sábado, 14 de junho de 2008

Prêmio de Literatura Acreana

E eu só vou acreditar mesmo quando eu ver na publicação: 'I Prêmio de Literatura Acreana da Fundação Garibaldi Brasil' o meu poema que foi classificado em 3° lugar.
Ahhhhhhhhhhhhhh!

Parabéns para meus companheiros , Janu (1° lugar em Romance e 2° em Contos), Arthur (1° lugar em Contos) e ao Santiago Cidão que foi classificado, também, na categoria poemas.
Catraieiros, como eu.Fomentadores de cultura, como eu. Estimuladores de cultura, como eu. Engajados em políticas públicas e amantes das artes nas suas mais variadas formas, sejam elas música, jornalismo, fotografia, design e LITERATURA, como eu!

Visite

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Feliz

Dia do Correio Aéreo Nacional!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Para quê?

Pra eu poder brincar com o sol
Pra eu ouvir os sons em ré bemol
Pra eu poder sair por aí
Cantarolando músicas tristes

Pra eu poder brincar com a lua
Que se esconde e se anula
Na janela cor tristeza
Transfusa luz que confunde
A vontade de viver o dia

Pra noite chegar logo
Pra poder deitar
Olhar as frestas do teto

Pros domingos serem mais longos
Pras despedidas menos freqüentes
Pros olhos permanecerem cerrados
Pra nunca acordar de um sonho bom
Sonho bom que perdura na mente

Pra voz reverberante
Acalmar meus ouvidos de forma terna
Que os verbos sejam só os de amor
Pras dores só carinho
Declarações digitadas por aí
Bilhetes coloridos

Letras indecifráveis
Sentimentos apropriados
Exacerbados e exagerados
De alguém que sofre
ao ver o tempo passar
De alguém que sofre
por não conhecer a si mesmo
por não saber se controlar.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Coisas que merecem ser esquecidas,também.

Já esqueci.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Coisas que merecem ser esquecidas

Tem coisas que a gente reza pras pessoas não lembrarem, mas sempre tem um filho da puta que faz o favor de lembrar.
Estava eu, chegando ontem no estacionamento de enfermagem da Ufac (estava rolando o projeto Perambulando), friozinho gostoso, bastante gente, ao som de Calango smith e derrepente ouço uma voz:
- E aí CATITA,BELEZA?- berrando
Eu, com o a luz do carro do indivíduo incidindo diretamente em minhas pupilas, impedindo consideravelmente que eu reconhecesse a tal pessoa e a tal voz,gesticulei com as mãos e com a boca algo do tipo:
- Não estou enxergando nada.
Virei e saí.
Posso até ter sido mal educada, mas pooooooorrraa, apelido da época de colégio, mencionado(para não dizer berrado) em público não é nada educado.Principalmente quando não se tem intimidade nenhuma e quando não se vê a pessoa há séculos (5 anos, talvez). E mais, quando não se tem afinidade com a pessoa.
Pensei em mandá-lo tomar no cú, pensei em rir e gritar: ' E aí, monga, como vai a família? Parou de babar? E a cirurgia de fimose, vai bem?' mas não.
Refleti, respirei fundo e me aliviei ao chegar à conclusão que tem gente que não cresce. E apelido de colégio, também, tem gente que não esquece.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Me assiste,me lê,me julga,me lamenta, sente pena e me ri.
Mas me livra...
Me livra...
Me livra...


Que eu me livro.
De mim.

Só pra questão de registro.

Eu não acho mais tão ruim andar de ônibus no horário do almoço. Claro que não é coisa mais gradável do mundo ou aquilo que eu sempre desejei pra minha vida, mas é um fato que eu tenho que aceitar enquanto eu for uma orelha seca que não tem renda e muito menos carro.Pelo menos não tenho que dividir o espaço com galináceas.Galinhas ainda existem. ahnahn (mãozinha)

Têm coisas que agente tem que aceitar pro próprio bem e encarar como forma de amadurecimento.Quem diria que há alguns anos (meses) eu estaria aceitando essas merdas na minha vida?Eu estaria puta, falando mal de Deus e o mundo, bebendo, me drogando e..não, não estaria me prostituíndo.Achando que: quando o mundo vira as costas pra você, você vira as costas para o mundo ( grande Rei Leão). Não não, eu não sou mais assim: isso não me pertence mais, rapaz!Eu continuo reclamando, mas com outro enfoque.Pra abstrair as coisas ruins.

Acredito, mais do que nunca, que as coisas acontecem por um propósito e que, na maioria das vezes, é difícil ver o lado bom das coisas.Mas elas aparecem.Elas chegam.Elas dominam e fazem valer a pena todo o sofrimento,que, ora desnecessário, ora digno, é legítimo.A gente aprende, a gente cresce. Eu por exemplo, cresci uns 10 anos.Sem falsa modéstia.Talvez com um pouco de exagero.Mas é nas dificuldades que encontramos a força pra mudar.

Sei que tudo isso parece ctrl c e ctrl v de livro de auto ajuda mas eu preciso me auto ajudar. Afinal a ajuda tem que vir de nós mesmos. Senão vou acabar me auto fagocitando, praticando autofagismo, canibalismo? Começando pelas unhas.

domingo, 1 de junho de 2008

Back to black

I died a hundred times

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sorte de hoje: Uma surpresa agradável está à sua espera

péra aí que estou chegando!

terça-feira, 27 de maio de 2008


domingo, 25 de maio de 2008

Fixing a hole where the rain gets in.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Juízo.

O difícil não é tê-lo e sim deixá-lo nascer sem chorar de dor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Estoque

Ouço suas músicas como se fossem suas
Eu não me encaixo mais
Vejo em suas mãos respostas pras tuas
Não pras minhas loucuras.

Enxergo nas ruas linhas desnudas
Contínua escuridão embaçada
Estou sem óculos
O rumo para os passos pro meu nada
Foi desviado

Disfarçando a fissura em coisas que não valem
Que são perecíveis com o tempo
Que o espelho não mostra.

Estocando sentimentos bons na gaveta
O amor não é perecível, eu sei.
Ele não dissolve
Ele resolve.

Pra esperar
Pra esperar o tempo
Que parece querer brincar com a minha cara
Que se julga a cura para todo mal
Insiste em não passar
Insiste em não querer ajudar
Afinal, é normal.

sábado, 17 de maio de 2008

Sobre o positivismo.

Bem, infelizmente meu vocabulário de palavras sujas anda muito restrito.Por um lado é bom, aliás, não é bonito uma mulher ficar falando palavrões todas as horas,.Embora eu fale com bastante frequência.Mas o que me incomoda é que quando eu quero reclamar de alguma coisa,me faltam palavras e as reclamações se concentram em uma só: Puta que pariu.

Estava eu, no meu primeiro dia de trabalho(Tá, não é trabalho, é estágio.Sou a mais nova estagiária da Embrapa.Escraviária na verdade, por que por enquanto não vou ganhar nada, além de experiência, currículo e blá blá blá.Coisas para estimular pobres estudantes como eu a continuar estudando.) e descobri que vou precisar descobrir como fazer meu trabalho.Além de não saber fazer, vou ter que descobrir como faz, e fazer.Minha 'chefe' também não sabe fazer.Puta que pariu.

Depois de providenciar todas as papeladas burocráticas,ganhar meu cracházinho,andar e conhecer meu ambiente de trabalho fui pegar o ônibus para ir embora.A embrapa dispõe de um ônibus exclusivo para os funcionários, por que fica no Km 14 da BR364.É longe e não é brincadeira.Eu pensava, na minha inocência, que o ônibus ia me deixar em casa, visto que era 11:30 am e eu tinha aula na Ufac às 13:30.Feliz, subi ao ônibus e 5 min depois ele parou na BR, ao lado de uma parada de ônibus.Pensei : Puta que pariu.O ônibus te pega em casa, na verdade em um aparada de ônibus mais próxima da sua casa, às 7:00am e te leva de volta às 17:00 pm.Agora eu sei. Puta que pariu.

