escolher ou permitir
tenho raiva do meu lado escuro.
segunda-feira, 2 de março de 2009
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Não seu.
eu sinto que peço apenas um pedaço de sim
que eu velo que choro que curto que rezo
me perco por perto de partes complexas de si
eu juro que vivo que vim vivi vi e venci
não juro que nego que ao olhar pro lado teu calor eu vi
não finjo não sinto apenas para muito fazer e pouco sentir
eu perco por perto de partes complexas de mim
é como acordar e se rir
é como o tempo voando sem fim
é comungar e te ver
é como o 'A' que eu fazia pra você
me fujo me sumo me uso me escondo de ti
por portas janelas muros e sorrisos e afins
de frente de costas surda e muda ouvi
sem olhos sem corpo e sem coração decidi
que é como uivar e sentir
o vento claro da lua que vi
é como nascer e ver
o mundo com outros olhos
o meu mundo sem você.
é como lembrar e fingir
que era apenas um sonho e
voltar a durmir
é como te ver e não te querer
ouvir a voz dizendo se arrepender
e o espelho apenas sorri.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
tanto faz
sem voz é melhor
ouvir com os olhos
ou mesmo pensar
só em silêncio eu
te enxergo no escuro.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
ele se foi e eu nem tive oportunidade de me despedir.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
De boca em boca: à boca.
A cunhada era casada com um traficante que estava preso na delegacia. A delegacia, por sua vez, parecia um clube. Todo fim de semana tinha churrasco e cachaça pros presos. Algemas? Não precisava. Vezes quando eram liberados de suas sentenças, tratavam de cometer outro crime para voltar pra lá. Sem mentira, era um local muito desejado. Ao lado do bar mais badalado da cidadela, onde vendia a melhor cachaça da região vinda pelas balsas dentro de barris, tinha um policial que assaltava os traficantes, vendia e consumia junto com os companheiros da cadeia. Criou-se uma relação de irmandade. Coisa bonita de se ver, dizia ela.
Certa vez, a cunhada que não era muito chegada à banho como muitos dali, perfumou-se, pintou-se, colocou a saia mais curta e seguiu para a visita, que nem precisava ser privativa pois não haviam restrições : - Achei estranho. O Delegado estava para a capital e quem estava no posto era a esposa dele. Professora de geografia. Estorquia qualquer crime por qualquer nota de cinquenta. Liberava os ladrões de galinha aos fins de semana para garantir o jantar. Dirigia a caminhonete da polícia para ir arrumar o cabelo no salão.
- Vim trazer comida pro meu marido, disse ela. E essa criança? É filha. Loira, com esses olhos? São do avô. Venha cá , deixe eu te revistar. De cócoras. É preciso mesmo passar por esse constrangimento na frente da criança? Você tem R$ 100? Não, tenho umas trouxinhas aqui. Colombia? Bolívia. Vou ter que te prender. Na minha cidade não entra esse tipo de coisa não. Mas dona delegada eu não posso ser presa, tenho minha filha pra criar, não há quem cuide. O que você acha daqui, menina? Gosto da cor da parede, dona delegada. Certo, já que gostou, não vai ter problemas em vai ficar na cela com a sua mãe. E assim ficou por lá, durante quatro meses até que voltassem as aulas da menina. A mãe foi liberada também. Vendia roupas e sapatos roubados na feira com o marido, que vivia saindo à cidade pra comprar cachaça e galinha pro churrasco do feriado próximo.
Caboco é bicho imundo, dizia. Não tomam banho e olha que vivem na beira do rio. É pura imundice mesmo. Em uma conversa com vizinhas e comadres, foi surpreendida com um comentário infeliz de uma mulher idem: No Acre só tem galinha. Como é que é a história? É isso mesmo. Os homens que vem de lá dizem que são galinhas e ao chegar em um restaurante pedem acreanas caipiras. Isso é coisa de rondoniense, maninha, que morrem de inveja das acreanas que são mulheres bonitas, cobiçadas e sabem fazer o negócio direito. E você com essa cara de macaco misturado com cruz credo vem falar das acreanas? Prefiro ser galinha que toma banho até no seco do que ser uma porca gorda, fedida e suja como do seu tipo.
Rabissacou e seguiu seu rumo. Deu a mão e: Dá uma carona? Claro, tô indo pra Rio Branco e você? De volta a terra que nunca desejara ter saido, pelo mesmo motivo de não ter que um dia hesitar em voltar.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009
Eu rio, tu ris.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
é
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Verde musgo.
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Constrói-se dicionário de impropérios. Aceita-se doações.
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domingo, 1 de fevereiro de 2009
Só chove em mim.
Impressão minha ou essa nuvem só está sob a minha cabeça?
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De Sang'real
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Parede colorida
por que mim não conjuga verbo
unhas partidas em partes ímpares
ou partes de eu
acho que esqueci
como ser alguém
além do mim desejado
agora já é tarde
não tenho mais teu endereço
e em ruas próximas
eu esqueço
do que um dia era pra ter sido
meu mas não deu
nem escrito com luz.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
199 e bolinhas.
Os planos de crescer e fazer faculdade só serviram pra alguns. Alguns não entraram na faculdade e outros...não cresceram. E com o passar do tempo, eu continuo achando que nem todo o pra sempre é pra sempre mesmo, e como ja disseram por aí : o pra sempre sempre acaba. Se as coisas, se a vida seguir uma lógica natural, essa fase vai passar também. Como hoje me incomoda alguém que eu estudei na 7° série querer ter a mesma intimidade que tinhamos quando éramos apenas crianças, espero que daqui a uns anos eu me incomode ao ver fotografias e ler textos de um passado meu que, infelizmente , ainda é presente.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Mas com que cor?
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Meio tarde
E o que resta
é quase nada
do pouco
que sobrou no fim
sou metade
já é meio tarde
pra não deixar
de dizer que sim
sou partes dos outros
sou toda minha
pelas esquinas e cozinhas
hão de haver sílabas
de lábios leporinos
bocas de dentes maltratados
ou má formados, de natureza
metades mal contadas
ao bel prazer
facas com pontas afiadas
só pra quem quizer ver
mas o que ninguém sabe
o que só eu sei
que a outra metade
foi catada aos pedaços por aí
montada em papel celofane
e pregada em paredes
aos pregos enferrujados
ninguém sabe que
o que resta além do fim
só se descobre
quando se chega lá.
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sábado, 17 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Olho com olhos de vidro. vibro. procuro entre os dentes, o sorriso que vem vindo. eles dançam pra mim com gosto de limãohortelã.
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Te dou uma frase de presente e um copo com amor
Mudo pra você me ver, com os olhos de quem vê.
Te dou um adesivo de presente
Pendura na parede da sua sala
Ou guarda, não mente
Quero ver quem diz que não
Passos pela calça estreita para um mesmo caminho
Passo de mim pra você. Passos de você pra mim.
A chuva não molha aqui dentro
Te abraço com pernas
Quero ver quem diz que foi em vão
Apago memórias do passado tão presente
Fecho os olhos pra te ver como lá
Vezes olho pelo espelho
Vezes te deixo
Como te deixei
Voltei pra buscar
e quem virá dessa vez?
com que olhos será?
Quero ver quem diz que não
Quero ver quem diz em vão
Vem dizer que não era pra ser assim
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Pra exorci-tar esse meu lado.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Resoluções doismilenovianas
Nada de compartilhamentos esse ano!
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Conselho
Não aponte para a fé. Dá verruga nos dedos.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
1:46 AC
Se o relógio parasse poderia enxergar pelos óculos caídos o tempo retido no espaço móvel, no braço cansado sobre o imóvel, e sentir aquele que não passa devagar. já são quase duas.
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Ou seja, inferno.
às 16h30min o termômetro da farmácia no centro marcava 43°C.
Nunca desejei tanto uma heineken gelada!
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Apenas uma questão de gênero.
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Dois mil e trocadilhos.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
que som
se ri
quando se faz?
que som
se faz
quando se ri?
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Sai fora,Gina.
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Fugaz
Não tenho como fugir da vida por muito tempo. Nem de mim mesma.
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domingo, 28 de dezembro de 2008
É que me faltam adjetivos.