Calor infernal,gente fedendo, falando alto, galinhas, senhoras,crianças.Uma miscelânea de coisas boas para uma quinta feira ao meio dia e para quem está dentro de um ônibus que demora 1h para chegar à cidade.Puta que pariu.Com vontade de chorar, com fome, extressada eu ficava me repetindo: Puta que pariu, puta que pariu, tem que valer a pena.TEM QUE VALER A PENA!!

E é isso. As coisas são difíceis, a gente sofre, se fode(ainda não me divirto) mas espero de coração que as coisas melhorem pra mim.Afinal não é possível que as coisas ruins aconteçam de graça. Tudo tem um motivo (momento auto-ajuda) e se coisas ruins acontecem agora, boas coisas virão.Um dia.

Alguém, além de mim, acredita nesse papo?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vícios

ahhh
essa
moderna
invasão de privacidade
alheia
(e vice-versa)
interneticamente falando
me dá dor de cabeça!
!
!
!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fracasso.

E eu tenho medo do tempo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Carta Aberta da Coletividade

O Catraia é um coletivo de pessoas de várias áreas do conhecimento que enxergam a cultura como um meio de agregar, estimular, potencializar e realizar mecanismos capazes de escoar, integrar e difundir produções artísticas, educativas e culturais para o benefício da sociedade onde está inserido. Sistematizado como coletivo de dos seus agentes e dos grupos que a fomentam. Faz alguns dias que nós, colaboradores do Coletivo Catraia, vimos transparecer críticas pouco válidas ao andamento desse processo. Algumas dessas críticas partem de pessoas que não tem conhecimento do que realmente é o Catraia e sua coletividade, tampouco de suas verdadeiras intenções. Outras, infelizmente, são feitas por pessoas que já tiveram um forte vínculo conosco e que por esse e único motivo, se acham no direito de deturpar o que viram e, principalmente, o que fizeram enquanto colaboradores do Catraia. Muitas dessas críticas são feitas de forma velada, através de sarcásticos e viperinos comentários, que não constroem, nem sugerem apontamentos relevantes para a melhoria das políticas de cultura comum a todos. Para nós, do Catraia, críticas desqualificadas não são novidade. Mas críticas desqualificadas feitas abertamente, sim.

Ignoram que até quando se pretende ser
parcial e passional, é preciso ser
primeiramente imparcial e racional

Travestindo plataformas de achaque como veículos de informação, alguns costumam alimentar a discórdia e a balbúrdia, através de afirmações sensacionalistas e perniciosas. É absolutamente compreensível que certas pessoas, alheias ao conceito, ao processo e ao trabalho do Catraia, se oponham a ele de maneira veemente por puro preconceito ou ignorância. Também é normal que essas pessoas elaborem seus pensamentos a partir de pré-concepções e argumentos truncados, envoltos nas brumas passionais do criticastro, disfarçando seus anseios escusos com falsas bandeiras de liberdade e igualdade. Essas pessoas ignoram que até quando se pretende ser parcial e passional, é preciso ser primeiramente imparcial e racional, pois nenhuma causa se mantém firme e válida sem o estudo e o conhecimento de seus contrários, sejam eles firmes, válidos ou seus antônimos.

As críticas desqualificadas feitas por essas pessoas, se apoderam das ações do Catraia, dos esforços feitos por seus colaboradores e se constroem com um único objetivo: desestabilizar os passos de quem caminha pela Cultura, através da coletividade e destruir qualquer tentativa de acerto. São críticas que ferem a autonomia e o direito de autodeterminação do Catraia e de seus parceiros, pois abordam de forma ferina e deturpada assuntos comuns a todos ali, muitas vezes ultrapassando as noções da boa convivência e da ética. Acusam o Catraia de ser sectarista e estratificador nas suas ações. Mas esquecem que as nossas portas sempre estiveram abertas, assim como os ouvidos dos que aqui estão. No Catraia somos a favor do debate. Ouvimos o que queremos e o que não queremos. Assim como somos estimulados a falar não só o que queremos, mas o que devemos. Ao contrário do que se afirma erradamente, a verdade do Catraia é feita da soma das verdades das várias pessoas envolvidas em seu processo.

O que chamam de sectarismo, nós no Catraia, e dos vários coletivos parceiros do Circuito Fora do Eixo, chamamos de seleção natural pelo trabalho. O que chamam de estratificação, nós chamamos de criação de métodos e de hierarquização de responsabilidades. O pensamento dentro do Catraia é livre, mas o caminhar é um só. Porém antes de andar, debate-se muito. E é através de debates, conversas e explanações, que chegamos sempre ao denominador comum (o consenso) que possibilita a todos nós colaboradores vislumbrar um presente e um futuro rico em possibilidades. No Catraia,a pluralidade de pessoas e, consequentemente, de idéias, assim como a diversidade de conhecimento e as diferentes realidades de seus integrantes fortalecem o grupo e seu conceito principal: a coletividade em prol da Cultura.

Algumas pessoas põem em xeque o conceito de coletividade do Catraia, acusando-o de ser seletivo. Essa afirmação em partes é verdadeira. O Catraia é coletivo pela cultura e seletivo pelo trabalho. Ironicamente esse tipo de afirmação parte de gente que não tem o costume de suar a camisa no Catraia em prol da cultura tão defendida verborragicamente por eles. E é através do trabalho que se adquire poder de argumentação. O alinhamento conceitual e político do Catraia é voltado para o trabalho. Do músico e sua banda, ao agente cultural e seus objetivos alcançados, tudo é pautado pelo labor. O Catraia é um grupo de pessoas alinhadas ao claro pensamento de que tudo no Acre é feito com um grau a mais de dificuldade. E que por isso mesmo tudo precisa ser feito com mais garra. Sabemos das dificuldades, limitações e anseios do nosso estado. Mas também sabemos de seu potencial. Creditamos e acreditamos nele.

Somos contra o pensamento 'farinha pouca,
meu pirão primeiro' e batalhamos para erradicar
posturas individualistas que atravancam nosso trabalho

Além de estimular as bandas, associadas ou não, através de ações pró-ativas, como o estúdio de ensaio e a assessoria de marketing, imprensa e publicidade, o Catraia busca formas de escoagem de produção, criando mecanismos profissionais para fomentar o trabalho da cena cultural independente de Rio Branco. Com recursos próprios e das parcerias, o Catraia discute e age para que a emancipação desse trabalho aconteça para outros pontos da sociedade e do estado, não se restringido a um pequeno feudo de atuação. Somos contra o pensamento "farinha pouca, meu pirão primeiro” e batalhamos para erradicar posturas individualistas que atravancam a ampliação do nosso trabalho engajado. Entre erros e acertos, nos capacitamos. Permutamos experiências e tecnologias. E estimulamos a participação das pessoas nos diversos campos da cultura. Não detemos fórmulas, nem protocolos, tampouco a verdade absoluta. Mas sabemos onde estamos e pelo o que lutamos. Pelo Catraia, aprende-se errando e erra-se aprendendo.

Embora algumas pessoas tenham optado por criticar os processos metodológicos que vêm sendo implantados internamente no Coletivo Catraia, para nós, catraieiros, nunca nos coube julgar ou condenar os processos utilizados por essas pessoas e seus meios e veículos de informação cultural. Sempre respeitamos e continuaremos a respeitar a dimensão conceitual e de auto-gestão de todos os projetos, veículos ou grupos que trabalhem com cultura, por acreditarmos que a pluralidade se dá com respeito e todo objetivo comum deve ser alcançado de forma coletiva. Também nunca coube ao Catraia analisar ou criticar tecnicamente uma banda. Para o Catraia toda banda, independente de seu estilo, tem importância, que é medida pelo trabalho, relevância e consistência de sua postura no fortalecimento da cena de música independente acreana e brasileira.