Tudo flutuava aos tons cianos. Do céu baixo, de vez em quando chovia. Quando chovia era uma alegria. Podia se sentar à sombra daquelas árvores e observar delas crescer aqueles frutos. Em câmera lenta não tão lenta. Não tinham flores. Dos galhos das copas largas como uma saia rodada de bailarina, brotavam bolinhas cor de vinho de textura emborrachada que iam inchando à medida que a chuva caía, como uma esponja. De longe dava pra ouvir o barulho. Tinha barulho de vida. As bolas cresciam, cresciam. Algumas explodiam deixando o ar tomado pelo cheiro doce, outras ficavam lá esperando para serem colhidas.
Levantou da sombra e foi ao encontro da bola rubra. De tão grande, as duas mãos, (se tivesse mais, também) seriam necessárias para arrancá-la do galho. Com cuidado, fazia-se um furinho com o dedo e se rompia a camada emborrachada liberando todo o seu conteúdo. Por fora borracha. Por dentro gelatina. Uma fruta moderna com as tendências de materiais do atual século. É por que não se fazem mais adjetivos como antes. Seu conteúdo era sempre gelado. Como se tivesse saído da geladeira. Também, o vento vinha tão carregado de águas vindo de tão longe, daquele azul imenso refletido, que não vem daquele céu, que ás vezes penso que ao invés de sal, aquele azul era doce e não era doce por falta de sal e sim, por excesso de açúcar.
Prazer maior não existiria àquele de sentir escorrer pela boca aquela sensação gelada. Se tivesse espelho, seria engraçado enxergar-se com a boca vermelha feito sangue. Algo de se fazer inveja à qualquer vampirófilo. Escorria e não era pouco. Era fluído e escorria vermelho. Escorria gelado. Escorria lambuzado. Dava vontade de tomar banho. E esse era apenas um fruto. Uma bola cheia de (uma) cor e de sensações. Imagine viver de uma árvore dessas. Se naquele tempo o pudesse, faria piscina de refrescar com aquele sumo divino. Se bem que assim, como um tesouro descoberto, não gostaria que virasse a nova sensação dos últimos tempos desde a descoberta da maçã. Pobre maçã, não chega nem às raízes de vossa alteza avermelhada. A intenção era colher todas as bolas, colocá-las enfileiradas e ao deitar sobre elas, ser levada aonde o terreno quizesse (era meio inclinado). Só que estavam bem maduras, quase à ponto de explodir e foi assim que morri afogada. Por osmose.
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O passado é ama*dor
* Out 06
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Natal
Eu não vou escrever um texto depressivo sobre.
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Sina
Por aquele chão, que agora é coberto por roupa nova, passou muita coisa. Passeatas, campanhas, manifestações, procissões, carnavais, setes de setembro, religiões, macumbas, cirandas, teatros, cordéis, poetas e poetisas, músicos e suas músicas. E como um flash, que veio com aquele vento e com o trabalhador que se diz cuidar de carros, voltei pra realidade ao som de um sino alto, agudo -potente até- que, diferente do que pensava ser: apenas uma reverberação, foi tocado durante quase 15 minutos. Nestes que me vi, com lágrima singular, sorrindo ao ver aqueles que me deram vida nova aos 20 anos. Ambos com uma pequena vida de mãos dadas firmemente ao subir a escada. Foi a primeira vez que ouvi o sino da catedral tocar.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
mesmo velho ano novo.
Se for pra passar a virada de ano longe de Rio Branco e das pessoas de Rio Branco e chegando lá só tiver as pessoas de Rio Branco que eu gostaria de ficar longe? Prefiro continuar em 2008.
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Shivering
Singing loooooooouuddd and cle e ear.(8)
And it´s not for fear. it´s for hate.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Ir ( imperativo)
A cada nunca mais
Vejo o futuro presente
Se ontem foi pra sempre
Eu não posso esperar pelo amanhã
A dificuldade de largar tudo e ir embora
É o contraponto da insensatez
A carência que se confunde com a dor
E daí, vai ladeira a baixo
Sem freio nem pneu
E na contramão
E vai na contramão pro infinito
E vai, vai e volta pro início e eu fico
E vai, falando no infinito
E vai pro infinito que eu fico
pro infinito que eu fico.
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É verd arte.
"Não sei se a arte pode mudar o mundo, mas se o mundo mudar foi por conta da arte."
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
fashhhhhhh
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Sobre a nova Biblioteca Pública do Acre
P-U-T-A-Q-U-E-P-A-R-I-U!
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
eu dirijo sozinha
pensando sobre morte e vida
na vida da vida
nos mortos e nos vivos
nos sepulcros vazios
que fazem parte de um passado
que eu não fiz parte
e daqui a uns anos
me farei presente
no passado de outrém
nem que seja
apenas pela memória
dos velhos do além
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Footless
O grande problema dos problemas de família é que são um problema.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Raindrops keep falling...
Hoje eu que vou ao seu encontro
Vou em baixo da nuvem branca
Até me transformar numa nuvem negra.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Bon voyage
me sinto tão deprimida quanto um suco de limão.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
¹/¹² avos
que vive em um pseudo mundo
que está prestes ao seu pseudo fim
cada vez mais passado
do que presente
mais bicho
do que gente.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
.
sou feita
de pedaços mil
que não se encaixam
se sobrepõem
sou feita de cabelos
pêlos mil
tenho testa tomada
por eles
minha cabeça
tomada por pedaços
que se afogam
na massa matiz
meio preta meio branca
meio termo
sou feita de medo
dentro da cabeça
coberta por cabelos
tenho medo do que vejo
e do que não vejo, também.
do que não vejo
procuro e acho
sou feita de anseios
dos quais
não sei quais são
nem mesmo se
um dia terei
além de cabeça
coração.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Fantasma
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Mas que calor.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
piano ao fundo
É como voar com asas quebradas e dar de cara com um muro. E nem fez barulho. Estranho. Não escorre sangue e nem se sente dor. Dó se sente ao ver vento a quebrar as barreiras do muro, das árvores, desviando por entre pássaros e mosquitos do ar. Passa por um copo de café e leva o calor consigo. passa pelo prato de sopa e pela cerveja do bar. Passa pela janela e acena : - olá.
Segue seguindo. Segue frio, segue ávido, segue feliz, fazendo frio ou calor ao chegar. Vai embora quando bem entende.Não dá satisfação e ainda leva as coisas que lhe bem entender consigo.
- Vento, por favor, me leva!
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Do meu mundo.
Dessa vez sim: 3 dos mil que passaram por suas mãos se foram antes do tempo.
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domingo, 9 de novembro de 2008
Nova
Pelo reflexo eu vejo o que não é tão certo
Falo coisas que nem eu acredito
Pra me conhecer
Pra me conhecer
Porque duvidar de si?
Mais fácil é acreditar nas outras
Nas outras mentiras
Pra te convencer
Pra te convencer
Eu não quero mais
Eu não quero mais
Eu não quero mais ir
Eu quero ficar aqui
Quero passar por buraquinhos
Peço um cigarro
Só pra vê-lo apagar
Me dá uma cerveja
Mas eu nem gosto
Eu nem gosto
Fecho os olhos pra poder enxergar
Por entre as brechas do olhar
Mas eu nem posso
Mas eu nem posso
Pra te convencer
Pra me conhecer
Pra te conhecer
Pra me convencer
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Brincanagem
Declaração descarada na cara mascarada, que quem não vê é por falta de convite, é sacanada. Bons tempos os que eu não me conhecia!
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domingo, 2 de novembro de 2008
Novembro segundo.
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
.
E chovem pedras no teto.
Chovem pedras na minha cabeça.
Mas que vontade que dá olhar pra cima e ver as pedras caírem.
E chovem pedras com força.
Deixa eu fechar a janela
Antes que tudo aqui umedeça.
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Presente
É o reflexo por entre vidros, por entre lentes, por entre mãos. Reflexo de vidas distantes, confusas e convergentes em alguns pontos. Legal é ligar esses pontos e formar um desenho que aos poucos eu vou descobrindo que desenho se forma. Pego na tua mão e conduzo o traço pro outro lado. Pega a borracha apaga o borrão que ficou. Lápis de cor não apaga. Ainda bem que é cor de nada. Cor de animal assustado. Faz a linha. Pega a corda. Amarra e guarda numa caixinha. Aquela na qual tu guarda só as coisas boas. Em cima da caixa, tem um laço verde cana.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Allowed
Só aqui a réplica é permitida. É lida, logo imagina-se a voz dizendo. É ouvida, portanto, algum efeito terá. Nem que seja o de sempre. Mas terá. Só aqui a voz não se pausa. Só com ponto. Só aqui o passado não pode ser apagado. Quer dizer, até pode. Mas só aqui.
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Diálogo.