Ao invés de colaborar ativamente, alguns preferem fazer parte do Catraia de forma equivocada. De fora, posicionam-se velada e gradativamente contrários aos passos do Catraia pelo simples motivo de não entenderem o processo ou de não fazer parte dele ou por incapacidade ou vontade própria. Sem dúvida é uma forma pouco positiva de colaborar. Compreensível até certo ponto. Confuso a partir deste. Nenhuma dessas pessoas se mostrou interessada em complementar e seguir um método. Nenhuma delas se propôs aproximar-se e contribuir para a melhoria daquilo que considera equivocado. Usando um falso discurso de liberdade, para elas o trabalho depende de como, onde, por quanto e quando quiserem. Muito fácil. Mas assim o mundo não funciona. O que chamam de liberdade, nós chamamos de falta de bom-senso.

O Catraia se preocupa com a qualidade
de seu trabalho, mas leva em conta o oneroso
processo de capacitação de seus envolvidos


Não existe liberdade, quando ela vem com os dois pés no desrespeito. Não existe liberdade quando ela vem no grito, no recalque ou na falta de tato e consideração. Para o Catraia liberdade é um termo de extrema importância. Liberdade se constrói com respeito e trabalho. Trabalho enobrece o espírito. Espírito nobre eleva o corpo. Corpo elevado é liberdade. E é nessa estratégia que o Catraia firma seus passos. Capacita para o trabalho através da concretização da verdadeira liberdade – aquela que termina quando a do próximo começa. Prezando pela boa convivência, confrontamos dificuldades abertamente para evitar conflitos. E trabalhamos. O Catraia se preocupa com a qualidade de seu trabalho, mas leva em conta o oneroso processo de capacitação de seus envolvidos, respeitando as limitações individuais dos mesmos e estimulando avanços.

Para nós, do Catraia, cada um que está ali tem um porque de ali estar. E para cada um há, não só poder de voz, como também poder de ação. Batalhamos pelo entendimento disso, através do aprimoramento dos mecanismos de relacionamentos interpessoais. Repudiamos, interna e externamente, qualquer demonstração de desrespeito, individual ou coletiva, pública ou não. Repudiamos a violência passiva do boato e da fofoca. Assim como também repudiamos a sectarização e a estratificação. Batalhamos pela saúde nas relações, nos debates, nos confrontos e nos enfrentamentos. Acreditamos na pluralidade, na gestão pautada por métodos profissionais e na capacitação das pessoas através da cultura e de sua cadeia produtiva. Buscamos de forma soberana e parcimoniosa, o método ideal que alie trabalho com satisfação, diversão com engajamento social, conhecimento e cultura para todos.

Atenciosamente,

Janu Schwab – Gestor de Marketing e Estratégia, Rodrigo Forneck – Gestor de Produção e Eventos, Saulo Machado – Músico associado e Gestor de Sonorização, Jeronymo Artur – Gestor de Comunicação, Karla Martins – Gestora de Administração e Planejamento, Thays França – Secretária de Relações Institucionais e Colaboradora de Produção e Eventos, Diego Mello – Músico associado e Colaborador de Comunicação, Thalyta França – Sub-coordenadora de Produção, Kaline Rossi – Músico associado e Colaboradora de Produção e Eventos, Ana Helena de Sousa, Colaboradora de Produção e Eventos, Veriana Ribeiro, Colaboradora de Comunicação, Rodrigo Oliveira, Músico associado e Colaborador de Sonorização, Santiago Queiroz – Colaborador de Comunicação, Daniel Zen – Músico associado, Colaborador da Coordenadoria de Ação Política da ABRAFIN e Presidente da Fundação Elias Mansour, Renato Reis – Fotógrafo e Colaborador do Circuito Fora do Eixo, Pablo Capilé, Marielle Ramirez e Lenissa Lenza – Espaço Cubo (Cuiabá), Marcelo Domingues - Demo Sul (Londrina), Pablo Kossa – Fósforo Records (Goiânia), Talles Lopes – Coletivo Goma (Uberlândia).\



Fora do Eixo
Catraia
. Coletivo pela Cultura.Seletivo Pelo trabalho

sábado, 10 de maio de 2008

A Corda

Em meio a um sonho ruim e um despertar forçado me sinto paralizada.Pra levantar.Pra tomar um rumo diferente, ou seja, um rumo.Pra quem não tem de onde partir fica difícil saber aonde se quer chegar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sobre pássaros.

Ela parecia um pássaro.Tinha o rosto fino, nariz pontudo e lábios que ,juntos, pareciam pêssegos ou talvez figos abertos.Lobados e protuberantes pra frente.Cabelos curtos, ralos na cabeça.Usava sempre batom escuro.Talvez fosse pra chamar a atenção por que ela parecia um pássaro e os pássaros, assim como todos os animais, têm suas estratégias para chamar a atenção.Os humanos também. E ela nem precisava colocar um batom escuro. Já chamava.

Além do rosto, o corpo lembrava também. Esguio, longelínio, fino, quase sem curvas. Para uma mulher ela era bem esquisita. E para um pássaro também.Usava roupas que pareciam não ter a delimitação entre uma peça e outra. Parecia uma vestimenta contínua, embora eu sabia que eram calça centro-peito e blusa de alça fina.Cobria as poucas curvas que tinha, na parte frontal do corpo.Tinha a coluna meio curvada pra frente, uma flor murcha.

Usava uns óculos com armação grossa. Tipo daqueles de acrílico.Preto, vermelho. Já vi vários modelos no nariz que aponta sempre pro infinito.E como era grande.Tinha cara de jornalista.E de pássaro também.Talvez uma lesbianchic.Sapacaxa do agreste. Talvez uma cdf que gostava de assitir animes nos fins de semana e desenhar. É, ela tinha cara de quem gosta de desenhar.Geralmente pessoas estranhas tem estranhas maneiras de se distrair.No caso dela aposto que seria desenhar ou escrever.

Talvez tivesse anorexia.Talvez tivesse o pai magro.Talvez estivesse em um desses regimes malucos.Talvez estivesse treinando pra ser modelo. Não, acho que não.Era muito feia. Parecia um pássaro. E quando estava atravessando a rua, esperando o homenzinho ficar verde, eu pensei: Por que será que ela não sai voando? Eu queria saber voar.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sobre unhas.

Guardo as cutículas pro final.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Saudade - Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

domingo, 27 de abril de 2008

Start Reverse

Partindo do princípio que todo começo é sempre o fim de algo que é bom(ou de algo ruim),o meu princípio começou e acabou de trás pra frente.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dos copos e corpos.

O mundo se fecha
os ouvidos se abrem
os olhos circulam
os miolos se confundem
com o peso da responsabilidade
de ser e aceitar-se só.
Nem tenho dó.
Apenas das minhas rimas
Conhecidamente mal construídas
Que me distróem.
Malditas que me assustam
Vezes durmindo
Vezes acordadas
Corróem nuvens de algodão salgado
Que faz um estrago à vida
Que não precisa ser longa pra ver.
E quando os olhos se fecham
Nas pálpebras o peso de ser
Sem escolhas e nem alternativas
O que já se vê no espelho
De ser aquilo que se nega em voz alta inaudível
Mesmo sabendo que o desejo mais íntimo é
Mergulhar em um mar de Caipiroscas
E só sair em coma.na maca.na cama.pra cama.pra casa
Ir pra casa à pé no escuro
E pular o muro.
Must be the moooon!

Niente

'Se tudo parece tão vazio
Se tudo parece tão estranhoooooooooô'


Berros do NADA não saem da minha cabeça.
Bom.Bom demás.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Mão.