-Eu a declaro culpada e sua sentença será de 7 anos de prisão no silêncio da dor. Acompanhada daquela que escorre quente e lentamente. Desta e somente desta.
-O que me sobra?
-Um desejo.
-Desejo morrer e viver denovo.
- Impossível. Ou uma coisa ou outra.
- Desejo morrer pelo menos.
- Morrer mais ou morrer menos?
- Apenas morrer.
- A troco de quê? Morrer dá trabalho.Morrer dói.
- Aposto que não dói mais do que viver. Quando se morre não tem como voltar à vida. A não ser que se vá para o paraíso eterno, lugar que eu duvido muito que iria. É um outro conceito de vida. Mas quando ainda se vive, de mais ou de menos, há possibilidade de se morrer. Várias vezes ou uma vez só.
- E você quer quantas vezes?
- Pelo tanto que tenho morrido, não sei se me restam muitas ainda.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Testículos
**
Os olhos que miram o mundo, enxergam a vida lá fora sem o mim. As pessoas vivendo suas vidas, sem o mim. Nada muda. Todos os processos, biológicos verdes, continuam a funcionar. Telefones continuam a tocar. Cervejas continuam sendo bebidas. Palavras continuam sendo proferidas, faladas, vomitadas, sussurradas, reveladas e seduzidas.
**
Fora da minha vida! Fora! Sai de mim fantasma branco. Sai de mim cruz que me assusta. Sai de mim pesadelo de noites verdes. Sai de mim demônio bonito e cheiroso. Te abomino e exorciso da minha vida. Se o teu mal tem cura, por que te afliges? Se o teu mal não tem cura, por que te aflinges?Espadas, balas, facas e machados. Em um tintilhar ensurdecedor de metal atritado. Ferrugem. Cólera. Lepra. Dengue. Degeneração progressiva. Hemorragia sem fim. Pupila sem cor. Cravos. Ataúde. E não, não tem lágrima nenhuma.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Never hide
Você não pode se esconder no invisível por que o mesmo está em toda parte.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Escolha
É como se se sentisse, só. Quando o coraçao não sente é por que os olhos não vêem, oras.Prefiro a cegueira à exergar de mais. Prefiro óculos à lentes. Me viro de costas de olhos e ouvidos tampados. Planos para o ano que virá: Ter aulas de Braile.
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ção.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O(the) clock
há três dias que olho a mesma hora no relógio. em dois dos dias pensei estar parado, o relógio. no terceiro eu só ri. o tempo passa devagar e rápido demais. já são 9hr denovo!
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
questaodemetricamesmo
e-n-q-u-a-n-t-o t-e-m- g-e-n-t-e q-u-e p-e-n-s-a p-r-a f-r-e-n-te
eu
pen
so
pra
bai
xo.
(-----)
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Impressões cotidianas do mundo meu: "Chocolate do amor"
em meio ao movimento constante
de gente e de vento,
falava a língua dos pássaros.
pela língua, oferecia o manjar dos deuses,
um pouco mais aperfeiçoado, diria eu: alterado.
hidrogenada gordura.
cereais crocantes no palito.
os deuses se revirariam em seus túmulos
ao ouvir o piar de um pássaro que vem de tão longe -do sul. vinha do sul- vender tal iguaria.
e vendia muito bem.
Mas me pergunto, será que é pelo piar do pássaro
ou pelo apelo sentimental da palavra amor?
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Kaline Rossi
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Que venha um vento bom.
que mata cadeias
aminoácidos, proteínas
que mata gente
calor escaldante
nesse inferno nascente
que nem com o sol se põe
parece querer deus fazer-nos sofrer
por favor liga o ar condicionado central daí de cima
não está dando pra aguentar
estou suando dignidade
antes fosse de tanto trabalhar
me rendo ao copo de coca cola que deixei congelar
sorvete, suco de limão com maracujá
piscina de soda
uma árvore pra eu poder descansar o tédio
e em baixo da copa eu poder assassinar o sol
não quero tempestades
nem que venham inundações
sim friagens e não trovões
mas que venha vento bom
venha o tempo de usar roupas quentes
tomar tacacá sem suar
venha o tempo de sopa, de filme com pipoca
sofá, chocolate quente e orelhas pra esquentar
venha um vento bom
aquele que fecha os olhos ao soprar
aquele que tem cheiro de flor
que venha o vento bom
o vento bom que se partilha o amor
vento bom que eu não me canso de esperar.