Segue o barco
O rio.
A rua.
As linhas que separam as mãos.
Linha tênue do sentir ou não.
Mão única.
Mão dupla.
Mão áspera.
Mão distante.
Mão rejeitada.
Mão molhada de água salgada.
Do mar.
Do rio.
Da rua.
Do meio fio.
Daqui.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Insônia

O monólogo diálogo ecoa no quarto.
Antes fosse 1/4,mas 1/2 de um só, dá metade do que seria necessário pra me fazer sentir menos azul.





*Insônia.Monólogo diálogo.
Saudades da época de composições compulsivas.
Saudades de tantas coisas.
Saudades também.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Lembrando


As vezes ao abrir os olhos eu não quero acordar.Finjo que não vejo a luz cegante nos meus olhos.Sem cortinas ela é atrevida.Entra mesmo.Antes eu me incomodava mas hj não, até gosto.As cortinas se mantém abertas.E quando os olhos abrem completamente eles vêem o que minha mente pensa a todo minuto.É uma recaptulação do dia anterior,da noite, recaptulação do antes.Vezes boas, vezes ruins as lembranças são bem vindas.Contróem coisas boas e distróem as coisas ruins.Acho que as vezes eu só vivo de lembranças.E ruim viver de lembranças só.Sozinhas e sozinha.

sábado, 19 de abril de 2008

V.I.P


Eu sou uma V.I.P - Very Indian Person.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Cha cha cha changesss

E o frio está indo embora assim como a minha vontade de mudar o mundo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

E não é fofoca.




Outro atrazo meu(ou talvez não)é o The Gossip.A vocalista uma fofa - literalmente - super estilosa foi eleita uma das mais pessoas mais Cools do momento juntamente com Luisa Loverfoxxx e Thom York. Além de não negar sua preferência por mulheres,usa roupas extremamente chamativas e descoladas.Ela não está nem aí pro seu peso.
E precisa?Com uma banda fazendo um rockzinho modernoso,a performace de Beth Ditto(a vocalista)com sua voz meio soul é eletrizante.Muito além das divas de corpo,cabelo e maquilagem impecáveis.Beth e Amy winehouse estão no meu top.Podem não ter o comportamento ou a aparência 'normais' mas sabem fazer shows e músicas boas demais.


Standing In The Way Of Control- The Gossip





Versão da Música Standing In The Way Of Control pelo Soulwax.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Vícios.



Todos sabem que alguns vícios quando são deixados de lado,são substituidos por outros.Vício ou não,durante 3 noites tenho comido melão pela madrugada.Melão,dos amarelinhos, nem tão doces, mas gelados.

Saibam vocês que o melão não é uma fruta calórica, pois 100 gramas dela contém apenas 30 calorias.É rico em vitaminas A, C e do complexo B.É também uma excelente fonte de sais minerais como, por exemplo, ferro, cálcio e fósforo.


E daí?E daí nada.

Larguem as drogas,deixem seus vícios de lado e viciemo-nos em melão!

Velhas novidades.

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Should we go outside?



Curta brasileiro com direção de Clarice Falcão, Célio Jr. e Juan Manuel, "Dois Menos Dois" trata de romance em um banco de parque. A trilha sonora é a música "Sprout and the Bean", de Joanna Newsom.

Fofo,não?

Espreme que sai.

Escreve-se apenas pelo prazer de escrever e ser lido por olhos anônimos.Olhos que de anônimos passam à protagonistas de facetas impiedosas da fala escrita.
Repetente?
Recorrente.Inquietude.
Devaneios egoístas?
Quimeras solitárias.
Repentinas.Verspetinas.
Das de sol quente na janela e nas costas.Vezes nuas,vezes vestidas,costas essas que sofrem o peso dos ombros curvos e colo torto.
Ignorância?Investimento intelectual à longo prazo.
Dos vinte.Dos vinte e poucos.Dos trinta.
Arrogância?Fragilidade.Escudo de mentira.A arma dos fracos sem espadas e nem lanças.Me lança teus ataques.Absorvo com o orgulho.Esse também, falso.De fato.
Imaturidade?Ingenuidade do ser algo que não se vê que se é.Ou mesmo do não ser.

Espera aí.Espreme mais um pouco,que coisa boa sai.

Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde.

Nietzsche

Pano

Por baixo dos panos
Meu pano de fundo é totalmente rasgado.

sábado, 12 de abril de 2008

Zoom

Eu queria ter uma lente de aumento pra olhar os olhos das pessoas e enxergar além do sorriso da face.Passando por cáries e saliva pra ouvir com os olhos o que se passa no coração.

Ouvir com os olhos é ler com a imaginação,personificando cada interjeição em expressão facial e tom de voz familiar.

Eu queria encontrar pessoas com coragem pra me deixar olhar e retribuir meu olhar nos olhos com os olhos, pode ser.Retribuir com sorrisos, pode ser.Retribuir com uma mão.Com um banco macio pra sentar, pode ser.Retribuir com verdades,tem que ser.

Eu queria que a comunicação outrora transmitida pelo vento e captada pelos olhos,substituisse a de hoje,comunicação verbal não oral.Escrita.Injusta.

Escravos de jó



-Você vai ter que morrer pra eu parar de sorrir.

Ou você vai ter que sorrir pra eu parar de morrer?

Sem.

E tudo parecia fazer sentido.As formigas seguiam os rastros deixados por outras delas,o vento fazia curva,fazia reta.Fazia calor.Os pássaros pareciam estar meio engasgados,um canto afogado de água.Mas mesmo assim tudo parecia fazer sentido quando a vontade de ir à janela observar o movimento do nada se desfez em uma colher de chocolate self-maid.
E até mesmo o calor refrescado pela chuva parecia fazer sentido quando olhei pro chão e a água já estava sobre meus pés.As coisas simples fazem sentido.De vez em quando,só.

Wait

À espera.
Sempre há.

Ponto e vírgula.

Fala-se de vida em morte.
De morte em vida;
De morte e vida;
De vida mal vista;
Vida mal vivida;
Vida póstuma;
Morte prematura;
Vida torta;
Morte direita;
Vida tonta;
Vida direta.;
Morte de conduta.

E eu fico pensando e me cobrando mesmo,quando eu vou começar a viver a minha vida decentemente,sem ter que me preocupar com o que eu deveria ter feito por uns, pra uns e me arrepender por uns, por mim e por todos.Eu não desisto e nem canso de levar porrada na cabeça.Um dia aprendo.Hei de aprender que todas essas coisas só dependem de mim (nós mesmos) pra que sejam mudadas.Clichezão clássico e totalmente aplicável.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Auto-(im)própria-importância

Eu me acho importante.
Tenho que me achar.
Senão, quem acha?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

É.

É mesmo
É muito
É mito
É muito
E minto
É,minto.

sábado, 5 de abril de 2008

Carta Aberta.

O Dia que eu Criei Coragem para dar Novos Passos.

Nas últimas duas semanas além de lidar com a possível ruptura de um sonho, tive que desprender energia para lidar, também, com comentários tortos e maldosos que envolviam a minha banda. Comentários do tipo: “A banda vai acabar”, “Não são mais amigos”, “Elas brigaram”, “A culpa é do namorado” e outros que iam além do bom senso. Por enquanto é somente nessas horas de discórdia e fofoca que eu sinto como é ser famoso. E por esse motivo, mas não unicamente por ele, resolvi escrever esse texto.

Durante quase dois anos e meio, eu e os outros integrantes da Blush Azul nos esforçamos para unir sonhos, anseios e temperamentos diferentes em um projeto em comum: a nossa banda. Nesses dois anos ajudamos e fomos ajudados a fortalecer a cena independente musical de Rio Branco e do Acre. Compomos e gravamos. Tocamos aqui e Brasil a fora. Ouvimos e fomos ouvidos. Vimos e fomos vistos. E foi lindo.

Mas assim como todo rio amazônico modifica seu curso conforme a necessidade do meio, a Blush Azul, sendo uma banda amazônica, teve que modificar seu curso também. Nossa baixista e amiga Giselle Lucena foi levada a direcionar para outros rumos seus passos. Por motivos unicamente pessoais e que dizem respeito somente a ela, Giselle não faz mais parte da Blush Azul. Mas sempre será uma de nós, tanto pela sua colaboração artística com seus versos inteligentes e com sua presença de espírito, assim como pela nossa amizade, que não está exclusivamente ligada à banda.

Ao contrário do que foi dito pelas más e longas línguas, não houve nenhum desentendimento que tenha levado ao rompimento. Nem por parte dos integrantes da Blush Azul, nem por parte dos gestores e colaboradores do Coletivo Catraia. Como afirmei anteriormente, a saída da Giselle se deu por motivos pessoais. Cabe a ela responder por eles. Na quinta-feira fomos chamados pelos gestores do Coletivo Catraia para uma conversa, onde tivemos oportunidade de expor nossos anseios, esclarecer nossas dúvidas e nos fortalecer como artistas. Muito mais do que desentendimentos, existe um forte desejo por parte de muitos de que a coisa funcione. E ela irá funcionar. (No que depender de mim).

A Blush Azul pretende continuar trabalhando e seguindo com a parceria do Coletivo Catraia, parceria essa, que vem sendo estimulante (eu acredito), tanto para nós, quanto para outras bandas e pessoas envolvidas na construção de uma cena cultural que se sustente e se renove cada vez mais. A Blush Azul é grata ao Catraia assim como o Catraia é grato à Blush Azul. Brigo todos os dias para que a recíproca seja verdadeira. E creio que todos, catraieiros ou não, devem fazer o mesmo, trazendo para debate aquilo que precisa ser debatido, independente da forma como será exposto.

É muito mais saudável expor as coisas abertamente, do que por debaixo dos panos, na boca pequena de língua grande. E tomar para si como um problema só seu. O problema é de todos e diz respeito a todos. Se há algo errado, há e se não, deve haver a oportunidade de corrigi-lo. Como li no texto da Veriana postado no blog do Coletivo Catraia, o rio segue seu curso. E a Blush vai seguir diferentes cursos afluentes do mesmo rio. A Blush vai seguir. O curso. O rio. A música. A catraia. Na catraia.


Kaline Rossi
Baterista da Blush Azul
Integrante do Coletivo Catraia
Sonhadora e persistente.

dope show.

Deveriam inventar alguma bebida que desse o mesmo efeito que o sono dá nas pessoas.
Eu,não sou eu com sono, fechei a porta do carro nos meus dedos.
Dopada?Chapada?Bêbada?
Não.Com sono.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Descaso Calado

Para todos que dizem não
Eu digo sim
Digo que sou, digo que fui, digo que fiz.

Para todos aqueles que olham por cima
Eu olho por baixo
Olho por dentro
Eu atravesso
Transcedo aquilo que não é legítmo
Aquilo que não é de bom grado

O descaso caladooo
O descaso caladooo

Para aqueles que não se importam
Para aqueles que largam
Ou que dizem que não acreditam
Eu digo que consigo
Eu faço, eu prossigo

Pois o descaso se disfarça por preguiça
Pela ignorância e pela graça
O descaso se disfarça de responsabilidade renegada
Se faz pela falsa culpa sempre armada

O descaso caladooo
O descaso caladooo

Mesmo não dizendo sim, fazendo ou negando
Faço uso dos ouvidos,meus conselheiros
Pra projetar como gostaria que fosse
Pois mesmo que seja só na imaginação
E tenho a capacidade
E a coragem de dizer não.


Com o descaso calado
O descaso calado
Pelo descaso calado
Só o descaso é calado.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Humor 'motherfucking' Nigro

Bom de mais.

Canto das gérberas.

Me contradizendo,então
Saio de fininho, em vão.
Calo-me com os olhos
E deixo me perder na multidão

Multidão sem cor e sem forma do escuro
Uso o tato,uso o murro
De frente pro muro
Eu julgo muito, faço pouco

Faço caso,desfaço o laço
Rasgo o forro daquilo que era vermelho-amor
E reciclo no vermelho-ódio
Vermelho-dor

Pra não querer fechar com botões de rosas sem cor
Ou gérberas mortas do canto da parede
Pra não me deixar cair no escuro sem fim
No escuro eterno do rancor
E no ensurdecedor barulho do silêncio
Cerro os olhos mudos
Por que segundo palavras cuspidas
Nada disso mais têm valor.

Ego.

Difícil é falar do ego dos outros quando se tem o maior de todos eles.Quando o ego cobre os olhos não se enxerga além do que se quer.

terça-feira, 25 de março de 2008

(...)

Eu odeio muito mais a gramática hoje do que um dia odiara. Pra falar a verdade eu nunca odiei gramática tudo isso aqui é mais uma viagem da minha cabeça que está livre de pensamentos numéricos,(por enquanto),sonoros(por enquanto),livre de palavras faladas(por enquanto)mas não livre de pensamentos escritos na mente,esses não.

Parece que tudo que eu li(foi pouco menos do que eu gostaria de ter lido)e aprendi, não serve de nada pois o conhecimento acumulado não se faz presente em silêncio muito menos em desuso.Vira pó.Vira arquivo da memória falha.Mas eu tenho o poder de escolher o que eu gosto de usar,de ouvir e do que não.

Prefiro muito mais os pontos.Finais.Continuando's. Os dois pontos,aqueles um em cima do outro,me assustam por que advertem:'Lá vem mais palavras','Agora é minha vez de falar'.Como se precisasse dizer!

Os travessões são meus inimigos pois eu quase nunca tive oportunidade de usá-los.'É aquilo que o segue', 'Como eu dizia'. Apenas os ouço,sempre,constantemente.Ouço por que quero, não minto,por que se não quizesse,o ponto final seria um triunfo meu.

As vírgulas sim, essas são incessantes.Prolongam,pausam sem expectativa prévia pro fim, torturam adjetivos seguidos de verbos mal passados,abrem o buraco, cavam mais fundo pras palavras entrarem e sem ter pressa de ir embora. Abrem sem dar licença para travessão alheio,muito menos dois pontos(um em cima do outro).Seguem seguindo, descontroladas,ameaçadoras e angustiantes, seguem sim.Pequenas curvas feitas à lápis ou caneta,ou até mesmo com os dedos e teclas,visualmente sem peso,tornam-se bombas,pedras,punhos pros ouvidos e pra cabeça, principalmente.
Lê-se.Ouve-se.Pouco fala-se.Muito fala-se.Pouco deixa-se falar.E tudo acaba não em um ponto final.Quizera eu.Acaba com pontos.Três.Um seguido do outro.Horizontalmente.Pro infinito.

Aqui sim, eu posso usar meu ponto final.Posso mesmo?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Colorida Quimera.

As cores eram tão fortes e tão reluzentes que ofuscavam o sol.Seguiam uma linha perpendicular, quase uma parábola por cima das nuvens até o chão.O verde era de brócolis, mas eu não quiz pegá-los.O vermelho era de melancia,mas como era muito grande eu não consegui abrí-la.O azul era do céu mesmo, aquele azul de céu sem nuvens.No fim, que se dava rente aos meus pés, não tinha pote de ouro e muito menos de mel.Então do amarelo eu tirei palmas de banana comprida, que estavam tão doces que eu comi ali mesmo.Tinha gosto de banana mas cor e textura de manga.Quanto mais eu tirava, mais tinha pra tirar.Para as pessoas que passavam eu oferecia e eu me sentia muito simpática e prestativa, seria o efeito dos tesouros das cores? Acho que ali eu percebi que de nada valem os tesouros se você não tem com quem dividir.Então eu acordei com fome.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Passividade

Acabe com isso de uma vez!
Eu sinto palpitar
e me pergunto porque
Me sinto culpada
Por querer que acabe logo
Consegue pegar o telefone
E dizer: Alô?Pode conversar?
Eu sei que a espera
Foi sempre uma irmã
Aliás, mais que irmã
Uma irmã gêmea univitelina
Ou melhor, um irmão
Que não hesitava em abrir o coração
Que não hesitava em chorar
Que nunca hesitava
E eu aqui, como sempre
Esperando...sempre esperando
O êxito.

terça-feira, 11 de março de 2008

Bolo sujo.