Eu quero é que venha um vento bom.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Post-it art




Aproveitemos os recadinhos e bilhetes vencidos, façamos arte!
Eu ganhei um presente cujo embrulho era feito desses aí.
=)
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Tarde
E a moça que via o vento que ia e que vinha
folhas dançando acima do chão
pegadas sendo levadas pelo sopro sutil
apagadas no asfalto ardido
de clima árido tropical equatorial ocidental (?)
lia páginas de lingua que só ela entendia
lia dentes novos
sentia o aviso dos céus
e lembrava baixinho:
-Naquele dia chovia, naquele dia chovia.
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18:58
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domingo, 14 de setembro de 2008
Tóxico.
parafraseando cordel.
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domingo, 7 de setembro de 2008
Sunday
Coisa boa é assistir Discovery Channel dia de domingo. Espalhando ramas pelo sofá.
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15:45
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
diólogo monálogo: - Poeta?
- Mas você é muito nova pra poesia.
É, pode ser. Ainda não sou alcólatra, não sou divorciada muito menos casada. não tenho problemas com ex mulheres, nem com ex homens. Não tive uma doença grave que me fizesse refletir sobre toda minha vida. Não, não uso drogas. Não cheiro, não injeto. Fumo passivamente como muitos. Nunca perdi alguém muito próximo. Todos os dias morrem pessoas. Nunca tentei me matar de verdade. É que de vez em quando eu me sinto mal. Sabe, eu tinha a sensação que quando eu era pequena as pessoas morriam menos. Tem gente que morre mais de uma vez. Que vai morrendo. E eu, nova pra poesia e pra vida vou vivendo. 21 anos de quê? de que vida? vinte e uns passados que eu nem lembro. vinte e uns quebrados minutos que eu demorei pra pensar no que escrever agora. Vinte anos é muita coisa. Pra quem viveu alguma coisa.E quer saber?acho que a poesia que é nova pra mim.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Infância fachada
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Sobre mim (aquele que não conjuga verbo)
Sou a flor que tenta alcançar o céu, que vem o vento e derruba.
sou como um céu tempestuoso.
nuvens negras. raios fulminantes.
sou tantas coisas que as vezes acho que preferiria ser como os outros:"nada".
daria menos trabalho.
das vezes que sou faca afiada nos olhos, sou ouvidos, mãos grossas de afago também.
não são falsos. JURO!
soou de ouvidos abertos. megafones reversos.
palavras atrapalhadas por dicção infantil.
sou língua nos dentes quebrados.
fungo devastador.
sou mancha que gruda na roupa.
sou dor.
sou pernas de um passo,torto, só.
dos rumos que eu gostaria de guiar.
sou amor.
volto pra flor.
lá do topo, quase livre.
com medo de livre ser. nunca mais voltar.
volto em semente.
volto na esperança de germinar o sorriso.
volto com braços e pernas.eu sempre volto.
sou galhos de pernas finas e pêlos a fazer.
sou semente latente esperando pra em ti florecer.
E de galhos abertos tento alcançar o céu. seu.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Passo adiante.
Eu passo por caminhos antigos
Outrora visitados
Onde era casa
hj é grama
Onde era árvore
hj é muro
Onde era calçada
Hoje é rua
A cada passo
Uma lembrança
A cada metro
Uma saudade
Os lugares vão se modificando
E fica difícil dizer
Que a vida não mudou também
Eu não sou a mesma pessoa que fui
Mas talvez eu continue sendo o que eu sou
Pelo mesmo motivo de ser
Sem mudar a essência
Tudo permanece sendo
O que se foi destinado pra ser
A gente muda o caminho
Muda a cor
Muda os olhos
Mas não se muda aquilo que se é.
Muda as mãos
Muda o sorriso
Mas não muda aquilo que se quer.
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18:41
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sábado, 26 de julho de 2008
Cores, vai. Cores!
pr'essa minha vida
que eu tenho pressa
pra ser vivida
ao invés de (a)traída.
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Kaline Rossi
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21:36
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quinta-feira, 24 de julho de 2008
Glup!( engolindo seco)
Sorte de hoje: Você escapará por um triz de um problema sério
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Kaline Rossi
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17:12
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