Por que
às vezes
sinto vontade
de vomitar
palavras
com ímãs
de maldade
que atraem
as coisas
(dentro de mim)
que eu não
consigo controlar
e fazer um bolo
bolo de maldade
jogar pro alto
e esperar se espalhar
retribuir o mal
com o bem
pois as coisas
e as pessoas
se transformam
e evoluem para
o que quer que seja
e na maioria das vezes
quem recebe
aproveita melhor
do que você.

Predicativos do sujeito só.

E não vejo mal algum em ter problemas.Todo mundo os tem.Quantos tem coragem de expor suas angústias? suas caras feias? suas cara bonitas? seus espelhos pixelizados(?)Suas fraquezas, suas mentiras, suas incapacidades e incompetências, suas falhas e seus medos?Poucos.
E quando não se tem pra quem pedir ajuda?Se fode e se fode conscientemente.

Dedos Inquietos - parte terceira ou segunda.Pessoa.

Por que será que as verdades ditas em terceira pessoa soam menos agressivas aos ouvidos que as assumidas em primeira pessoa de si?

E pergunto mais:Por que será que as palavras, verbos, adjetivos, defeitos e afins enfim, quando lidos senão ouvidos, doem mais?

Eu respondo baseado na verdade d'outrém: Por que temos mais tempo pra relletir, pra pensar e concordar ou não, e se inundar com todos os sentimentos ruins que nos afogam nesses momentos.Momentos estes nos quais pessoas como uma amiga(imaginária) se fazem mais fortes e mais fracas, mais mulheres e mais crianças, mais burras e mais inteligentes, mais covardes e mais corajosas.Sem terceira ou segunda pessoa.

domingo, 9 de março de 2008

Ser Mulher

'Por que ser mulher é ser humano e ser humano é ser homem, é ser mulher...'

segunda-feira, 3 de março de 2008

Uva

Quanto mais o tempo passa
Mais o tempo passa.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Sangue.

Ele pode ser de dor
ou de amor
pode ser violência
ou por carinho
Pode ser de ódio
ou de solidariedade
Pode ser por fraqueza
ou por pura nobreza
Na dúvida ou no alívio
Ele traz alegrias pra mim
por isso
Meus anjos e demônios
Dizem amém.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

De si, pouco se sabe além de mim.

No tempo em que usava sandálias menores que os pés,roupas emprestadas que cobriam as partes que(ainda)não tinha, que mal deixavam ver o que se tinha dentro de si pois escondia com os ombros o que a alma mostra pelos olhos: Aquilo que realmente é.
Achava que era dona do mundo,mas sabia que não se domina o mundo com os ombros.Lhe faltavam braços.E era a dona do mundo.Do seu mundo.Aquele que as fronteiras eram as paredes do quarto de reboco nú, rabiscadas com giz colorido roubado da tia da escola.

Na escola era rainha,era a invejada por todas, a imitada - o que na época irritava-a ao extremo ao ponto de fazer coisas que ninguém teria coragem de fazer.Assim começou nascer alguém em cima de outro alguém.Psicologicamente falando,algo totalmente explicável por Freud.E que fique bem claro que eu não entendo nada de psicologia além do senso comum de dizer que o velhaco explica tudo.Vai saber.Tenho até um livro dele aqui que troquei em um sebo mas nunca tive a coragem de ler.

Como dona do mundo -aquele lá das paredes coloridas- se perguntava o que faltava para se sentir inteira,plena e tranquila com as coisas do seu mundo e do mundo dos outros.Tentava de todas as formas possíveis compensar a falta e ausência com a autencidade copiada, forjada de alguém da revista ou da mtv.Sentia-se satisfeita com tão pouco, se sabotava pensando que as coisas não poderiam ir além do que se vê.
Não sabia que para entender as coisas dos mundos e fazer com que eles fossem seus, tinha que ser do mundo também.E que antes de pertencer a qualquer mundo que fosse, teria que pertencer a si mesmo .Acima do que não se vê e acima do que se quer.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pequena

Tinha os cabelos maiores que a metade da sua altura, pretos como o teclado que agora me serve como tradutor de idéias, preto como a noite sem lua e nem estrelas.Olhou pra mim com olhos de jabuticaba madura ou talvez bolas de bilhar, tão pretas que dava pra ver o reflexo meu e disse:
- O que é isso no seu nariz?
- Um brinco.
- Eu quero um brinco no meu nariz também.
- Não, você é muito pequena ainda pra ter brincos além das orelhas.
Se escondeu atráz da poltrona e levantou em um pulo só dizendo:
- Olha lá fora. Vaquinhas.
E se escondeu.
E olhei as vaquinhas e fiquei pensando.As crianças me comovem.E eu tenho uma certa resistência à isso.À crianças.Em todos os lugares que eu estou, seja numa fila, seja andando na rua ou no ônibus elas tendem a olhar pra mim com uns olhos estranhos e isso me incomoda.Parece que elas sabem de mim mais que eu e pensam:- Olha só, ela nem se conhece.Me dá medo.Mas eu gosto.É uma forma de me testar.Imagine só, as crianças me testando!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Imunidade contr'outros

Não tem como roubar aquilo que já faz parte de si.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pretérito passado

Faço um risco
rabisco
em cima do passado escrito
faço um traço
até ficar borrado

O passado escrito
já foi lido e relido
mas não consegue sair
do pretérito falido
falado

Mas o passado que a gente guarda pra viver depois
é aquele que conseguiu não sair dos planos de papel
e que vivido ou não
talvez nem tivesse a chance de ser presente.

Hide.Love.

Beatles me pega nos melhores momentos.Eu ouço e confirmo o que eu sempre soube: Eles são geniais.

You´ve got to hide your love away


Here i stand head in hand
Turn my face to the wall
If she´s gone i can´t go on
Feeling two foot small
Everywhere people stare
Each and everyday
I can see them laugh at me
And i hear them say

Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away

How can i even try?
I can never win
Hearing them seeing them
In the state i´m in
How could she say to me
"love will find a way"
Gather ´round all you clowns
Let me hear you say

Hey, you´ve got to hide your love away
Hey, you´ve got to hide your love away


http://http://www.youtube.com/watch?v=jz7IjXu0DfQ

Gotas

Enquanto lá fora
As gotas doces
Se suicidam das alturas
Aqui dentro
As gotas são salgadas
E se suicidam da mesma forma.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Para materializar a tortura e não perder o costume:
Quem grita no escuro não grita sozinho.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Convexo

Já deixou de ser promessa,agora é minha dívida.És o reflexo convexo da parte ruim de mim.A parte que me deixa dividida entre o orgulho e a verdade.

Negrito

Pra ser ouvida mesmo que em silêncio
Eu falo em negrito
Em sinal nulo ou submisso
Eu grito pra dentro.

Em tom, então.

Me fala de amor com o teu som
Que eu te dou uma nota como resposta
O tom
Por que eu ouço o tremor da fala
Pecebo o som da voz que as vezes se cala

Enxe-me de sílabas unissínonas
Da boca que jorra pregos
Que vibra o martelo
Que constrói em cima de mim
Um vão acústico que me ensina a ouvir
Com a sensibilidade o bem me quer, quem não quer.

Se eu finjo em cima do muro
É pra tomar jeito
Pra tomar murro
Pois o esboço do meu esforço
É escrito em som escroto
No compasso dois por quarto
De um único tom relapso
O meu
Que disfarço entre os graves ecoados
E agudos desafinados.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Simpatia.

Sorrir com os ombros economiza músculos da face.

Monsto d'umbigo

Eu criava um monstro no umbigo. Ele era insistentemente chato e inconveniente, me fazia cócegas e de vez em quando me causava dor.Era cômodo tê-lo por perto por que me dava prazer quando ele aparecia com algo que refletia, mas eu só conseguia enxergar no escuro dos olhos fechados.
Esse monstro apesar de todas as impressões boas que ele me dava, eu queria matá-lo por que sabia que nada que eu via e que eu achava era real.
Quimeras vestidas de flores verdes e cheiro de baunilha, ou molhadas com som de passos solitários marcados na poeira recém pisada.Só quimeras.
A minha luta era diária e constante,o meu monstro d'umbigo precisava morrer.As batalhas eram travadas todos os dias com hora e local marcado: ao amanhecer e em frente ao espelho.
Olhos no reflexo, monstro no reflexo.Eles se enfrentavam com os olhos e com a imagem que só o reflexo podia ver.O monstro era cego, não podia ver o reflexo que via o monstro com olhos de desenho animado...
Não morria fácil, por mais que eu tentasse.Resolvi que talvez fosse mais fácil se acostumar com a sua presença.
EGO.

Sonhos

Sorte de hoje: Seu maior sonho vai se realizar


Bem, como eu tenho vários maiores sonhos, tenho que escolher qual deles eu vou realizar agora. Mas será que eu tenho que escolher mesmo? Porque ele não se realiza sozinho? ahh, assim seria muito fácil!

*Boa idéia, vou listar alguns dos meus sonhos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Drama Ateniense

Quando o esperar se torna uma tortura
A gente desiste de olhar pro portão
E vai durmir com bico na boca.

Registro

Nunca fiquei tão feliz ao ver sangue meu.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

dedos inquietos - parte segunda (?)

A comunicação é verbal mas não é oral.
É escrita
(Usa-se de verbos)
Mas não se fala.
Então é visual
(Por que lê)
Mas não se vê.
Mas também,pudera.
Com que olhos?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Cansa

Quando a gente cansa de tentar entender a repulsão,a distância,o olhos desviados,cansa de tentar arranjar maneiras pacíficas com palavras gentis e sábias para resolver desavenças que não se materializam e nem se personificam em palavras,a gente cansa.
Quando a gente cansa dos olhares,intenções e falsos sorrisos espremidos do lado direito das bocas pequenas,dos abraços mal dados,do adeus forçado com a mão que acena e que é a mesma que te dá um cotoco por trás,a gente cansa.
Quando a gente cansa de dar valor ao que não vale a pena,não por descaso ou falta de consideração e sim por não ver a validade de um esforço de uma via só,que não é recíproco,não é mútuo, a gente cansa.
Quando a gente cansa e decide que não quer mais ser visto como coitadinho que faz drama,que finge que sente e que finge que não, a gente simplesmente: Cansa.
E eu me pergunto: - Será que essa gente toda não cansa também?
Por que uma relação saudável(mesmo que seja aquela relação de 'Oi,olhacomoeusousimpática' ou 'nossaquevestidolindo') entre as pessoas exige um esforço mínimo de ambas as partes.
Mínimo.
E gente, como isso cansa a gente!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Galho Verde

Vinde a mim a glória e paciência de esperar o que é bom pra si no tempo certo,com a certeza que tudo que tu tens é consequencia do mundo que tu vives e das tuas ações-oras justas, oras infelizes, oras inocentes.
Nas horas que a gente acha merece um abraço,vem um galho verde na cara(galho verde dói mais).Mas o pior é quando vem a árvore inteira.

Confissões nada secretas.

Eu quero deitar no mar vermelho que me torna amor
No mar vermelho que me traz amor
No mar vermelho do amor
Que é vermelho de amor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

dedos inquietos - parte primeira (?)

Segura na minha mão e diz que tudo isso que eu penso é bobagem.Diz pra mim:quando essas coisas te dominam elas te fazem mal.Por que pra mim diz que dentre todas as outras(que existam talvez só na minha cabeça)eu sou a que faz o estômago revirar como borboletas em vôo nupcial.A que faz pensar além do presente-pretérito-mais-que-perfeito pra mim.É isso que eu quero e não há coisa,pessoa ou situaçao que consiga estragar esse momento que é só meu.Meu e dos meus,daqueles que eu quero bem.Uns bem perto e outros bem longe de mim.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Sorte de hoje: Divida sua felicidade com os outros hoje mesmo

nhamrram!

Dói o estômago só em pensar na dor que vai ser quando o tempo decidir que o tempo acabou.

Não quero saber.

Eu não quero saber das suas histórias nem dos seus lamentos
Não quero saber da sua vida,seus sentimentos muito menos das suas palavras
Cantadas, faladas
Sorridas, mentidas
Escondidas e olhadas
Telefonadas, telepensadas.
Eu não quero saber.
Não quero saber se seu céu não amanhece lindo como o meu
Se a sua janela faz barulho quando você tenta conter a luz no seu quarto
Se a tua voz não alcança os agudos que te fazem ser ouvido!
Não quero saber da música que te faz chorar e nem o dvd que te lembra bons momentos
Eu não quero saber de nada por que não me interessa e nem faz diferença na minha vida.Nunca fez!
Por que na vida a gente constrói coisas em cima do que ficou pra trás,meu bem.

sábado, 29 de dezembro de 2007

PASSAGEM DO ANO

PASSAGEM DO ANO


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Gallo

Aquelas horinhas que antecediam o amanhecer eram as mais cruéis.Ter que ouvir o galo cantar antecipado,nervoso,desafinado e com pressa de me tirar do lugar onde eu queria ficar parada ali, olhando a sombra cinza pro resto da minha vida,era frustrante.
O palavrão-delícia na boca rosa tem gosto ácido mas é doce,tem um quê de agressividade mas é terno,tem a violência das palavras que entram pelo ouvido e vão direto no estômago mas ao mesmo tempo faz carinho nos ouvidos que as ouvem.A violência de não querer dormir sozinho com os galos.E junto às luzes do poste da rua fria ,as luzes de natal me fazem querer paralizar aquele momento e matar o enforcado o esgalamido galo ao lado.
Maldito galo quer me tirar do lugar onde eu queria criar raízes, daquelas que vão fundo,axiais,pivotantes ou até mesmo as adventícias que dão base sólida para uma árvore grande porte.Árvore esta que eu construo,diferentemente das que estamos acostumados a ver por ai,d'onde de uma sementinha que germina com todo o amor e carinho do solo e forma primeiramente uma plântula,uma muda e depois quem sabe um arbusto ou uma árvore.A minha árvore não é assim, eu construo todos os dias um pedaço dela,com o mesmo amor.E pra cada dia meu, desses que o galo incomoda,uma camada considerável de células xilemáticas,floemáticas e parenquimáticas vai sendo incrementada à minha árvore.Já passaram das raízes, pois a árvore já consegue ficar em pé, se sustentar sozinha e estão no caule até chegarem as folhas, flores e frutos.E antes mesmo de chegarem as folhas e as flores,eu sei que o fruto estará maduro,por que como eu sou uma garota esperta,todo os dias ao construir a minha árvore eu já estou trabalhando o fruto para que quando chegar a hora ele esteja pronto para que eu tenha o prazer de colhê-lo.O mesmo prazer que eu tenho em cultivá-lo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Sem nenhuma dor no peito.

O que parecia tão distante, hoje é tão normal que chega a dar raiva(raiva boa).Sentir-se parte de si e da imagem que os olhos refletem faz você entender um tanto das coisas do mundo e das suas próprias coisas.Por que quando você deixa de lado as limitações bobas,não que sejam increditáveis mas no momento, não há necessidade de se apegar às coisas pré-estabelecidas(não sei por quem) que não servem de nada, além de impedir que vivamos as coisas boas da vida.Não da vida dos outros,das nossas vidas,da minha e da sua sem 'nenhuma dor no peito'.
Por que o bom mesmo é sentir-se bem.

What if i say i´m not like the others?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Novo

Fim de ano (denovo),cabelo novo,ano novo,meses novos.
Janeiros, fevereiros ,novembros e dezembros
Sol,Calor,Chuva e frio
Novos Ares,novas vibes
Novos ombros e braços
Novos olhos e novos abraços
Inovo o novo
Denovo o velho
O novo que vem não me surpreende
Tenho mais um ano inteiro pra decidir
O que vai ser novo, o que vai ser denovo e o que eu vou jogar fora.

Mas tudo isso, denovo?

Good, good e-mail

"Hello,

Just to let you know…

Your ....has now left w.a.s.t.e. in the UK.

It is now too late to make address changes or order cancellations.

You can expect delivery of your ... in the following estimated times.

UK 1-8 days
Europe 3 -14 days
Rest of World 5-18 days

December is a busy time of year for postal services globally, so please be patient."



Êbaaaahh
5 -18 days!
(!)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

De tudo que eu sei, é que o que eu sei é tão pouco.

Não entendo de artes, pintores, telas,tintas e nem artistas plásticos.
Não entendo de arquitetos, tentências, cores, formas, curvas, perspectivas e muito menos de cálculos vetoriais.Não entendo de medicina, de órgãos, substâncias, reações químicas e nem físicas do corpo humano.*

*Não entendo, mas sei que acontecem muitas vezes eu até posso ver as reações químicas acontecendo.
(!)

Não entendo de pautas, de matérias, de estórias, métricas de frases, conjunções,poesias, poemas, textos, adjetivos, coerencia, reportagens nem fotografia.Não entendo de mapas, de relevo, de populações e relações humanas.
Não entendo de árvores, de flores, solos, microorganismos, tecidos vegetais e componentes celulares.Não entendo de música, não sei nome muito menos sobrenome de rock stars, não sei de suas vidas, seus feitos, não sei da cronologia dessa coisa toda,não sei de revoluções, de pessoas que fizeram história, de drogas, sexo e rock'n'roll.Não entendo de marcas, mecanismos de manipulação de massa, logística, marketing e nem de computação.Não entendo de agressividade -apenas no trânsito- não entendo de discussões filosóficas, de agressão verbal e nem de rasgação de seda.
Não entendo de rancor,de mágoa e nem amigos imaginários.

Eu não entendo de tantas coisas mas nem me sinto tão mau assim.Tenho certeza que eu posso,ter,ser,fazer o que eu quizer.
(ui, O BOTICÁRIO! hehe)
O ano de 2008 será curto pros planos que eu tenho pra mim.Ah será!

Vontade.Disponibilidade.Paciência.Costas largas.Saco fundo.
Faro apurado.Senso crítico.Percepção Aguçada.Serenidade.Calma.Humildade.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Tempos em tempos

De tempos em tempos de olhos abertos,o mundo me dá olheiras;
De tempos em tempos pensando,o mundo me dá dores de cabeça;
De tempos em tempos imaginando,o mundo me dá angústias;
De tempos em tempos clamando,o tempo me dá caminhos;
De tempos em tempos me achando,o mundo me dá as costas;
De tempos em tempos tentando,o mundo me dá respostas.

Sobre Nuvens




É sobre elas que falo.
Elas denovo.

Amor Perfeito


És minha base, meu exemplo, minha amiga, concelheira
És meu dicionário, meu manual de normas e conduta
És a solidez das minhas angústias
És responsável pela minha ânsia pelo mundo
És responsável pelo que eu sou de bom hoje
(o que eu sou de ruim, assumo a responsabilidade total)
És a paz que eu preciso
És a palavra que acalma
És a força que eu acho quando penso que não tenho mais
És a calma e a compreensão do meu mundo
És o meu travesseiro e meu sonho bom.
És a flor do jardim da nossa casa
És minha mãe.



Amo muito e com todas as forças que as vezes eu acho que não tenho.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Blocos de Gelo

Talvez meus pés sejam feitos de blocos de gelo.
Ás vezes eles derretem e eu derreto junto
Me deixo levar no fluxo fluído
Rua, carro, tijolo,mesa, gente
É tudo tão concorrido!
Noutras eles me colocam no chão
Cravam no solo bases sólidas
E me colocam no meu lugar
O lugar da minha cabeça aonde não é permitido sonhar
Me lembram o que eu tenho que fazer:
Manter o controle.
Sempre.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sadô masôô

é isso que eu sou

Sadô masôoo
(...)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Fluída.

Isso, vem
e lava tudo que for de ruim
arrasta a sombra purpurinada
borra o lápis e o rímel preto
tira do cabelo o cheiro do cigarro
limpa cada poro
sujo de sujeira do mundo
limpa a lama
limpa a alma
limpa o caráter
(se tiver)

Isso, vem
me leva
me arrasta
junto com tudo isso
pra um lugar que nem você sabe onde é
pega na minha mão e me acompanha
até que no fim
possamos nos tornar UM só
no meio da sujeira e das coisas ruins
como um oásis
junto,bom e só.

Isso, vem
limpa as feridas
fz sair a sujeira dentro de dentro de mim
limpa as cascas
tira as marcas
limpa o tempo
com o tempo.
Arrasta com avidez
Sem pudor e nem rancor
Por que não se sabe quando tu virás denovo
Faz o teu serviço
Faz o bem sem olhar pra trás
Faz cem, mil quantas vezes for
Faz sem esquecer de olhar nos olhos
Sem medo de ver o que só eles te mostram
Amor? Rancor? Dor? Pudor?


Isso, vem.

Programa de Domingo





Acho que os indícios de minha velhice espiritual estão aflorando gradativamente.
Como que eu sei? Ontem eu fiz um programa típico de velho:
Fui ver uma feira de móveis .Não vou dizer que não foi legal por que eu estarei mentindo, tem umas coisinhas bem interessantes principalmente com relação ao aproveitamento de resíduos de madeira(isso me interessa)
Depois, fomos( eu minha mãe e uma amiga dela) comer pizza e ver a iluminação de natal do palácio e da gameleira. Também não vou dizer que não foi legal,por que foi oras.
E o pior é que eu gostei,isso é preocupante!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Portas

A gente fecha as portas
para não ouvir as verdades

(que não querem ser ouvidas)

Mas elas
ficam batendo
pedindo
perturbando pra entrar
e
acabar com meu estômago
acabar com a minha paz.

As vezes eu penso em trancar
e jogar a chave fora
Engolí-la pra que nem eu possa desistir da idéia
voltar e destrancar
ser vencida pelo cansaço
noutras
penso em deixar aberta mesmo
e desistir de resistí-las.

Elas sempre me vencem
de
uma
forma
ou
outra.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

PASSAGEM DO ANO

PASSAGEM DO ANO


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado

Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro

Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

Carlos Drummond de Andrade

*Pra Ana.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Elas denovo 2°

E se o mundo fosse feito de nuvens.
(fossem elas branquinhas como carneirinhos ou cinzas como a calçada suja)
Eu adoraria me esconder por trás delas e observar
as pessoas
os carros
os cachorros
as árvores
os carrinhos de pipoca
os homens vestidos de papai noel
as prostitutas
os ambulantes
os deficientes
os estudantes
as faladeiras


o tempo


E que eu pudesse seqüestrar alguém pra ficar comigo, olhando, olhando eu o faria. Ter com quem compartilhar as loucuras e bobagens da vida(minha) é tão bom.
Deve ser.